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19 de agosto de 2014

Guardians of the Galaxy: Aventura vintage

Talvez seja seguro afirmar que a space opera está em franco ressurgimento na ficção científica contemporânea, regressando para o topo do género com o qual tantas vezes se confunde (ou é confundida, melhor dizendo). Na literatura, Ancillary Justice, de Ann Leckie, conquistou tanto a crítica como o público, tornado-se aos poucos numa força imparável nos prémios da ficção de género em 2014; ao mesmo tempo, séries como Expanse, de James S. A. Corey e Culture, de Iain M. Banks, gozam de uma popularidade invejável (com a primeira a ter até uma adaptação televisiva projectada, pelo SyFy Channel). Nos videojogos, e depois do sucesso avassalador de Mass Effect e do êxito de nicho de EVE Online, os próximos tempos parecem preparar-se para celebrar o regresso dos space sims, um género quase votado ao esquecimento nas últimas duas décadas, recuperado pelo crowdfunding em títulos tão arrojados como Star Citizen, Elite: Dangerous e No Man's Sky. E no cinema, as mais clássicas space operas estão de volta, com Star Trek em alta após dois filmes bem sucedidos nas bilheteiras e com o hype em redor do próximo episódio de Star Wars e dos planos da Disney para a franchise a roçarem já o insuportável. Colocadas as coisas neste contexto, parecerá talvez segura a aposta da Marvel em Guardians of the Galaxy, adaptando para o grande ecrã a recente reimaginação de 2008 de um título mais antigo; mas a verdade é que reduzir o sucesso do filme às circunstâncias do género e do fandom acaba por ser um tanto ou quanto redutor.


Isto porque, para todos os efeitos, a aposta foi de facto arriscada - em parte também pelo mesmo contexto. Se é certo que o Marvel Cinematic Universe não transporta em si a seriedade e a solenidade que têm sido características da produção cinematográfica mais recente da rival DC, nem por isso, contudo, deixa a longa-metragem de James Gunn de ser um objecto dissonante na continuidade de filmes da Marvel: o humor assume desde os primeiros momentos um lugar de destaque na construção da narrativa, dando a todo o filme um tom mais ligeiro e extraordinariamente refrescante nos dias que correm, marcados pelo cinzentismo da ambiguidade distópica.


De certa forma, acaba por ser essa opção pela ligeireza e pela diversão que acaba por elevar este Guardians of the Galaxy de James Gunn e de o tornar num filme imperdível, notável a praticamente todos os níveis. No tom ouvem-se os ecos das aventuras cinematográficas de outros tempos, bem ritmadas e repletas de gags e de situações impossíveis resolvidas com alguma improvisação e com muito humor - como vimos, deliciados, em clássicos da aventura como Indiana Jones, ou em clássicos da ficção científica como The Fifth Element (que, creio, está mais próximo de Guardians do que o inevitável Star Wars). Heróis e vilões encontram-se muito bem separados, mesmo quando os primeiros têm origens que são tudo menos nobres (os rogues, afinal, também são um clássico do género).


Estes ecos vintage, de outros tempos, surgem reforçados pela surpreende veia nostálgica do filme, muito bem ancorada na personagem de Peter Quill/Star-Lord (Chris Pratt num desempenho memorável, em simultâneo protagonista e comic relief). Há na sua nave, a Milano, toda uma série de memorabilia extraída dos anos 80 para a civilização galáctica do futuro (em contar, claro, com as inúmeras referências pop que faz ao longo do filme, em diálogos tão inspirados como divertidos). Com o artefacto mais importante a ser o seu walkman com a cassete Awesome Mix vol. 1, que serve de pretexto à espantosa banda sonora pop-rock de raízes punk, glam e blues (entre outras), onde figuram nomes como David Bowie, Blue Suede, Jackson 5, Marvin Gaye e The Runaways. Longe de ser um aspecto meramente complementar do filme, a banda sonora é responsável em larga medida pelos tais ecos vintage e por conferir a toda a trama uma energia muito própria, única na ficção científica contemporânea.


E depois temos as personagens, claro - com Guardians of the Galaxy a apresentar aquele que será talvez o melhor elenco de todo o Marvel Cinematic Universe. No que diz respeito aos protagonistas reais, a surpresa vai para o Drax de Dave Bautista, o wrestler profissional aqui tornado num inesquecível colosso deadpan de vocabulário elaborado. A Gamora de Zoe Saldana revela-se competente q.b., com uma excelente química com o resto da equipa - ainda que fique a sensação de que o guião não a deixou ir mais longe. Mas quem rouba o espectáculo, mais até do que Chris Pratt, são as duas personagens geradas por computador: Rocket e Groot, a quem Bradley Cooper e Vin Diesel emprestaram as respectivas vozes para construírem uma dupla memorável.


No entanto, perante uma equipa de heróis tão consistente e perante um conjunto notável de personagens secundárias (onde figuram nomes como John C. Reilly, Glenn Close e Michael Rooker, este numa versão espacial do seu Merle de The Walking Dead), será talvez impossível não reparar como um dos calcanhares de Aquiles do filme acaba por ser os vilões. Não por culpa dos actores, entenda-se: há em Karen Gillan, Lee Pace e Josh Brolin talento mais do que suficiente para muitos vilões em muitos filmes, e isso nota-se em alguns momentos. No entanto, o Thanos de Brolin aparece quase só de passagem (ainda que seja uma aparição relevante), e a Nebula de Gillan surge muito desaproveitada. Resta o Ronan the Accuser de Lee Pace, com uma motivação pouco sustentada e sem aquele carisma exagerado que talvez lhe permitisse erguer-se acima dos clichés da sua personagem (como acontece com o magnífico Zorg de Gary Oldman em The Fifth Element). O seu momento de glória naquele inesperado confronto com Star-Lord, quase no final do filme, não é suficiente para resgatar a personagem.


Já a outra fraqueza de Guardians of the Galaxy acaba por se revelar bem mais problemática do que os seus vilões. Por mais "fora do baralho" que seja, Guardians integra o Marvel Cinematic Universe - e isso nota-se mais do que seria talvez desejável para um filme que se revela tão refrescante em tantos momentos. Com toda a sua ligeireza e todo o seu humor, o filme nunca consegue sair do espartilho do franchising, sublinhado pelos ganchos evidentes à sequela (na prática, o filme é uma origin story de duas horas) e reforçado pela integração numa continuidade mais vasta, que emerge nas aparições de Thanos e do Collector (já referidos nas cenas pós-créditos de The Avengers e Thor 2: The Dark World, respectivamente) e que se manifesta de forma definitiva no MacGuffin que serve de pretexto a toda a trama: a Infinity Stone.


Em última análise, Guardians of the Galaxy acaba por ser mais revolucionário no contexto do Marvel Cinematic Universe do que na ficção científica em geral - com todo o encantamento do seu worldbuilding e todo o charme do seu tom retro, acaba por não ser mais do que uma engrenagem na máquina cinematográfica do universo partilhado da Marvel. Uma engrenagem glorificada, é certo, mas ainda assim uma engrenagem, um pequeno ponto de algo mais vasto e não o ponto de partida para algo novo e irresistível, capaz de se tornar numa força cultural como Star Wars conseguiu nos anos 70; e também por isso nunca será comparável ao clássico de George Lucas. No fundo, e mais do que introduzir personagens e plot points, serve para demonstrar que neste momento a Marvel consegue vender no grande ecrã até as suas propriedades intelectuais mais secundárias.


Ainda assim, o balanço que se retira de Guardians of the Galaxy é extremamente positivo. Pode não estar aqui a revolução de que a space opera cinematográfica talvez necessite, com um equivalente à sofisticação conceptual dos universos literários de Hyperion, Culture ou ao novíssimo Imperial Radch, mas há muito para apreciar na sua nostalgia vintage, na ligeireza que recupera de outros tempos e que tanta falta faz nestes tempos de distopia e grimdark, e no carisma bem humorado dos seus heróis. Com uma componente visual exemplar, uma banda sonora duradoura (até porque testada pelo tempo) e uma mão-cheia de personagens memoráveis, Guardians of the Galaxy é sem dúvida o grande blockbuster deste Verão - e se é uma pena que lhe falte autonomia para vôos mais altos, nem por isso deixa de ser um exemplo perfeito do mais puro, despretensioso e nostálgico entretenimento. 8.2/10

Guardians of the Galaxy (2014)
Realização de James Gunn
Argumento de Nicole Perlman e James Gunn
Com Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Bradley Cooper, Vin Diesel, Lee Pace, Karen Gillan, Michael Rooker, Josh Brolin, Glenn Close, John C. Reilly, Benicio Del Toro e Djomon Hounsou
121 minutos

(nota: texto editado para corrigir uma gralha e dois disparates gramaticais)

16 de julho de 2014

Big Hero 6: Primeiro trailer

É interessante notar como o sucesso do Marvel Cinematic Universe tornou possível a adaptação de outras propriedades intelectuais menos conhecidas da Marvel - Guardians of the Galaxy é já um dos mais antecipados blockbusters deste Verão, e no Outono estreará Big Hero 6, a primeira produção animada da Disney de uma propriedade intelectual da Marvel. No caso, da banda desenhada criada em 1998 por Steven T. Seagle e Duncan Rouleau. O primeiro trailer foi ontem disponibilizado:


Fonte: io9

9 de julho de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

A hype machine da Marvel continua a funcionar a todo o gás. Com estreia prevista para o início de Agosto, Guardians of the Galaxy acaba de ter mais um trailer divulgado, com trechos já conhecidos combinados com imagens novas que mostram um pouco mais dos protagonistas e dos vilões - e que realçam o tom aventuresco e o humor da space opera, mais do que qualquer ligação aos comics

Guardians of the Galaxy tem estreia prevista para 7 de Agosto em Portugal.


Fonte: io9

17 de junho de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

Enquanto a comunidade geek se entretém a discutir à exaustão cada não-notícia sobre os próximos filmes de Star Wars, a Marvel continua a afinar a sua máquina de hype para Guardians of the Galaxy, que deverá a dada altura cruzar-se com a continuidade narrativa de The Avengers. Enquanto esse momento não chega, porém, o próximo filme de James Gunn parece apostado em recuperar a veia de aventura tão característica da space opera - e, a avaliar pelas imagens já reveladas nos vários trailers, tenciona fazê-lo num tom mais próximo de Firefly do que de Star Wars (o que, a confirmar-se, será sem dúvida uma excelente notícia).

Guardians of the Galaxy estreia a 1 de Agosto nos Estados Unidos. Abaixo, o trailer.


Fonte: io9

19 de maio de 2014

Guardians of the Galaxy: Novo trailer

A avaliar por aquilo que tive oportunidade de ler nos vários artigos publicados online a propósito deste novo trailer de Guardians of the Galaxy, os fãs tanto dos comics deste improvável grupo de heróis como de outros arcos narrativos do universo ficcional da Marvel terão um filme repleto de easter eggs. Quem, como eu, não estiver familiarizado com as bandas desenhadas (algo a corrigir um dia destes) decerto apreciará o tom mais ligeiro e descontraído que parece atravessar esta aventura em estilo de space opera - algo que vai sendo raro na ficção científica contemporânea, e que é (também) por isso muito bem vindo. Se a isso juntarmos um elenco de luxo (Chris Pratt, Zoe Saldana, Bradley Cooper, Vin Diesel, Karen Gillan, Dave Bautista, Benicio Del Toro, Lee Pace, Djimon Hounsou, John C. Rilley, Glenn Close e Michael Rooker) e uma componente visual aparentemente soberba, não restam muitas dúvidas: apesar das suas origens secundárias na Marvel, Guardians of the Galaxy está a tornar-se num dos filmes mais aguardados deste Verão.

Guardians of the Galaxy tem estreia marcada para 1 de Agosto nos Estados Unidos, e para 7 de Agosto em Portugal. Abaixo, o trailer:



Fonte: io9

14 de maio de 2014

This happening world (12)

Na sua coluna na Kirkus Reviews, Andrew Liptak (também do SF Signal) debruça-se sobre a história da Science Fiction Writers of America e da célebre, ainda que curta, série de antologias Science Fiction Hall of Fame - e, na sua página pessoal, publicou a entrevista completa que, a propósito do artigo, fez a Robert Silverberg, um dos gigantes do género, que sucedeu a Damon Knight na liderança da então ainda jovem SFWA e que promoveu a organização da primeira Science Fiction Hall of Fame. Para os interessados na história da ficção científica, tanto o artigo como a entrevista deverão ser leitura obrigatória.

Na Amazing Stories, Steve Fahnestalk continua a sua exploração dos juveniles do mestre Robert A. Heinlein - e Steve Davidson crítica com veemência a tentativa de apropriação ideológica de Heinlein por alguns sectores mais conservadores do fandom, numa época em que este se encontra especialmente (e estupidamente, acrescento) fragmentado em termos políticos (algo que, como Davidson bem aponta, Heinlein condenaria sem hesitação). 

No Tor.com, Alex Bledsoe explica por que motivo gosta mais de 2010 do que de 2001: A Space Odyssey. Ainda que a última frase do artigo seja um tanto ou quanto imbecil, o texto é interessante na separação que faz entre a exploração intelectual e tecnológica de Kubrick e a aposta na humanidade das personagens de Peter Hyams. 

Gavia Baker-Whitelaw, no portal The Daily Dot, analisa o erro fundamental da maioria das críticas mainstream ao filme Captain America 2: Winter Soldier, sobretudo no que à Black Widow de Scarlett Johansson diz respeito. E um erro que, diga-se de passagem, acaba por dizer mais acerca dos críticos do que da própria personagem em si, ou de qualquer outra personagem feminina do Marvel Cinematic Universe. 

Precisará a ficção especulativa de um novo movimento literário? A pergunta é de Charlie Jane Anders no io9; a resposta, essa, está longe de ser óbvia.

5 de maio de 2014

This happening world (11)

No Hipsters of the Coast, Rich Stein desconstrói TherosBorn of the Gods e Journey Into Nyx em... estatísticas demográficas. A ideia pode parecer estranha, sobretudo quando consideramos que, para todo os efeitos, estamos a falar de Magic: the Gathering - um jogo de cartas coleccionáveis. A premissa de Stein, no entanto, é interessante pelo seu raciocínio: Magic, o jogo, surge enquadrado numa narrativa de fantasia que, como qualquer outra ficção do género, reflecte também tempo e a sociedade em que surge. No caso em questão, Theros surge com uma forte inspiração na mitologia grega, central para as sociedades ocidentais - pelo que se revela interessante analisar as 323 criaturas que as três expansões apresentam à luz de género, raça e classe. O resultado é um dos artigos mais improváveis e interessantes que alguma vez li sobre o jogo. 

De acordo com Katharine Trendacosta no io9, ao filme Superman vs. Batman seguir-se-á inevitavelmente o filme da Justice League of America. A notícia baseia-se em declarações do presidente de produção da Warner Bros, Greg Silverman - e o objectivo será decerto tentar recuperar algum terreno perdido para a Marvel. Tentar será sem dúvida a expressão adequada aqui, e porventura um eufemismo: é muito improvável que a DC e a Warner consigam emular o sucesso do Marvel Cinematic Universe, sobretudo na sua convergência excepcional de vários filmes razoáveis (o único que merece de facto destaque em termos qualitativos é Iron Man) num filme tão notável como The Avengers. E, a avaliar pelas estreias de Thor 2: The Dark World e Captain America 2: The Winter Soldier, a segunda fase do MCU parece avançar a bom ritmo para o clímax de The Avengers 2: Age of Ultron. E pelo meio ainda virá a oddball de Guardians of the Galaxy

Não deixa de surpreender que a DC seja incapaz de fazer algo do género quando tem as personagens mais populares fora do meio restrito dos comics, e quando a Marvel nem pode capitalizar no cinema um dos seus maiores trunfos (Spider-Man). As diferenças entre a abordagem - e o sucesso - da Marvel e da DC no cinema são analisadas com alguma brevidade por Blaze Mizkulin no Observation Deck; nas caixas de comentários, porém, o debate revela-se extremamente interessante e curiosamente elevado (sobretudo quando consideramos que se trata de uma caixa de comentários na Internet a propósito das diferenças entre a Marvel e a DC). 

Entretanto, a Disney/Lucasfilm confirmou algo que toda a gente já sabia (via Lee Hutchinson no Ars Technica): a continuidade de Star Wars no cinema atirou pela escotilha todo o Expanded Universe. Logo depois foi anunciado o elenco principal da trilogia que, em termos narrativos, dará continuidade à história deixada no vetusto The Return of the Jedi (de 1983, recorde-se) - e o entusiasmo com que o anúncio foi recebido cedo deu lugar à perplexidade pelo facto de este apenas introduzir uma actriz (a relativamente desconhecida Daisy Ridley) para além de Carrie Fisher, que regressará à sua Princesa Leia. De acordo com Rob Bricken no io9, deverá ser introduzida mais uma personagem feminina de destaque na trilogia; mas essa informação, veiculada de forma mais oficiosa do que oficial, acaba por parecer mais uma tentativa de a produção dos filmes tentar emendar a mão. 

17 de abril de 2014

X-Men: Days of Future Past: Novo trailer

No que às franchises cinematográficas de super-heróis diz respeito, X-Men: Days of Future Past, de Bryan Singer, será sem dúvida uma das estreias mais relevantes do ano - num filme que junta o elenco da trilogia original ao de X-Men: First Class para trazer para o grande ecrã uma das mais célebres e aclamadas histórias dos mutantes da Marvel, desenvolvida em 1980 por Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin. 

X-Men: Days of Future Past tem estreia prevista para 22 de Maio. Abaixo, o trailer. 


Fonte: io9

25 de março de 2014

X-Men: Days of Future Past: Novo trailer

Foi ontem divulgado um novo trailer para X-Men: Days of Future Past, o novo filme desta franchise da Marvel que adapta o arco narrativo desenvolvido em 1981 por Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin. Days of Future Past tem como ponto de partida um futuro distópico no qual os mutantes foram aprisionados em campos de concentração ou simplesmente exterminados pelas Sentinelas - e Kitty Pride transporta a sua consciência para o passado com o propósito de tentar evitar que um acontecimento muito concreto faça eclodir o movimento anti-mutantes. Neste novo filme de Bryan Singer, o destaque não será dado à Kitty Pride de Ellen Page, claro, mas ao Wolverine de Hugh Jackman (aparentemente, a popularidade a isso obriga). Com estreia prevista para Maio próximo, X-Men: Days of Future Past conta com um elenco de luxo, que para além de Page e Jackman inclui também Ian McKellen, Patrick Stewart, Michael Fassbender, Jennifer Lawrence, Peter Dicklage, James McAvoy, Anna Paquin e Halle Berry, entre outros.

Abaixo, o trailer.


Fonte: io9

20 de fevereiro de 2014

A ficção científica nos "anos 00": Filmes que definem o milénio (até agora)

No io9, Charlie Jane Anders pergunta aos leitores do blogue qual foi, até ao momento, a obra de ficção científica deste ainda novo milénio que melhor o definiu. O que, diga-se de passagem, é uma boa pergunta., ainda que incompleta - Anders refere-se em concreto à literatura, ao cinema e à televisão, mas os "anos 00" consagraram em definitivo os videojogos como um veículo narrativo do género, e vários são os títulos que poderiam ser mencionados. Para simplificar um pouco (e para ocultar as minhas vastas lacunas no que à literatura de ficção científica contemporânea diz respeito), este artigo vai restringir-se ao cinema - e ainda que neste meio os "anos 00" não tenham sido tão impressionantes como as duas décadas anteriores, estrearam ao longo dos últimos 14 anos vários filmes de ficção científica marcantes, talvez até revolucionários num detalhe ou outro - nada da dimensão de The Matrix no final dos anos 90, é certo, mas o milénio ainda mal começou. Nem por isso, porém, deixaram vários filmes de capturar muito bem alguns fragmentos - quando não autênticas tendências - do air du temps. Abaixo, seguem quatro propostas (e uma menção honrosa).

Minority Report (Steven Spielberg, 2002)
Deixando o óbvio fora do caminho desde logo - não, esta adaptação de Steven Spielberg ao célebre conto de Philip K. Dick não está sequer perto de ser um dos melhores filmes de ficção científica estreados após a viragem do milénio (apesar de ser um filme bastante acima da média, e um ao qual talvez não tenha dado o devido valor). Olhando hoje para trás, porém, não deixa de ser impressionante ver como as suas interfaces tácteis, tão arrojadas em 2002, se tornaram banais em 2014. Só por essa curiosidade tecnológica o filme já seria merecedor de atenção em qualquer exercício deste género; se a isso juntarmos o elefante na sala que é a erosão da privacidade pela publicidade intrusiva, direccionada e contextualizada (Google, anyone?) e as questões éticas sobre a vigilância electrónica compulsiva, então Minority Report revela-se estranhamente presciente quanto aos anos que estavam ainda por vir. 

Children of Men (Alfonso Cuarón, 2006)
Para além de ser provavelmente o melhor filme de ficção científica deste milénio (até agora), Children of Men acertou cheio no air du temps contemporâneo - cinzento carregado, depressivo e um tanto ou quanto desesperado (e desesperançado). Numa palavra odiosa: grimdark. Na ambiguidade do seu final não cabe, ou poderá não caber, a relativa paz do final de Minority Report ou de Eternal Sunshine of the Spotless Mind (outro dos grandes da década); e o futuro que prevê, de esterilidade humana generalizada, estará longe de se verificar (ainda que possa talvez servir de metáfora para o declínio populacional ocidental). Mas as questões de imigração e integração que o filme aflora com brevidade são hoje bastante actuais; e os tumultos sociais que Cuarón filmou com a sua mestria inimitável assemelham-se bastante - porventura demasiado - a algumas situações que têm emergido, com mais regularidade do que seria desejável, ao longo da última década. 

District 9 (Neill Blomkamp, 2009)
O filme de estreia de Neill Blomkamp surge aqui quase como bónus. A sua importância, é certo, não pode ser negada - a nomeação para o Óscar na categoria principal (feito alcançado por muito poucos filmes de género até à data) atesta-o, tal como a aclamação crítica mais ou menos generalizada. Mas numa época em que a ficção científica passa por uma crise de identidade, o exercício de Blomkamp torna-se notável pela sua capacidade de recuperar e refrescar convenções antigas do género, utilizando-as como veículo para um comentário social tão actual como devastador. E fê-lo sem abdicar da acção frenética e da estética sofisticada que são o bread and butter de muita ficção científica cinematográfica nos dias que correm, num filme com personagens memoráveis e uma construção narrativa muito eficaz. District 9 provou em definitivo que a ficção científica no cinema é mais do que os seus efeitos especiais - utilizada com mestria, pode dar uma perspectiva única sobre temas já antigos e tantas vezes retratados na Sétima Arte. Convenhamos: o tema da segregação racial, e mesmo do appartheid, não são novos no cinema; mas quantos filmes conseguiram abordá-los com uma metáfora tão poderosa como a transformação de Wikus van der Merwe?

The Avengers (Joss Whedon, 2012)
Na secção de comentários do artigo original, um comentador elegeu Avatar, de James Cameron, como o filme mais representativo deste milénio - pelo domínio do visual sobre a narrativa. A ideia tem o seu mérito; mas no que aos blockbusters diz respeito julgo que The Avengers, de Joss Whedon, será talvez mais representativo do blockbuster moderno - para todos os efeitos, foi o culminar de uma aposta que se estendeu ao longo de uma década inteira (o malfadado Hulk de Ang Lee estreou, convém lembrar, em 2003) que deu aos super-heróis da Marvel um lugar de destaque na cultura popular do novo milénio e que deu um contributo decisivo para retirar os super-heróis da coutada nerd à qual pertenciam e torná-los trendy. Ainda que nem todos os filmes que desaguaram em The Avengers tenham sido de facto bons (em termos médios, a coisa terá sido talvez medíocre), a aposta foi ganha e o modelo de negócio triunfou - que a segunda fase do plano, com vista a The Avengers 2: Age of Ultron esteja já em marcha e que a adaptação de Guardians of the Galaxy, muito mais arriscada por se tratar de uma propriedade intelectual menos conhecida e mais science fiction-y, esteja a ser aguardada com muita expectativa são prova disso mesmo.

Menção honrosa: Moon (Duncan Jones, 2009)
Puro wishful thinking: Moon, com o seu minimalismo narrativo, estético e, acima de tudo, orçamental, poderá vir a ser para anos vindouros exemplo de como é possível contar uma excelente história de ficção científica sem um orçamento de centenas de milhões de dólares, um elenco polvilhado de estrelas e excesso de pirotecnia visual. Para já, fica a promessa. 

Fonte: io9

19 de fevereiro de 2014

Guardians of the Galaxy: Primeiro trailer

Os últimos dois anos serviram para tirar todas as dúvidas quanto à viabilidade das adaptações cinematográficas de super-heróis da banda desenhada da Marvel* - com o enorme sucesso de bilheteira de The Avengers a confirmar a viabilidade do modelo escolhido, mesmo quando boa parte dos filmes que culminaram no êxito de 2012 não foram mais do que medíocres. Com a segunda vaga de filmes individuais já a preparar o terreno para The Avengers 2: Age of Ultron (Iron Man 3 e Thor 2 já estrearam; Captain America 2 está para breve), a Marvel avançou para um novo projecto, mais ousado: a adaptação de Guardians of Galaxy, uma banda desenhada de super-heróis ancorada mais firmemente na ficção científica e nas convenções da space opera, relançada em 2008 com novas personagens. E será este reboot de 2008 que o filme realizado por James Gunn irá transportar das vinhetas dos comics para o grande ecrã. O primeiro trailer oficial foi apresentado na última madrugada no talk show de Jimmy Kimmel - e revela uma galeria de personagens no mínimo curiosa, e um tom mais ligeiro que The Avengers, à primeira vista mais propenso a explorar o território da aventura e mesmo da comédia.

Guardians of the Galaxy tem estreia prevista para 1 de Agosto nos Estados Unidos. Abaixo, o trailer.


Fonte: io9


* Refiro-me apenas às propriedades intelectuais adaptadas pelos estúdios da Marvel. Os direitos de Spider-Man e X-Man, como se sabe, estão nas mãos de outras produtoras.

5 de dezembro de 2013

The Amazing Spider Man 2: Primeiro trailer

Quando estreou em 2012 The Amazing Spider-Man, filme que oficializou o reboot à trilogia original realizada por Sam Raimi, não pude deixar de pensar que seria talvez muito cedo para dar nova vida à personagem - sobretudo quando um eventual enquadramento na continuidade que a Marvel estabeleceu com alguns dos seus outros super-heróis, a convergir em The Avengers, será impossível a médio prazo. A verdade é que a Sony, detentora dos direitos cinematográficos de Spider-Man, parece satisfeita com o estado da arte: The Amazing Spider-Man 2, com estreia prevista para o próximo Verão, viu hoje divulgado o seu primeiro trailer. Com muitos vilões e alguns easter eggs à mistura.


Fonte: io9

30 de outubro de 2013

X-Men: Days of Future Past: Primeiro trailer

Foi ontem divulgado o primeiro trailer para o próximo filme da franchise X-Men. Intitulado X-Men: Days of Future Past, esta nova longa-metragem baseia-se no arco narrativo homónimo publicado em 1980 em The Uncanny X-Men, de Chris Claremont, John Byrne e Terry Austin. Com uma história a alternar entre a época da trilogia original e a época de X-Men: First Class, Days of Future Past conta com ambos os elencos - Hugh Jackman, Ana Paquin, Halle Berry, Patrick Stewart, Ian McKellen, Ellen Page, Jennifer Lawrence, Michael Fassbender, James McAvoy e Nicholas Hoult, entre outros. A realização está a cargo de Bryan Singer.

X-Men: Days of Future Past tem estreia prevista para 2014. Abaixo, o trailer.



Fonte: io9

23 de setembro de 2013

Marvel entra na live-action TV com Agents of S.H.I.E.L.D.

Apesar de as minhas (baixas) expectativas para com The Avengers terem sido goradas pela consistência do argumento de Joss Whedon, pela qualidade das interpretações e pelo ritmo praticamente perfeito de todo o filme, o cepticismo original transitou para Agents of SHIELD, a grande aposta da Marvel em televisão, também com Whedon ao leme. Por um lado, por parecer assentar num retcon muito duvidoso (a morte ou não-morte do Agente Coulson); por outro, devido ao meu desconhecimento mais ou menos geral quanto aos universos ficcionais da Marvel. O primeiro trailer, porém, dissipou muito desse cepticismo quando o vi pela primeira vez há algumas semanas; e ainda que continue de pé atrás quanto à ressurreição de Coulson (sempre quero ver como vai Whedon dar a volta à coisa sem desvalorizar aquele ponto de The Avengers), fiquei bastante curioso quanto à série - pelo menos, o suficiente para garantir que verei os primeiros episódios quando passarem na televisão portuguesa.

Agents of SHIELD estreia amanhã nos Estados Unidos. Por cá, tem estreia prevista em Outubro, na FOX. Abaixo, o primeiro trailer.

22 de julho de 2013

Comic-Con 2013 (1): Alguns destaques

Nos últimos dias decorreu a Comic-Con de San Diego, a maior convenção do seu género - repleta de novidades sobre o que esperar nos próximos tempos na fantasia e na ficção científica em livros, banda desenhada, filmes, televisão e videojogos. Vários portais internacionais fizeram uma cobertura exaustiva do evento, com todos os seus painéis de convidados, previews e apresentações. Alguns destaques mais ou menos breves (seguir-se-ão outros, com trailers):

Edge of Tomorrow: Desconhecia este filme de ficção científica realizado por Doug Liman (The Bourne Identity), adaptando para o cinema o romance All You Need Is Kill, do japonês Hiroshi Sakurazaka - mas será sem dúvida um projecto a acompanhar durante os próximos meses. Para já - e para além de alguns detalhes do enredo revelados na Comic-Con -, sabe-se que Edge of Tomorrow é um filme de ficção científica militar, que conta com Tom Cruise, Emily Blunt e Bill Paxton, e que incluirá power-armors. O que, diga-se de passagem, já é promissor q.b.. (io9)

Marvel: The Avengers 2, Guardians of the Galaxy e mais: Por mais que me tenha divertido no ano passado com The Avengers (uma excelente surpresa quando estava à espera de um fiasco), os universos ficcionais da Marvel continuam a ser-me um tanto ou quanto indiferentes. Mas o gigante dos comics apostou forte na Comic-Con e, entre as novidades relacionadas com as franchises de Thor e de Captain America deixou duas bombas: o subtítulo da sequela directa a The Avengers, Age of Ultron, dissipando assim quaisquer dúvidas sobre qual o vilão que se seguiria (e, pelos vistos, guardando Thanos - mostrado numa pequena sequência nos créditos do primeiro filme - para um capítulo futuro), e as primeiras imagens de Guardians of the Galaxy. Este filme conta com John C. Reilly, Zoe Saldana, Djimon Hounsou, Michael Rooker e Benicio Del Toro, e tem estreia prevista para o Verão de 2014. (io9)

World of Warcraft (filme): Que Duncan Jones estava ao leme da adaptação cinematográfica da mais popular (e lucrativa) propriedade intelectual da Blizzard Entertainment já se sabia há algum tempo - mas quem esteve em San Diego teve a oportunidade de ver um primeiro teaser do filme, mostrando, como não podia deixar de ser, um Orc e um Humano. A produção do filme deverá ter início em 2014. (Polygon)

Fontes: io9 / Polygon

5 de fevereiro de 2013

Blade, ou as singularidades do vampiro diurno

Podemos hoje achar, e não sem justificação, que o vampiro está muito desgastado enquanto criatura sobrenatural e motivo central para a construção de uma narrativa (literária, cinematográfica ou outra). Mas apesar de esse desgaste se ter acentuado (ou precipitado) nos últimos anos, as suas raízes são mais antigas. Pensemos no cinema: os anos 90 começaram com o sólido Bram Stoker's Dracula, de Francis Ford Coppola (1992), que abordou o livro clássico de forma mais ou menos livre e com um elenco de luxo; dois anos mais tarde, Neil Jordan adaptou para o cinema Interview With the Vampire, o popular livro de Anne Rice; 1996 foi o ano de estreia de From Dusk Till Dawn, de Robert Rodriguez; em 1998, dose dupla: o mestre John Carpenter mostrou Vampires, e Stephen Norrington adaptou Blade, personagem da Marvel, para o grande ecrã. E entre 2003 e 2004 o género conheceu o mediano Underworld e o sofrível e vagamente steampunkish Van Helsing. Esta breve lista, note-se, está longe de ser exaustiva, mas inclui alguns exemplos bastante conhecidos. E se é certo que nenhum dos filmes mencionados se aproxima sequer do formidável Let the Right One In, de 2008, nem por isso deixa de haver na lista alguns filmes muito interessantes - com ou sem desgaste. A seu tempo, falarei aqui de vários destes filmes; hoje, dedicarei o espaço a Blade.

A história de Blade é simples e muito directa, como convém a um filme de acção: o protagonista, Blade (Wesley Snipes naquele que terá porventura sido o seu mais icónico papel), é um vampiro muito invulgar: transformado ainda no útero, Blade possui a força e o apetite dos vampiros, mas envelhece como os humanos e, como os humanos, pode andar livremente ao Sol sem ser destruído. É habitualmente designado por Daywalker, e, em parceria com Whistler (Kris Kristofferson), dedica-se a eliminar os vampiros que vivem infiltrados entre os humanos e influenciam as sociedades ao sabor das suas conveniências, sem no entanto se revelarem abertamente. Mas Deacon Frost (Stephen Dorff) tem outros planos, e decide estudar uma profecia muito antiga para alcançar um poder ilimitado - e cabe a Blade pará-lo como puder. O que, entenda-se, é um excelente pretexto para muitos tiros, muitas explosões e várias sequências de acção bem doseadas de adrenalina.

O que se revela interessante em Blade é a forma como, sem em momento algum pretender ser algo mais do que aquilo que é - um filme de acção -, consegue introduzir algumas novidades e evitar alguns clichés num tema que, como vimos, era tudo menos novo. O protagonista distingue-se desde logo por ser um vampiro do lado dos "bons" (se vermos os filmes da época, esse posicionamento não era comum); mas mais do que a orientação moral de Blade, o que o distingue é a sua excepcionalidade de daywalker  - uma fuga à norma na trope dos vampiros que consegue ser muito bem fundamentada no contexto da própria convenção. E se o filme cai nos clichés do género em muitos momentos, noutros consegue evitá-los com distinção. O exemplo mais interessante será o da tentativa de Karen (N'Bushe Wright) de encontrar uma cura para o vampirismo - a sua breve pesquisa não lhe permite fazê-lo em tão pouco tempo, mas produz um resultado acidental: um composto que pode servir como arma. 

No resto, Blade é um filme que a todos os níveis é filho do seu tempo - aquele período entre The Crow e The Matrix no qual o cabedal preto parecia ser imagem de marca de qualquer filme de acção que se prezasse. E deixou legado: basta pensarmos em Underworld. Com um enredo firmemente ancorado ao sobrenatural e à "mitologia" dos vampiros, Blade - baseado num comic da Marvel - afastou-se do tom gótico que marcou tantos filmes do género para se centrar na acção em estado mais puro, território que explora com competência. Os efeitos especiais são uma das fraquezas do filme, é certo - mesmo para 1998 são demasiado fracos. As sequências de acção, porém, compensam essa debilidade, estando bem enquadradas dentro de uma narrativa ritmada que não se esquece das suas personagens. E mesmo que Blade não seja um portento dramático, em momento algum deixa de ser um tipo muito cool. O que, para o filme em questão, é mais do que suficiente. 07/10

Blade (1998)
Realizado por Stephen Norrington
Com Wesley Snipes, Stephen Dorff, Kris Kristofferson e N'Bushe Wright
120 minutos

11 de janeiro de 2013

Cinema fantástico: as estreias de 2013 (9) - Iron Man 3

O Homem de Ferro será porventura o super-herói da Marvel com melhores adaptações cinematográficas (com um primeiro filme bastante sólido e um segundo assim-assim), facto ao qual não é de todo alheio o talento de Robert Downey Jr.. Com The Avengers a revelar-se uma das surpresas de 2012 - e com um longo caminho a percorrer até Avengers 2 -, o terceiro capítulo dedicado ao super herói de Tony Stark acaba por ganhar um interesse renovado. Desta vez, o vilão é o Mandarin.

Iron Man 3 tem estreia prevista para Abril de 2013. Abaixo, o trailer.

30 de agosto de 2012

Joss Whedon prepara série televisiva de S.H.I.E.L.D., no universo de The Avengers

No seguimento do enorme sucesso de The Avengers, Joss Whedon conseguiu não só garantir a realização da sequela ao filme da Marvel, como também vai escrever - e realizar, se possível - o episódio piloto de uma série sobre a organização S.H.I.E.L.D. para a estação televisiva ABC. O irmão e a cunhada do realizador, Jed Whedon e Maurissa Tancharoen (que também colaboraram na série televisiva Dollhouse), estarão a cargo deste projecto, que não será um spin-off do filme, mas uma narrativa autónoma.

Fonte: The Verge

22 de maio de 2012

The Avengers

Admito logo à partida que as minhas expectativas quanto ao filme The Avengers eram extraordinariamente baixas. Nunca fui fã dos super-heróis da Marvel - e, se excluirmos o primeiro filme do Spider Man, que é razoável numa tarde de fim-de-semana, e o primeiro filme do Iron Man, que é muito aceitável, os restantes filmes que vi (não foram todos) pareceram-me demasiado insípidos, e anularam qualquer interesse que pudesse ter em ver outros. Por outro lado, o conceito de The Avengers, mesmo em banda desenhada, parece-me forçado - a ideia de juntar tantos personagens e tantas narrativas distintas num só filme sempre me soou problemática. 

Dito isto, The Avengers é um filme excelente - o que, vindo de mim, é mesmo um grande elogio. Não merece as classificações elevadíssimas que lhe foram atribuídas no IMDb ou no Rotten Tomatoes, mas continua a ser um excelente filme. Quem estiver à procura de um filme denso, com significados ocultos, uma moral escondida e uma "mensagem" veiculada por uma "visão artística" (e todas essas coisas que a crítica usa como objecto onanístico nas páginas dos suplementos ditos "de cultura"), pode ir procurar noutro lado - não vale a pena sequer entrar na sala. Mas quem quiser gastar duas horas e meia a ver um óptimo filme de puro entretenimento com um guião muito inteligente e divertido, bons actores, gags mirabolantes, acção non-stop e efeitos especiais a condizer, então não precisa de procurar mais - The Avengers é o filme do momento. 

Joss Whedon conseguiu fazer o que muitos consideravam impossível - escreveu um argumento coerente envolvendo tantas personagens distintas e relevantes, com densidade e com um humor muito bem encadeado, que diverte sem cair no ridículo. Claro que na escrita de Whedon isto não surpreende - recordemos Firefly - mas não deixa de ser muito interessante ver o seu estilo aplicado a um universo de super-heróis tão distintos e individualizados. Já sabemos como funcionam os truques de Whedon - uma referência no aos cinco minutos vai gerar uma piada aos dez e uma recordação - para nova piada - aos quinze, e isso funciona muito bem. O ritmo da narrativa é excelente, acelerando e abrandando nos momentos certos, ao sabor da história que vai sendo contada - com os momentos de acção a serem na sua generalidade muito bons, com efeitos especiais excelentes (que, no entanto, não são o alfa e o ómega do filme, como acontece em tantos outros blockbusters) e desempenhos muito sólidos. É certo que alguns actores limitaram-se a cumprir o exigido - e fizeram-no bem, diga-se de passagem. Simplesmente não acrescentaram às suas personagens o carisma e o cunho pessoal que as poderia tornar memoráveis. Chris Evans representa aquilo que se pode esperar do Capitão América - mas não o torna numa personagem memorável. O mesmo se pode dizer de Chris Hemsworth e Thor (ainda que um pouco menos), e de Jeremy Renner e Hawkeye. Não estão mal, de todo - cumprem o seu papel, são competentes, mas limitam-se a isso. Isto nota-se sobretudo pelo contraste com os restantes actores. Do Tony Stark/Iron Man de Robert Downey Jr. não vale a pena dizer muito - Downey Jr. é um excelente actor, carrega às costas o humor do filme e praticamente todas as cenas em que entra são excelentes (de resto, não é por acaso que dos restantes filmes da Marvel, os do Iron Man sejam talvez os melhores). Mark Ruffalo, para minha surpresa, consegue encarnar muito bem o espírito de Dr. Jekyll e Mr. Hyde no personagem de Bruce Banner, sempre atormentado pelo monstruoso Hulk, até ao momento em que finalmente o aceita e controla. Scarlet Johansson entra muito bem no papel da Black Widow, e tem provavelmente a "apresentação" mais divertida do filme. E Tom Hiddleston faz um Loki excelente, com tudo o que se pode esperar de um bom vilão numa história de super-heróis. 

Referi acima os efeitos especiais como uma das vertentes positivas do filme, mas neste campo não posso deixar de referir um aspecto negativo: o 3D. É verdade que nos dias que correm praticamente todos os filmes de acção recorrem ao 3D, mas sejamos francos - ou o objectivo é fazer algo como Avatar (que, independentemente das questões narrativas, é extraordinário do ponto de vista visual), ou enfia-se a viola no saco e fica-se nas boas e velhas duas dimensões. O 3D em The Avengers faz lá tanta falta como o Spider Man - nenhuma. 

Dizer que The Avengers é o melhor filme de super-heróis de sempre pode soar a exagero - há pelo menos dois filmes do Batman (o original de Tim Burton, e The Dark Knight Returns, de Christopher Nolan) que lutam por esse lugar. No entanto, a comparação peca por injusta - Batman é muito diferente dos heróis da Marvel, e por isso os filmes acabam por ser necessariamente diferentes. A verdade é que The Avengers seria porventura o filme da Marvel mais difícil de contar - e tornou-se no melhor. Podemos mesmo dizer: The Avengers é um grande filme. Não será um clássico do cinema em termos gerais, mas é a prova definitiva de que há outros super-heróis que funcionam no cinema para além do homem-morcego. E é a definição de entretenimento em estado puro - duas horas e meia de acção, adrenalina, eye-candy e gargalhadas. Não se pode pedir mais. 08/10