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10 de julho de 2014

Guillermo Del Toro: "It was hard to create a world that did not come from a comic book, that had its own mythology, so we had to sacrifice many aspects to be able to cram everything in the first movie" (entrevista)

Entre a série televisiva The Strain, com estreia marcada nos Estados Unidos para o próximo fim-de-semana, e pós-produção do seu próximo filme, Crimson Peak (com estreia prevista para o Outono do próximo ano), Guillermo Del Toro não terá decerto mãos a medir com todos os projectos em que está envolvido - e a confirmação da continuidade de Pacific Rim em filme, série de animação e banda desenhada decerto irão mantê-lo bem ocupado ao longo dos próximos anos. Em entrevista a Michael Calia para o blogue Speakeasy (do The Wall Street Journal), Del Toro fala dos seus vários projectos, reabrindo a porta para a sua adaptação cinematográfica de At the Mountains of Madness, de Lovecraft (ainda que em PG-13) e explicando o rumo a seguir com o universo ficcional de Pacific Rim. Três excertos:
Michael Calia/Speakeasy: With this support from Legendary, do you have any hope that your adaptation of H.P. Lovecraft’s “At the Mountains of Madness” will be made? 
Guillermo Del Toro: That’s exactly what I discussed with them. I said to them, that’s the movie that I would really love to do one day, and it’s still expensive, it’s still … I think that now, with the way I’ve seen PG-13 become more and more flexible, I think I could do it PG-13 now, so I’m going to explore it with [Legendary], to be as horrifying as I can, but to not be quite as graphic. There’s basically one or two scenes in the book that people don’t remember that are pretty graphic. Namely, for example, the human autopsy that the aliens do, which is a very shocking moment. But I think I can find ways of doing it. We’ll see. It’s certainly a possibility in the future. Legendary was very close to doing it at one point, so I know they love the screenplay. So, we’ll see. Hopefully it’ll happen. It’s certainly one of the movies I would love to do. 
MC/SE: If it doesn’t work out, what are the chances we see (Lovecraft’s) Cthulhu appear as a kaiju in a “Pacific Rim” movie? 
GDT: (laughs) Not really. I think there’s a really strong possibility we can do it (“At the Mountains of Madness”) at Legendary because now they are at Universal, and Universal, you may remember, almost greenlit the movie. The fact that we now have two studios together that love the material, and if they support each other, they are risking a lot less. It would be great to do it, but I’ve understood that you don’t plan your career, it just happens. 
MC/SE: Without spoiling anything, what can fans expect from “Pacific Rim 2″? 
GDT: We are three years away, so to spoil anything would be fantastically silly of me. What I can tell you: [screenwriter Zak Penn] and I really went in, we started with [screenwriter Travis Beacham] about a year and a half ago, kicking ideas back and forth. And, admittedly, I said to Zak, let’s keep kicking ideas till we find one that really, really turns the first movie on its ear, so to speak. (…) It was hard to create a world that did not come from a comic book, that had its own mythology, so we had to sacrifice many aspects to be able to cram everything in the first movie. Namely, for example “the Drift” (editor’s note: the neural link between pilots of the giant robots, or jaegers), which was an interesting concept. [Then there was] this portal that ripped a hole into the fabric of our universe, what were the tools they were using? And we came up with a really, really interesting idea. I don’t want to spoil it, but I think at the end of the second movie, people will find out that the two movies stand on their own. They’re very different from each other, although hopefully bringing the same joyful giant spectacle. But the tenor of the two movies will be quite different.
A entrevista completa pode ser lida na íntegra no Speakeasy.

Fonte: Speakeasy

28 de junho de 2014

Guillermo del Toro confirma continuidade de Pacific Rim



O anúncio foi feito ontem pelo próprio Guillermo del Toro - Pacific Rim irá ter uma sequela em filme com estreia prevista para 2017. E mais do que isso: a banda desenhada Tales From Year Zero, do argumentista Travis Beecham, também irá ser continuada, e será produzida ainda uma série animada neste universo ficcional. O que parece indicar que os resultados da bilheteira internacional (leia-se: não norte-americana) foram suficientes para convencer os responsáveis da Legendary Pictures a dar continuidade ao projecto de del Toro.

Recebo a notícia com um misto curioso de satisfação e frustração. Por um lado, Pacific Rim - com todas as suas falhas e limitações - foi, de longe, o filme que mais gostei de ver em cinema nos últimos anos: duas horas de diversão pura, com uma história positiva como poucas na ficção científica contemporânea. Mais do que isso, por entre a espectacularidade das batalhas entre Jaegers e Kaiju, Pacific Rim deixa antever uma sociedade profundamente alterada após anos de invasões sucessivas, num mundo apocalíptico que se percebe ser rico, detalhado e muito interessante - e é excelente que del Toro, Beecham e Zak Penn tenham uma oportunidade de o aprofundar. Por outro lado, não deixa de ser mais uma sequela num mercado saturadíssimo de continuações e derivações - e por mais interessante que Pacific Rim 2 se venha a revelar, nem por isso deixa de ser um tanto ou quanto desnecessário, dada a forma como o filme original consegue contar a sua história sem deixar pontas soltas ou mesmo um fio condutor evidente para alimentar eventuais continuações. Dito de outra forma: Pacific Rim dispensava tornar-se numa franchise. Sobretudo quando permanece em águas de bacalhau (ou, para usar o termo de Hollywood, em development hell) o terceiro e último capítulo da (excelente) trilogia Hellboy, previsto no argumento dos dois filmes anteriores mas nunca produzido. 

Mas, por mais que tenha gostado do filme original, preferia ver novos projectos, originais ou adaptados, de de Toro. Enfim, retire-se a boa notícia do caso: mais kaiju serão sempre bem-vindos. 

Fonte: io9 / The Verge

10 de outubro de 2013

Os bloppers de Pacific Rim

Pacific Rim foi, sem qualquer dúvida, o grande filme do último Verão - com Guillermo Del Toro a homenagear os géneros mecha e kaiju japoneses com um filme notável numa escala assombrosa. E agora foi disponibilizado, possivelmente como prelúdio para a edição DVD e Blu-Ray, um pequeno vídeo dos bloppers da rodagem do filme - com Ron Perlman a destacar-se em alguns momentos muito inspirados.


Fonte: Tor.com

24 de agosto de 2013

How It Should Have Ended: Pacific Rim

A malta do How It Should Have Ended raramente desilude - e com Pacific Rim, conseguiram fazer uma homenagem aos géneros mecha e kaiju num filme que, em si, é uma homenagem a mecha e kaiju. O resultado, como não podia deixar de ser, é hilariante.



23 de julho de 2013

Pacific Rim, ou o encantamento (e o coração) do cinema-espectáculo

Quis a sorte que o primeiro filme que vi em cinema - improvisado, é certo, mas ainda assim cinema - tenha sido Jurassic Park, de Steven Spielberg. Na aldeia alentejana onde cresci, cinema era coisa inexistente, algo que acontecia nas cidades onde só se ia uma vez por acaso a cada dois meses, e nunca com tempo para aproveitar tais coisas. Em 1993, porém, isso mudou - e poucos meses após a estreia, o cinema regressou à aldeia por mão de um projeccionista ambulante da terra que conseguiu lá levar um dos maiores blockbusters daquela década pouco tempo depois da sua estreia. Para um miúdo de gostos geek e completamente apaixonado por tudo o que estivesse relacionado com dinossauros (sabia tudo o que era possível um miúdo de oito anos saber sobre Tyranossaurus Rex, Brachiosaurus ou Velociraptors), aquela estreia foi um Natal antecipado; e foi com um entusiasmo desmedido que fui assistir ao filme, exibido na Casa do Povo da aldeia. De 93 a esta parte vi dezenas de filmes em dezenas de salas de cinema - e, na sua maioria, foram filmes bons ou muito bons; nenhum, porém, conseguiu deixar aquela sensação de encantamento puro, de estar a assistir a algo fascinante, com criaturas maravilhosas numa escala desmesurada, larger than life. Foram precisos 20 anos para recuperar essa sensação - e, desta vez, pela mão de Guillermo Del Toro com Pacific Rim.

Para quem gosta do género, ou para quem tenha alguns filmes e algumas séries de monstros ou robots gigantes como referências da infância, será porventura difícil assistir a Pacific Rim sem um sorriso. De facto, a primeira coisa que salta à vista no blockbuster de Guillermo Del Toro é a sua escala tremenda, incomparável a qualquer outro filme do seu género (ou de outro género). Os mostros de Del Toro, os Kaiju, são a perfeita definição de gigante numa tela - e os robots, os Jaegers, não lhes ficam atrás. 


Mas o tamanho não é tudo: os monstros parecem mesmo monstros e os robots parecem mesmo robots, ganhando vida através de uma componente visual cuidada e de efeitos especiais deslumbrantes, capazes de os recriar com a imponência e a força que parecem ter quando se entregam a combates violentos, atmosféricos como nenhuns outros (o ambiente chuvoso serve um propósito essencialmente prático, bem sei, mas funciona também no plano emocional), com uma energia contagiante. A promessa do realizador, o único compromisso que fez para o filme, foi cumprido na íntegra: giant fucking monsters against giant fucking robots.


É na diversidade de monstros e robots que começamos a ver como Del Toro e o argumentista Travis Beacham conceberam não só o seu espectáculo de acção mas como todo um mundo interessante em redor da premissa básica do filme. Qual desastre natural, os Kaiju são agrupados em cinco categorias de acordo com as suas dimensões e capacidades, e ainda que haja em cada monstro uma certa evidência de origem comum, são individualizados na sua forma e na sua habilidade (Leatherback e Otachi são disso excelentes exemplos) - e nota-se nas formas a estética inconfundível de Del Toro, presente em filmes como Hellboy ou El Laberinto Del Fauno. Mas também os Jaegers são diversos, com o americano Gipsy Danger a ser bastante diferente do russo Cherno Alpha ou do chinês Crimson Typhoon.


A acção é, como não podia deixar de ser, o prato principal de Pacific Rim, e Del Toro serve-a em doses generosas. Mas não se fica por aí, e constrói à volta da ideia central de monstros versus robots todo um universo ficcional interessante que empresta verosimilhança à premissa. O filme abre com um prólogo fascinante, que começa quase em estilo de documentário: em Agosto de 2013, abriu-se um portal interdimensional no fundo do Oceano Pacífico e de lá emergiu o primeiro Kaiju - um monstro de Classe 1 que arrasou São Francisco e obrigou as autoridades a medidas extremas para o travar. Como resposta a ataques cada vez mais frequentes de monstros cada vez maiores e mais difíceis de abater com recurso a métodos convencionais, foi criado o programa Jaeger - sob o qual se construíram robots gigantescos, à escala dos monstros, para os combater.


Para cada Jaeger, dois pilotos (pelo menos) - unidos por uma ligação cerebral e empática designada por "Drift", sob a qual partilham todas as suas memórias e todo o seu conhecimento, coordenando os movimentos como se fossem uma única entidade. Os irmãos Raleigh e Yancy Beckett (Charlie Hunnam e Diego Klattenhoff) são os pilotos do Gipsy Danger, um Jaeger norte-americano (cuja voz da interface é dada por Ellen McLain e é idêntica à de GlaDOS, a inteligência artificial de Portal) enviado para o Alasca com a missão de parar Knifehead, um Kaiju de nível 3. É a partir desta missão, do seu resultado e das suas consequências, que o enredo de Pacific Rim arranca. Seis anos volvidos, o programa Jaeger está ameaçado e os Kaiju estão cada vez mais poderosos; e Stacker Pentecost (Idris Elba) volta a recrutar Raleigh para tentar o impossível.


A Raleigh junta-se Mako Mori (Rinko Kikuchi), uma aspirante a piloto com um passado um tanto ou quanto obscuro - revelado naquela que será talvez a mais memorável cena de todo o filme. Pacific Rim aposta muito nas várias vertentes da ligação entre dois pilotos de um Jaeger - como se vê também nas equipas da Austrália, da Rússia e da China -, mas é em todo o mundo que está à sua volta que reside a riqueza do universo de Del Toro. Um mundo sitiado, devastado por uma guerra longa que consumiu - consome - demasiados recursos, onde os cientistas Newt e Gottlieb (Charlie Day e Burn Gorman) testam hipóteses arrojadas em modo comic relief (funciona surpreendentemente bem) e onde um gangster como Hannibal Chau (Ron Perlman a roubar todas as cenas) estabelece uma vasta rede de negócio com base em partes de Kaiju abatidos. Tudo isto é mostrado com detalhe - vemos uma Hong-Kong efervescente, onde os artefactos dos monstros invasores convivem com luzes de néon e mercados tradicionais.


Não há nada de pós-moderno no argumento de Pacific Rim - nada de grandes conflitos ou da ambiguidade soturna e frequentemente melancólica que parece ter tomado conta das narrativas de acção contemporâneas (como atestam algumas das últimas entradas cinematográficas de super-heróis). A história traçada por Del Toro e Beacham é simples, linear e muito clássica - sem reviravoltas inesperadas, sem twists convolutos, sem qualquer reflexão ou moralidade nas entrelinhas. Não há sequer espaço para algum subtexto e para algumas questões mais incómodas como - e para não sair do género - em Neon Genesis Evangelion; é, sim, a história pela história, o espectáculo pelo espectáculo. E isso, nos dias que correm, é quase uma lufada de ar fresco.


Há em Pacific Rim um optimismo esperançoso, um certo heroísmo mais convencional, uma energia muito própria e uma certa ideia de humanidade reminescentes de alguma ficção científica e das muitas inspirações de Del Toro. Certo: analisado de forma estritamente racional, Pacific Rim será talvez um filme demasiado frágil - as personagens são interessantes mas não são excepcionalmente densas, o diálogo não escapa a alguns clichés do género (se bem que o discurso motivacional de Pentecost seja dos melhores que já se viu), e a premissa, tal como nos clássicos de monstros e nas séries animadas japonesas (mesmo nas mais complexas), pede-nos que a aceitemos nos seus próprios termos. Algo que não será (ou não devia ser) estranho aos fãs de ficção científica.


Se não o fizermos, então o blockbuster de Del Toro decerto parecerá pouco apelativo. Mas se o fizermos - se vermos o filme com o mesmo espírito com que víamos o Godzilla a destruir cidades de esferovite (ou com que vi Jurassic Park há 20 anos), com o mesmo espírito com que Del Toro rodou este filme, como se fosse uma criança a recuperar e reinventar as suas histórias preferidas -, então Pacific Rim revela-se a todos os níveis uma obra notável, na qual a espectacularidade inegável da sua acção e da sua componente visual não ofusca um worldbuilding muito bem construído e personagens suficientemente interessantes para manter o encantamento durante pouco mais de duas horas (e mais houvesse). Da minha parte, regresso à infância e delicio-me com os robots e os monstros (e a GlaDOS) de Del Toro. 8.4/10

Pacific Rim (2013)
Realizado por Guillermo Del Toro
Argumento de Travis Beacham e Guillermo Del Toro
Com Charlie Hunnam, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Diego Klattenhoff, Charlie Day, Burn Gorman, Ron Perlman, Max Martini, Robert Kazinsky, Clifton Collins Jr. e Ellen McLain
131 minutos

26 de junho de 2013

Pacific Rim: Novo trailer e previsões para o fim-de-semana de estreia

Foi ontem divulgado mais um trailer de Pacific Rim, com algumas cenas novas e centrado no discurso "inspirador" da personagem de Idris Elba (e coloco as aspas porque é raro este tipo de discursos no cinema ou em televisão soarem inspiradores; neste filme, veremos). Mas o que é verdadeiramente sintomático no que ao blockbuster de Guillermo Del Toro diz respeito é a sondagem referida neste artigo da Variety, dando conta de que para o fim-de-semana de 12 de Julho, data de estreia de Pacific Rim, a maior parte do público parece preferir ver Grown Ups 2 (mais uma "comédia" com Adam Sandler). O que se não surpreende, não deixa também ajudar a explicar por que motivo Hollywood aposta cada vez menos em conceitos alternativos, arrojados ou simplesmente diferentes e cada vez mais em franchises estabelecidas e filmes formulaicos.

Pacific Rim estreia em Julho, e aqui fica o mais recente trailer:


Fontes: io9 / Variety

1 de junho de 2013

Guillermo Del Toro: "Every movie has to have a portion of analog, practical effects"

Mais uma featurette de Pacific Rim - desta vez sobre a construção das "cabeças" dos Jaegers e sobre a forma como estes cenários foram construídos e utilizados com os actores e com os efeitos especiais digitais. A posição de Del Toro quanto à importância dos practical effects é especialmente interessante quando falamos de um filme como este, cujos vários elementos fundamentais (escala, worldbuilding, acção) dependem quase na totalidade de CGI.




Fonte: io9

23 de maio de 2013

Os dois pilotos de Pacific Rim

Um dos elementos de Pacific Rim que tem causado mais curiosidade - para além de saber que testes estará a GlaDOS a esconder - é a necessidade de cada Jaeger ser controlado por dois pilotos. É evidente desde o primeiro minuto que o motivo, seja ele qual for, pode ser resumido na expressão plot device - ou, dito de outra forma, porque fica interessante (ou cool, passe mais este anglicismo). Claro que na ficção científica é relevante que os vários plot devices tenham uma explicação lógica, sob o risco de se tornarem em plot holes; algo que é válido mesmo para um filme como Pacific Rim, assumidamente mais orientado para a acção e para a espectacularidade visual do que para a subtileza narrativa.

Ora é precisamente a essa questão - para que precisam os Jaegers de dois pilotos? - que Guillermo Del Toro e alguns actores respondem na pequena featurette que se segue:


Fonte: io9

16 de maio de 2013

Pacific Rim: Mais detalhes sobre os Kaiju e os Jaeger (trailer)

Não sei se ainda há muito para dizer sobre o próximo projecto cinematográfico de Guillermo Del Toro, Pacific Rim - excepto que Julho tarda em chegar, e com ele a estreia deste filme. Enquanto a data não chega, Del Toro parece apostado em disponibilizar trailers cada vez mais impressionantes. Aqui fica o mais recente, com mais detalhes sobre a narrativa - e, claro, mais combates formidáveis entre Jaegers e Kaiju:



Fonte: io9

29 de abril de 2013

Pacific Rim: Novo trailer

Ao longo das últimas semanas, Guillermo Del Toro tem insistido que o seu próximo filme, Pacific Rim, tem uma escala completamente diferente (leia-se "maior") do que qualquer outro filme do género. A avaliar pelo segundo trailer do filme, entretanto disponibilizado, torna-se difícil discordar. 

Pacific Rim tem estreia prevista para Julho próximo. 



8 de janeiro de 2013

Cinema fantástico: as estreias de 2013 (6) - Pacific Rim

Para minha surpresa, Pacific Rim é o filme que aguardo com mais expectativa. A surpresa reside em dois factos distintos. O primeiro, apesar de ter alguma curiosidade para com os subgéneros kaiju e mecha, tão populares no Japão, nunca me atraíram de forma significativa no contexto da ficção científica. O segundo, por à partida - e com um preconceito que assumo sem complexos - uma qualquer descrição simples (ou simplista) do filme me levar a descartá-lo como mais um grande blockbuster feito mais a contar com efeitos especiais grandiosos e um 3D desnecessário para conquistar as bilheteiras na guerra de blockbusters de Verão. A diferença, porém, é que Pacific Rim não é realizado por um Michael Bay da praxe, mas por Guillermo Del Toro - que, na última década, realizou duas adaptações muito boas de Hellboy e o extraordinário El Labirinto Del Fauno - e esteve quase a realizar também a adaptação cinematográfica de The Hobbit. Imaginação não lhe falta, e é por isso que, mesmo antes de ver o primeiro trailer, já tinha alguma esperança de que Pacific Rim fosse mais do que um mero filme de monstros e robots gigantes - dito de outra forma, que fosse um filme de monstros e robots gigantes com uma narrativa interessante e personagens com alguma densidade. 

O trailer divulgado em Dezembro último surpreendeu a Internet gamer ao mostrar algo tão familiar como inesperado: a voz Ellen McLain no seu brilhante papel de GlaDOS, a extraordinária inteligência artificial vilã dos videojogos Portal e Portal 2, da Valve. Perdoem os leitores não familiarizados com os jogos a adjectivação excessiva, mas esta acaba por se revelar escassa para descrever a qualidade do voice acting de McLain. A voz de GlaDOS está incorporada nos mechas de Pacific Rim - ao que consta, Del Toro é fã dos jogos e decidiu apelar directamente a Gabe Newell, o patrão da Valve. Se o facto de o filme ser realizado por Del Toro já me estava a interessar, a voz de GlaDOS e a qualidade do trailer conquistaram-me em definitivo.

Até ao momento, a expectativa para com Pacific Rim já me levou a começar a ver (finalmente) uma das mais populares séries anime do género: Neon Genesis Evangelion. A estreia está prevista para Julho de 2013. Abaixo, o mais recente trailer, apresentado na CES 2013.

13 de dezembro de 2012

Pacific Rim: Primeiro trailer já disponível

Já está disponível o primeiro trailer de Pacific Rim, o novo e muito aguardado projecto de Guillermo Del Toro. Num filme de homenagem ao kaiju e ao mecha, subgéneros da ficção científica extremamente populares no Japão, com os seus monstros e os seus robots gigantes. O elenco conta com Idris Elba, Ron Pearlman, Charlie Hunnam e Rinko Kikuchi, entre outros. Aqui fica o trailer:



Normalmente, este filme não me entusiasmaria por aí além - parece ser um filme feito apenas e só pela acção e pelos efeitos especiais, e não por qualquer motivação narrativa relevante. No entanto, o facto de ser realizado por Guillermo Del Toro, responsável pelos sólidos filmes da série Hellboy e pelo excepcional El Labirinto Del Fauno (e cuja desistência da realização de The Hobbit ainda lamento), faz-me ter algumas expectativas e pensar que este filme poderá ser muito mais do que um Transformers glorificado. 

Ainda assim, aquilo que mais me chamou a atenção neste trailer não foi o monstro, ou os mecha, ou os espantosos efeitos especiais. Foi, sim, GlaDOS - ou melhor, a cantora e actriz Ellen McLain, inesquecível no papel da formidável vilã de Portal e Portal 2, a dar voz à inteligência artificial dos robots gigantes. Julgo que para qualquer pessoa que tenha jogado Portal vai ser mesmo muito difícil descolar desse detalhe, e evitar imaginar durante o filme um robot a dizer I'm doing this for science. You monster.

Pacific Rim deverá estrear em Portugal em Julho de 2013.

Fonte: io9