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19 de dezembro de 2012

A legendagem de The Hobbit: An Unexpected Journey

Sobre The Hobbit: An Unexpected Journey, há um problema sério que omiti no meu artigo de ontem por considerar que não é um problema do filme em si, mas sim da exibição do filme em Portugal: a legendagem. Não fixei o nome dos responsáveis pelas legendas, mas mereciam ser cozinhados pelos Trolls; a avaliar pelas legendas, percebeu-se que não só não fizeram qualquer trabalho de casa, como também não se preocuparam muito em confirmar os termos próprios do imaginário de Tolkien. O resultado é, por isso, vergonhoso e miserável (como se o flagelo do Acordo Ortográfico não fosse já suficiente). Alguns exemplos:

1) Nas linguagens élficas, a Montanha Solitária tem o nome de Erebor. Nas legendas portuguesas, porém, Erebor apareceu sempre como... Eriador. Ora acontece que, no universo de Tolkien, Eriador é o nome que é dado ao território situado a Leste das Montanhas Azuis e a Oeste das Montanhas Nebulosas. Isto não é um preciosismo linguístico; é uma confusão indesculpável que só pode ser explicada se admitirmos que os responsáveis pelas legendas não se deram sequer ao trabalho de ler um resumo da história na Wikipedia (quando deviam ter lido pelo menos uma vez o livro no qual o filme se baseia). 

2) Azog the Defiler foi traduzido como Azog o Gnomo. Dispensa comentários.

3) Durante o encontro de Gandalf com Radagast, este fala do seu encontro com as aranhas gigantes de Mirkwood, descrevendo-as como the spawn of Ungoliant. Nas legendas portuguesas, porém, recorrem a uma expressão idêntica a filhas de ungoliant, ou filhas de uma ungoliant. Faltou, uma vez mais, o trabalho de casa, pois Radagast não refere Ungoliant por acaso. Para resumir a coisa sem entrar muito nos acontecimentos de The Silmarillion,  Ungoliant é a terrível aranha gigante da Primeira Era da qual descendem todas as grandes aranhas da Terra Média - desde as aranhas gigantes de Mirkwood até Shelob.

4) A tradução de Dol Guldur como "Monte ao Sul" não é de todo precisa - foi utilizada na tradução portuguesa dos livros de Tolkien, ou também aqui as legendas meteram água?

Julgo que estes bastam para dar uma ideia do desastre - mas se alguém encontrou mais disparates de legendagem no filme, sinta-se à vontade para os partilhar. 

13 de setembro de 2012

Facepalm: O flagelo social dos videojogos

Para quem se interessa por videojogos, recomendo a leitura deste artigo de Paul Tassi na Forbes Online. Quanto a mim, subscrevo-o na íntegra - o multiplayer pode ser interessante mas em momento algum deve sobrepor-se ao clássico modo individual, onde as narrativas podem verdadeiramente brilhar e um videojogo pode ser de facto algo mais do que a combinação de jogabilidade, mecânicas e gráficos.

As declarações da Electronic Arts, vindas de onde vêm, só surpreendem os mais distraídos. Apesar de não ser o principal problema do jogo, a introdução de um modo multiplayer interligado com o single player de Mass Effect 3 foi um disparate tão grande que é impossível ninguém na EA ter reparado na coisa antes de o jogo sair de Beta. A introdução de multiplayer em Dead Space 3, dizem-me alguns amigos que conhecem a série, é também de levar as mãos à cabeça. Idem para Sim City. E decerto poderia continuar a enumeração. 

Sim, jogar com outros jogadores pode ser uma experiência muito divertida, e sim, há casos de jogos single player em que a introdução de um modo para mais do que um jogador bem - o modo Co-Op de Portal 2 é um exemplo. Há também jogos mais tradicionais que sempre separaram com sucesso as suas componentes individuais e de múltiplos jogadores, como Starcraft, e a coisa resulta. Não entendo é a necessidade de todos os jogos terem agora de ter componentes sociais. É uma moda, provavelmente, mas é uma particularmente irritante, e que irá causar muitos mais estragos enquanto durar. 

29 de agosto de 2012

Teenage Alien Ninja Facepalm

Junta-se Michael "Explosions!-More-Explosions!" Bay, um casal adolescente, algumas criaturas vindas do espaço, um vilão com um plano manhoso e o necessário exército de capangas, e o que temos? Não, não é o próximo filme de Transformers. É o novo filme das Teenage Mutant Ninja Turtles. Ou melhor, das Teenage Alien Ninja Turtles. Isto, claro, de acordo com o rascunho do guião que apareceu na Internet (e que, dada a rapidez com que foi dada a ordem de retirada, parece ter algum fundamento). Mais detalhes no io9.

7 de julho de 2012

Facepalm (ou como o presente é um lugar muito estranho)

Depois de uma volta por livrarias e alfarrabistas do Campo Grande a Campo de Ourique e à Baixa, passo pela Fnac do Chiado para dar uma vista de olhos nas novidades - não aquelas efectivamente novas, mas apenas coisas que desconheça ou que não seja habitual encontrar. Nos livros, nada de novo (encantou-me mais um elaborado volume com sete livros de Júlio Verne, em inglês, que encontrei na Bulhosa); nos filmes, idem - aliás, é notório como a Fnac é para todos os efeitos incapaz de manter a secção de filmes com um módico de organização. Na zona dedicada aos videojogos (também ela desorganizada, e pior - numa nova e péssima localização), perguntei ao funcionário daquela secção da loja se estava disponível o jogo The Witcher, que planeio comprar para me entreter nos próximos tempos. Indica-me o segundo título da série, versão Enhanced Edition - mas quando pergunto pelo primeiro jogo, responde-me: 

"Ah, esse não temos, já é muito antigo, é difícil de encontrar." 

Eu sei que a indústria dos videojogos é hiperactiva e dada ao disparate com invulgar frequência, mas só nos tempos estranhos e frenéticos em que vivemos é que um videojogo lançado em 2007 (e com uma segunda edição melhorada em 2008) é considerado muito antigo. Depois interroguem-se porque é que, ao contrário das lojas físicas, o comércio electrónico vai de vento em popa - no Steam, posso comprar o dito jogo, edição especial e tudo, por oito euros.

2 de julho de 2012

Facepalm

São coisas que acontecem, é certo, mas não deixa de ser um disparate digno de um valente facepalm: Leya obrigada a recolher 150 mil livros da saga "Crónicas de Gelo e Fogo" (no Expresso).


Julgava que as edições brasileiras eram adaptadas das portuguesas, da Saída de Emergência. De qualquer forma, e independentemente do tempo de tradução ou de adaptação, não se revê um livro da dimensão de A Dance With Dragons em dois dias - ou melhor, até se revê, mas com os resultados que se conhecem. 

18 de abril de 2012

Public Relations Facepalm

São ainda necessárias provas de que os videojogos já saíram da sua redoma geek adquiriram um estatuto comparável a qualquer outra forma de entretenimento? Basta acompanharmos a cobertura que a edição on-line da Forbes (sim, essa Forbes) tem dado à polémica em redor do jogo Mass Effect 3. Desde o início que a publicação tem acompanhado o caso, e, surpreendentemente (ou não), com artigos de qualidade muito superior a muitos da imprensa especializada. Este último, sobre o aproveitamento da controvérsia do final do jogo para gerar um belo spin de relações públicas, não só consegue ser claro e directo, como tem também um tom irónico que é raro ao jornalismo - e que só o torna melhor:
One can’t help but wonder if this was done on purpose, just to needle all those “entitled” fans out there clamoring for a new ending. Tout the perfect scores, and then spin all the bad press over the series finale by saying that the game has “provoked a bigger fan reaction than any other videogame’s conclusion in the medium’s history.”
Isto é puro génio de Relações Públicas. Ou então é simplesmente descaramento.

Pelo meio, os (ir)responsáveis da Electronic Arts/Bioware ainda conseguiram meter o autor George R. R. Martin ao barulho - é o vale-tudo. Naturalmente, os comentários estão à altura. Ora vejamos:
"And as far as entitlements go, how about entitled to acclaim when you rush a product to completion while taking an artistic risk? If George Martin rushed the book and had a quick ending (magic skull kills all Others but also everyone under 5 feet tall), the fan rage would be just as loud, Entertainment Weekly would say everyone was entitled, and PR would say “don’t miss the most controversial book of the year.”
Touché. No meio desta polémica toda, só é pena que a Electronic Arts e a Bioware continuem sem perceber o que está realmente em causa.

5 de abril de 2012

Foundation meets Avatar by the end of the world, or something alike

Isto não é exactamente novo - o artigo tem dois anos - mas merece referência. Como julgo que se sabe, os direitos de adaptação cinematográfica da trilogia Foundation, obra clássica de Isaac Asimov, estão nas mãos de… Roland "World Breaker" Emmerich. Emmerich notabilizou-se com Independence Day, um filme fraco mas ainda assim divertido, e a partir desse ponto tem vindo a esforçar-se arduamente para repetir o mesmo filme de forma diferente (Godzilla, The Day After Tomorrow, 2012), explorando sempre novas formas de arrasar cidades, matar milhões de seres humanos e acabar a coisa com um final feliz, mas não necessariamente lógico, no meio dos escombros. Ora Foundation não encaixa de todo nisso. Com a sua narrativa mais pausada, e uma estrutura que divide a história em cinco partes que decorrem em cinco momentos muito distintos e com personagens diferentes, seria mais interessante ver a obra de Asimov adaptada para televisão do que para cinema - sobretudo para um filme de Roland Emmerich. Nada contra o homem, que parece ser simpático, já fez outro tipo de filmes e, a avaliar por uma entrevista que vi há alguns meses, é um porreiro e sabe rir-se de si mesmo. Só me parece um realizador muito pouco adequado para adaptar para cinema uma série de livros que provavelmente nem devia ser adaptada. Como aliás dá para perceber neste artigo:

In an interview with MTV, the director announced that he wants to mo-cap the entire film, Avatar style and add in some 3-D.

Probably now all big movies have to be 3-D. It's not only the effect of 3-D [Avatar has] just shown that if you do a movie in 3-D, you can ask for more money and that's the trick. I think now everyone who does bigger movies has to shoot in 3-D. I think there's no way around it.

Claro que podia ser pior. 

Podia ter sido o Michael Bay a comprar os direitos.

27 de março de 2012

O caldo entornado

Lágrimas na Chuva, o mais recente romance de ficção científica da autora espanhola Rosa Montero, tem sido mencionado na imprensa portuguesa ao longo das últimas semanas - algo invulgar e sempre positivo para o género. A avaliar pela crítica e pela sinopse, a história parece interessante, com influências directas de Do Androids Dream of Electric Sheep? e Blade Runner. Só é pena que na própria sinopse impressa na contracapa do livro, e exposta no site, o(a) tradutor(a) e o(a) editor(a) tenham metido o pé na argola:

Uma série de replicantes parece estar a enlouquecer, cometendo assassinatos brutais e suicidando-se de seguida. A detetive Bruna Husky, uma replicante de combate, é contratada para descobrir quem e o que está por detrás desta onda de loucura coletiva, num entorno social cada vez mais instável. Entretanto, o arquivo central de documentação da Terra está a ser alvo de pirataria informática: uma mão anónima anda a manipular a História da Humanidade.

Em português, o que é um "entorno social"? A ideia era dizer "ambiente social" (ou algo do género)? O ou a responsável pela tradução distraiu-se? Os revisores meteram férias? Eu, que não consigo escrever duas linhas em espanhol e a falar não passo do mais rasco portunhol, apanho isto numa leitura na diagonal, e na Porto Editora - casa com longa tradição editorial - ninguém repara no "entorno"?

Como se o flagelo do acordo ortográfico não fosse suficiente. Que alguém me avise quando houver uma edição do livro em língua inglesa, por favor.

Adenda: leitora atenta indica que o termo "entorno", naquele contexto, existe de facto na Língua Portuguesa. O Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Bertrand não o reconhece (pelo menos na edição que aqui tenho); no entanto, encontrei-o no Houaiss. Isso, no entanto, não invalida o facto de a palavra "entorno", ainda que correcta do ponto de vista meramente semântico, não ter uso corrente prático e, como tal, ser uma péssima opção de tradução. Dito de outra forma: a partir do momento em que há formas mais simples e adequadas para o público-alvo do livro, aquela opção do tradutor é apenas ruído. De qualquer forma, aqui fica o reparo.

26 de março de 2012

Facepalm (2)

Em Coisas de vanities (1) e Coisas de vanities (2), o Rogério Ribeiro apresenta dois verdadeiros momentos Twilight Zone no mercado editorial português. Ou, se preferirem, dois grandes facepalms.

9 de março de 2012

Facepalm (1)

Excluída a Saída de Emergência, que realmente tem lá pessoas que sabem da poda (no caso, sabem e gostam do Fantástico), para o mercado editorial português o Fantástico parece ser apenas um verbo de encher - mesmo quando algum Fantástico parece ser moda hoje em dia. E não, não é (só) por causa das traduções. Exemplo rápido: como dá para reparar ali na barra do lado, estou actualmente a ler - e, já agora, quase a acabar - Ubik, de Philip K. Dick. Sem surpresas, está a ser uma leitura fenomenal - como, de resto, o autor já me habituou. A edição que tenho, comprada por mais ou menos sete euros na Amazon britânica, é a da colecção SF Masterworks, da Gollancz. Na contracapa, tem a sinopse que transcrevo de seguida:

Glen Runciter is dead. Or is he? Someone died in the explosion orchestrated by its business rivals, but even as his funeral is scheduled, his mourning employees are receiving bewildering messages from their boss. And the world around them is warping and regressing in ways which suggest that their own time is running out. If it hasn't already.

58 palavras. Tudo muito simples - fala-se do protagonista, fala-se da narrativa, sem no entanto revelar demasiado ou incluir spoilers demasiado óbvios. Pois bem; Ubik foi traduzido e editado em Portugal pela Editorial Presença. Há dias, ao passar numa livraria em Lisboa, deparei-me com o livro, e não resisti a ler a contracapa. Para meu grande espanto, que ainda mantenho alguma ingenuidade, a contracapa é praticamente toda ocupada por uma mancha de texto que pretendia ser uma sinopse mas que na prática elimina a necessidade de o leitor ler com atenção pelo menos os cinco primeiros capítulos do livro. Não estou a brincar: aquela sinopse explica tudo. Mais ou menos como ver um filme com um amigo que, por já ter visto, decide contar logo a primeira metade da história pensando que nos vai aguçar o apetite.

Mas isto talvez nem seja o pior. Mais divertida ainda é a sinopse ao livro que está on-line no site da Presença. Ora vejam:

Ubik
Entre Dois Mundos (na capa do livro, aparece "Entre 2 Mundos"; detalhes)
Sinopse: Ubik, tal como Blade Runner ou Minority Report, é uma das obras-primas de Philip K. Dick. Um dos livros mais assinaláveis dos anos 60, foi escrito num estilo muito próximo da pulp fiction e encerra tanto um thriller como um romance. O enredo desenrola-se numa atmosfera futurista, no ano de 1992, em que os avanços tecnológicos permitem manter os defuntos num estado de meia-vida até à próxima reencarnação. É criada em Nova Iorque uma organização que emprega pessoas com vários talentos psíquicos, desde telepatas a precogs, entre outros. Do mesmo autor de Relatório Minoritário e de Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, Ubik é uma espantosa comédia metafísica sobre o medo da morte e a salvação, em que as pessoas são congeladas, num estado de meia-vida. Mais um livro deste consagrado autor que integra a colecção Viajantes no Tempo.

Senhores da Presença: Blade Runner não é "uma das obras-primas" de Philip K. Dick, mas sim de Ridley Scott. A obra-prima de Philip K. Dick a que se referem será o livro Do Androids Dream of Electric Sheep?, no qual Scott se baseou para fazer um dos melhores filmes de ficção científica de sempre. Isto não é um detalhe - é uma confusão grave entre duas obras completamente diferentes.

Enfim, isto é a edição de clássicos da ficção científica em Portugal - com um preço de capa de quinze euros, mais coisa menos coisa. Depois admiram-se as editoras de que quem se pode dar a tal luxo opte pelas edições inglesas ou americanas.