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3 de fevereiro de 2014

This happening world (3)

No blogue de gaming da Forbes, Erik Kain pergunta: estará na altura de deixarmos a visão de Peter Jackson da Terra Média de Tolkien para trás? Sim. E repito: sim. O trabalho do neozelandês na adaptação cinematográfica da trilogia The Lord of the Rings foi notável a todos os níveis (já aqui o defendi várias vezes), mas a verdade é que a iconografia dos três filmes tornou-se praticamente na imagem "oficial" daquele universo ficcional (para além de The Hobbit já acusar o desgaste em demasia). Kain coloca bem a questão: está na altura de dar a oportunidade a outras interpretações, se possível mais próximas da fonte. Uma tarefa sem dúvida hercúlea - tal como os três livros originais de Tolkien projectaram uma vasta sombra sobre toda a fantasia literária durante anos, é bem possível que a visão de Jackson condicione quaisquer adaptações audiovisuais da Terra Média. 

No Tor.com, Leah Schnelbach desmonta o extraordinário Groundhog Day nos seus vários elementos constituintes - e mostra como consegue subverter todos os géneros dos quais retira ideias e influências. A análise de Schnelbach é detalhada e inteligente, analisando todas as peças que fazem desta comédia romântica com Bill Murray e Andie MacDowell um filme especialmente difícil de caracterizar - mas inesquecível tanto na sua premissa como na forma irrepreensível com que a executa e a leva às últimas consequências.

Na Kirkus Reviews, Andrew Liptak (do SF Signal) recorda Arthur C. Clarke - o cientista e o escritor. Qualquer dia é um bom dia para recordar Clarke, e Liptak fá-lo de forma tão sucinta como completa: da sua descoberta do género à sua carreira científica e do desenvolvimento da teoria que possibilitaria a utilização de satélites geoestacionários; da influência de Olaf Stapledon à parceria com Stanley Kubrick para 2001: A Space Odyssey, clássico maior do cinema de ficção científica (e não só). 

Dose dupla da Telltale Games: Segundo episódio de The Wolf Among Us com lançamento previsto para os próximos dias; e segundo episódio da segunda temporada de The Walking Dead, ainda sem título, anunciado "para breve". (via Polygon)

Ao que parece, Duke Nukem está de volta - e desta vez em formato de action role-play. Depois do fiasco de Duke Nukem Forever, as expectativas não são elevadas; mas talvez saia daqui algo interessante. Só é pena que a equipa da Interceptor tenha deixado em águas de bacalhau o seu projecto de actualização do vetusto Duke Nukem 3D. (via Rock, Paper, Shotgun)

17 de dezembro de 2013

The Hobbit: The Desolation of Smaug: Nem tudo o que reluz é ouro

Peter Jackson continua o périplo pela Terra Média de Tolkien com The Hobbit: The Desolation of Smaug, o segundo capítulo da trilogia que adapta The Hobbit para o grande ecrã - no ano passado estreou o primeiro filme, An Unexpected Journey, e em Dezembro de 2014 deverá estrear o terceiro e último capítulo da trama, There and Back Again. Uma opção que, recorde-se, foi muito criticada em alguns quadrantes e recebida com um entusiasmo cauteloso noutros. Olhando agora para trás, admito algum excesso de entusiasmo na minha análise ao filme - as falhas do filme não me impediram de apreciar muito um regresso à Terra Média, sobretudo com o eye candy que Jackson e os feiticeiros da Weta Workshop produziram. An Unexpected Journey revelou-se um filme interessante, sem dúvida, mas se o fosse reavaliar hoje dar-lhe-ia menos um ponto: houve alguns problemas de ritmo, e esteve sempre um tanto ou quanto perdido entre o tom infantil e a estrutura de fábula da sua fonte, e o seu papel enquanto sequela da aclamadíssima trilogia The Lord of the Rings, mais adulta, solene e sombria. 

Para todos os efeitos, Peter Jackson conseguiu resolver esse problema quase na totalidade: ao afastar-se tanto do tom mais infantil de algumas cenas do primeiro capítulo como da solenidade de The Lord of the Rings, The Desolation of Smaug acaba por ser um filme mais coeso e harmonioso na junção dos seus vários elementos. O que Jackson não evitou foi a armadilha dos segundos capítulos das trilogias - e infelizmente, as costuras de todo o projecto ficaram bem à vista. (spoilers)

5 de novembro de 2013

The Hobbit: The Desolation of Smaug: Novo trailer

O mais recente trailer de The Desolation of Smaug, o segundo capítulo da trilogia The Hobbit, revela bastantes detalhes sobre a abordagem escolhida por Peter Jackson para a sua divisão da história de Tolkien em três partes - com a inclusão de algumas personagens novas (ver: Tauriel e, no caso, Legolas) e, pelos vistos, com mais algumas voltas em redor da mítica Arkenstone. De qualquer forma, há aranhas (primas de Shelob, e pelos vistos tão creepy como esta), há a cidade de Laketown, as ruínas de Dale, a fortuna imensa de Smaug. E, claro, Beorn.

The Hobbit: The Desolation of Smaug tem estreia prevista para Dezembro. Abaixo, o mais recente trailer.


Fonte: io9

24 de setembro de 2013

A Terra Média segundo Peter Jackson (3): A conclusão épica de The Return of the King

Após 357 minutos divididos de forma muito eequitativa por dois filmes (não contando com os extras, entenda-se), eis-nos chegados enfim a The Return of the King, o último capítulo da trilogia The Lord of the Rings que Peter Jackson adaptou para o cinema a partir do clássico de fantasia épica de J. R. R. Tolkien. Uma tarefa colossal, diga-se de passagem - transpor a (quase) totalidade da Guerra do Anel que marcou o fim de Sauron, o último dos comandantes de Morgoth, e da Terceira Era da Terra Média. E, para deixar o óbvio resolvido, um desafio que Peter Jackson superou com distinção, concluindo a trilogia com um terceiro filme a todos os níveis notável. 

É certo que, aqui chegados, é inevitável equacionarmos as muitas alterações que a adaptação cinematográfica impôs à narrativa original, e considerarmos o impacto dessas alterações nos temas abordados por Tolkien no seu épico. Como não poderia deixar de ser, muitas das decisões de Jackson no decurso desta adaptação são questionáveis - mesmo entendendo que, dada a diferença fundamental de ambos os meios, seria impossível uma transposição cena-a-cena funcional. Talvez a mais dúbia - até mesmo que a omissão de Tom Bombadil no primeiro filme - seja a eliminação absoluta da passagem The Scouring of the Shire, momento importante na narrativa literária pela afirmação definitiva dos hobbits ao confrontarem-se com a devastação da guerra até na sua pequena e insignificante terra. Noutros momentos, porém, nota-se um trabalho cuidado de equilíbrio narrativo, especialmente visível no desenvolvimento de Frodo, Sam e Gollum: dando fôlego à história destas três personagens, os argumentistas puderam mover, com claro benefício para a trilogia no seu todo, a passagem de Cirith Ungol e o confronto com Shelob para o terceiro filme (nos livros, tem lugar em The Two Towers). 


Em termos narrativos, The Return of the King começa por resolver um mistério que persiste desde a passagem da Irmandade por Mória: qual a origem de Gollum, a criatura que em tempos possuiu o Anel, e que segue Frodo, dissimulado? Num longo e fascinante prólogo em formato de flashback, The Return of the King abre com uma pacata cena de pesca entre Sméagol e Déagol, da variedade Stoor dos Hobbits, que cedo se torna violenta quando Déagol encontra um anel no leito do rio, e Sméagol o reclama para si. Nasce assim Gollum, condenado ao exílio ao apoderar-se do anel que Isildul arrancara da mão do próprio Sauron. Uma vez mais, a interpretação de Andy Serkis merece destaque - encarnando Gollum na perfeição, na sua transformação de um Hobbit comum para uma criatura vil e miserável - colocando em perspectiva o tremendo fardo que Frodo transporta para Mordor.


Findo o prólogo, The Return of the King retoma as várias histórias deixadas no final de The Two Towers - com os elementos sobreviventes da Irmandade (à excepção, claro, de Frodo e Sam) a reunirem-se nas ruínas de Isengard. A edição especial em DVD inclui neste ponto uma cena adicional de grande importância, ao dar um fim lógico ao enredo de Saruman - mas a versão que esteve em exibição deixou, erradamente, essa ponta solta, qual gato escondido com o rabo de fora. Uma reunião, porém, que pouco durará - deixando Aragorn, Legolas, Gimli e Merry em Rohan, Gandalf parte com Pippin para Gondor, com o propósito de preparar o reino para a ofensiva iminente de Mordor. E cedo as forças de Gondor, comandadas por Faramir, se vêem obrigadas a ceder a cidade de Osgiliath e a recuar para a cidade-fortaleza de Minas Tirith.


Mas Denethor, Mordomo de Gondor, amargurado pela morte de Boromir e alheio à guerra que já se trava no reino que jurou proteger, recusa pedir ajuda a Rohan - obrigando Gandalf a tomar a suas próprias medidas para tentar travar o avanço das forças de Sauron. Em Rohan, começam os preparativos para a longa marcha para Minas Tirith, e para a guerra - mas Aragorn, sob indicação de Elrond (que reforjou Narsil, a espada com que Isildur cortara o Anel da mão de Sauron, e a renomeou Andúril), opta por se separar das forças de Théoden e segue por um caminho mais perigoso, a fim de conseguir aliados tão poderosos como improváveis.


Entretanto, Frodo e Sam seguem Gollum por um caminho muito próximo de Minas Morgul, antiga cidade de Gondor conquistada por Sauron e ocupada pelo temível Witch-King of Angmar, o mais temível dos seus comandantes. Esse caminho leva-os às escarpas de Cirith Ungol, lugar tenebroso onde habita um mal antigo e terrível: Shelob, descendente de Ungoliant, uma aranha gigantesca que habita as passagens e as grutas daquelas montanhas caçando tudo o que por lá passa - e não perdendo a oportunidade de atacar Frodo, numa das mais poderosas cenas de toda a trilogia.


Em termos visuais, The Return of the King consegue superar a elevadíssima fasquia que The Two Towers estabelecera - a fotografia é soberba, os planos são impressionantes de forma consistente ao longo de mais de três horas, e os efeitos especiais são a cereja em cima de um bolo de confecção irrepreensível. Uma vez mais, as belíssimas paisagens naturais da Nova Zelândia foram utilizadas para retratar a Terra Média, ainda que um pouco menos do que nos filmes anteriores - neste terceiro capítulo, os efeitos especiais e as CGI brilham em todo o seu esplendor - basta pensarmos, por exemplo, no impressionante (e assustador) detalhe de Shelob, na soberba recriação da cidade branca de Minas Tirith e, sobretudo, nas enormes batalhas.


Talvez o adjectivo "enorme" não faça justiça à dimensão da batalha de Pelennor Fields tal como Peter Jackson a filmou e recriou. Não há, em toda a história do cinema, muitas batalhas que se lhe possam comparar na sua dimensão avassaladora, no seu carácter eminentemente épico, na fluidez narrativa que acompanha os vários lados em confronto, dando uma perspectiva global do confronto sem no entanto deixar de acompanhar as várias personagens envolvidas - e sem deixar de dar atenção ao detalhe. A batalha de Helm's Deep em The Two Towers já fora climática (e, como disse, tenho um soft spot pela Última Marcha dos Ents), mas Pelennor Fields eleva a fasquia para alturas impossíveis. Quem duvidar, reveja a carga da cavalaria de Rohan.


Infantaria e cavalaria aos milhares, elefantes gigantescos, dragonetes com Naz-gûl, e até espectros - Pelennor Fields incluiu tudo em porções generosas e bem temperadas. E ainda deixou tempo para um último confronto, às portas de Mordor - perante o olhar atento de Sauron.


Como já disse a propósito de The Two Towers, a banda sonora de Howard Shore é notável, acompanhando na perfeição cada momento do filme. Também o elenco está à altura do desafio - Viggo Mortensen interpreta na perfeição um Aragorn primeiro dividido, por fim resoluto na sua missão e na sua herança, mas sempre humilde; Elijah Wood e Sean Astin fazem uma dupla extraordinária como Frodo e Sam - o primeiro pela força que dá ao tormento que o anel causa ao hobbit, e o segundo pela determinação quem imprime a cada gesto e a cada deixa da sua personagem, ferozmente leal ao seu amo e amigo. Andy Serkis é superlativo como Gollum - mesmo até ao seu momento de glória, que é também o seu momento final. Merecedora de destaque é ainda a interpretação de John Noble como Denethor, o Mordomo de Gondor consumido pelo rancor, pelo desejo de uma posição que não é a sua, e pela loucura que o levou a desafiar poderes maiores do que o seu. 


Ainda que tenha omitido a passagem The Scouring of the Shire, Peter Jackson nem por isso poupou nos finais para este terceiro capítulo - entre o fim da missão de Frodo e o início dos créditos passam longos minutos, onde se explica o destino, mais ou menos imediato, das várias personagens que participaram em tão grande aventura. Uma opção criticada por muitos, por alongar em demasia o filme - mas, dadas as dimensões da história a ser contada, é difícil imaginar outra forma de atar as pontas soltas (uma simples narração não teria a mesma força - como a cena de Gondor atesta). Independentemente tais considerações, ou de outras liberdades artísticas, a verdade é que, com The Return of the King, Peter Jackson encerrou em grande a sua visão cinematográfica da Terra Média de Tolkien - culminando longos anos de trabalho e mais de três horas de filme num épico notável que mereceu cada prémio que conquistou - e conquistou muitos. Uma justa adaptação para o cinema de uma das maiores criações literárias que a fantasia já conheceu. 9.8/10


The Lord of the Rings: The Return of the King (2003)
Realizado por Peter Jackson
Argumento de Peter Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Stephen Sinclair com base na obra de J. R. R. Tolkien
Com Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Andy Serkis, Viggo Mortensen, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Dominic Monaghan, Billy Boyd, John Noble, David Wenham, Miranda Otto, Cate Blanchett, Bernard Hill, Karl Urban, Liv Tyler e Hugo Weaving.
201 minutos

17 de setembro de 2013

A Terra Média segundo Peter Jackson (2): The Two Towers, ou como no meio pode estar a virtude

Um dos problemas mais comuns de uma trilogia, seja literária ou cinematográfica, reside na segunda parte da história - no livro ou no filme "do meio", que se vê obrigado a alargar o mundo ficcional estabelecido na primeira parte e deixar o terreno preparado para o desenlace esperado para a terceira. Uma tarefa por vezes ingrata, esta de servir de ponte entre o início e o final de uma história. Tolkien contornou-a de forma curiosa, ao optar por ignorar a divisão editorial e manter-se fiel à sua própria estrutura interna (os seis livros) enquanto, em simultâneo, concluiu o quarto livro (a segunda parte de The Two Towers) com o excelente cliffhanger de Sam em Cirith Ungol, após a luta desesperada contra a terrível Shelob. Já Peter Jackson optou por algo mais convencional na sua adaptação de The Two Towers: explorar as várias histórias separadas no final de The Fellowship of the Ring até ao ponto em que cada uma delas alcançasse um final lógico na narrativa, com esse final a estabelecer com firmeza as fundações do capítulo final da história. Pesem embora algumas alterações significativas no detalhe mas talvez menos importantes no todo narrativo, a adaptação de The Fellowship of the Ring de Peter Jackson manteve-se sempre muito próxima do livro de Tolkien - até ao momento final, movendo a separação da Irmandade e a morte de Boromir do segundo para o primeiro capítulo da trilogia. Uma alteração inteligente por permitir que o arco narrativo do primeiro filme terminasse de forma digna e coerente, abrindo o caminho para o segundo. Mas em The Two Towers, o realizador e os argumentistas tomaram mais liberdades criativas, não só alterando a ordem de vários acontecimentos (algo fundamental) como também acrescentado várias cenas originais e modificando de forma drástica o carácter de algumas personagens - com Faramir a ser o caso mais flagrante. Mas já lá iremos.


Na impossibilidade de manter a divisão de Tolkien, separando a história de Frodo e Sam da aventura dos restantes membros da - agora extinta - Irmandade, Jackson optou por misturar as duas (três) ramificações, acompanhando em simultâneo as várias personagens à medida que estas viajam pela Terra Média, entre a Torre de Orthanc em Isengard e a Torre de Barad-dûr em Mordor. Frodo e Sam, sozinhos e perdidos em Emyn Muil, encontram por fim Gollum, a segui-los desde Mória - recriado pelas mais sofisticadas técnicas de motion capture da época e interpretado de forma inesquecível por Andy Serkis -, que acaba por ser coagido a guiá-los para Mordor através dos vastos Pântanos dos Mortos. Mas pelo caminho encontram Faramir, irmão do (falecido) Boromir, com vários soldados de Gondor; e o rumo da sua demanda, entre o carácter traiçoeiro de Gollum e a fraqueza dos Homens, torna-se incerto...


Do outro lado do rio Anduin, Aragorn, Legolas e Gimli percorrem Rohan no encalço dos Uruk-hai que mataram Boromir e capturaram Merry e Pippin. Pelo caminho encontram Éomer (Karl Urban), um comandante de Rohan banido por édito real de um Theoden (Bernard Hill) atormentado - que lhes indica ter morto os Uruk-hai nas imediações da sombria Floresta de Fanghorn. Lá encontram Gandalf, regressado da sua morte aparente no confronto com o Balrog em Mória - e, sabendo que os dois hobbits estão bem, partem com o feiticeiro para Rohan, com o propósito de resgatar o rei ao torpor que o assolou pela traição do conselheiro Gríma (Brad Dourif), e de preparar a resistência a Saruman, que reúne as suas forças em Isengard.


Em Fangorn, e após a dura travessia de Rohan com os Uruk-hai, Merry e Pippin encontram-se à guarda de Treebeard, um dos últimos Ents da Terra Média - os "pastores de árvores" que guardam a floresta desde os tempos antigos. Apesar de pachorrentos, os Ents são uma força considerável - e debatem entre si se devem entrar numa guerra que provavelmente não lhes dirá respeito. Mas a interferência dos dois hobbits poderá tornar possível algo muito inesperado para todos os intervenientes do conflito.


Nestas três histórias o espectador conhece várias personagens novas, desempenhadas com brio por um excelente elenco: de Éomer e Théoden a Éowin (Miranda Otto), irmã de Éomer e uma das poucas personagens femininas da história com verdadeiro destaque pelo seu desejo ardente de combater; Treebeard (com voz de John Rhys-Davies), a força melancólica de Fangorn; e Faramir (David Wenham), capitão de Gondor, desejoso de agradar a um pai que sempre o preteriu em favor de Boromir, e dividido entre o que fazer quando captura Frodo e descobre o Anel. É nesta personagem que se pode ver uma das mais relevantes alterações feitas em relação aos livros: a sua nobreza de carácter mantém-se, mas é adensada por uma maior ambiguidade moral que, surpreendente, o acaba por tornar numa personagem mais interessante (ainda que a resolução do seu conflito interno surja numa cena um tanto ou quanto problemática em Osgiliath).


Claro que, no que às personagens diz respeito, é o Gollum de Andy Serkis quem rouba todas as cenas. Serkis pega numa das melhores personagens de Tolkien e torna-a inesquecível com uma interpretação excepcional, que reproduz de forma singular a malícia e o carácter ambíguo de Gollum e o seu desejo pelo Anel, mas também a sua vertente atormentada pela longa posse daquele artefacto. A voz, os maneirismos, os gestos - tudo é perfeito naquela personagem, com os sofisticados efeitos especiais a serem conjugados com um desempenho de antologia.


Tal como em The Fellowship of the Ring, também em The Two Towers os cenários são extraordinários - às paisagens naturais belíssimas da Nova Zelândia juntam-se notáveis recriações de Fangorn, Edoras, Helm's Deep e os Pântanos dos Mortos. A banda sonora de Howard Shore continua soberba, com as músicas associadas a Rohan a merecerem destaque. Mas onde Peter Jackson eleva a parada é nas batalhas - abre com o espectacular combate entre Gandalf e o Balrog no abismo de Mória, as tensas escaramuças dos Uruk-hai com os cavaleiros de Rohan, e sobretudo com a imponência furiosa de Helm's Deep, uma das mais climáticas batalhas já vistas no cinema (pelo menos até chegarmos aos Campos de Pelennor no terceiro filme). Mas, e numa nota meramente pessoal, é a Última Marcha dos Ents que leva a taça - com o levantamento da floresta e a marcha de Treebeard e dos Ents (instigados por Merry e Pippin) contra Isengard a concluir em alta a história de Fangorn naquela que é a melhor cena da trilogia, com uma combinação perfeita de imagem, efeitos especiais e música.


Claro que, como disse acima, The Two Towers também ficou marcado pelas muitas liberdades criativas tomadas por Peter Jackson. Para além de Faramir, também Aragorn viu o seu carácter de herói relutante adensado, e o seu romance com Arwen explorado através de algumas cenas encaixadas de forma inteligente numa trama à qual a personagem de Liv Tyler não pertencia. O conflito de Rohan foi simplificado, para evitar excesso de personagens num elenco já de si vasto; mas os Elfos de Lothlórien juntaram-se à batalha de Helm's Deep, um afastamento radical da narrativa original que talvez não tenha sido explorado como devia (acabam por ser pouco relevantes para o resultado da batalha). E, claro, Osgiliath - com a cena entre Frodo, Faramir e o Witch-King a ser especialmente problemática, necessitando de uma interpretação mais... imaginativa para a explicar.


Mas por mais importância que se possa dar às suas fraquezas (e não são muitas), estas nem por isso diminuem o resultado final das três horas de The Two Towers. Sim, podemos questionar a pertinência de alguns desvios, de algumas cenas adicionadas em detrimento de outras omitidas, a falta de alguns momentos relegados para DVD. The Two Towers continua, apesar de tudo isso, a ser um filme estrondoso, de execução brilhante, que se soube construir sob a força narrativa do filme anterior e combinar um forte desenvolvimento de personagens com conflitos de uma escala épica poucas vezes vista no cinema. Pela sua natureza de "filme do meio" não poderia nunca ser um filme autónomo - mas não só cumpre a sua missão de ponte narrativa com um virtuosismo exemplar, como também eleva muito uma fasquia já de si altíssima. Numa palavra: excepcional. 9.5/10

The Fellowship of the Ring: The Two Towers (2002)
Realizado por Peter Jackson
Argumento de Peter Jackson, Fran Walsh, Philippa Boyens e Stephen Sinclair com base na obra de J. R. R. Tolkien
Com Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Viggo Mortensen, Christopher Lee, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Andy Serkis, Dominic Monaghan, Billy Boyd, David Wenham, Miranda Otto, Cate Blanchett, Bernard Hill, Karl Urban, Liv Tyler, Hugo Weaving e Brad Dourif.
179 minutos

10 de setembro de 2013

A Terra Média segundo Peter Jackson (1): The Fellowship of the Ring, ou o início da adaptação impossível

Não será talvez disparatado dizer que, em larga medida, a adaptação cinematográfica de The Lord of the Rings realizada por Peter Jackson foi, acima de tudo, simpleseficiente - por estranho que possa parecer empregar tais adjectivos para descrever uma série de três filmes de três horas cada (ou mais, se considerarmos as edições director's cut). A verdade é que o realizador neozelandês, fã assumido do universo literário de J. R. R. Tolkien, soube tratar a obra que adaptou com reverência, mas sem (demasiado) temor reverencial. Percebendo desde logo que, dada a dimensão dos livros, não poderia fazer uma transposição literal da página escrita para a película, Jackson não hesitou reordenar e reconfigurar os vários elementos para os ajustar à linguagem cinematográfica (necessariamente diferente da literária) e criar uma história fiel às suas origens, mas também um pouco ajustada ao público contemporâneo - e, por que não dizê-lo, também com um cunho um tanto ou quanto pessoal. O resultado foi exemplar: uma série de três filmes aclamados pelo público e pela crítica, que recuperou a obra de Tolkien para a ribalta e a mostrou como ela nunca antes tinha sido vista, num épico a todos os níveis impressionantes - porventura o mais extraordinário que o fantástico cinematográfico conheceu. 

Seguindo a ordem e os títulos dos livros, The Fellowship of the Ring foi o primeiro destes filmes, com estreia em 2001. Procurando cativar desde o primeiro momento tanto os fãs de Tolkien como um público que nunca lera os livros, Jackson abre o filme com um prólogo que começa assim, pela voz magnética de Cate Blanchett, magnífica no papel de Galadriel: 
The world is changed. I feel it in the water. I feel it in the earth. I smell it in the air. Much that once was is lost, for none now live who remember it. 
It began with the forging of the Great Rings. Three were given to the Elves, immortal, wisest and fairest of all beings. Seven to the Dwarf lords, great miners and craftsmen of the mountain halls. And nine, nine rings were gifted to the race of men, who, above all else, desire power. But they were, all of them, deceived, for another Ring was made. 
In the land of Mordor, in the fires of Mount Doom, the Dark Lord Sauron forged in secret a master Ring, to control all others. And into this Ring he poured his cruelty, his malice and his will to dominate all life. One Ring to rule them all.

A combinação da narração de Galadriel, da história quase mítica a ser contada, das imagens da Terra Média (toda ela filmada na Nova Zelândia) e da banda sonora evocativa de Howard Shore é perfeita: o universo literário de Tolkien não poderia ter melhor introdução no cinema. As curtas mas intensas cenas do Cerco de Mordor abrem o apetite para a grandiosidade das batalhas que a trilogia exibirá, sobretudo nos filmes seguintes (com Isengard, Helm's Deep e Pelennor Fields - mas lá iremos), e servem para exibir desde logo uma das principais características de The Lord of the Rings: o seu vasto passado, construído com um worldbuilding preciso e detalhado.


Do prólogo passamos para o Shire, soalheiro e verdejante, reminescente da Inglaterra rural que tanto encantou o velho professor britânico - o Shire, terra de Hobbits, onde repousa em silêncio um poder inimaginável. Frodo (Elijah Wood), o protagonista, é logo apresentado com Bilbo (Ian Holm) e Gandalf, o Cinzento (Iam McKellen), um feiticeiro ali conhecido sobretudo pelo seu fogo de artifício; e, com eles, os três outros hobbits que acompanharão o herói na sua demanda: Sam (Sean Astin), Merry (Dominic Monaghan) e Pippin (Billy Boyd). A festa do 111º aniversário do jovial e excêntrico Bilbo Baggins atraiu toda a gente das redondezas, e destacou-se pelo surpreendente desaparecimento do aniversariante - por obra e graça de um anel mágico, que o feiticeiro Gandalf suspeita ser um artefacto há muito perdido. Jackson mostra o Shire com gosto - adaptou de forma muito literal a célebre passagem "Concerning hobbits", mas não se prende; e cedo a leveza aparente da história dá lugar a uma sombra muito carregada, com a revelação do Anel.


É claro que Peter Jackson teve de sacrificar elementos relevantes para conseguir dar a The Fellowship of the Ring um ritmo narrativo adequado, capaz de equilibrar a introdução àquele universo fantástico com a apresentação das várias personagens e do conflito que está no centro da acção - e tudo isto com o dinamismo que um épico cinematográfico pede. O arranque da história, do aniversário de Bilbo à partida de Frodo, foi condensado - em momento algum se imagina que, no livro, passam 17 anos entre a partida de Bilbo e o regresso de Gandalf -, com os hobbits a moverem-se rapidamente para Bree com os terríveis Naz-gûl no encalço. Algumas personagens foram removidas - com destaque, para desgosto de muitos fãs, para Tom Bombadil*, o enigma que o próprio Tolkien nunca esclareceu, e de Glorfindel, substituído por Arwen Evenstar (Liv Tyler), trazida da obscuridade para a ribalta com o seu romance com Aragorn (Viggo Mortensen). Este, por seu lado, passou de herdeiro resoluto ao trono a um herói relutante. E também o final foi alterado, levantado directamente de The Two Towers.


Em termos gerais, as alterações foram acertadas e executadas com mestria - para um filme longo, a narrativa flui surpreendentemente bem, assente num argumento bem escrito, com ritmo e um excelente equilíbrio entre momentos de maior tensão e outros mais calmos. Bree, Weathertop, o Watcher in the Water, Moria, a Ponte de Khazad-dûm, Parth Galen - cenas de acção memoráveis, enérgicas, visivelmente tensas, em contraste com o encantamento de Imladris ou de Caras Galadhon, a ruralidade do Shire ou a imponência da travessia das Montanhas Azuis ou do Rio Anduin. Aqui, os cenários assumem um papel fundamental - as magníficas paisagens naturais da Nova Zelândia que Jackson, natural da ilha, soube aproveitar para tão extraordinário efeito.


Mas também o elenco transporta com sucesso o espectador para a Terra Média, e dá credibilidade a todo aquele mundo secundário - e mesmo a todas as alterações que Jackson, por um motivo ou outro, se viu obrigado a fazer na estrutura original da qual partiu. O Aragorn ambíguo que recriou não seria bem sucedido sem a gravitas e a solenidade de Viggo Mortensen, perfeito no papel. John Rhys-Davies dá ao anão Gimli a solidez necessária para que possa, em simultâneo, servir de comic relief sem perder a sua credibilidade. Ian McKellen é Gandalf, inevitavelmente - não poderia ser outro. Elijah Wood encarna, julgo que com mestria, o papel do atormentado Frodo - a sua vulnerabilidade é evidente, e assenta no papel que nem uma luva. E muito mais se poderia dizer de um elenco que tem, nas suas fileiras, actores do calibre de Christopher Lee (Saruman), Hugo Weaving (Elrond) e Sean Bean (Boromir, na perfeição), entre todos os outros já mencionados.


Em termos visuais, também é difícil encontrar em The Fellowship of the Ring pontos fracos. É pela comparação com o mais recente The Hobbit, carregadíssimo de computer-generated images, que se nota a inteligência dos truques de câmara que deram aos hobbits e a Gimli a sua estatura reduzida na presença das restantes personagens - mais realista, mais fluída. Tal como a excelente caracterização de todo o elenco, e sobretudo dos Orcs - um trabalho notável. O que, note-se, em nada desvaloriza os efeitos especiais - superlativos, ainda para os padrões de hoje. Basta vermos toda a sequência de Mória, a culminar no confronto entre Gandalf e o Balrog de Morgoth - um verdadeiro monstro de chamas e sombras, terrível na sua pormenorizada aparência. Impressionante. O som não fica atrás - os ginchos dos Naz-gûl ficam na memória, mas é a magnífica banda sonora de Howard Shore que acaba por elevar o filme, encaixando com subtil perfeição em cada cena ao ponto de ser impossível dissociar os cenários e as acções do filme.


Talvez não seja de todo errado dizer que The Lord of the Rings foi para as gerações actuais o que Star Wars terá sido para as gerações dos anos 70 - o épico cinematográfico por excelência, capaz de mudar de forma profunda a forma como os seus géneros respectivos (fantasia e ficção científica, respectivamente**) eram abordados no grande ecrã. The Fellowship of the Ring abriu a trilogia da Terra Média com chave de ouro, num filme onde quase tudo funcionou na perfeição - conseguindo a proeza de alcançar uma relativa autonomia dentro da narrativa maior que os três filmes constroem. Da formação da Irmandande à dissolução da Irmandade - o ciclo está completo, a história está pronta para os diferentes caminhos de The Two Towers. Um feito notável de Peter Jackson, numa adaptação especialmente feliz que abre o apetite para o capítulo seguinte e que estabeleceu um novo padrão para a fantasia cinematográfica. 9.5/10

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2001)
Realizado por Peter Jackson
Argumento de Peter Jackson, Fran Walsh e Phillipa Boyens com base na obra de J. R. R. Tolkien
Com Ian Holm, Ian McKellen, Elijah Wood, Sean Astin, Viggo Mortensen, Sean Bean, Liv Tyler, Cate Blanchett, Christopher Lee, John Rhys-Davies, Orlando Bloom, Dominic Monaghan, Billy Boyd e Hugo Weaving
178 minutos

* Em jeito de curiosidade, Tom Bombadil é uma das personagens que mais aprecio em todo o universo de Tolkien. E por mais que gostasse de o ver no filme, não consigo não apoiar a decisão dos argumentistas.

** Sim, pode argumentar-se que Star Wars é mais fantasia do que ficção científica, mas deixemos isso para outro dia.

12 de junho de 2013

The Hobbit: The Desolation of Smaug: Primeiro trailer revelado

Foi ontem revelado o primeiro trailer para The Hobbit: The Desolation of Smaug, o segundo capítulo da trilogia de Peter Jackson que adapta para o grande ecrã o clássico de J. R. R. Tolkien. E neste trailer já é possível ver com maior detalhe o reino de Thranduil (pai de Legolas), os barris, uma breve imagem das aranhas, as ruínas de Dale, Laketown e, claro, o fabuloso tesouro de Erebor, sem esquecer um Smaug ainda muito "digital" (que talvez não devesse ser mostrado num trailer).

The Hobbit: The Desolation of Smaug tem estreia prevista para Dezembro.

17 de janeiro de 2013

Cinema fantástico: as estreias de 2013 (15) - The Hobbit: The Desolation of Smaug

A primeira parte da trilogia The Hobbit, An Unexpected Journey, deu uma ideia muito concreta sobre o rumo que Peter Jackson está a dar a esta adaptação do livro de J. R. R. Tolkien. A introdução de Azog com um vilão com uma agenda própria indica alguns acontecimentos diferentes durante a Batalha dos Cinco Exércitos, e a apresentação de Sauron leva a crer que este poderá, de alguma forma, interferir no desfecho daquele conflito. Mas esse estará, para todos os efeitos, guardado para o último filme, There and Back Again; entretanto, ainda há o segundo filme, The Desolation of Smaug, que [spoilers] introduzirá Beorn (uma das minhas personagens preferidas no imaginário de Tolkien), levará Bilbo e a companhia de Thorin para Mirkwood - onde conhecerão as aranhas gigantes, os Elfos da Floresta e... barris. Muitos barris. Este filme chegará certamente à Cidade do Lago e à vasta "desolação de Smaug" em redor de Erebor - onde um Bilbo invisível encontrará o tesouro dos Anões e Smaug.

Resta saber se será neste segundo filme que terá lugar o confronto com Smaug, e como evoluirão as narrativas de Azog e do Necromante de Dol Guldur. Essas perguntas terão resposta no final de 2013, quando estrear The Desolation of Smaug. Ainda não há um trailer disponível, pelo que aqui fica uma imagem do extraordinário Martin Freeman no papel de Bilbo Baggins. 


19 de dezembro de 2012

A legendagem de The Hobbit: An Unexpected Journey

Sobre The Hobbit: An Unexpected Journey, há um problema sério que omiti no meu artigo de ontem por considerar que não é um problema do filme em si, mas sim da exibição do filme em Portugal: a legendagem. Não fixei o nome dos responsáveis pelas legendas, mas mereciam ser cozinhados pelos Trolls; a avaliar pelas legendas, percebeu-se que não só não fizeram qualquer trabalho de casa, como também não se preocuparam muito em confirmar os termos próprios do imaginário de Tolkien. O resultado é, por isso, vergonhoso e miserável (como se o flagelo do Acordo Ortográfico não fosse já suficiente). Alguns exemplos:

1) Nas linguagens élficas, a Montanha Solitária tem o nome de Erebor. Nas legendas portuguesas, porém, Erebor apareceu sempre como... Eriador. Ora acontece que, no universo de Tolkien, Eriador é o nome que é dado ao território situado a Leste das Montanhas Azuis e a Oeste das Montanhas Nebulosas. Isto não é um preciosismo linguístico; é uma confusão indesculpável que só pode ser explicada se admitirmos que os responsáveis pelas legendas não se deram sequer ao trabalho de ler um resumo da história na Wikipedia (quando deviam ter lido pelo menos uma vez o livro no qual o filme se baseia). 

2) Azog the Defiler foi traduzido como Azog o Gnomo. Dispensa comentários.

3) Durante o encontro de Gandalf com Radagast, este fala do seu encontro com as aranhas gigantes de Mirkwood, descrevendo-as como the spawn of Ungoliant. Nas legendas portuguesas, porém, recorrem a uma expressão idêntica a filhas de ungoliant, ou filhas de uma ungoliant. Faltou, uma vez mais, o trabalho de casa, pois Radagast não refere Ungoliant por acaso. Para resumir a coisa sem entrar muito nos acontecimentos de The Silmarillion,  Ungoliant é a terrível aranha gigante da Primeira Era da qual descendem todas as grandes aranhas da Terra Média - desde as aranhas gigantes de Mirkwood até Shelob.

4) A tradução de Dol Guldur como "Monte ao Sul" não é de todo precisa - foi utilizada na tradução portuguesa dos livros de Tolkien, ou também aqui as legendas meteram água?

Julgo que estes bastam para dar uma ideia do desastre - mas se alguém encontrou mais disparates de legendagem no filme, sinta-se à vontade para os partilhar. 

18 de dezembro de 2012

O regresso à Terra Média com The Hobbit: An Unexpected Journey

Ponto prévio em jeito de disclaimer: a haver claques na Fantasia como há na Ficção Científica, eu pertenceria claramente ao grupo que tem na Terra Média de Tolkien a sua grande referência e inspiração. Já li tudo o que me foi possível ler daquele mundo, tenho The Silmarillion como livro preferido de Tolkien e tenciono comprar e ler, quando tal me for possível, os doze volumes que compõem a vasta The History of Middle-Earth. Isto para dizer que à partida qualquer novidade sobre este universo fantástico seria (e será) recebida por mim com entusiasmo, ao qual se junta a inevitável subjectividade. Posto isto, passemos então para o tema deste artigo, que é o filme The Hobbit: An Unexpected Journey, a adaptação do clássico infantil de Tolkien por Peter Jackson, que há uma década surpreendeu e encantou o mundo ao levar para o grande ecrã o mundo imaginado pelo professor britânico. 

E podemos começar por eliminar desde logo o óbvio: sem querer de modo algum desvalorizar a trilogia The Lord of the Rings, que considero a todos os níveis notável, é importante notar que muito do impacto causado pelos três filmes foi também devido ao factor surpresa: poucos seriam aqueles que esperavam uma adaptação razoável de uma obra tão vasta, e provavelmente menos ainda seriam aqueles que imaginaram Jackson capaz de fazer três filmes daquele calibre. The Hobbit: An Unexpected Journey não poderia jamais beneficiar desse factor surpresa: já conhecemos bem a Terra Média, pelo que seria sempre muito improvável que superasse o hype. É possível que nas mãos de Guillermo Del Toro este novo filme (ou esta nova trilogia) se desmarcasse mais em termos visuais de The Lord of the Rings. Foi, porém, Peter Jackson quem acabou por assumir o projecto; e ainda que a decisão seja questionável, faz todo o sentido que Jackson tenha apostado numa continuidade em termos estéticos - até porque foi bem sucedido da primeira vez - ao invés de arriscar em algo novo.

19 de setembro de 2012

The Hobbit: Novo trailer e mais destaque narrativo para Radagast the Brown

Foi hoje divulgado o novo trailer de The Hobbit: An Unexpected Journey - que me fez recuperar algum optimismo para com esta produção, após o anúncio de que o projecto de dois filmes passa afinal a ser uma trilogia. Mas melhor do que falar sobre o trailer é mostrá-lo:



Entretanto, foram também divulgadas algumas novidades quanto à narrativa desta trilogia. Radagast the Brown, um dos cinco Istari que foi para a Terra Média na Terceira Era para ajudar os Elfos e os Homens a combater Sauron, terá mais destaque na narrativa da trilogia The Hobbit. O papel será interpretado por Sylvester McCoy (Dr. Who). 

Recorde-se que Radagast não chega a aparecer em The Hobbit (o livro), sendo apenas mencionado por Gandalf e Beorn (é também mencionado em The Silmarillion). Desempenha um pequeno papel em The Lord of the Rings, ao inadvertidamente ajudar Saruman a trair Gandalf, e, também de forma não intencional, ao ajudar Gandalf a escapar de Saruman. Escolhido pela valar Yavanna para acompanhar os restante Istari na sua missão à Terra Média, Radagast possui uma forte ligação à natureza e uma afinidade espontânea com animais - sobretudo aves - e plantas. Será sem dúvida interessante ver que papel Peter Jackson lhe revela na sua versão alargada da viagem de Bilbo à Montanha Solitária.

Fonte: io9

13 de agosto de 2012

The Hobbit: Novo trailer

Ou melhor, o mesmo trailer com duas ou três novas e fugazes cenas acrescentadas. De qualquer maneira, vale sempre a pena rever - nem que seja pela extraordinária balada dos Anões.



The Hobbit: An Unexpected Journey, a primeira parte da trilogia The Hobbit, de Peter Jackson, estreia em Dezembro. 

2 de agosto de 2012

The Hobbit: Conteúdos para a trilogia

Já se sabia, muitos antes da confirmação do terceiro filme, que The Hobbit iria incluir material exterior à narrativa do livro de J. R. R. Tolkien. O trailer indicava isso mesmo, ao introduzir Galadriel e ao mostrar (ainda que brevemente) Gandalf num local particularmente sombrio - que só poderá ser Dol Guldur. O que, convenhamos, faz todo o sentido, como qualquer pessoa que tenha lido The Hobbit pode facilmente verificar. 

Neste artigo no io9, Meredith Woerner avança com algumas ideias sobre os conteúdos que Peter Jackson poderá explorar e utilizar para expandir com sucesso esta adaptação para uma trilogia. Admito que continuo algo céptico e que nem todos me parecem verdadeiramente interessantes (percebo a necessidade de um romance, por exemplo - é cinema -, mas a coisa ainda parece mais forçada do que na trilogia The Lord of the Rings); no entanto, há ali algumas boas ideias - sobretudo em termos de desenvolvimento de personagens e, claro, a parte de Galadriel na fortaleza do Necromante. De resto, se Peter Jackson quiser fazer da Batalha de Dol Guldur e da Batalha dos Cinco Exércitos (mais o confronto com Smaug) algo tão atmosférico como foram as batalhas de Helm's Deep e de Pelennor Fields, tanto melhor.

30 de julho de 2012

The Hobbit: Projecto passa a trilogia

Peter Jackson confirmou os rumores que circulavam pela Internet há já alguns dias, desde a Comic-Con: The Hobbit, a adaptação cinematográfica do célebre livro de J. R. R. Tolkien, será dividido em três filmes, e não nos dois inicialmente previstos (The Hobbit: An Unexpected Journey e The Hobbit: There and Back Again). Não se sabe ainda o título do terceiro. Citando o anúncio do realizador no seu Facebook

It is only at the end of a shoot that you finally get the chance to sit down and have a look at the film you have made. Recently Fran, Phil and I did just this when we watched for the first time an early cut of the first movie - and a large chunk of the second. We were really pleased with the way the story was coming together, in particular, the strength of the characters and the cast who have brought them to life. All of which gave rise to a simple question: do we take this chance to tell more of the tale? And the answer from our perspective as the filmmakers, and as fans, was an unreserved ‘yes.' We know how much of the story of Bilbo Baggins, the Wizard Gandalf, the Dwarves of Erebor, the rise of the Necromancer, and the Battle of Dol Guldur will remain untold if we do not take this chance. The richness of the story of The Hobbit, as well as some of the related material in the appendices of The Lord of the Rings, allows us to tell the full story of the adventures of Bilbo Baggins and the part he played in the sometimes dangerous, but at all times exciting, history of Middle-earth. So, without further ado and on behalf of New Line Cinema, Warner Bros. Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer, Wingnut Films, and the entire cast and crew of “The Hobbit” films, I’d like to announce that two films will become three. It has been an unexpected journey indeed, and in the words of Professor Tolkien himself, "a tale that grew in the telling."
Pessoalmente, não vejo esta novidade como uma boa notícia. The Hobbit é um livro incomparavelmente mais curto do que a saga The Lord of the Rings - e se a adaptação desta se viu forçada, e bem, a deixar muitos elementos interessantes (Tom Bombadil) e importantes (The Scouring of the Shire) de fora, receio que alargar a adaptação de The Hobbit para três filmes vá implicar muito trabalho de encher chouriços - a menos que estejamos a falar de filmes mesmo curtos. 

É certo que os dois filmes previstos vão incluir muitas cenas que têm lugar na cronologia de The Hobbit, mas não na narrativa principal (como a reunião do Conselho Branco e a ida de Gandalf a Dol Guldur para enfrentar o Necromante, que é na verdade Sauron), e mesmo outros momentos interessantes, mas porventura não essenciais para a narrativa (como Beorn, por exemplo). É também inegável que os anexos de The Lord of the Rings e da restante obra de Tolkien tem conteúdo mais do que suficiente para inúmeros filmes (há, por exemplo, algumas curtas metragens amadoras muito boas feitas com base neste material). No entanto, sempre imaginei que a história contida na cronologia de The Hobbit seria suficiente para dois filmes sólidos e longos (a roçar as três horas), até por não haver muitos momentos de "pausa" na narrativa. Veremos o efeito desta decisão no ritmo narrativo dos filmes e no desenrolar do próprio enredo. 

Apesar das palavras de Jackson - das quais não tenho qualquer motivo para desconfiar -, isto parece-me mais uma tentativa de espremer um pouco mais a cash cow do que outra coisa qualquer. A ver vamos.

[fonte: Entertainment Weekly]

12 de julho de 2012

The Hobbit: Novas imagens

Depois dos estrondosos falhanços de Mass Effect 3 e de Prometheus, resta-me colocar todas as minhas fichas de entretenimento para 2012 em The Hobbit: An Unexpected Journey, a primeira parte da adaptação cinematográfica do clássico de Tolkien que serve de prequela a The Lord of the Rings. Após muitas atribulações, Peter Jackson - que adaptou a trilogia com sucesso -  aceitou regressar à Terra Média e realizar os dois filmes. Só estreia em Dezembro, já temos mais algumas imagens para abrir o apetite - ver na Entertainment Weekly. Para além, claro, do poster da Comic-Con.

E, para já, só coisinhas boas - para além da componente visual parecer muito boa, fica-se com a certeza de que a personagem de Beorn vai entrar no filme. É verdade que não seria problemático removê-la, mas Jackson parece apostado numa adaptação próxima da fonte. O que, diga-se de passagem, é excelente.