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29 de julho de 2014

The Zero Theorem: À espera de um milagre (com spoilers)

Para todos os efeitos, uma nova incursão de Terry Gilliam pelos territórios da ficção científica será sempre um acontecimento, algo a registar e a acompanhar com atenção - trata-se, afinal, do realizador que assinou dois dos mais memoráveis filmes que o género conheceu nos últimos trinta anos, com a burocracia distópica de Brazil e com o pré-e-pós-apocalipse surreal de 12 Monkeys, na sua reinvenção criativa do extraordinário La Jetée, de Chris Marker. Depois de outras aventuras e de outros projectos, Gilliam regressou por fim ao género no qual deixou uma marca indelével, com o propósito de encerrar a sua trilogia temática de contornos orwellianos - e eis que em 2014 chega às salas The Zero Theorem, filme estreado em 2013 no circuito de festivais de cinema, tendo gerado opiniões divisivas desde então.

Uma vez mais, Gilliam coloca o seu protagonista no centro de um futuro caótico e de cariz distópico - e a Jonathan Pryce e a Bruce Willis segue-se Christopher Waltz no papel de Qohen Leth, um programador informático (o termo mais correcto é entity cruncher, que sou manifestamente incapaz de traduzir no contexto) cujo génio no desempenho do seu trabalho só é comparável à reclusão profunda em que vive e à sua absoluta incapacidade de conviver com outras pessoas. Qohen vive numa enorme igreja abandonada e degradada, da qual sai todos os dias contrariado para o seu trabalho diário num cubículo das instalações da megacorporação Mancom - mas sonha com o dia em que possa passar a trabalhar a partir da quietude do seu templo-casa, sem contactos forçados ou distracções desnecessárias.


O seu motivo, porém, é outro: Qohen aguarda com ansiedade pelo retorno de uma chamada telefónica interrompida anos antes, e que acredita conter o sentido para a sua existência. O seu segredo acaba por ser concedido após a ida (a muito custo) a uma festa organizada pelo seu supervisor, Jory (David Thewlis), onde conhece em circunstâncias invulgares Bainsley (Mélanie Thierry) e o líder da Mancom. Livre para trabalhar sossegado e evitar saídas desnecessárias, é é-lhe atribuída uma nova tarefa: resolver o célebre Teorema Zero. Qohen desconhece o propósito da equação, mas dedica-se com afinco ao desafio. Talvez com demasiado afinco.


The Zero Theorem é, inegavelmente, Terry Gilliam em estado puro - nota-se no surrealismo com que constrói cada cena, com que anima cada momento do filme. Afastando-se dos tons sombrios dos filmes anteriores, o cineasta aposta numa profusão caótica de imagens coloridas, intensas, intrusivas - a caminhada de Qohen mostra um mundo coberto por publicidade direccionada, como que uma alusão descontrolada e hiperbólica à omnipresença publicitária de Minority Report. Gilliam não se inibe em momento algum: cada pormenor esconde um easter egg, uma alusão, uma desconstrução, um rosto conhecido. A Igreja de Batman, o Redentor fica na memória, claro - mas há mais, e só por si justificam em pleno uma segunda ou uma terceira visualização.


Mas a construção luminosa e colorida da distopia de The Zero Theorem nem por isso a torna menos opressiva que a de Brazil - ou menos omnisciente. Vemos isso pela intrusão publicitária, claro; e pelo ambiente de trabalho da Mancom, brilhantemente desmontado em duas ou três frases por Qohen; e pelo controlo rígido do teu trabalho a partir de casa (numa crítica acutilante às filosofias laborais contemporâneas), tanto pelos relatórios constantes como pela vigilância intrusiva em todos os recantos da sua casa, num simbolismo tão evidente como interessante pelo seu significado. A sátira prossegue, aguçada no seu tom exagerado (e por vezes grotesco), estendendo-se às relações humanas - a festa de Jory é excepcional pela forma como ilustra as "ligações" contemporâneas, a ilusão do contacto, o isolamento na multidão.


É interessante notar como o argumento de Pat Rushin complementa na perfeição a visão caótica e imaginativa de Gilliam - a vida de Qohen, com a sua espera insana por uma chamada que nem sabe se foi real, é uma entrada directa no absurdo de Samuel Beckett em En Attendant Godot. Mas é a referência directa a The Matrix, facilmente identificável por qualquer fã de ficção científica, que acaba por se revelar fundamental, e não apenas pelo seu carácter de easter egg ou pela consciência que manifesta do género em que todo o filme se insere. Medida com rigor e colocada com toda a intenção, a deixa funciona como um resumo excepcional da personalidade de Qohen através de uma antítese tão inesperada como irónica: enquanto Neo escolheu abandonar o locus amoenus ilusório e virtual para enfrentar uma realidade agreste e ilusória, Qohen mostrou-se disposto a abdicar do locus horribilis da realidade, estranha e indiferente, em busca da ilusão virtual de sossego com Bainsley. Não deixa de ser irónico, porém, que tanto Neo como Qohen apenas possam ser de facto especiais no refúgio virtual, e não no mundo dito real.


Christoph Waltz carrega o filme em ombros sem dificuldade - o seu desempenho como Qohen é excepcional na aparência algo paranóica da personagem, com os seus trejeitos e maneirismos a darem-lhe uma personalidade muito própria. O restante elenco não lhe fica atrás: Mélanie Thierry é soberba como Bainsley, transitando com mestria da versão femme fatale para a desilusão final; David Thewlis está hiperactivo como Jory; e Lucas Hedges é notável como Bob, o filho misterioso e genial do patrão de Qohen. Os cameos são excepcionais - Tilda Swinton, surgindo como a Drª Shrink-Rom (a psiquiatra digital do protagonista), tem uma presença espantosa para quem está confinada a um ecrã minimalista; e Matt Damon emerge com uma interpretação surreal. A banda sonora de George Fentom é a cereja sobre o bolo.


É possível que falte a The Zero Theorem a ironia de Brazil ou a consistência narrativa de 12 Monkeys, com a sua reviravolta final memorável. Nem por isso, porém, surge aqui como uma obra menor da filmografia do cineasta e ex-Monty Python: ciente de que a ficção científica de qualidade acaba por ser tanto ou mais sobre o presente do que sobre o futuro, Gilliam explora as idiossincrasias de um mundo contemporâneo always online através da sua sátira mordaz e colorida, numa distopia garrida cuja luminosidade aparente não esconde por completo quão sombria é. E no meio do caos coloca a tragédia de um homem sozinho, em busca de um significado para algo que, em última análise, pode não ter significado algum. O elenco talentoso eleva a parada; mas é o surrealismo simbólico de Gilliam e Rushin que fazem de The Zero Theorem um dos acontecimentos cinematográficos da ficção científica deste ano. 8.6/10



The Zero Theorem (2013)
Realização de Terry Gilliam
Argumento de Pat Rushin
Com Christoph Waltz, Mélanie Thierry, David Thewlis, Lucas Hedges, Tilda Swinton e Matt Damon
107 minutos

27 de janeiro de 2014

The Zero Theorem: Novo trailer

Depois de algumas falsas partidas no ano passado (trailers colocados online e retirados pela produtora), foi finalmente revelado o trailer de The Zero Theorem, o mais recente filme de ficção científica de Terry Gilliam, com Christoph Waltz no papel de um hacker genial atormentado por questões existenciais para as quais anseia descobrir as respostas. O filme é de 2013, e tem sido exibido em alguns festivais de cinema um pouco por todo o mundo - mas a sua distribuição errática torna difícil saber quando estreará em Portugal, se estreará de todo. O que não deixa de ser uma pena: fora dos Monty Python, Gilliam assinou alguns filmes de ficção memoráveis ao longo das últimas três décadas (Brazil, 12 Monkeys) e distinguiu-se pela sua estética onírica e inimitável, da qual The Zero Theorem parece ser um excelente exemplo; e Waltz será talvez a maior descoberta dos últimos cinco anos no que a actores diz respeito. Resta-nos esperar por um pouco de sorte, e por uma estreia em terras lusas - por limitada que seja.



Fonte: io9

3 de setembro de 2013

Zero Theorem: Primeiras imagens do novo filme de Terry Gilliam reveladas

Isto, claro, depois da revelação não oficial de um trailer há alguns meses, logo retirado da Internet (se é possível retirar alguma coisa da Internet). Zero Theorem será o próximo filme de Terry Gilliam, o ex-Monty Python que realizou clássicos absolutos da ficção científica como Brazil e 12 Monkeys - e conta com o excelente Christoph Waltz no papel principal, um programador a tentar descobrir se a vida terá sentido ou não num mundo distópico. O filme já foi exibido no Festival de Cinema de Veneza, tendo recebido críticas... tépidas. E as primeiras imagens (oficiais) foram divulgadas hoje.


Fonte: io9

13 de novembro de 2012

O pesadelo burocrático e o sonho libertador de Brazil

Se alguém juntasse a visão distópica de Nineteen Eighty-Four, o poder alegórico de Dr. Strangelove, o visual extraordinário de Metropolis, o escape onírico de Philip K. Dick e uma pitada do humor absurdo dos Monty Python, o resultado só poderia ser um: Brazil, o clássico da ficção científica que Terry Gilliam realizou em 1985. Resumir desta forma o filme pode parecer estranho - quase como se fosse uma mera amálgama de várias influências e ideias emprestadas. Brazil é, porém, muito mais do que isso: é uma história distópica original, fascinante e arrebatadora do ponto de vista visual.

Apesar de nunca ter lido a obra de Orwell, Gilliam admitiu que Brazil tinha fortes influências de Nineteen Eighty-Four. O que, bem vistas as coisas, não é de estranhar: Orwell acabou por, de certa forma, estabelecer o cânone da distopia literária, e qualquer história contada num futuro em que o Estado assume um controlo totalitário sobre os cidadãos acaba sempre por ser comparada com o mundo sombrio de Nineteen Eighty-Four. Onde em Orwell encontramos uma sociedade permanentemente controlada pela omnipresença do "Grande Irmão", em Gilliam encontramos uma sociedade esmagada pelo peso burocrático de um Estado controlador, de tal forma que uma simples reparação de uma canalização avariada sem contactar os Serviços Centrais e sem passar um recibo é um autêntico acto de rebeldia. Onde Orwell utiliza a distopia para traçar uma tenebrosa alegoria política, Gilliam recria a distopia como uma sátira, cujos elementos oníricos e absurdos pautam uma narrativa poderosa que nem por isso perde a sua força enquanto alegoria - mostrando uma sociedade que oprime a iniciativa, a ambição, tudo envolvendo numa densa malha burocrática de tal forma complexa que dilui quaisquer noções de responsabilidade ou de individualidade.

Essa sátira à sociedade burocrática é feita através de duas personagens memoráveis. Uma delas é Sam Lowry (Jonathan Pryce), um homem que, apesar da sua visível competência no seu trabalho no Ministério da Informação, não manifesta qualquer ambição de ascensão social - por contraste com a sua mãe, obcecada com as aparências. Apenas na sua fuga para os seus sonhos as suas verdadeiras ambições são reveladas: a liberdade de um mundo que o oprime, a liberdade de ser quem quiser e fazer o que desejar, a liberdade de amar. O encontro fortuito, Jill (Kim Greist), a mulher que assombra os seus sonhos, leva-o a procurar uma forma de tornar a encontrá-la - e, enreda-o na burocracia qual aranha numa teia. A segunda personagem, com quem Lowry se cruza durante o seu percurso, é Archibald “Harry” Tuttle (Robert De Niro), considerado pelas autoridades um perigoso terrorista (mas na prática um individualista - o que num mundo ganha a qualidade de sinónimo). 

Do ponto de vista visual, Brazil é espantoso - sombrio, em momentos claustrofóbico, quase sempre arrebatador. Há nos seus cenários e nas suas formas qualquer coisa de Metropolis, mas distorcida da forma muito própria de Gilliam, ele que foi o principal responsável pela imagem tão icónica como absurda dos eternos Monty Python. Longe de estar datado, o seu visual único consegue ser ao mesmo tempo desconfortável e libertador, passando com uma invulgar simplicidade dos sonhos mais radiantes para o pesadelo da vida real - magistralmente retratado no fausto irreal de espaços como o restaurante, no caos burocrático do escritório, no portentoso edifício do Ministério da Informação, no minúsculo apartamento de Lowry e na vida arruinada dos bairros pobres. Os efeitos especiais são extraordinários e surreais, datados sem que tenham no entanto envelhecido um dia .

Brazil está sem dúvida entre os melhores filmes de Terry Gilliam - e este foi o realizador de obras como 12 Monkeys e Monty Python and The Holy Grail. Com um título inspirado na música Aquarela do Brasil, de Ary Barroso (no filme interpretada por Geoff Muldaur), e com um inteligente argumento escrito por Gilliam, Tom Stoppard e Charles McKeown, Brazil é um filme particularmente influente tanto na sua componente visual como nas suas vertentes de narrativa e de temática. Destaca-se na ficção científica não só como um dos grandes filmes da década de 80, mas como um dos grandes clássicos da história do género. 8.9/10

Brazil (1985) 
Realizado por Terry Gilliam 
Com Jonathan Pryce, Kim Greist, Robert De Niro, Ian Holm, Michael Palin e Jim Broadbent 
132 minutos

12 de novembro de 2012

Clube de Leitura Bertrand do Fantástico: O Brasil no multiverso da ficção científica literária e cinematográfica

Um título pomposo para falar sobre a última sessão do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico em Lisboa - o livro em debate foi Brasyl, de Ian McDonald, e, na falta de um convidado (não foi possível ao autor brasileiro Eduardo Spohr estar presente, conforme previsto), o Rogério Ribeiro sugeriu que se debatesse também Brazil, filme clássico de ficção científica realizado por Terry Gilliam.

A ausência de convidado foi largamente compensada pela qualidade da plateia - onde estavam, entre outros entusiastas do Fantástico, João Barreiros, António de Macedo e Luís Filipe Silva. No entanto, o formato mais "aberto" torna muito mais difícil descrever toda a conversa que decorreu durante uma hora na Livraria Bertrand. Da aparente influência de Philip Pullman em Brasyl à qualidade da trilogia temática de Ian McDonald (composta por River of Gods (2004), Brasyl (2007) e The Devrish House (2010), com histórias passadas respectivamente na Índia, no Brasil e na Turquia), da influência onírica de Philip K. Dick e Orwell em Brazil à sua qualidade de fábula que opõe a tecnocracia e a burocracia à expressão individual, das questões da impossibilidade da originalidade literária à necessidade de repetição dos argumentos cinematográficos - enfim, falou-se de tudo um pouco, numa conversa animada e divertida que, para alguns, se prolongou na Tertúlia Noite Fantástica, regressada neste mês ao restaurante Chez Degroote.

Na falta de um relato mais "vivo" da sessão, nesta semana o filme em destaque no blogue será Brazil, de Terry Gilliam (a publicar amanhã), e o livro será Brasyl, de Ian McDonald (a publicar na Sexta-feira).

9 de novembro de 2012

Clube de Leitura Bertrand do Fantástico

O Clube de Leitura Bertrand do Fantástico de Lisboa tem mais tertúlia marcada para hoje, às 19:00, na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa. O livro em debate é Brasyl, de Ian McDonald, uma fascinante história tripartida pelo século XVIII, pelo presente e por um tempo algumas décadas no futuro, mas sempre com o Brasil como pano de fundo. O autor brasileiro Eduardo Spohr era o convidado para esta sessão, mas não lhe vai ser possível estar hoje presente no debate. Como alternativa, falar-se-á não só do livro de Ian McDonald, mas também do filme Brazil, de Terry Gilliam (1984) - que, não estando de forma alguma relacionada com o livro em deebate, não deixa de ser um clássico da ficção científica cinematográfica e uma visão particularmente perturbadora de um mostro burocrático. A moderar a conversa sobre livro e filme estará, como habitualmente, o Rogério Ribeiro. 

4 de setembro de 2012

A ficção científica e o cinema: Twelve Monkeys

Na semana passada escrevi sobre La Jetée, de Chris Marker. Prova da influência desta curta, Terry Gilliam baseou-se na sua premissa para, em 1995, realizar um dos grandes filmes de ficção científica da década de 90: Twelve Monkeys. Com a inspiração reconhecida desde logo, Gilliam fez mais do que um remake de La Jetée: expandiu o abordagem de Marker para, no seu estilo inconfundível (recordemos o formidável Brazil), criar um inquietante thriller sobre um futuro no qual a Humanidade foi quase erradicada por um misterioso vírus que obrigou os sobreviventes a refugiarem-se debaixo do solo. Os cientistas sobreviventes procuram uma forma de estudar o vírus para criarem uma cura e permitirem o regresso à superfície - e, nesse sentido, desenvolvem tecnologia para viajar no tempo, enviando "voluntários" para o passado com a missão de descobrirem o que puderem sobre o vírus e o enigmático "Exército dos Doze Macacos", responsável aparente pela catástrofe. 

Entre os muitos voluntários está James Cole (Bruce Willis com uma interpretação extraordinária e, diria, injustamente esquecida), enviado por engano para 1990, onde é tomado como um louco e internado num hospício. Lá conhece a psiquiatra Kathryn Railly (Madeleine Stowe), que toma conta do seu caso, e Joffrey Goines (Brad Pitt numa interpretação memorável que lhe valeu a nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário), um doente mental tão inteligente como paranóico. Cole vive atormentado por um sonho antigo, no qual estava num aeroporto e viu um homem ser abatido a tiro à sua frente - twist que não será surpreendente para quem conhece o filme de Chris Marker.

Assumindo que a revelação do sonho pode ser conhecida à partida, Terry Gilliam expandiu a trama em redor de James Cole e nas suas erráticas viagens a diferentes épocas passadas, no seu envolvimento com Kathryn e na sua busca incessante pelo verdadeiro McGuffin que é o "Exército dos Doze Macacos". Gilliam solta várias pontas para as unir com inteligência no final do filme, numa série ritmada de twists e revelações surpreendentes, que nunca perdem a sua coerência interna. A componente visual inconfundível de Gilliam confere ao filme um tom particularmente sombrio, e os sólidos desempenhos de Willis, Pitt e Stowe dão substância e densidade ao enredo. 

Twelve Monkeys poderá não ter o impacto de La Jetée, mas continua a ser uma tributo formidável de Terry Gilliam ao clássico de Chris Marker, uma reinvenção contemporânea e muito pessoal de uma das melhores premissas que o cinema de ficção científica já conheceu. Numa época em que o "grande" cinema parece assentar em sequelas e prequelas, remakes e reboots, seria bom que os realizadores do presente olhassem para este clássico de 1995 para perceberem como se faz. 8.5/10