27 de abril de 2014

Citação fantástica (123)

Still, after much heated debate, voting, counting, and recounting, the village council had decided that clairvoyance was more sacred than dementia and therefore should always be given the benefit of the doubt.


Thomas Olde Heuvelt, The Ink Readers of Doi Saket (2013)

26 de abril de 2014

O som e a fúria (22)

Apesar de Sunshine, de Danny Boyle, não figurar entre o melhor cinema de ficção científica da primeira década deste novo milénio, ninguém lhe pode tirar o mérito de ter apresentado uma estética e uma componente visual ímpares - com algumas das mais belas imagens que o género viu no grande ecrã. E merece também destaque pela sua extraordinária, um trabalho de colaboração dos Underworld com o compositor britânico John Murphy. O tema mais conhecido será decerto este Adagio in D Minor, uma composição especialmente evocativa. Tem sido usada em material promocional de outros filmes, e mesmo em séries televisivas e anúncios publicitários; mas onde se tornou inesquecível foi em Sunshine.

25 de abril de 2014

Hugo Awards 2014: Contos nomeados de Sofia Samatar, Rachel Swirsky, John Chu e Thomas Olde Heuvelt

Longe das dúvidas que se instalaram a propósito de outras nomeações noutras categorias, os quatro contos seleccionados para a shortlist de "Best Short Story" na edição de 2014 dos Prémios Hugo destacam-se pela sua qualidade global, muito acima da média, e pela diversidade nas origens dos seus autores. Lendo-os no seu conjunto, será talvez difícil não reparar na predominância de temas , passe a expressão, românticos - não há aqui uma exploração mais tradicional das convenções da fantasia ou da ficção científica, sendo estas relegadas para segundo plano perante a beleza das metáforas e o destaque dado às personagens, às suas personalidades, aos seus dramas e aos seus relacionamentos - com aqueles que amam, com as famílias, e até com estranhos. E, diga-se de passagem, não há mal nenhum nisso - sobretudo quando estes quatro talentosos autores apresentam contos deste calibre. Aqui ficam hoje em destaque: 

Selkie Stories Are for Losers, de Sofia Samatar, foi publicado na Strange Horizons a 7 de Janeiro de 2013. Samatar utiliza a selkie (uma criatura do folclore irlandês e escocês que assume a forma de uma foca na água, o seu elemento natural, e que despe a pele para vir a terra - podendo ser capturada se a pele for recolhida por alguém) para reflectir sobre os laços familiares, sobre o compromisso e sobre as oportunidades - as que se perdem por falta de atrevimento, e as que se aproveitam quando surge a única chance para tal. E fá-lo através de um curioso enquadramento narrativo, explorando a história da jovem protagonista e da sua colega de trabalho/amiga/amante (Mona) enquanto reflecte sobre o seu passado, sobre o significado das fábulas de selkies - e sobre a ligação que o seu passado tem com estas histórias. Sofia Samatar tece a história com uma prosa superlativa, cuja simplicidade e verosimilhança esconde uma sofisticação assinalável, e que dá a cada momento uma carga emotiva extraordinária na conjugação. A todos os níveis, Selkie Stories Are for Losers é um conto extraordinário - não surpreende que esteja nomeado para os prémios Hugo e Nébula, e que tenha chegado à shortlist dos British Science Fiction Awards.

If You Were a Dinosaur, My Love é um conto de Rachel Swirsky que, por detrás da sua premissa aparentemente infantil (e explicada de forma perfeita no título) e por detrás da sua construção ao estilo de algumas histórias infantis que encandeiam ao longo da sua estrutura narrativa várias ideias numa série de extrapolações imaginativas, por vezes oníricas, quase no ritmo vertiginoso da livre-associação, esconde uma história de amor tão bela como trágica (Sim: a categoria de ficção curta dos Hugos - e já agora dos Nébulas - parece tomada por micro-romances. E isso é óptimo). Com uma prosa magnífica, Rachel Swirsky tece um jogo de palavras e de imagens fascinante, misturando noções de fantasia e de ficção científica numa narrativa que escapa às convenções de ambos os géneros - e com o mesmo ritmo perfeito e a mesma inocência encantadora com que transporta o leitor ao sabor dos saltos da sua imaginação, desfere um golpe duríssimo ao revelar a faceta trágica do enredo, e o escape que a livre-associação proporcionou. If You Were a Dinosaur, My Love foi publicado na Apex Magazine a 5 de Março de 2013.

The Water That Falls on You From Nowhere, de John Chu, assume a forma de uma comédia e de um drama de costumes a partir de uma premissa espantosa: a de que a mentira atrai chuva, e sempre que alguém mente, abate-se sobre si uma carga de água, com a gravidade da mentira a definir o volume do aguaceiro. Dito assim, a ideia parece engraçada - e é-o de facto. Também por isso impressiona a forma como John Chu a consegue revestir de uma carga dramática espantosa ao enquadrá-la na história de Matt, um jovem de ascendência chinesa com uma família muito conservadora, a tentar explicar aos seus pais e à sua irmã tradicionalistas que é homossexual. Chu constrói em poucas palavras uma história familiar verosímil, e com um ritmo perfeito desenvolve um drama bem temperado com momentos de comédia linguística - e recria com mestria o caos comunicativo de uma família composta por pessoas com diferentes idiomas nativos através da simples utilização de expressões e frases em chinês (literalmente). The Water Falls on You From Nowhere foi publicado no Tor.com a 20 de Fevereiro de 2013.

The Ink Readers of Doi Saket é um conto humorístico de Thomas Olde Heuvelt, publicado a 24 de Abril de 2013 no Tor.com. À primeira vista, será talvez difícil ler este conto sem pensar no mestre definitivo do humor no fantástico literário: Terry Pratchett. Nem as notas de rodapé faltam (com a sétima a revelar-se especialmente inspirada) nesta breve narrativa, situada na aldeia remota de Doi Saket, nas margens do rio Mae Ping, na Tailândia. Para além dos seus afazeres diários, os habitantes da aldeia dedica-se com zelo à tarefa de realizar os desejos que são deixados no rio - mas a trama começa, não sem ironia, com Tangmoo, um rapaz cuja singularidade reside no facto de ser incapaz de desejar o que quer que seja. Thomas Olde Heuvelt desenvolve com um humor delicioso as desventuras das várias figuras da aldeia, sobretudo durante as festividades anuais - mas utiliza todo este riquíssimo panorama apenas para enquadrar o acontecimento central que dá o mote à narrativa, numa exploração tão fascinante como hilariante de temas como a coincidência, as relações determinísticas por vezes invisíveis na aparência que se desenvolvem entre as mais improváveis das situações, e sobre a ordem invulgar que consegue emergir do caos. A prosa, essa, está à altura das aspirações cómicas do texto: fluída, sofisticada e capaz de conjurar imagens surpreendentes. 

24 de abril de 2014

Sofia Samatar: "(...) I do think there’s a connection between my love for languages and my love for speculative fiction" (entrevista)

Na lista dos Hugo Awards deste ano, e independentemente de outras polémicas, há vários nomes que merecem destaque - sobretudo nas categorias de fãs, com vários nomes novos e com uma presença de qualidade nos meandros do fandom anglo-saxónico (está ainda por vir o dia em que os Hugo e a Worldcon sejam de facto prémios globais, mas o caminho faz-se caminhando), mas também nas categorias literárias. E nestas, o nome de Sofia Samatar surge em evidência, pela sua nomeação na categoria de "Best Short Story" com o conto Selkie Stories Are for Losers, publicado originalmente na Strange Horizons em Abril de 2013 (pode - e deve - ser lido aqui; é extraordinário) e também pela sua presença na shortlist do John W. Campbell Award for Best New Writer. Natural dos Estados Unidos e com ascendência somali, Sofia Samatar já viveu e trabalhou no Sudão e no Egipto, e tem formação académica em idiomas e literaturas africanas e árabes. Em entrevista a Sarah McCarry para o Tor.com, Sofia Samatar fala sobre o processo de escrita do seu primeiro romance, A Stranger in Olondria (publicado em 2012), e sobre a influência do conhecimento e do estudo de linguagens na sua escrita e no seu gosto pela ficção especulativa. Dois excertos:
Sarah McCarry/Tor.com: Language itself is a character in A Stranger in Olondria, particularly in the different ways its characters relate to oral versus written histories, and the way the act of reading figures so prominently into the book. Did you set out to explore the ways oral and written traditions inform our ways of being in the world, or is that something that evolved as you worked on the book?
Sofia Samatar: It’s definitely something that evolved, as the whole book evolved! One thing about A Stranger in Olondria is that I spent over a decade writing it. I mean, I wrote the first draft in two years, but then I spent another 10 years on and off getting it into shape. That first draft was a monster. It was 220K words long—almost exactly twice as long as the published version. And that’s because my “writing process,” which I totally don’t recommend, involved having no outline, following the character around through tons of random cities, getting him into vague predicaments, getting him out again, introducing him to useless people, and deleting and deleting and deleting. I knew that there was a ghost, and that ghosts were illegal in Olondria, but that’s it. And through this arduous process of wandering through imagined country, I slowly brought in things I was experiencing at the time, and one of those was teaching English in South Sudan, where the mode of expression was primarily oral. I had a lot of ambivalence about that job, and the anxiety worked itself into the book. I wound up exploring how reading and writing, my favorite things in the world, things I’m used to thinking of as utterly good and right and true, are also tools of empire.
(...)
SMC/TOR: You speak multiple languages yourself—do you think your ability to move between them informs the way you approach fiction? Or nonfiction? Or are those different places for you?
SS: Well, I don’t know if this is going to answer your question exactly, but it reminds me of a conversation I had with a colleague recently. He’d read A Stranger in Olondria, and he said that, as someone who doesn’t read fantasy or science fiction, he was pretty uncomfortable for the first few chapters. It was the names. The names were throwing him off. He was like, “I didn’t know whether I was supposed to memorize these names or whether they were important or what!” Eventually he realized that he could just go with the story and relax, and then he started enjoying it. That was so interesting to me, because I’ve never, ever been thrown off by weird names. You can give me the first page of a story that’s 50% bizarre names, and I’ll be like, “Cool.” I just read it as music, as atmosphere. I know that eventually the important stuff will float to the surface, and the less important stuff will sink. And it seems to me that that’s a valuable skill, to be able to keep your balance in uncertainty, and that in fact it’s what I ask from my students when I teach world literature. Don’t let foreign words or unfamiliar syntax throw you. Trust the story. It’s a language student’s skill too, because when you’re learning, you’re often terribly lost. So I do think there’s a connection between my love for languages and my love for speculative fiction. Both of them ask you to dwell in uncertainty. And I love that. Uncertainty is home for me. It’s the definitions that scare me.
(...)
A entrevista completa pode ser lida na íntegra no Tor.com.

Fonte: Tor.com

23 de abril de 2014

This happening world (10)

Em Abril começa a temporada dos prémios, das polémicas relacionadas, e das eternas discussões sobre a literatura de género. Sobre os prémios e as polémicas, escrevi este artigo para a Bang!; sobre o debate dos géneros na ficção, escreveram Juliet McKenna no The Guardian e Chris Beckett na The Atlantic - dois artigos que merecem ser lidos pela pertinência dos argumentos apresentados, pelos estigmas que não desaparecem nem mesmo numa época em que a pop culture foi capturada pelo poço gravitacional dos universos geek, e pela importância da ficção científica no presente.

Na Amazing Stories, Steve Fahnestalk recupera os juveniles de Robert A. Heinlein e pergunta: serão ainda relevantes? Numa época em que a ficção de género voltou a entrar em força no território young adult, é bem possível que sim - e Fahnestalk explora os romances publicados por Heinlein entre 1947 e 1959. Que é como quem diz: entre Rocket Ship Galileo, o primeiro dos seus livros YA, até Starship Troopers, que marca a transição da sua literatura juvenil para os temas mais adultos que marcaram a sua obra a partir dos anos 60. 

Em entrevista a Ryan Hill para o portal ScreenInvasion, Christopher Priest fala sobre o seu mais recente romance, The Adjacent, sobre o tema da magia na sua obra, e sobre adaptações cinematográficas - mais concretamente, sobre a adaptação a The Prestige realizada por Christopher Nolan em 2005 - e é interessante como o autor consegue, ao mesmo tempo, tecer críticas positivas e negativas (e ambas com justiça) ao trabalho do realizador britânico. 

22 de abril de 2014

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy: Humor à deriva

Poucas obras de ficção científica alcançaram a popularidade de The Hitchhiker's Guide to the Galaxy, o primeiro volume da "trilogia de cinco" de Douglas Adams que começou por ser uma novela radiofónica ainda nos anos 70 e que desde então já conheceu adaptações para praticamente todos os formatos imagináveis, da banda desenhada aos videojogos. Um dos raros exemplos (bem sucedidos, pelo menos) de comédia pura dentro do género, que utiliza com mestria as suas convenções numa narrativa non-sense próxima do estilo que os Monty Python celebrizaram na comédia britânica  - não por acaso, Adams colaborou com a trupe em vários sketches. Em 2005, Garth Jennings adaptou este clássico ao cinema, numa produção com um orçamento assinalável e um argumento escrito por Karey Kirkpatrick e pelo próprio Adams, antes da sua morte prematura em 2001. Mas o resultado, esse, foi um filme tépido, mesmo que divertido a espaços.

Para todos os efeitos, The Hitchhiker's Guide to the Galaxy segue os mesmos plot points que o romance (menos a magnífica introdução, claro - aqui compensada pela explicação para a fuga dos golfinhos e pelo número musical imaginativo do género, intitulado So Long, and Thanks for All the Fish). Numa bela manhã, Arthur Dent (Martin Freeman) acorda com uma equipa de demolição à sua porta - a sua casa está prestes a ser demolida para que se possa construir um acesso à auto-estrada. O que Dent está longe de imaginar é que o seu problema burocrático é, à sua escala doméstica, idêntico a um problema que a Terra está prestes a enfrentar: o planeta está prestes a ser demolido por uma frota de construção Vogon para que se construa um acesso ao hiperespaço.


Dent é salvo pelo seu melhor amigo, o excêntrico Ford Prefect - que não é um ser humano, mas um alienígena de um planeta nos arredores de Betelgeuse, que se encontra na Terra em trabalho para o Hitchhiker's Guide to the Galaxy, uma espécie de guia interactivo para quem quer viajar pela Via Láctea... à boleia. Momentos antes da destruição da Terra, Ford consegue embarcá-los na frota Vogon - e, a partir daí, embarcam numa aventura que os levará a uma nave espacial movida a improbabilidades e a um planeta saído dos mitos galácticos.


Os leitores mais familiarizados reconhecerão com facilidade os vários momentos altos da narrativa, como o roubo da Heart of Gold, o resgate de Dent e Prefect, a história da derradeira pergunta sobre a vida, o universo e tudo o resto, a expedição a Magrathea e todas as revelações que lá têm lugar. Nem faltam outros pequenos momentos que tantas gargalhadas proporcionam na leitura, como a passagem do cachalote na alta atmosfera (e do vaso de petúnias), o detalhe das portas da nave, e, claro, o célebre momento da poesia Vogon. 


E há muito mérito na reconstrução destas cenas - nos cenários, nos efeitos especiais bastante sólidos, nos Vogons extraordinários construídos pelo Jim Henson Creature Shop, e sobretudo no elenco. Martin Freeman está perfeito no papel de Athur Dent, dando credibilidade ao seu constante espanto para com tudo o que o rodeia naquele universo louco, e Zooey Deschanel encarnou na perfeição no papel de Trillian. Sam Rockwell dá uma boa dose de loucura a Zaphod Beeblebrox, num desempenho deliciosamente over the top. E a voz de Alan Rickman é perfeita em Marvin, o andróide depressivo - o seu enfado constante é quase palpável, e rouba cada cena em que se faz sentir. Mesmo os cameos são óptimos, com o hilariante momento de John Malkovich a merecer destaque.


Infelizmente, todas as virtudes dos seus vários elementos não fazem de The Hitchhiker's Guide to the Galaxy o filme que poderia ter sido - e isso deve-se em larga medida a um guião muito limitado, mais preocupado em reproduzir com a fidelidade possível os vários momentos marcantes do livro do que em criar uma narrativa própria para o seu formato. O resultado é uma sucessão de vinhetas, desenvolvidas de forma mais ou menos competente, mas com um ritmo estilhaçado. Os actores fazem o que podem, mas a verdade é que as suas personagens não têm muito espaço para brilhar - as estrelas do filme não são as personagens, mas as piadas, e essas nem sempre passam bem da página escrita para o grande ecrã.


É possível que quem não tenha lido o livro encontre nesta adaptação de The Hitchhiker's Guide to the Galaxy um filme bastante divertido - algumas piadas funcionam bastante bem, e Martin Freeman e Zooey Deschanel revelam-se, dentro das limitações que o argumento lhes impõe, excelentes protagonistas. O problema reside precisamente no argumento - fragmentado na sua colagem excessiva ao livro no qual se baseia, e incapaz de transportar para o cinema a história clássica de Douglas Adams em todo o seu non-sense cómico. Para os fãs do livro, haverá decerto o prazer de identificar alguns dos seus momentos mais célebres no filme - mas no final, isso acabará por saber a pouco. 6.0/10

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy (2005)
Realização de Garth Jennings
Argumento de Karey Kirkpatrick e Douglas Adams a partir do romance de Douglas Adams
Com Martin Freeman, Zooey Deschanel, Mos Def, Sam Rockwell, Alan Rickman, Warwick Davis, Stephen Fry, John Malkovich, Helen Mirren, Bill Nighy e Richard Griffiths
109 minutos

21 de abril de 2014

British Science Fiction Awards: Os vencedores

Foram anunciados ontem os vencedores dos British Science Fiction Awards, os prémios anuais atribuídos pela British Science Fiction Association a partir das escolhas dos seus membros. Os BSFA foram entregues no decorrer da Satellite EasterCon, em Glasgow, e distinguiu a ficção longa de Ann Leckie e Gareth L. Powell (ex-aequo na categoria de "Best Novel"), a ficção curta de Nina Allan, a arte de Joey Hi-fi e uma obra de não-ficção de Jeff VanderMeer. Abaixo, a lista dos finalistas com os vencedores em destaque:

Best Novel:
  • Ancillary Justice, de Ann Leckie (Orbit)
  • Ack-Ack Macaque, de Gareth L. Powell (Solaris)
  • God’s War, de Kameron Hurley (Del Rey)
  • Evening's Empires, de Paul McAuley (Gollancz)
  • The Adjacent, de Christopher Priest (Gollancz)
Best Short Fiction:
  • Spin, de Nina Allan (TTA Press)
  • Selkie Stories are for Losers, de Sofia Samatar (Strange Horizons)
  • Saga’s Children, de E.J. Swift (The Lowest Heaven, Pandemonium)
  • Boat in the Shadows Crossing, de Tori Truslow (Beneath Ceaseless Skies)
Best Artwork:
  • Capa para Dream London, de Joey Hi-fi (Solaris)
  • Poster para Metropolis, de Kevin Tong (tragicsunshine.com)
  • Ilustração editorial para The Angel at the Heart of the Rain, de Richard Wagner (Interzone)
Best Non-Fiction:
  • Wonderbook, de Jeff VanderMeer (Abrams Image)
  • Going Forth by Night, de John J. Johnston (Unearthed, Jurassic)
  • Sleeps with Monsters, de Liz Bourke (Tor.com)
Fonte: Tor.com

Hugo Awards: Os "Retro-Hugos" da LonCon 3

A edição de 2014 da Worldcon, que decorrerá em Londres - é a terceira "LonCon" da história - assinala o 75º aniversário daquela que é a mais importante convenção mundial de ficção científica. A primeira edição do evento teve lugar em Nova Iorque, no ano de 1939, tendo decorrido anualmente após o fim da Segunda Guerra Mundial. Os Prémios Hugo foram atribuídos pela primeira vez em 1953, e ganharam periodicidade anual em 1955 - tornando-se desde então os mais relevantes prémios da ficção científica, independentemente da polémica que as suas shortlists cause ano após ano.

Com vista a assinalar o 75º aniversário da Worldcon, serão também entregues na edição deste ano os "Retro Hugos", que distinguem em várias categorias a ficção científica que marcou aquele longínquo ano de 1938. Aqui fica a shortlist, numa autêntica viagem no tempo (convenhamos: é fascinante encontrar Ray Bradbury, um dos colossos do género, a receber uma retro-nomeação como fan writer):

Best Novel:
  • Carson of Venus, de Edgar Rice Burroughs (Argosy, 02/1938)
  • Galactic Patrol, de E. E. Smith (Astounding Stories, 02/1938)
  • The Legion of Time, de Jack Williamson (Astounding Science-Fiction, 07/1938)
  • Out of the Silent Planet, de C. S. Lewis (The Bodley Head)
  • The Sword in the Stone, de T. H. White (Collins)
Best Novella:
  • Anthem, de Ayn Rand (Cassell)
  • A Matter of Form, de H. L. Gold (Astounding Science-Fiction, 12/1938)
  • Sleepers of Mars, de John Wyndham (Tales of Wonder, 03/1938)
  • The Time Trap, de Henry Kuttner (Marvel Science Stories, 11/1938)
  • Who Goes There?, de John W. Campbell/Don A. Stuart (Astounding Science-Fiction, 08/1938)
Best Novelette:
  • Dead Knowledge, de John W. Campbell/Don A. Stuart (Astounding Stories, 01/1938)
  • Hollywood on the Moon, de Henry Kuttner (Thrilling Wonder Stories, 04/1938)
  • Pigeons From Hell, de Robert E. Howard (Weird Tales, 05/1938)
  • Rule 18, de Clifford D. Simak (Astounding Science-Fiction, 07/1938)
  • Werewoman, de C. L. Moore (Leaves #2, Inverno de 1938)
Best Short Story:
  • The Faithful, de Lester Del Rey (Astounding Science-Fiction, 04/1938)
  • Helen O’Loy, de Lester Del Rey (Astounding Science-Fiction, 12/1938)
  • Hollerbochen’s Dilemma, de Ray Bradbury (Imagination!, 01/1938)
  • How We Went to Mars, de Arthur C. Clarke (Amateur Science Stories, 03/1938)
  • Hyperpilosity, de L. Sprague de Camp (Astounding Science-Fiction, 04/1938)
Best Dramatic Presentation, Short Form:
  • Around the World in 80 Days, de Jules Verne - com argumento e realização de Orson Welles (The Mercury Theater of the Air, CBS)
  • A Christmas Carol, de Charles Dickens - com argumento e realização de Orson Welles (The Campbell Playhouse, CBS)
  • Dracula, de Bram Stoker - com argumento de Orson Welles e John Houseman, e realização de Orson Welles (The Mercury Theater of the Air, CBS)
  • R. U. R., de Karel Capek - produção de Jan Bussell (BBC)
  • The War of the Worlds, de H. G. Wells - com argumento de Howard Koch e Anne Froelick, e realização de Orson Welles (The Mercury Theater of the Air, CBS)
Best Editor, Short Form:
  • John W. Campbell
  • Walter H. Gillings
  • Ray Palmer
  • Mort Weisinger
  • Farnsworth Wright
Best Professional Artist:
  • Margaret Brundage
  • Virgil Finlay
  • Frank R. Paul
  • Alex Schomburg
  • H. W. Wesso
Best Fanzine:
  • Fantascience Digest, com edição de Robert A. Madle
  • Fantasy News, com edição de James V. Taurasi
  • Imagination!, com edição de Forrest J Ackerman
  • Novae Terrae, com edição de Maurice Hanson
  • Tomorrow, com edição de Doug Mayer
Best Fan Writer:
  • Forrest J Ackerman
  • Ray Bradbury
  • Arthur Wilson “Bob” Tucker
  • Harry Warner Jr.
  • Donald A. Wollheim
Fonte: Tor.com

20 de abril de 2014

Citação fantástica (122)

There’s no point in believing in things that exist.

Terry Pratchett, Small Gods (1992)

Hugo Awards: Os finalistas

Foi anunciada ontem a lista dos finalistas para os Prémios Hugo 2014, os mais conceituados prémios da fantasia e da ficção científica, atribuídos pela World Science Fiction Society. As nomeações e as votações são feitas pelos participantes na Worldcon, a maior convenção mundial do género, que recebe anualmente a cerimónia de entrega dos prémios. Neste ano, o palco dos Prémios Hugo será em Londres, na LonCon 3.

A lista dos nomeados para os Prémios Hugo 2014 é a seguinte:

Best Novel:
  • Ancillary Justice, de Ann Leckie (Orbit)
  • Neptune’s Brood, de Charles Stross (Ace/Orbit)
  • Parasite, de Mira Grant (Orbit)
  • Warbound (Terceiro Volume das Grimnoir Chronicles), de Larry Correia (Baen Books)
  • The Wheel of Time, de Robert Jordan e Brandon Sanderson (Tor Books)
Best Novella:
  • The Butcher of Khardov, de Dan Wells (Privateer Press)
  • The Chaplain’s Legacy, de Brad Torgersen (Analog, 07-08/2013)
  • Equoid, de Charles Stross (Tor.com, 09/2013)
  • Six-Gun Snow White, de Catherynne M. Valente (Subterranean Press)
  • Wakulla Springs, de Andy Duncan e Ellen Klages (Tor.com, 10/2013)
Best Novelette:
  • Opera Vita Aeterna, de Vox Day (The Last Witchking, Marcher Lord Hinterlands)
  • The Exchange Officers, de Brad Torgersen (Analog, 01-02/2013)
  • The Lady Astronaut of Mars, de Mary Robinette Kowal (Tor.com, 09/2013)
  • The Truth of Fact, the Truth of Feeling, de Ted Chiang (Subterranean Press Magazine, Outono de 2013)
  • The Waiting Stars, de Aliette de Bodard (The Other Half of the Sky, Candlemark & Gleam)
Best Short Story:
  • If You Were a Dinosaur, My Love, de Rachel Swirsky (Apex Magazine, 03/2013)
  • The Ink Readers of Doi Saket, de Thomas Olde Heuvelt (Tor.com, 04/2013)
  • Selkie Stories Are for Losers, de Sofia Samatar (Strange Horizons, 04/2013)
  • The Water That Falls on You from Nowhere, de John Chu (Tor.com, 02/2013)
Best Related Work:
  • Queers Dig Time Lords: A Celebration of Doctor Who by the LGBTQ Fans Who Love It, edição de Sigrid Ellis e Michael Damien Thomas (Mad Norwegian Press)
  • Speculative Fiction 2012: The Best Online Reviews, Essays and Commentary, de Justin Landon e Jared Shurin (Jurassic London)
  • We Have Always Fought: Challenging the Women, Cattle and Slaves Narrative, de Kameron Hurley (A Dribble of Ink)
  • Wonderbook: The Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction, de Jeff VanderMeer, com Jeremy Zerfoss (Abrams Image)
  • Writing Excuses Season 8, de Brandon Sanderson, Dan Wells, Mary Robinette Kowal, Howard Tayler e Jordan Sanderson
Best Graphic Story:
  • Girl Genius Vol 13: Agatha Heterodyne & The Sleeping City, com escrita de Phil e Kaja Foglion, arte de Phil Foglio e cor de Cheyenne Wright (Airship Entertainment)
  • The Girl Who Loved Doctor Who, com escrita de Paul Cornell, e ilustração de Jimmy Broxton (Doctor Who Special 2013, IDW)
  • The Meathouse Man, adaptado da história de George R.R. Martin e com ilustração de Raya Golden (Jet City Comics)
  • Saga, Vol 2, com escrita de Brian K. Vaughn e ilustração de Fiona Staples (Image Comics)
  • Time, de Randall Munroe (XKCD)
Best Dramatic Presentation, Long Form:
  • Frozen, com realização de Chris Buck e Jennifer Lee, e argumento de Jennifer Lee (Walt Disney Studios)
  • Gravity, com realização de Alfonso Cuarón e argumento de Alfonso e Jonás Cuarón (Esperanto Filmoj; Heyday Films; Warner Bros.)
  • The Hunger Games: Catching Fire, com realização de Francis Lawrence e argumento de Simon Beaufoy e Michael Arndt (Color Force; Lionsgate)
  • Iron Man 3, com realização de Shane Black e aragumento de Drew Pearce e Shane Black (Marvel Studios; DMG Entertainment; Paramount Pictures)
  • Pacific Rim, com realização de Guillermo Del Toro e argumento de Travis Beacham e Guillermo Del Toro (Legendary Pictures, Warner Bros., Disney Double Dare You)
Best Dramatic Presentation, Short Form:
  • An Adventure in Space and Time Written, de Mark Gatiss, com realização de Terry McDonough (BBC Television)
  • Doctor Who: “The Day of the Doctor”, com argumento de Steven Moffat e realização de Nick Hurran (BBC)
  • Doctor Who: “The Name of the Doctor”, com argumento de Steven Moffat e realização de Saul Metzstein (BBC)
  • The Five(ish) Doctors Reboot, com argumento e realização de Peter Davison (BBC Television)
  • Game of Thrones: “The Rains of Castamere”, com argumento de David Benioff e D.B. Weiss e realização de David Nutter (HBO Entertainment)
  • Orphan Black: “Variations under Domestication”, com argumento de Will Pascoe e realização de John Fawcett (Temple Street Productions; Space/BBC America)
Best Editor - Short Form:
  • John Joseph Adams
  • Neil Clarke
  • Ellen Datlow
  • Jonathan Strahan
  • Sheila Williams
Best Editor - Long Form:
  • Ginjer Buchanan
  • Sheila Gilbert
  • Liz Gorinsky
  • Lee Harris
  • Toni Weisskopf
Best Professional Artist:
  • Galen Dara
  • Julie Dillon
  • Daniel Dos Santos
  • John Harris
  • John Picacio
  • Fiona Staples
Best Semiprozine:
  • Apex Magazine, com edição de Lynne M. Thomas, Jason Sizemore e Michael Damian Thomas
  • Beneath Ceaseless Skies, com edição de Scott H. Andrews
  • Interzone, com edição de Andy Cox
  • Lightspeed Magazine, com edição de John Joseph Adams, Rich Horton e Stefan Rudnicki
  • Strange Horizons, com edição de Niall Harrison, Brit Mandelo, An Owomoyela, Julia Rios, Sonya Taaffe, Abigail Nussbaum, Rebecca Cross, Anaea Lay e Shane Gavin
Best Fanzine:
  • The Book Smugglers, com edição de Ana Grilo e Thea James
  • A Dribble of Ink, com edição de Aidan Moher
  • Elitist Book Reviews, com edição de Steven Diamond
  • Journey Planet, com edição de James Bacon, Christopher J Garcia, Lynda E. Rucker, Pete Young, Colin Harris e Helen J. Montgomery
  • Pornokitsch, com edição de Anne C. Perry e Jared Shurin
Best Fancast:
  • The Coode Street Podcast, de Jonathan Strahan e Gary K. Wolfe
  • Doctor Who: Verity!, de Deborah Stanish, Erika Ensign, Katrina Griffiths, L.M. Myles, Lynne M. Thomas e Tansy Rayner Roberts
  • Galactic Suburbia Podcast, de Alisa Krasnostein, Alexandra Pierce, Tansy Rayner Roberts (Apresentadores) e Andrew Finch (Produtor)
  • SF Signal Podcast, de Patrick Hester
  • The Skiffy and Fanty Show, de Shaun Duke, Jen Zink, Julia Rios, Paul Weimer, David Annandale, Mike Underwood e Stina Leicht
  • Tea and Jeopardy, de Emma Newman
  • The Writer and the Critic, Kirstyn McDermott e Ian Mond
Best Fan Writer:
  • Liz Bourke
  • Kameron Hurley
  • Foz Meadows
  • Abigail Nussbaum
  • Mark Oshiro
Best Fan Artist:
  • Brad W. Foster
  • Mandie Manzano
  • Spring Schoenhuth
  • Steve Stiles
  • Sarah Webb
John W. Campbell Award for Best New Writer:
  • Wesley Chu
  • Max Gladstone
  • Ramez Naam
  • Sofia Samatar
  • Benjanun Sriduangkaew
Fonte: tor.com

Countdown City, de Ben Winters, vence o Philip K. Dick Award 2014

Foi anunciado na passada Sexta-feira na Norwescon 37 em Washington o vencedor da edição deste ano dos Prémios Philip K. Dick, que distingue a ficção científica publicada em formato paperback no ano transacto nos Estados Unidos. Countdown City, de Ben Winters, foi o vencedor, com esta sequela a The Last Policeman, o romance de 2013 com que abriu uma trilogia de histórias de detectives nuns Estados Unidos pós-apocalípticos. Self-Reference Engine, de Toh EnJoe, foi distinguido com uma menção honrosa.

19 de abril de 2014

O som e a fúria (21)

Poucos filmes - de ficção científica ou de outro género qualquer - tiveram uma abertura tão hipnótica e fascinante como Blade Runner, a adaptação de Ridley Scott ao romance Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick que, desde a sua estreia em 1982, passou de fracasso crítico e comercial para clássico de culto, e para obra-prima dos anos 80. E essa abertura deve muito à banda sonora formidável de Vangelis, harmoniosamente embebida na estética noir de Ridley Scott. Como se pode ver neste icónico Main Title.

18 de abril de 2014

A ficção curta de Philip K. Dick (4): Fair Game, The Hanging Stranger e The Golden Man

Fair Game é um conto de Philip K. Dick publicado em 1959 na revista If, apesar de ter sido escrito seis anos antes. É um texto curto mas muito intenso, todo ele atravessado pela paranóia que marca muita da sua ficção científica - e tem como protagonista o Professor Anthony Douglas, académico de topo na área da física nuclear e investigador num instituto situado numa pequena e remota cidade no Colorado. Douglas é um homem racional, confiante e despreocupado - até ao momento, naquele fim de dia fatídico, em que olha para a janela da sua sala de estar e vê um enorme olho a fitá-lo. O que se segue é uma odisseia vertiginosa em busca de uma explicação plausível para aquele fenómeno - e, na sua ausência, uma fuga desesperada de um inimigo que desconhece e que não consegue identificar, mas que sente sempre no seu encalço. Se todo o texto é um exemplo inspirado da paranóia angustiante que Philip K. Dick consegue imprimir às suas narrativas, já o final é um twist mais ou menos inesperado (há um spoiler que poderá ser discreto para quem não possuir um bom vocabulário em inglês), mas nem por isso inverosímil, e surpreendentemente cómico. 

Na mesma veia de Fair Game encontramos The Hanging Stranger, um conto de 1953 publicado na revista Science Fiction Adventures que começa com um mistério um tanto ou quanto perturbador: após ter passado o dia na cave a reforçar os alicerces da sua casa, Ed Loyce dirige-se para a baixa da cidade e depara-se com um corpo flagelado e enforcado num poste, em plena luz do dia. Mas o verdadeiro mistério não reside tanto na presença daquele corpo, mas na total indiferença de todos os transeuntes - como se fosse perfeitamente normal haver cadáveres pendurados em postes pelas ruas. Loyce vê a sua estranheza reflectida nas pessoas que conhece, e que não encontram nada de errado naquele quadro - apenas na reacção do protagonista. No desespero da sua fuga, Loyce acaba por descobrir o que se passa - mas o motivo para a presença daquele corpo só será revelada no final, numa reviravolta inspirada bem ao estilo de Philip K. Dick. The Hanging Stranger explora, com a devida vertigem, a ideia clássica de que todos à nossa volta fazem parte de uma conspiração tenebrosa; e leva o tema até às últimas consequências num epílogo magnífico.

Já The Golden Man é uma história sobre mutantes. Publicada em 1954 na revista If, esta novela situa-se num futuro pós-apocalíptico no qual começaram a surgir mutantes - que desde logo foram caçados e aniquilados por agências governamentais criadas para tal. A história começa de forma banal, numa vila da Bay Area, na Califórnia - com um vendedor ambulante forasteiro que não é bem quem aparenta, e uma quinta isolada que mantém um segredo há mais anos do que seria razoável. É difícil falar desta história sem revelar demasiado sobre algumas das suas passagens mais interessantes e surpreendentes - mas Philip K. Dick constrói aqui uma narrativa muito interessante, bem articulada nas suas várias passagens, com um protagonista fascinante, um elenco de personagens secundárias bastante sólidas e um final que, não contendo uma reviravolta como muitos outros contos seus, nem por isso deixa de se revelar bastante eficaz. The Golden Man já foi adaptado para o cinema, ainda que de forma tão livre que raramente mereça a referência nas listas da ficção de Philip K. Dick que passou da página escrita para o grande ecrã; o filme, intitulado Next, é de 2006, foi realizado por Lee Tamahori e conta com Nicholas Cage, Julianne Moore e Jessica Biel.

17 de abril de 2014

X-Men: Days of Future Past: Novo trailer

No que às franchises cinematográficas de super-heróis diz respeito, X-Men: Days of Future Past, de Bryan Singer, será sem dúvida uma das estreias mais relevantes do ano - num filme que junta o elenco da trilogia original ao de X-Men: First Class para trazer para o grande ecrã uma das mais célebres e aclamadas histórias dos mutantes da Marvel, desenvolvida em 1980 por Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin. 

X-Men: Days of Future Past tem estreia prevista para 22 de Maio. Abaixo, o trailer. 


Fonte: io9

Magic: the Gathering: Os deuses e os mitos de Journey Into Nyx

Decorrem a bom ritmo os spoilers para Journey Into Nyx, a segunda expansão do bloco de Theros, que tem o seu pré-lançamento - com os habituais torneios de sealed deck - marcado para o fim-de-semana de 26 e 27 de Abril. O lançamento oficial, esse, terá lugar a 2 de Maio (com actividades que podem ter lugar no fim-de-semana de 3 e 4). Em termos narrativos, a trama continua a acompanhar a odisseia da planeswalker Elspeth Tirel em Theros - um mundo governado por um panteão de deuses que habita no plano superior de Nyx, o céu nocturno. A Elspeth junta-se Ajani Goldmane (na primeira encarnação de um planeswalker em branco e verde), numa expedição aos limites do mundo em busca do tempo de Kruphix, o mais antigo dos deuses, que guarda o segredo da passagem para Nyx - e para o confronto com Xenagos, cuja ascensão forçada ao panteão causou o caos em Theros, e a desgraça de Elspeth. 

Journey Into Nyx dá continuidade ao design de inspiração mitológica que marcou as duas expansões anteriores - e se é possível que muitas das cartas apresentadas não sejam exactamente competitivas, já o seu enquadramento simultâneo nas regras e nos conceitos do jogo e em imagens reminiscentes da mitologia grega continua a revelar-se notável. Como se pode ver, por exemplo, no King Macar, the Gold-Cursed - numa inteligente recriação de Midas e do seu toque, que tudo transformava em ouro. Ou o Bearer of Heavens, aludindo a Atlas, o titã primordial que sustenta os céus em ombros. E será possível olhar para a (excelente) ilustração de Karl Kopinski e para o efeito de Launch the Fleet sem pensar na frota de Agamennon a desembarcar na praia de Tróia?

E o spoiler, note-se, está longe de estar completo.

Claro que o ponto alto deste bloco são os cinco novos deuses secundários em combinações de duas cores, que vão juntar-se aos outros cinco apresentados em Born of the Gods (Ephara, Phenax, Mogis, Xenagos e Karametra), e às cinco divindades principais (monocoloridas) de Theros (Heliod, Thassa, Erebos, Purphoros e Nylea). E, em termos gerais, as reacções a estes cinco novos deuses dificilmente poderia ter sido mais entusiástica por parte da comunidade pelo seu nível de poder, consideravelmente superior ao dos seus antecessores. Ainda que Pharika, God of Affliction tenha acabado por se revelar um pouco desapontante (pelo menos na comparação), Athreos, God of Passage (numa magnífica alusão, tão bem reproduzida na sua habilidade, ao barqueiro Caronte), Keranos, God of Storms, Iroas, God of Victory e Kruphix, God of Horizons apresentam um enorme potencial, e não apenas em jogos mais casuais e em formatos como Commander (aliás, é fácil imaginar pelo menos Athreos e Iroas em Standard).