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19 de agosto de 2014

Guardians of the Galaxy: Aventura vintage

Talvez seja seguro afirmar que a space opera está em franco ressurgimento na ficção científica contemporânea, regressando para o topo do género com o qual tantas vezes se confunde (ou é confundida, melhor dizendo). Na literatura, Ancillary Justice, de Ann Leckie, conquistou tanto a crítica como o público, tornado-se aos poucos numa força imparável nos prémios da ficção de género em 2014; ao mesmo tempo, séries como Expanse, de James S. A. Corey e Culture, de Iain M. Banks, gozam de uma popularidade invejável (com a primeira a ter até uma adaptação televisiva projectada, pelo SyFy Channel). Nos videojogos, e depois do sucesso avassalador de Mass Effect e do êxito de nicho de EVE Online, os próximos tempos parecem preparar-se para celebrar o regresso dos space sims, um género quase votado ao esquecimento nas últimas duas décadas, recuperado pelo crowdfunding em títulos tão arrojados como Star Citizen, Elite: Dangerous e No Man's Sky. E no cinema, as mais clássicas space operas estão de volta, com Star Trek em alta após dois filmes bem sucedidos nas bilheteiras e com o hype em redor do próximo episódio de Star Wars e dos planos da Disney para a franchise a roçarem já o insuportável. Colocadas as coisas neste contexto, parecerá talvez segura a aposta da Marvel em Guardians of the Galaxy, adaptando para o grande ecrã a recente reimaginação de 2008 de um título mais antigo; mas a verdade é que reduzir o sucesso do filme às circunstâncias do género e do fandom acaba por ser um tanto ou quanto redutor.


Isto porque, para todos os efeitos, a aposta foi de facto arriscada - em parte também pelo mesmo contexto. Se é certo que o Marvel Cinematic Universe não transporta em si a seriedade e a solenidade que têm sido características da produção cinematográfica mais recente da rival DC, nem por isso, contudo, deixa a longa-metragem de James Gunn de ser um objecto dissonante na continuidade de filmes da Marvel: o humor assume desde os primeiros momentos um lugar de destaque na construção da narrativa, dando a todo o filme um tom mais ligeiro e extraordinariamente refrescante nos dias que correm, marcados pelo cinzentismo da ambiguidade distópica.


De certa forma, acaba por ser essa opção pela ligeireza e pela diversão que acaba por elevar este Guardians of the Galaxy de James Gunn e de o tornar num filme imperdível, notável a praticamente todos os níveis. No tom ouvem-se os ecos das aventuras cinematográficas de outros tempos, bem ritmadas e repletas de gags e de situações impossíveis resolvidas com alguma improvisação e com muito humor - como vimos, deliciados, em clássicos da aventura como Indiana Jones, ou em clássicos da ficção científica como The Fifth Element (que, creio, está mais próximo de Guardians do que o inevitável Star Wars). Heróis e vilões encontram-se muito bem separados, mesmo quando os primeiros têm origens que são tudo menos nobres (os rogues, afinal, também são um clássico do género).


Estes ecos vintage, de outros tempos, surgem reforçados pela surpreende veia nostálgica do filme, muito bem ancorada na personagem de Peter Quill/Star-Lord (Chris Pratt num desempenho memorável, em simultâneo protagonista e comic relief). Há na sua nave, a Milano, toda uma série de memorabilia extraída dos anos 80 para a civilização galáctica do futuro (em contar, claro, com as inúmeras referências pop que faz ao longo do filme, em diálogos tão inspirados como divertidos). Com o artefacto mais importante a ser o seu walkman com a cassete Awesome Mix vol. 1, que serve de pretexto à espantosa banda sonora pop-rock de raízes punk, glam e blues (entre outras), onde figuram nomes como David Bowie, Blue Suede, Jackson 5, Marvin Gaye e The Runaways. Longe de ser um aspecto meramente complementar do filme, a banda sonora é responsável em larga medida pelos tais ecos vintage e por conferir a toda a trama uma energia muito própria, única na ficção científica contemporânea.


E depois temos as personagens, claro - com Guardians of the Galaxy a apresentar aquele que será talvez o melhor elenco de todo o Marvel Cinematic Universe. No que diz respeito aos protagonistas reais, a surpresa vai para o Drax de Dave Bautista, o wrestler profissional aqui tornado num inesquecível colosso deadpan de vocabulário elaborado. A Gamora de Zoe Saldana revela-se competente q.b., com uma excelente química com o resto da equipa - ainda que fique a sensação de que o guião não a deixou ir mais longe. Mas quem rouba o espectáculo, mais até do que Chris Pratt, são as duas personagens geradas por computador: Rocket e Groot, a quem Bradley Cooper e Vin Diesel emprestaram as respectivas vozes para construírem uma dupla memorável.


No entanto, perante uma equipa de heróis tão consistente e perante um conjunto notável de personagens secundárias (onde figuram nomes como John C. Reilly, Glenn Close e Michael Rooker, este numa versão espacial do seu Merle de The Walking Dead), será talvez impossível não reparar como um dos calcanhares de Aquiles do filme acaba por ser os vilões. Não por culpa dos actores, entenda-se: há em Karen Gillan, Lee Pace e Josh Brolin talento mais do que suficiente para muitos vilões em muitos filmes, e isso nota-se em alguns momentos. No entanto, o Thanos de Brolin aparece quase só de passagem (ainda que seja uma aparição relevante), e a Nebula de Gillan surge muito desaproveitada. Resta o Ronan the Accuser de Lee Pace, com uma motivação pouco sustentada e sem aquele carisma exagerado que talvez lhe permitisse erguer-se acima dos clichés da sua personagem (como acontece com o magnífico Zorg de Gary Oldman em The Fifth Element). O seu momento de glória naquele inesperado confronto com Star-Lord, quase no final do filme, não é suficiente para resgatar a personagem.


Já a outra fraqueza de Guardians of the Galaxy acaba por se revelar bem mais problemática do que os seus vilões. Por mais "fora do baralho" que seja, Guardians integra o Marvel Cinematic Universe - e isso nota-se mais do que seria talvez desejável para um filme que se revela tão refrescante em tantos momentos. Com toda a sua ligeireza e todo o seu humor, o filme nunca consegue sair do espartilho do franchising, sublinhado pelos ganchos evidentes à sequela (na prática, o filme é uma origin story de duas horas) e reforçado pela integração numa continuidade mais vasta, que emerge nas aparições de Thanos e do Collector (já referidos nas cenas pós-créditos de The Avengers e Thor 2: The Dark World, respectivamente) e que se manifesta de forma definitiva no MacGuffin que serve de pretexto a toda a trama: a Infinity Stone.


Em última análise, Guardians of the Galaxy acaba por ser mais revolucionário no contexto do Marvel Cinematic Universe do que na ficção científica em geral - com todo o encantamento do seu worldbuilding e todo o charme do seu tom retro, acaba por não ser mais do que uma engrenagem na máquina cinematográfica do universo partilhado da Marvel. Uma engrenagem glorificada, é certo, mas ainda assim uma engrenagem, um pequeno ponto de algo mais vasto e não o ponto de partida para algo novo e irresistível, capaz de se tornar numa força cultural como Star Wars conseguiu nos anos 70; e também por isso nunca será comparável ao clássico de George Lucas. No fundo, e mais do que introduzir personagens e plot points, serve para demonstrar que neste momento a Marvel consegue vender no grande ecrã até as suas propriedades intelectuais mais secundárias.


Ainda assim, o balanço que se retira de Guardians of the Galaxy é extremamente positivo. Pode não estar aqui a revolução de que a space opera cinematográfica talvez necessite, com um equivalente à sofisticação conceptual dos universos literários de Hyperion, Culture ou ao novíssimo Imperial Radch, mas há muito para apreciar na sua nostalgia vintage, na ligeireza que recupera de outros tempos e que tanta falta faz nestes tempos de distopia e grimdark, e no carisma bem humorado dos seus heróis. Com uma componente visual exemplar, uma banda sonora duradoura (até porque testada pelo tempo) e uma mão-cheia de personagens memoráveis, Guardians of the Galaxy é sem dúvida o grande blockbuster deste Verão - e se é uma pena que lhe falte autonomia para vôos mais altos, nem por isso deixa de ser um exemplo perfeito do mais puro, despretensioso e nostálgico entretenimento. 8.2/10

Guardians of the Galaxy (2014)
Realização de James Gunn
Argumento de Nicole Perlman e James Gunn
Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Lee Pace, Karen Gillan, Michael Rooker, Josh Brolin, Glenn Close, John C. Reilly, Benicio Del Toro e Djomon Hounsou
121 minutos

(nota: texto editado para corrigir uma gralha e dois disparates gramaticais)

9 de julho de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

A hype machine da Marvel continua a funcionar a todo o gás. Com estreia prevista para o início de Agosto, Guardians of the Galaxy acaba de ter mais um trailer divulgado, com trechos já conhecidos combinados com imagens novas que mostram um pouco mais dos protagonistas e dos vilões - e que realçam o tom aventuresco e o humor da space opera, mais do que qualquer ligação aos comics

Guardians of the Galaxy tem estreia prevista para 7 de Agosto em Portugal.


Fonte: io9

20 de junho de 2014

This happening world (16)

We're losing all our Strong Female Characters to Trinity Syndrome. Tasha Robinson explora neste interessante artigo publicado no portal The Dissolve a constante secundarização de personagens femininas com potencial no fantástico cinematográfico contemporâneo - e dá como exemplo a protagonista feminina de The Matrix (interpretada por Carrie-Anne Moss), que abre o filme com uma sequência de acção inesquecível para, a cada cena, perder importância para as personagens masculinas até ao ponto em que se vê dependente delas. De acordo com Robinson, o mesmo aconteceu com Mako Mori em Pacific Rim, Carol Marcus em Star Trek: Into Darkness - ou com as mais recentes Tauriel em The Hobbit, Wyldstyle em The Lego Movie e Valka em How to Train Your Dragon 2. Mas por que motivo personagens femininas complexas, competentes e, acima de tudo, interessantes, continuam a passar para segundo plano?

No The Guardian, Sandra Newman faz uma apologia estranha, para não dizer polémica, à ficção científica literária clássica - sobretudo àquela ficção científica denegrida de forma consistente na crítica e na academia pelas suas personagens pouco densas, pela sua pobreza estilística, pelo sexismo dos tempos e pela submissão da riqueza estilística às premissas e às ideias. É uma ideia curiosa e polémica, sobretudo se pensarmos que a ficção científica moderna continua a tentar libertar-se desse estigma, não inteiramente verdadeiro - e mesmo Newman, na sua tentativa de o demonstrar, acaba por cair na falácia de cherry picking. Nem por isso, porém, deixa o artigo de ser pertinente, e sobretudo por uma ideia: os conceitos continuam, ou deviam continuar, a ser o centro de todo o género. 

Ainda no The Guardian (era bom termos em Portugal um jornal de referência a falar tanto de ficção científica, não era?), Nicholas Barber augura o ressurgimento da space opera no cinema com o muito antecipado Guardians of the Galaxy - e traça a história do sub-género, desde o seu apogeu em Star Trek e Star Wars nos anos 60 e 70 até ao seu declínio nas duas últimas décadas. 

E a propósito de space operao que significa ao certo o adiamento da estreia de Jupiter Ascending, o próximo blockbuster de ficção científica de Andy e Lana Wachowsky, da época alta de Julho para a época baixíssima de Fevereiro? O tema é explorado neste artigo da Variety, mas sem respostas definitivas: os exemplos de outros filmes recentes que viram a sua estreia adiada, como o aclamadíssimo Gravity ou o não tão aclamado 300: Rise of an Empire, acabam por não permitir grandes extrapolações. 

Anne Elizabeth Moore, no Salon, coloca uma pergunta interessante: Why is the horror genre particularly horrible for women. E, mais do que dar uma resposta, explora o tema à luz de acontecimentos recentes e antigos na sociedade norte-americana. 

17 de junho de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

Enquanto a comunidade geek se entretém a discutir à exaustão cada não-notícia sobre os próximos filmes de Star Wars, a Marvel continua a afinar a sua máquina de hype para Guardians of the Galaxy, que deverá a dada altura cruzar-se com a continuidade narrativa de The Avengers. Enquanto esse momento não chega, porém, o próximo filme de James Gunn parece apostado em recuperar a veia de aventura tão característica da space opera - e, a avaliar pelas imagens já reveladas nos vários trailers, tenciona fazê-lo num tom mais próximo de Firefly do que de Star Wars (o que, a confirmar-se, será sem dúvida uma excelente notícia).

Guardians of the Galaxy estreia a 1 de Agosto nos Estados Unidos. Abaixo, o trailer.


Fonte: io9

19 de maio de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

A avaliar por aquilo que tive oportunidade de ler nos vários artigos publicados online a propósito deste novo trailer de Guardians of the Galaxy, os fãs tanto dos comics deste improvável grupo de heróis como de outros arcos narrativos do universo ficcional da Marvel terão um filme repleto de easter eggs. Quem, como eu, não estiver familiarizado com as bandas desenhadas (algo a corrigir um dia destes) decerto apreciará o tom mais ligeiro e descontraído que parece atravessar esta aventura em estilo de space opera - algo que vai sendo raro na ficção científica contemporânea, e que é (também) por isso muito bem vindo. Se a isso juntarmos um elenco de luxo (Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper, Vin Diesel, Karen Gillan, Dave Bautista, Benicio Del Toro, Lee Pace, Djimon Hounsou, John C. Rilley, Glenn Close e Michael Rooker) e uma componente visual aparentemente soberba, não restam muitas dúvidas: apesar das suas origens secundárias na Marvel, Guardians of the Galaxy está a tornar-se num dos filmes mais aguardados deste Verão.

Guardians of the Galaxy tem estreia marcada para 1 de Agosto nos Estados Unidos, e para 7 de Agosto em Portugal. Abaixo, o trailer:



Fonte: io9

19 de fevereiro de 2014

Guardians of the Galaxy: Primeiro trailer

Os últimos dois anos serviram para tirar todas as dúvidas quanto à viabilidade das adaptações cinematográficas de super-heróis da banda desenhada da Marvel* - com o enorme sucesso de bilheteira de The Avengers a confirmar a viabilidade do modelo escolhido, mesmo quando boa parte dos filmes que culminaram no êxito de 2012 não foram mais do que medíocres. Com a segunda vaga de filmes individuais já a preparar o terreno para The Avengers 2: Age of Ultron (Iron Man 3 e Thor 2 já estrearam; Captain America 2 está para breve), a Marvel avançou para um novo projecto, mais ousado: a adaptação de Guardians of Galaxy, uma banda desenhada de super-heróis ancorada mais firmemente na ficção científica e nas convenções da space opera, relançada em 2008 com novas personagens. E será este reboot de 2008 que o filme realizado por James Gunn irá transportar das vinhetas dos comics para o grande ecrã. O primeiro trailer oficial foi apresentado na última madrugada no talk show de Jimmy Kimmel - e revela uma galeria de personagens no mínimo curiosa, e um tom mais ligeiro que The Avengers, à primeira vista mais propenso a explorar o território da aventura e mesmo da comédia.

Guardians of the Galaxy tem estreia prevista para 1 de Agosto nos Estados Unidos. Abaixo, o trailer.


Fonte: io9


* Refiro-me apenas às propriedades intelectuais adaptadas pelos estúdios da Marvel. Os direitos de Spider-Man e X-Man, como se sabe, estão nas mãos de outras produtoras.