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1 de junho de 2014

Citação fantástica (128)

You're afraid of making mistakes. Don't be. Mistakes can be profited by. Man, when I was young I shoved my ignorance in people's faces. They beat me with sticks. By the time I was forty my blunt instrument had been honed to a fine cutting point for me. If you hide your ignorance, no one will hit you and you'll never learn.

Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (1953)

23 de janeiro de 2013

Bradbury e Burroughs no Clube de Leitura Bertrand do Fantástico em Lisboa

Decorreu no passado dia 11 de Janeiro mais uma edição do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico em Lisboa - como é habitual, na Livraria Bertrand do Chiado, num final de tarde especialmente chuvoso. O tema da sessão era Marte, com The Martian Chronicles de Ray Bradbury e A Princess of Mars de Edgar Rice Burroughs; e para falar de ambos, e de Marte, o moderador Rogério Ribeiro convidou José Saraiva, investigador no Instituto Superior Técnico na área da exploração espacial (com trabalhos sobre a Marte), fã de longa data de ficção científica, ligado ao antigo clube Simetria e, já agora, habitué das sessões mensais do Clube de Leitura desde o seu início no ano passado.

O gosto de José Saraiva pela ficção científica é já antigo - como o próprio afirma, "nasci no início da década de 60, e era impossível não me entusiasmar e acompanhar a exploração do espaço". Daí às leituras foi um pequeno passo, e entre as primeiras obras que leu contam-se, por exemplo, The War of the Words e The Island of Doctor Moreau, de H. G. Wells, sem esquecer os vários livros da Colecção Argonauta que tinha em casa. Quanto a The Martian Chronicles, de Bradbury, adquiriu o livro na edição  "de capa azul" da Caminho - e mesmo considerando-o "um clássico", admite haver "muitas coisas de que não gosto em The Martian Chronicles. É excelente literatura, mas pobre no que diz respeito à ficção científica propriamente dita". Algo que está longe de ser novidade: o próprio Bradbury admitiu, em tempos, não ter introduzido qualquer rigor científico no livro (a propósito do convite que recebeu da Caltech para uma palestra sobre Marte). 

De facto, Bradbury parece ir buscar as suas referências de Marte à imaginação popular, aos "canais" de Percival Lowell e à ideia de que o planeta poderia ser habitado por uma civilização. Essa civilização é imaginada um pouco à imagem dos próprios seres humanos - como José Saraiva refere, "quem coloniza Marte em The Martian Chronicles não é a Humanidade, mas os americanos - e os próprios marcianos não são muito diferentes dos terrestres". Constituindo uma crítica mais ou menos velada ao povo norte-americano (há mesmo um capítulo célebre, eliminado nas edições mais recentes, que toca na questão do ódio racial), nota-se em The Martian Chronicles "uma nostalgia, um apego ao passado", ao invés de um espírito de aventura. 

Já Burroughs, na sua série Barsoom - da qual se destacou A Princess of Mars - prestou bastante atenção tanto ao imaginário popular como ao conhecimento científico da sua época sobre Marte. Para 1912, A Princess of Mars será, para todos os efeitos, um livro espantoso, ainda que hoje, um século volvido, nos pareça formulaico e previsível.  Durante a tertúlia foram também mencionadas duas adaptações da obra de Burroughs: os comics da Dynamite, com uma volumptuosa Dejah Thoris, referidos por Artur Coelho (que descreveu A Princess of Mars como uma obra marcante da sua época e um clássico do tema "white man's burden"), e o filme de 2012, produzido pela Disney e considerado (injustamente) um dos piores filmes do ano. Houve ainda tempo para falar da anatomia dos habitantes do Marte de Burroughs, com destaque para a verosimilhança e a utilidade de quatro braços numa criatura bípede.

Finda a sessão, e passando por entre os pingos de chuva, seguiu-se o já habitual jantar da Tertúlia Noite Fantástica (no qual desta vez não estive presente). Quanto à próxima sessão do Clube de Leitura do Fantástico, ainda está por confirmar. 


Imagem por Frank Frazetta

11 de janeiro de 2013

The Martian Chronicles, ou o planeta vermelho segundo Bradbury

Marte é um tema recorrente da ficção científica. Muitos foram os autores, de Burroughs a Heinlein, que contaram histórias passadas ou relacionadas com este nosso vizinho no Sistema Solar. Mas poucas vezes terá o planeta vermelho sido explorado de forma tão onírica como em The Martian Chronicles (1950, um conjunto de contos que Ray Bradbury publicou em várias revistas de ficção científica nos finais dos anos 40, e que veio a compilar nesta colectânea. Torna-se, por isso, um tanto ou quanto difícil definir The Martian Chronicles: podemos considerar a obra como uma antologia de contos interligados (Bradbury escreveu vários para estabelecer ligações), mas também não será de todo errado defini-la como uma narrativa sequencial em formato episódico. Independentemente da classificação, The Martian Chronicles é um livro notável, uma odisseia fascinante de conquista e perda escrita no estilo singular que notabilizou Bradbury tanto na ficção científica como na literatura mainstream.

Tendo como ponto de partida a primeira expedição que deixa a Terra rumo a Marte (no conto de abertura The Rocket Summer), The Martian Chronicles começa, nos contos iniciais, por observar a odisseia espacial da Humanidade a partir do ponto de vista dos nativos do planeta vermelho. Longe de imaginar o planeta árido e (para todos os efeitos) desprovido de vida que entretanto ficámos a conhecer, Bradbury concebe um Marte habitado por uma civilização pacífica - e os Marcianos estão longe de ver com bons olhos a chegada dos seus vizinhos espaciais. Os contos que se seguem a The Rocket Summer mostram alguns aspectos da civilização marciana, das vidas e das capacidades dos seus habitantes, dos seus modos de pensar e de agir. Vemos isto nos contos Ylla, The Summer Night (um conto especialmente bem conseguido), The Earth Men e The Third Expedition. O conto - And the Moon Be Still as Bright marca um ponto de viragem na narrativa com a quarta expedição humana a Marte - a partir da qual começa um movimento de colonização planetária muito peculiar. 

Se regra geral os contos são interessantes na abordagem que fazem à civilização marciana, à colonização e às idiossincrasias da Humanidade - que não muda apesar de estar noutro planeta - há, claro, alguns que merecem destaque. The Summer Night, já referido, tem como tema dominante a música, sentida a partir dos poderes telepáticos dos marcianos. - And the Moon Be Still as Bright e The Settlers, dois contos sobre a quarta expedição e sobre Spender, o astronauta que se isola dos seus companheiros para explorar as ruínas de Marte. The Fire Balloons, um conto fascinante sobre religião, sobre a subjectividade da experiência religiosa e sobre a forma como o culto religioso se adapta (ou não) a circunstâncias muito diferentes. O tema da censura literária e da destruição de livros que Bradbury viria explorar alguns anos mais tarde em Fahrenheit 451 é o centro de Usher II, mas aqui abordado numa perspectiva muito ancorada ao imaginário fantástico de Edgar Allan Poe. The Martian é um conto emotivo sobre a perda, e sobre as ilusões que estamos dispostos a aceitar para a superarmos. The Long Years regressa a um dos sobreviventes da quarta expedição e ao tema da superação da perda através da ilusão, num conto especialmente tocante. E, claro, There Will Come Soft Rains, porventura o texto mais famoso da colectânea, que inspirado no poema homónimo de Sara Teasdale regressa à Terra para mostrar uma casa automatizada que continua até ao último momento a executar todas as rotinas para as quais estava programada, mesmo após o desaparecimento dos seus ocupantes. 

Os vários contos que compõem The Martian Chronicles merecem destaque pela imaginação e pelas abordagens singulares a temas recorrentes como a perda, a estranheza e o entusiasmo da exploração (entre muitos outros). Mas merecem também destaque pela prosa única de Bradbury, quase poética nas descrições que faz, com frequência irónica nos diálogos e nas situações colocadas às personagens, e sempre vagamente onírica. Bradbury era, de facto, um mestre da palavra escrita - e isso nota-se em cada página de The Martian Chronicles

É interessante notar que, nas edições contemporâneas, a cronologia das histórias foi alterada para as colocar no futuro - na edição original, a exploração e colonização de Marte teria lugar entre 1999 e 2026. A edição de 1997, porém, avançou todas as histórias 31 anos no tempo, com Rocket Summer a situar-se não em 1999 mas em 2030. Resta saber se em 2030 a cronologia voltará a ser alterada, ou se nessa altura já a realidade alcançou a ficção. 

10 de janeiro de 2013

Clube de Leitura Bertrand do Fantástico vai a Marte com Ray Bradbury e Edgar Rice Burroughs

Marte estará em destaque naquela que será a primeira sessão de 2013 do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico de Lisboa. O clássico The Martian Chronicles, de Ray Bradbury, e A Princess of Mars (na recente edição portuguesa, John Carter), de Edgar Rice Burroughs são os livros em destaque numa sessão que terá como convidado José Saraiva, investigador do Instituto Superior Técnico, com vários trabalhos sobre o "Planeta Vermelho". Esta sessão terá lugar na próxima Sexta-feira, 11 de Janeiro (amanhã), às 19:00, na Livraria Bertrand do Chiado. A moderar a sessão estará, como é habitual, o Rogério Ribeiro.

13 de dezembro de 2012

Clube de Leitura Bertrand do Fantástico vai a Marte em 2013

A primeira sessão de 2013 do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico de Lisboa terá lugar no dia 11 de Janeiro, na Livraria Bertrand do Chiado, e irá até ao Planeta Vermelho. Os livros em debate serão The Martian Chronicles, de Ray Bradbury, e The Princess of Mars, de Edgar Rice Burroughs (traduzido para português recentemente pela Saída de Emergência com o título John Carter, alusivo ao filme da Disney estreado neste ano). O convidado será José Saraiva, investigador do Instituto Superior Técnico com vários trabalhos sobre o quarto planeta do Sistema Solar. Apesar de o ano ser novo, a moderação manter-se-á (e muito bem) a cargo do Rogério Ribeiro.

2 de dezembro de 2012

Citação fantástica (43)

With school turning out more runners, jumpers, racers, tinkerers, grabbers, snatchers, fliers, and swimmers instead of examiners, critics, knowers, and imaginative creators, the word 'intellectual,' of course, became the swear word it deserved to be.

Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (1953)

14 de novembro de 2012

À conversa com Ray Bradbury



22 minutos à conversa com Ray Bradbury, de Lawrence Bridges. Fascinante e comovente. Este ano perdemos um dos grandes.

Fonte: Luís Filipe Silva / Facebook

10 de julho de 2012

"Virão mansas chuvas"

A morte de Ray Bradbury a 6 de Junho foi o mote de vários textos publicados um pouco por toda a parte - dos convencionais epitáfios a crónicas sobre Bradbury e sobre a experiência pessoal de leitura do autor de Fahrenheit 451 e The Martian Chronicles. Nenhum dos textos que li, porém, faz sequer sombra a esta crónica de Luís Filipe Silva no Efeitos Secundários: "Virão mansas chuvas. Ide ler, que vale a pena.


7 de junho de 2012

Ray Bradbury na imprensa

Ray Bradbury, um dos grandes mestres do Fantástico, faleceu ontem aos 91 anos de idade. Algumas referências na imprensa nacional e internacional:




O Correio da Manhã dedicou uma página a Ray Bradbury:


No Público Online: Morreu o escritor Ray Bradbury, o mestre da ficção científica

No i Online: Ray Bradbury. O autor de Fahrenheit 451 morre aos 91 anos

No Diário de Notícias Online: Morreu Ray Bradbury

O artigo do DN Online inclui ainda um curto e interessante comentário do editor executivo adjunto Nuno Galopim.  

A morte de Ray Bradbury é evidentemente uma grande perda para a ficção científica. No entanto, não significa o fim do género - tal como o desaparecimento de outros "mestres", como Asimov, Clarke, Heinlein ou Dick não condenaram o género ao esquecimento. Passe o lugar-comum, tudo na vida se renova - e ainda que a ausência das grandes vozes do género seja sentida, este não se esgota numa meia dúzia de autores excepcionais. Aos "veteranos" que ainda estão vivos juntam-se outros autores consagrados ainda em actividade, e, claro, nomes novos que surgem e continuarão a surgir ao longo dos anos. De resto, a ficção científica não se resume à literatura, e outros meios assumem cada vez mais um papel determinante na divulgação do género - há muito tempo que o cinema consegue fazer enormes sucessos de culto e de bilheteira com ficção científica, a televisão está a somar sucessos na área do Fantástico e, enfim, alguns dos maiores sucessos recentes no universo dos videojogos estão fortemente ancorados no imaginário do género. É caso para dizer, e não sem optimismo, "veremos o que o futuro nos reserva".

6 de junho de 2012

Ray Bradbury (1920 - 2012)

22.08.1920 - 06-06-2012
Everyone must leave something behind when he dies, my grandfather said. A child or a book or a painting or a house or a wall built or a pair of shoes made. Or a garden planted. Something your hand touched some way so your soul has somewhere to go when you die, and when people look at that tree or that flower you planted, you're there.

It doesn't matter what you do, he said, so long as you change something from the way it was before you touched it into something that's like you after you take your hands away. The difference between the man who just cuts lawns and a real gardener is in the touching, he said. The lawn-cutter might just as well not have been there at all; the gardener will be there a lifetime.

Ray Bradbury, Fahrenheit 451 (1953)


30 de maio de 2012

Notas sobre ficção científica (4)

The Paris Review: Why do you write science fiction?
Ray Bradbury: Science fiction is the fiction of ideas. Ideas excite me, and as soon as I get excited, the adrenaline gets going and the next thing I know I’m borrowing energy from the ideas themselves. Science fiction is any idea that occurs in the head and doesn’t exist yet, but soon will, and will change everything for everybody, and nothing will ever be the same again. As soon as you have an idea that changes some small part of the world you are writing science fiction. It is always the art of the possible, never the impossible.

(...)

The Paris Review: Does science fiction satisfy something that mainstream writing does not? 
Ray Bradbury: Yes, it does, because the mainstream hasn’t been paying attention to all the changes in our culture during the last fifty years. The major ideas of our time—developments in medicine, the importance of space exploration to advance our species—have been neglected. The critics are generally wrong, or they’re fifteen, twenty years late. It’s a great shame. They miss out on a lot. Why the fiction of ideas should be so neglected is beyond me. I can’t explain it, exceptin terms of intellectual snobbery. 

Ray Bradbury, numa entrevista muito interessante à The Paris Review 

[fonte: Trema]