Mostrar mensagens com a etiqueta the forever war. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta the forever war. Mostrar todas as mensagens

9 de junho de 2014

Joe Haldeman (1943 - )

Um olhar de relance para a bibliografia de Joe Haldeman indica desde logo qual é o tema mais recorrente da sua escrita. A sua experiência de combate no Vietname marcou Haldeman de forma profunda, e levou-o a explorar o tema da guerra a partir de várias perspectivas na sua ficção - e sobretudo na ficção científica, género onde se distinguiu em 1974 com o seu segundo romance publicado, The Forever War. Uma meditação sobre os efeitos do combate nos soldados quando regressam a uma casa que já não lhes pertence e sobre a derradeira futilidade da guerra, The Forever War tornou-se num clássico praticamente instantâneo tanto da ficção científica hard como da militar com a sua exploração ambiciosa e inteligente dos efeitos relativísticos num conflito de escala quase galáctica - e valeu a Haldeman os prémios Hugo, Nébula e Locus. A trama de The Forever War é continuada em dois outros romances, Forever Peace (1997) e Forever Free (1999), numa novela, A Separate War (publicada em 1999 na antologia Far Horizons de Robert Silverberg) e num conto, Forever Bound (publicado em 2012 na antologia Warriors 1, de George R. R. Martin e Gardner Dozois).

A sua bibliografia inclui ainda romances como The Hemingway Hoax (1990), Camouflage (2004), The Accidental Time Machine (2007) e Work Done For Hire, o seu mais recente trabalho (2014). Publicou dois romances no universo alargado de Star Trek; a sua ficção curta encontra-se compilada em várias colectâneas. Fora da escrita, Haldeman é professor no Massachusetts Institute of Technology, e dedica-se ainda à pintura.

Joe Haldeman nasceu em 1943 em Oklahoma City e celebra hoje o seu 71º aniversário.

27 de março de 2014

Joe Haldeman: I looked at the two stories, and I thought, 'I can cross-fertilize these two and get an actual novel out of the situation'" (entrevista)

A propósito do seu mais recente romance, Work Done for Hire, Joe Haldeman foi entrevistado no podcast Geek's Guide to the Galaxy - e a entrevista foi transcrita e publicada online na Lightspeed Magazine. Haldeman, claro, dispensa apresentações - é o autor de The Forever War, um dos mais aclamados romances de ficção cientifica militar. A entrevista, longa e pormenorizada, incide não só sobre o novo romance, mas também sobre a publicação de uma antologia com os seus melhores contos, sobre a sua já longa carreira, e sobre as origens de The Forever War. Alguns excertos:
Geek's Guide to the Galaxy/ Lightspeed Magazine: You had another book that came out recently called The Best of Joe Haldeman, which was edited by Jonathan Strahan and Gary K. Wolfe. Could you talk a bit about how that project came about? 
Joe Haldeman: Basically it’s the best short stories that I’ve written. I’m actually a novelist. I don’t write that many short stories, so I looked at the list of all the short stories I’ve ever published, and I found that their [selections] comprised almost exactly half of the stories, so there is room for another book which is “the worst of Joe Haldeman.” The mirror image of all those wonderful stories. But I haven’t actually proposed it to anybody. 
(...) 
GGG/LM: But this Best of Joe Haldeman, it does include your story “Hero,” which was expanded into a novel, into The Forever War. (...) And I was just amazed by how much detail there is in this story, and how well worked-out everything is regarding the suits, and the environment on Charon and stuff. I was just wondering, did all that just come straight out of your head, or did you research and then go back and rewrite it or anything? 
JH: What I did was: I did research on the fly. Of course, that story was written before computers, and so I basically was going into the library every day and looking up stuff so that I could write about it tomorrow. That was my pattern in those days. I basically wrote my fiction during the morning hours, and in the afternoon I’d go out and do research, and so computers probably save me a certain amount of shoe leather, but I don’t get as much exercise as I did back in the day. 
GGG/LM: Another thing that really struck me about “Hero” is that it doesn’t feature what I think of as being the central conceit of The Forever War, which is the idea that the Earth is different every time the soldiers come back. Had you come up with that idea at that point or did that come later? 
JH: In fact, I came up with the idea before “Hero” came out. I wrote a short story for Amazing Science Fiction ["Timepiece"] which was exactly about that, about people who go out over the course of years, they go out to be soldiers, and they come back and years have passed on Earth when only months have passed in their own lives. That was the basic point and the plot logic of that short story. I looked at the two stories, and I thought, “I can cross-fertilize these two and get an actual novel out of the situation.” Although I don’t remember, there was never an “Ah-ha” moment saying, “Oh my god, I can make million dollars this way.” But it’s obvious if you look at the two stories that the end result is The Forever War.
A entrevista completa pode ser lida na Lightspeed Magazine, ou ouvida no Geek's Guide to the Galaxy.

21 de fevereiro de 2014

A Guerra Eterna: Nova edição de The Forever War, de Joe Haldeman, em português

Dez anos volvidos sobre a sua tradução e edição original pela Europa-América (com o péssimo título de Guerra Sempre), The Forever War, de Joe Haldeman, volta a ser editado em português, desta vez pela 1001 Mundos (Leya), com o título A Guerra Eterna e tradução de João Barreiros. O que, para todos os efeitos, é uma boa notícia: The Forever War é indiscutivelmente um clássico maior da ficção científica, militar e não só - a história dos soldados William Mandella e Marigay Potter durante uma guerra de dimensões galácticas que lhes preencheu alguns anos das suas vidas, mas que decorreu ao longo de séculos em tempo relativo, tornou-se num texto fundamental do género pela forma inteligente como se encontra ancorado tanto na ciência como na experiência militar de Haldeman no Vietname para explorar um tema sempre pertinente: a alienação dos soldados que combatem numa guerra quando regressam do combate. 

É uma pena que a capa (à esquerda) não faça justiça à obra - algo a que os leitores portugueses do género decerto já estarão habituados. Nem por isso, porém, deixará este lançamento - previsto para Março próximo - de ser um dos acontecimentos mais importantes do ano no que à edição de ficção científica em Portugal diz respeito. 

Fonte: 1001 Mundos

12 de dezembro de 2012

The Forever War em destaque na edição online da revista The Atlantic

Ta-Nehisi Coates, editor sénior da revista The Atlantic, destaca na sua coluna online The Forever War, o clássico de ficção científica militar de Joe Haldeman, como um dos seus livros preferidos. É sempre interessante ver as melhores obras da ficção científica referidas e recomendadas na imprensa generalista. Para além da sugestão, a crónica de Coates suscitou ainda uma interessante discussão na caixa de comentários.


Fonte: io9 / The Atlantic

18 de maio de 2012

The Forever War

The Forever War, the Joe Haldeman (1974) é um exemplo perfeito da ficção científica que coloca num enquadramento futuro temas do presente para sobre eles reflectir com maior desprendimento - e, frequentemente, com maior acutilância. Neste caso, o tema é a guerra (e a sua derradeira falta de sentido), a partir do ponto de vista de William Mandella, estudante brilhante recrutado para o exército com o objectivo de combater na guerra com os Taurans, uma misteriosa raça de extra-terrestres que atacou naves de colonização humana. Joe Haldeman foi, ele mesmo, um veterano do Vietname, pelo que as descrições do campo de recruta e de combate dificilmente poderiam ser mais realistas. Mandella junta-se a outros recrutas - todos com QI elevado e currículos académicos exemplares - para um período de recruta brutal em Charon, e depois embarca para o espaço profundo através das collapsar utilizadas para viajar a velocidades superiores às da luz, e assim chegar às zonas de batalha mais distantes.

É neste ponto que entra o tema central de The Forever War: considerando a teoria da relatividade como válida, a passagem do tempo para os soldados a bordo das naves de batalha é diferente daquela verificada no mundo que deixaram para trás - e que juraram defender. Para Mandella e os restantes soldados na frente de combate, passam-se alguns meses, poucos anos; mas na Terra, várias décadas passaram - e é com choque e surpresa que os militares sobreviventes regressam ao seu planeta-natal após uma longa campanha para encontrar um mundo radicalmente diferente daquele que deixaram. Haldeman jogou de forma brilhante com este conceito para ilustrar o deslocamento sentido pelas tropas quando regressam da guerra e se tentam reintegrar num mundo que já não conhecem, do qual já não fazem parte - e que já não tem lugar para eles, tendo avançado ao seu próprio ritmo e com as suas próprias condicionantes, privada das suas mentes mais brilhantes, consumidas pelo esforço de uma guerra espacial à escala galáctica. O mundo que Mandella encontra no seu regresso é uma autêntica distopia política, económica e social, uma de muitas que se sucederam durante os poucos anos que esteve ausente - que foram muitos, na sua ausência. Ao ponto de compreender que a guerra, que viveu de forma tão dura por tão pouco tempo, é o único mundo que lhe resta. 

The Forever War distingue-se de uma parte relevante da ficção científica ao ter em consideração a passagem do tempo em relatividade, com todas as suas consequências - das alterações sociais ao constante jogo do "gato e do rato" entre a Humanidade e os Taurans pela supremacia bélica quando as batalhas estão a distâncias - espaciais e temporais - incompreensíveis para um homem comum. Sem esquecer as próprias relações humanas, tornadas impossíveis a partir do momento em que a separação espacial implica uma separação temporal que se torna inevitavelmente permanente. Haldeman não foi, é certo, o único escritor a recorrer a este tema (podia nomear alguns bons exemplos), mas poucos terão alcançado o mesmo impacto e realismo. Mas aqui, mais do que ser um plot device, esta questão da relatividade é o centro da história, sustentando as várias ramificações do enredo e as diferentes questões que o autor levanta, e sobre as quais convida o leitor a reflectir. 

Joe Haldeman tem em The Forever War mais do que uma space opera, e mais do que um clássico incontornável da ficção científica - tem uma obra notável sobre a guerra e sobre os efeitos indeléveis que esta deixa naqueles que lhe sobrevivem, e uma reflexão sobre a sua própria experiência colocada num futuro plausível e extraordinariamente rico. Este futuro é descrito de forma extraordinária, num estilo sólido e com um ritmo narrativo perfeito. Na edição que possuo, da colecção SF Masterworks, o escritor Peter F. Hamilton descreve The Forever War como "a book that's damn near perfect". E é mesmo. Está, sem dúvida, entre a melhor ficção científica que já li.