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27 de fevereiro de 2014

This happening world (4)

"Repent, Harlequin!" Said the Ticktockman, de Harlan Ellison, poderá ser adaptado para filme por J. Michael Straczynski. A notícia foi avançada pelo portal Deadline na semana passada e republicada em praticamente todos os meios online ligados à ficção científica - ou não fosse este conto de 1965 uma das mais extraordinárias peças de ficção curta do género, escrito por um dos seus maiores talentos. O conto é uma distopia descrita de forma tão sucinta como fascinante: uma sociedade futura regida de forma tão rigorosa como irredutível pelo relógio. Com a pontualidade a ser elevada a lei, o atraso torna-se num crime - e cabe ao Ticktockman punir quem provoca atrasos. E será precisamente esse o papel do misterioso "Harlequin"... De acordo com a peça original, Straczynski - mais conhecido pela criação da série televisiva de culto Babylon 5 - terá apresentado a Ellison um guião completo, restando agora encontrar produtor e realizador. E os primeiros nomes sugeridos foram os de Peter Jackson e Guillermo Del Toro (dada a natureza do conto, é possível que o mexicano fosse uma excelente escolha). (via io9)

O arquivo completo da revista Starlog pode agora ser consultado online. A iniciativa partiu do Internet Archive. Mais ligada ao cinema e à televisão do que outras revistas mais populares dentro do género - o primeiro número, a título de exemplo, deu destaque a Star Trek e a Space: 1999 -, a Starlog foi criada por Kerry O'Quinn e Norman Jacobs em 1976, com a sua primeira edição a ser lançada em Agosto desse ano; 224 números depois, a publicação desta revista chegaria ao fim em Abril de 2009. Agora, estas mais de duas centenas de edições que abrangem mais de 30 anos podem ser descarregadas gratuitamente no Internet Archive. (via io9)

EVE: The Most Thrilling Boring Game in the Universe: Apesar de nunca ter entrado no universo virtual de EVE, o simulador espacial massively multiplayer online da CCP Games que já conta com mais de uma década, já aqui referi o jogo em várias ocasiões - a propósito da sua sandbox única e das vastas batalhas espaciais que se desenrolam no seu universo partilhado. No Polygon, a jornalista Tracey Lien assina um artigo excepcional (o elogio não surge por acaso: a peça é um exemplo perfeito de jornalismo de qualidade) sobre a vertente humana que, na prática, criou e deu forma a este autêntico fenómeno dos videojogos online. Alianças e corporações, pactos e traições - Lien falou com algumas das mais proeminentes figuras dentro de EVE para pintar um retrato fascinante sobre a história e o funcionamento, tanto online como offline, de um jogo que ao longo de uma década conquistou um nicho muito fiel de jogadores em todo o mundo. 

10 de fevereiro de 2014

EVE Online e Redshirts podem trazer a space opera de volta para a televisão

Nos últimos dias, dois artigos distintos trouxeram augúrios interessantes sobre duas produções que, a confirmarem-se, poderão trazer a space opera de regresso à televisão (de onde tem estado afastada desde o final de Battlestar Galactica em 2009). O primeiro incide sobre o projecto de levar para o pequeno ecrã EVE Online, o popular jogo massively multiplayer online que, com mais de uma década de funcionamento e cerca de 500 mil jogadores activos, tem dado origem a boa intriga e a algumas das melhores batalhas espaciais da ficção científica recente. O artigo de Marc Graser na Variety descreve os objectivos da CCP Games, criadora de EVE, que está a recorrer à comunidade de jogadores para obter ideias que possam germinar numa narrativa original dentro do universo estabelecido pelo jogo, e à aposta (para breve) de algumas histórias em formato de banda desenhada.

A segunda produção será, aparentemente, a adaptação para uma mini-série televisiva de Redshirts, romance meta-ficcional do norte-americano John Scalzi que venceu o Prémio Hugo na categoria de"Best Novel" no ano passado. De acordo com o artigo de John DeNardo no SF Signal projecto está com o canal FX, e apesar de já ter alguns nomes a ele associados, ainda não tem data prevista para o início. Mas será sem dúvida interessante ver uma nova abordagem satírica a algumas ideias e convenções que séries televisivas clássicas como Star Trek popularizaram (e digo nova porque o próprio conceito de redshirt já foi parodiado no excelente Galaxy Quest através da personagem interpretada por Sam Rockwell)

Fontes: Variety / SF Signal

30 de janeiro de 2014

EVE Online: Batalha espacial de larga escala torna-se num dos maiores confrontos já vistos em videojogos

É curioso notar como a space opera, um subgénero da ficção que apesar de ter origem na literatura acabou por se tornar popular e icónico através da televisão e do cinema, acabou por perder muita da sua força nos meios audiovisuais para ser recuperado em livro e nos meios interactivos em ascensão (leia-se: videojogos). Com 2014 e 2015 a prometerem o renascimento dos simuladores espaciais nesta nova geração em títulos como Star Citizen, Elite: Dangerous ou No Man's Sky, ainda em desenvolvimento, cabe ao vetusto EVE Online ir fazendo as honras no nicho muito próprio que conquistou ao longo de mais de dez anos no competitivo mercado dos jogos massively multiplayer online. Nunca joguei EVE; o tempo que os MMO exigem e a curva de aprendizagem conhecida pela sua inclinação acentuada sempre me afastaram do jogo (durante anos, como se sabe, boa parte do meu tempo livre foi ocupada pelo World of Wacraft). No entanto, as histórias das alianças, das traições e das batalhas que se travam naquele universo sempre me chamaram a atenção quando surgem na imprensa especializada. Como a história da Batalha de Asakai, decorrida no ano passado, desencadeada quando o piloto de uma nave de classe Titan (as maiores e mais poderosas do jogo) cometeu um erro de cálculo num warp jump e foi parar a território hostil. E um ano volvido, a história repete-se - não como farsa ou tragédia, mas numa batalha que atingiu proporções incomparavelmente maiores.


B-R5RB é o nome da batalha iniciada iniciada há dois dias, e que se tornaria numa das maiores e mais destrutivas batalhas dos mais de dez anos de EVE. As estatísticas, divulgadas no portal The Mittani (associado à facção vencedora), impressionam pela escala - com combates que se prolongaram ao longo de 21 horas, envolvendo mais de 7500 personagens únicas (num máximo de 2670 em simultâneo), divididas por 717 Corporações em 55 Alianças. A Batalha de Asakai, já notável pelas suas enormes proporções, viu três naves de classe Titan destruídas - cada uma exige recursos tremendos e vários meses de construção e preparação; em B-R5RB foram destruídas 75 naves Titan (sim: setenta e cinco), para além de 13 Supercarriers, 370 Dreadnaughts e 123 Carriers, tanto no sistema onde decorreu a batalha principal como em noutros sistemas, em fugas ou escaramuças para impedir reforços. Mais impressionante ainda é o impacto económico interno do confronto: em isk, a moeda da economia do universo de EVE, os estragos estão avaliados em cerca de 11 triliões de isk. Na conversão própria entre aquela economia virtual e a economia real, este valor rondará os 330 mil dólares. 

Que tudo isto tenha sido desencadeado pela falta de pagamento da ocupação de uma estação espacial num sistema estratégico só torna toda a história mais interessante (e hilariante, quando vista de fora). Uma descrição mais pormenorizada do que se passou pode ser lida no blogue da comunidade de EVE Online; de acordo com a CCP Games, a produtora do jogo, a batalha de B-R5RB será assinalada por um monumento comemorativo, a pedido de inúmeros jogadores. 

Que um videojogo seja capaz de gerar histórias e narrativas espontâneas como as batalhas de Asakai ou B-R5RB não deixa de ser fascinante. Como descreveu Erik Kain no seu artigo na secção de gaming da Forbes (a tradução é minha), "uma economia perfeitamente funcional, batalhas espaciais entre jogadores e facções inimigas espontâneas e tremendas na escala, e os estragos subsequentes fazem [de EVE Online] um dos poucos jogos massively multiplayer a revelar-se surpreendente de vez em quando. Sem guião." Veremos se os space sims que estão na calha terão a mesma capacidade de criação de um universo com esta intensidade.