Poucos filmes - de ficção científica ou de outro género qualquer - tiveram uma abertura tão hipnótica e fascinante como Blade Runner, a adaptação de Ridley Scott ao romance Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick que, desde a sua estreia em 1982, passou de fracasso crítico e comercial para clássico de culto, e para obra-prima dos anos 80. E essa abertura deve muito à banda sonora formidável de Vangelis, harmoniosamente embebida na estética noir de Ridley Scott. Como se pode ver neste icónico Main Title.
"First you use machines, then you wear machines, and then...? Then you serve machines." - John Brunner, Stand on Zanzibar
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19 de abril de 2014
O som e a fúria (21)
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28 de março de 2014
This happening world (8)
Have Severed Robot Head, Will Travel: com um título humorístico e alusivo a um clássico de Robert A. Heinlein, Ryan Britt expõe no Tor.com cinco possibilidades para a (inevitável) sequela de Prometheus funcionar. São cinco ideias interessantes, ainda que um tanto ou quanto rebuscadas em alguns casos - nenhuma, porém, parece tão boa como imaginar Ridley Scott deixar este projecto de lado e dedicar-se finalmente à adaptação cinematográfica de The Forever War com um grupo de argumentistas com talento.
Christopher Nolan revelou alguns detalhes sobre o seu próximo filme de ficção científica, Interstellar. O projecto, que conta com Matthew McConaughey como protagonista e que tem por base as teorias científicas de Kip Thorne, continua envolto em mistério, e Nolan não adiantou muitos pormenores; merece destaque, ainda assim, a sua preferência pela construção de cenários sempre que possível, em contraponto à opção cada vez mais fácil (e generalizada) das computer-generated images. Em Novembro, veremos quão realista será o interior da nave. (via io9)
How we won the war on Dungeons & Dragons: Annalee Newitz, do io9, evoca as dificuldades de afirmação do jogo de role-play clássico Dungeons & Dragons, numa época - não tão distante quanto isso - em que, nos Estados Unidos, grupos de pais mais conservadores consideravam o jogo como obra do Diabo. Literalmente.
Great Unsung Science Fiction Writers That Everybody Should Read: mais um artigo do io9, desta vez pela pena de Charlie Jane Anders. Não me fica muito por dizer: o artigo dá destaque a John Brunner (como se pode ver pela epígrafe, se este blogue tivesse um santo padroeiro, seria Brunner), e nos comentários alguém chamou a atenção para o esquecimento a que tem sido votado a muito subvalorizada obra de Joan D. Vinge. Não o diria melhor.
Fontes: Tor.com / io9
Fontes: Tor.com / io9
3 de junho de 2013
Blade Runner 2 avança com argumentista de Green Lantern
A notícia foi avançada no portal The Wrap (via SciFiWorld PT): Michael Green, argumentista do filme Green Lantern e de séries televisivas como Heroes e Smallville, foi o escolhido por Ridley Scott para escrever o argumento da sequela ao clássico de culto Blade Runner. O que, a confirmar-se, é uma notícia desanimadora para um projecto que, já de si, suscitava pouco entusiasmo.
A insistência de Ridley Scott nesta produção é um exemplo curioso do que se passa hoje em dia na indústria cinematográfica norte-americana. Quase imobilizada e incapaz de arriscar em novos temas e em produções mais arrojadas, os blockbusters actuais são reféns da franchise. Vivem da sequela, da prequela, do remake e do reboot - enfim, do eterno retorno aos mesmos locais, por vezes até com as mesmas caras. A possível contratação de um autor menor (pois é disso que se trata) para escrever o argumento à sequela de um filme baseado na obra de Philip K. Dick (um dos grandes da ficção científica) é disso sintomática - pois mesmo tendo Scott e os argumentistas originais atirado borda fora a maior parte do "sumo" de Do Androids Dream of Electric Sheep?, o esqueleto, a acção, ficou lá. E deu um filme a todos os níveis notável. Mas Dick não escreveu qualquer sequela ao seu clássico de 1968 - para quê a insistência quando há tantas obras de ficção científica, de Philip K. Dick e de outros, que não só mereceriam um bom tratamento cinematográfico (The Forever War, livro do qual Scott detém os direitos de adaptação) como serviriam decerto de base para filmes de qualidade, que se não fossem inteiramente originais pelo menos não seriam mais do mesmo. No caso de Scott, a persistência é notável - depois do regresso algo evasivo ao universo de Alien com Prometheus, a insistência na sequela tanto deste como de Blade Runner é notável, ainda que dificilmente meritória.
Talvez seja demasiado cedo para nos queixarmos - afinal, o ano ainda vai a meio e ainda que After Earth entusiasme pouco, até Dezembro ainda haverá pelo menos três estreias de ficção científica promissoras e desenquadradas de qualquer franchise: Pacific Rim, de Guillermo Del Toro, Elysium, de Neill Blomkamp, e Ender's Game, de Gavin Hood - e se os dois primeiros projectos são ambiciosos e estão a cargo de realizadores com provas dadas, o último é uma adaptação de um dos mais aclamados livros de ficção científica. É pena que estes projectos, mesmo que possam fracassar, pareçam ser a excepção e não a regra.
Fontes: The Wrap / SciFiWorld Portugal
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11 de fevereiro de 2013
The Man In the High Castle de Philip K. Dick com adaptação pelo SyFy Channel
The Man in the High Castle, de Philip K. Dick, será adaptado para uma mini-série televisiva de quatro horas - não para a BBC, como estava originalmente previsto, mas para o SyFy Channel. A notícia foi avançada hoje pelo SyFy, que anunciou também o produtor executivo desta adaptação: Frank Spotnitz, argumentista e produtor de vários episódios de séries de culto como X-Files e Millennium. A produção da série continuará a cargo dos estúdios de Ridley Scott, tal como estava previsto quando a série ainda estava a ser planeada para a BBC.
Premiado com o Prémio Hugo em 1963, The Man in the High Castle é uma das mais populares obras de Philip K. Dick, na qual imagina um mundo onde as forças do Eixo venceram a Segunda Guerra Mundial, tendo os Aliados sido derrotados. A história decorre nuns Estados Unidos divididos entre o Império Japonês e a Alemanha Nazi. Do ponto de vista conceptual é uma narrativa fascinante, e a forma como introduz várias realidades alternativas dentro de uma realidade, em si, alternativa, é muito interessante; do ponto de vista do enredo, porém, The Man in the High Castle nunca me encantou como outros trabalhos do autor, entre os quais destacaria Ubik, A Scanner Darkly ou Do Androids Dream of Electric Sheep?. Ainda assim, este será sem dúvida um projecto muito ambicioso e com imenso potencial - e, a concretizar-se, será mais uma adaptação da obra de Philip K. Dick, um dos autores de ficção científica cuja obra mais vezes foi transporta para meios audiovisuais.
Fontes: io9 / The New York Times / Deadline
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28 de dezembro de 2012
Balanço: O fantástico na televisão em 2012
Tal como no cinema, também na televisão o Fantástico esteve em alta durante 2012. Vampiros, zombies, alienígenas, criaturas de contos de fadas - a escolha foi muita, e a qualidade bastante razoável. De um ponto de vista meramente pessoal, a minha série preferida em 2012 não foi uma série do Fantástico (foi Homeland, já agora – apesar de 2012 também ter sido o ano em que finalmente vi Battlestar Galactica), mas o género esteve muito bem representado no pequeno ecrã, e proporcionou-me grandes momentos de televisão.
The Walking Dead, Temporada 2 – Parte 2 (8.8/10)
Os produtores de The Walking Dead parecem ter prestado atenção às críticas do público – A segunda temporada começou de forma interessante, mas a persistência do grupo de Rick na quinta de Hershel levou muitos fãs ao desespero, reclamando uma narrativa mais centrada na acção e noutros espaços. A segunda parte da temporada, que arrancou no seguimento do fantástico episódio do celeiro, começou a ganhar ritmo a cada episódio, para acabar em grande com dois episódios finais formidáveis, com a morte de personagens importantes, a fuga da quinta, a separação do grupo e, claro, a misteriosa introdução de Michonne. O discurso de Rick no episódio final e a revelação aguardada desde a primeira temporada sobre a natureza da epidemia zombie dificilmente poderiam elevar mais a fasquia para a terceira temporada.
Once Upon a Time, Temporada 1 (7.2/10)
Os contos de fadas estão de novo na moda – e resta determinar se Once Upon a Time é causa ou reflexo dessa moda. Na enigmática vila de Storybrooke ninguém é quem de facto aparenta – cada um dos habitantes da vila tem um passado num conto de fadas. Desse passado desconhecido apenas Regina, a Presidente da Câmara, se lembra – ela que, na verdade, é a Bruxa Má e que lançou o feitiço de esquecimento que enviou as personagens das fábulas para o mundo real. E só Emma poderá quebrar esse feitiço, se conseguir acreditar na magia. Ainda que não esteja livre de altos e baixos, Once Upon a Time vale essencialmente pela forma como, a cada episódio, recriou os contos de fadas clássicos e os cruzou com o presente. E, claro, por dois desempenhos extraordinários: Lana Parrila, no papel de Bruxa Má e Presidente de Storybrooke; e Robert Carlyle, no papel de Mr. Gold e Rumplestiltskin.
Game of Thrones, Temporada 2 (8.1/10)
A segunda temporada de Game of Thrones – porventura, uma das mais aguardadas séries de 2012 – incidiu sobre A Clash of Kings, o segundo livro da série A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin. Com mais personagens e mais localizações num mundo cada vez mais vasto, Game of Thrones cresceu e proporcionou aos fãs muitos momentos memoráveis, entre os quais se destacam praticamente todos os protagonizados pelo anão Tyrion Lannister (interpretado de forma sublime por Peter Dinklage, uma vez mais) e a excelente Batalha de Blackwater. Nesta temporada, porém, sentiu-se a falta de um protagonista claro (após a morte de Ned Stark), e algumas alterações narrativas feitas face ao livro podem vir a revelar-se problemáticas para o futuro da série. Ainda assim, o excelente final abriu sem dúvida o apetite para a terceira temporada, que estreará nos Estados Unidos a 31 de Março de 2013.
Falling Skies, Temporada 2 (7.5/10)
Em boa hora os produtores de conseguiram renovar a interessante, ainda que medíocre primeira temporada de Falling Skies – a segunda temporada revelou-se muito mais sólida, ainda que não isenta de falhas. O misterioso regresso de Tom serviu de âncora aos episódios iniciais da temporada, que a partir daí ganhou um ritmo muito sólido com a história da "Second Mass", as várias histórias pessoais dos vários sobreviventes (onde se destacam Ben, Maggie e Weaver) e, sobretudo, com um twist muito interessante acerca dos alienígenas que invadiram a Terra. Tom (Noah Wyle) continua a ser a referência da série, que ao longo da segunda temporada melhorou de episódio para episódio, até um desfecho surpreendente que deixa muitas expectativas para a terceira temporada.
The Walking Dead, Temporada 3 – Parte 1 (9.2/10)
A terceira temporada de The Walking Dead provou definitivamente que a lentidão da segunda temporada é coisa do passado: os oito episódios da primeira parte da temporada são excelentes, com um ritmo muito elevado, bom desenvolvimento de personagens (ver Carl e Maggie), algumas mortes surpreendentes e novas personagens muito promissoras. Michonne ainda não se revelou no portento dos comics, mas para lá caminha, e Merle Dixon regressou em grande. Foi, no entanto, o Governador quem roubou as temporada, com David Morrissey a desempenhar de forma notável o sinistro vilão de Robert Kirkman. Ainda que mais contido e aparentemente mais vulnerável do que nos comics, o Governador conseguiu dar a The Walking Dead uma ameaça muito mais perigosa do que os zombies. No episódio final, esta primeira parte da terceira temporada deixa as expectativas muito elevadas para os restantes episódios.
Prophets of Science Fiction (8.5/10)
Prophets of Science Fiction é uma série de oito documentários televisivos produzidos em 2011 por Ridley Scott para o Science Channel e transmitidos em Portugal durante Novembro e Dezembro últimos pelo Discovery. Cada um dos documentários incidiu sobre uma das grandes personalidades da ficção científica enquanto género literário e cinematográfico, dando destaque às inovações tecnológicas exibidas nas respectivas obras e à forma como inspiraram progressos reais – ou como progressos reais parecem ter emulado aquilo que em tempos pertencera ao campo da ficção científica. É certo que a lista de autores é limitada e que os convidados nem sempre foram os melhores – se é óptimo ouvir os testemunhos de vultos como Harlan Ellison ou David Brin, é discutível se o argumentista de Cowboys & Aliens ou Iron Man 2 têm de facto alguma coisa de relevante a dizer sobre o género. Não é isso, porém, que retira o mérito a estes excelentes documentários.
19 de novembro de 2012
Seasons, de Joe Haldeman, terá adaptação cinematográfica
Seasons, uma noveleta de ficção científica de Joe Haldeman (publicada originalmente na antologia Alien Stars, editada por Elizabeth Mitchell em 1985, e na antologia de ficção curta Dealing In Futures, de Haldeman, publicada no mesmo ano), vai ser adaptada ao cinema. Os direitos de adaptação foram adquiridos pela Sony, e Tim Miller, realizador do recentemente anunciado filme de Deadpool, irá realizar este filme, com argumento escrito por Sebastian Gutierrez (que, para quem não sabe, foi o autor do argumento de uma pérola cinematográfica intitulada... Snakes on a Plane).
Já no que diz respeito à adaptação de The Forever War por Ridley Scott (mencionada pelo Nuno Reis neste artigo do SciFiWorld), duvido que algum dia venha a acontecer. O realizador anunciou recentemente querer realizar e produzir vários filmes de horror e ficção científica de médio e baixo orçamento ao longo dos próximos três anos, e parece querer mesmo avançar com a sequela a Prometheus - e, pior, com a sequela a Blade Runner. É certo que os seus estúdios têm os direitos de adaptação de The Forever War (que foi um dos melhores livros de ficção científica que já li), mas o que não falta é direitos de adaptação esquecidos no development hell (ainda alguém fala na possibilidade de Rendezvous With Rama, de Arthur C. Clarke, chegar ao grande ecrã?). E, de resto, depois do que Scott mostrou no seu regresso à ficção científica com Prometheus, talvez o melhor seja deixar a história do soldado Mandella em paz.
Fontes: deadline / The SciFiWorld
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6 de outubro de 2012
Alien: O actor que deu vida ao xenomorph
O xenomorph original que H. R. Giger e Ridley Scott criaram tornou-se numa das mais aterradoras criaturas alienígenas da ficção científica desde a estreia de Alien, em 1979. Os créditos desta criatura são, regra geral, atribuídos a Giger e Scott, esquecendo Bolaji Badejo, o invulgar artista nigeriano a quem coube a tarefa de dar vida à fantástica criação de Giger ao enfiar-se dentro da sua própria pele (do alienígena, entenda-se, e não de Giger) - longe estavam ainda os tempos da motion capture ou mesmo das telas verdes que hoje em dia resolvem todos os problemas visuais do cinema contemporâneo (e criam outros tantos, mas isso é outra história). Adiante. O Sam, do blogue Keyzer Soze's Place, publicou um vídeo tão fascinante quanto aterrador da produção de Alien no final da década de 70, onde se vê Badejo no set do filme, a praticar os movimentos da criatura. Creepy as hell, hum?
Fonte: Keyzer Soze's Place
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2 de agosto de 2012
Prometheus: Sequela vai avançar
Parece que Prometheus vai mesmo ter uma sequela (ou Alien vai ter uma segunda prequela?). Apesar de a crítica ao filme não ter sido provavelmente a esperada, os resultados de bilheteira parecem ter compensado - e a Fox vai avançar com o projecto, novamente com Ridley Scott ao leme, e com Noomi Rapace e Michael Fassbender como protagonistas.
A boa notícia é que, aparentemente, David "Lost" Lindeloff não vai escrever (nem rescrever, espera-se) o guião. Não que isso permita salvar o desastre narrativo do primeiro filme ou gerar o mesmo nível de hype, mas pode ser que torne Prometheus 2 (ou algo que lhe valha) em algo menos anedótico.
Fonte: io9 | Artur Coelho
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12 de junho de 2012
A Ficção Científica e o Cinema: Prometheus
Prometheus era sem dúvida um dos filmes mais aguardados deste ano. Por um lado, marca o regresso do realizador Ridley Scott à ficção científica, género para o qual deu um contributo inestimável há mais de três décadas ao realizar Alien, em 1979, e Blade Runner, em 1982. Mais: Prometheus representa também o regresso de Scott ao universo de ficção científica que criou com Alien, e que, exceptuando a sequela realizada por James Cameron (Aliens, de 1986), foi sendo posteriormente abastardado com sequelas e spin-offs cada vez piores (Alien versus Predator foi um dos raros filmes que me fez desligar o leitor de DVD a meio; ao segundo não dei qualquer hipótese). E, claro, se falamos de expectativas falamos de hype, e Prometheus elevou a fasquia do hype cinematográfico com uma longa e eficaz campanha de marketing impulsionada online, a qual consistiu nos inevitáveis trailers e em vários e excelentes vídeos virais que iluminaram alguns aspectos do que aí vinha, aguçando o apetite sem no entanto revelar demasiado. A questão é: conseguiu Prometheus alcançar a fasquia que Ridley Scott estabeleceu no campo da ficção científica com os seus dois clássicos, e que o próprio Prometheus elevou com a sua campanha? (aviso: SPOILERS).
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5 de junho de 2012
A Ficção Científica e o Cinema: Alien
Na semana que marca o regresso de Ridley Scott à ficção científica com o muito aguardado Prometheus não poderia deixar de escrever algumas linhas sobre a primeira obra-prima do realizador britânico: Alien, de 1979.
É justo afirmar que Alien (em português, O Oitavo Passageiro - um título particularmente feliz) é um dos grandes clássicos da ficção científica cinematográfica. Numa época em que o género estava essencialmente ligado às space operas, com batalhas espaciais épicas e autênticas odisseias galácticas (como Star Wars), Ridley Scott decide “mudar as regras do jogo” ao fechar a narrativa no interior da nave de prospecção mineira Nostromo, na viagem de regresso, com uma reduzida tripulação de apenas sete elementos. O enredo é simples e sobejamente conhecido: a Nostromo detecta um sinal de socorro enviado de um planetóide próximo e a tripulação decide averiguar a sua origem. Mas a expedição à superfície do planeta, ainda que curta, corre horrivelmente mal, quando Kane (John Hurt) tem um “encontro imediato” com uma forma de vida alienígena desconhecida - que, para espanto e terror da tripulação (e do público, já agora), se vai revelar numa criatura sanguinária.
A premissa em si, ainda que interessante, não parece especialmente inovador - no fundo, resume-se ao proverbial encontro com o desconhecido que assume a forma do Mal. Mas em Alien, o Mal não é consciente ou inteligente - é um predador puro, que existe apenas para matar. Mas o enredo simples revela-se excelente, e a execução do filme é a todos os níveis extraordinária. Alien tem um ritmo narrativo lento mas em momento algum parado, em crescendo até ao momento do ovo na nave do Space Jockey, em novo crescendo até à famosa cena do chestburster e, de seguida, num derradeiro crescendo à medida que a criatura que ninguém vê com nitidez caça de forma metódica os elementos da tripulação um por um. Não há em Alien grandes batalhas ou aventuras - tudo se passa nos corredores e compartimentos escuros, gastos e vagamente claustrofóbicos da Nostromo. E a única coisa que interessa é a sobrevivência.
É neste verdadeiro jogo do gato e do rato (neste caso, do xenomorph e dos humanos) que surge Ellen Ripley (numa interpretação notável de Sigourney Weaver) como heroína acidental - e a escolha de uma personagem feminina para protagonista de Alien marca também a diferença num género que, à época, dava a primazia sobretudo aos heróis masculinos. Ripley não é comandante da Nostromo, não é uma cientista brilhante ou mesmo uma “mulher de armas” - é uma trabalhadora comum (como, aliás, todos os outros), que se vê confrontada com uma criatura de pesadelo no vazio do espaço.
Alien fica para história como um clássico da ficção científica e do terror, aspecto para o qual a criatura brilhantemente concebida por H.R. Giger contribuiu de forma decisiva - é uma das mais conhecidas criaturas do género, facilmente identificável mesmo por quem não aprecia ficção científica. O cartaz promocional exibia apenas um misterioso - e estranhamente alienígena - ovo num fundo negro, com a frase in space, no one can hear you scream. Simples, eficaz e certeira - como todo o filme. Vejo Alien hoje e noto que não envelheceu um dia desde 1979. O que não surpreende: afinal, os clássicos não envelhecem. 10/10.
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17 de maio de 2012
Prometheus: Quiet Eye
A menos de um mês da estreia de Prometheus, seria difícil o hype e as expectativas serem maiores - mas nem por isso a tremenda campanha de marketing viral dá sinais de abrandamento. Num novo vídeo viral divulgado ontem, intitulado Quiet Eye, a actriz Noomi Rapace interpreta a protagonista Elizabeth Shaw na sua "proposta" às Weyland Industries - escrutinada com tecnologia que faria inveja ao Cal Lightman da série Lie to Me.
É possível que o filme seja uma desilusão (esperemos que não), mas temos de reconhecer que a campanha está formidável.
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7 de maio de 2012
Prometheus: Análise do trailer
Para quem ficou curioso quanto ao último trailer do filme Prometheus: Shot-for-shot breakdown of all the new alien monsters in Ridley Scott's Prometheus!, no io9. De facto, já conseguimos ter uma visão mais ou menos clara do que se vai passar no filme - mais ou menos como um puzzle parcialmente completo, que nos deixa visualizar já o motivo principal sem no entanto nos mostrar tudo, com todos os detalhes, pormenores e ligações (o que, diga-se de passagem, em nada reduz o meu entusiasmo quanto ao filme). Também interessante é a discussão nos comentários do artigo sobre o problema tecnológico da continuidade narrativa - se assumirmos Prometheus como uma prequela de Alien, porque parece a nave Prometheus tão superior do ponto de vista tecnológico à Nostromo quando, na verdade, é muito anterior a esta? (é uma falsa questão, que no entanto não deixa de dar um bom debate).
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30 de abril de 2012
Prometheus: Novo Trailer
Continua o hype em redor de Prometheus, com o lançamento de um novo trailer. OK, a história do filme já foi praticamente toda revelada nos vários trailers, mas nem por isso deixo de ter a expectativa de que esteja aqui um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos.
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24 de abril de 2012
A Ficção Científica e o Cinema: Blade Runner
Quando estreou, em 1982, Blade Runner causou perplexidade no público, com o seu visual arrojado e a sua banda sonora misteriosa (da autoria de Vangelis), e gerou críticas particularmente ácidas. Se há filmes que estão destinados a estarem à frente do seu tempo, Blade Runner é um deles: de filme falhado a filme de culto, inaugurou o sub-género ciberpunk no cinema, e foi (é, ainda) uma autêntica lição de adaptação de livro para filme - no caso, o livro que lhe serviu de base foi Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick (leitura que aproveito para recomendar). Scott baseou-se na obra de Dick, sim, mas retirou-lhe os elementos de natureza religiosa e filosófica (os "mood organs", o Mercerism, a obsessão com animais vivos numa Terra devastada) e favoreceu a história "crua": um grupo de Replicants (andróides) evadiu-se na Terra e Rick Deckard (Harrison Ford em grande forma), um blade runner (caçador de andróides), assume a missão de os "retirar", eufemismo para "destruí-los". Mas quando o seu teste de reconhecimento de Replicants falha ao analisar Rachael, uma andróide praticamente perfeita desenvolvida pela Tyrell Corporation, Deckard começa a questionar a sua missão; e os andróides evadidos procuram por todos os meios sobreviver...
Hoje, é impossível falar de ficção científica no cinema sem mencionar Blade Runner, que brilha por si só e pela influência que teve em vários filmes subsequentes (dos quais Ghost in the Shell e Matrix serão bons exemplos, e porventura os mais óbvios - o primeiro, aliás, "transpira" Blade Runner), tanto em temática como em estética. Tal como acontece com Alien, vê-se hoje o filme e percebe-se que, quase trinta anos passados, não ganhou uma única ruga. Num período de quatro anos, Ridley Scott criou duas obras essenciais, não só da ficção científica, mas do cinema em geral. O que, convenhamos, não é para todos. A ver se este ano repete a graça com Prometheus.
[Adaptado deste post do Delito de Opinião]
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18 de abril de 2012
Prometheus: David, o Andróide
Prometheus é, naturalmente, um dos filmes mais aguardados do ano - ou não marcasse o regresso de Ridley Scott à ficção científica, género no qual assinou dois clássicos incontornáveis no final da década de 70 e no início da década de 80 (Alien e Blade Runner, respectivamente). Os teasers e trailers entretanto divulgados abrem o apetite, e a campanha construída em redor do filme tem dado que falar na Internet. Os sites Weyland Industries e Project Prometheus estão no centro desta campanha, e ontem divulgaram o novo vídeo promocional - que, desta vez, incide sobre David, o andróide interpretado por Michael Fassbender.
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10 de abril de 2012
Ainda sobre a Odisseia (de Kubrick)
Já que aqui falei de 2001: A Space Odyssey, recomendo a leitura deste artigo, já antigo, de Casey Kazan. Ridley Scott exagerou quando afirmou que Kubrick "matou o cinema de ficção científica com 2001", e o próprio encarregou-se de provar isso mesmo com Alien e Blade Runner (e, vai na volta, volta a repetir a graça este ano). No entanto, percebo a ideia.
E aqui, fico a saber que não estou sozinho na avaliação que faço à obra-prima de Kubrick. Finalmente (aliás, acho que subscrevo os três primeiros lugares da lista).
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4 de abril de 2012
Prometheus: Novas imagens
Foram divulgadas novas imagens das personagens e da produção de Prometheus - um dos filmes mais aguardados do ano, que marca o regresso de Ridley Scott à ficção científica. Sempre dá para irmos vendo qualquer coisa enquanto não chega o dia da estreia, agendado para 7 de Junho.
Ver mais no SciFiWorld.
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20 de março de 2012
Será Prometheus o regresso da grande ficção científica ao cinema?
Na Forbes Online - que para minha surpresa dedica muitos e bons artigos à ficção científica - pode (e deve) ler-se esta crónica de David DiSalvo sobre o regresso de Ridley Scott ao cinema de ficção científica, e à importância que o muito aguardado Prometheus pode ter para o género.
O autor tem razão quando afirma que a ficção científica cinematográfica (não só a cinematográfica, mas ficamo-nos por esta agora) tem passado um mau bocado, apesar dos orçamentos milionários. Em retrospectiva, não temos um grande filme de ficção científica, um clássico instantâneo, uma obra capaz de reinventar o género, desde 1999, quando estreou The Matrix. Isto não quer dizer que nos últimos 13 anos o género tenha estado morto. No seu artigo, David DiSalvo fala de Children of Men (2006), e muito bem - é de facto um filme bastante sólido, com uma premissa interessantíssima e uma realização soberba. Li e ouvi maravilhas de Moon (2009). District 9 (2009) também foi muito falado - e bem -, mas três anos volvidos ainda não me consegui entusiasmar o suficiente para o ver. Depois há os filmes feitos única e exclusivamente para encher chouriços e o cgi-ego de meia dúzia de realizadores (olá, Michael Bay) e duas ou três obras que prometeram revitalizar a ficção científica mas não sobreviveram ao hype. Nesta categoria temos naturalmente Avatar (2009), de James Cameron, um filme que de facto cumpriu metade daquilo que se pode esperar de um filme de ficção científica - subiu a fasquia visual do cinema com a verdadeira experiência tridimensional no grande ecrã - mas falhou na segunda, ao abdicar de desenvolver uma narrativa mais imaginativa, atrevida e original para se limitar a contar uma história que todos já conhecemos e que todos já vimos mais bem contada (e, atenção, eu gostei bastante de Avatar, e faço frequentemente o papel de advogado do Diabo). Nesta categoria de promessas por cumprir na ficção científica temos também Inception (2010), de Christopher Nolan. Inception prometeu demasiado, e perdeu-se no seu próprio labirinto onírico, optando por perseguir um argumento intricado (que será de facto assim tão intricado?) num mundo de sonhos estranhamente realista quando devia, em vez disso, ter explorado o enorme potencial que o elenco lhe dava (caramba: falamos de Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Lewitt, Ellen Page, Marion Cotillard, Ken Watanabe e Tom Hardy). É um óptimo filme, sem qualquer dúvida, mas está longe de ser a obra-prima de que tantos falaram (Paprika, de Satoshi Kon, tratou o tema incomparavelmente melhor - e, agora que penso nisso, provavelmente é o meu filme de ficção científica preferido desde The Matrix), e não consegue ombrear com os gigantes do género.
Acontece que Prometheus marca justamente o regresso de um dos gigantes da ficção científica cinematográfica, do homem que, há pouco mais de três décadas, redefiniu o género duas vezes em apenas quatro anos com Alien (1979) e Blade Runner (1982). Não sei se Ridley Scott está a prometer trazer o fogo de volta para a ficção científica cinematográfica - mas a verdade é que as expectativas em redor de Prometheus parecem-me ainda mais altas do que para Inception em 2010 ou Avatar em 2009. Os trailers estão muito bons, abrem o apetite e fazem desejar que Junho chegue depressa. Mas conseguirá o filme alcançar, ou mesmo superar as expectativas que gerou e tem vindo a alimentar? Ou, mais importante ainda, conseguirá mostrar hoje, em 2012, que ainda é possível fazer um clássico de ficção científica, um filme da estatura de um 2001: A Space Odyssey ou de um Blade Runner?
Saberemos a resposta a 7 de Junho.
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19 de março de 2012
Prometheus: Novo trailer (Internacional)
Não contente com um trailer oficial de Prometheus, Ridley Scott dá-nos dois. Este - a versão internacional do trailer oficial - inclui algumas novas imagens, e uma vez mais é um autêntico eye-candy.
De acordo com o IMDb, Prometheus estreia em Portugal no dia 7 de Junho.
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9 de março de 2012
Prometheus: Nova campanha promocional
Vai ser disponibilizado um novo trailer de Prometheus a 17 de Março. Entretanto - e porque a estreia do filme que marca o regresso do mestre Ridley Scott à ficção científica está cada vez mais próxima - foi lançado o "site oficial" das Weyland Industries, a corporação que está na base do enredo do filme (e de Alien, como se lembram). Este site promocional a Prometheus tem, para já, um vídeo muito interessante: o keynote speech de Peter Weyland (Guy Pearce) numa conferência TED em 2023. O que, para todos os efeitos, é uma das formas mais elegantes e originais de que lembro de abrir o apetite para um filme (já de si muito aguardado).
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