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16 de agosto de 2014

James Cameron (1954 - )

É bem possível que James Cameron fique para a história como o realizador que criou os maiores sucessos de bilheteira da história do cinema - os recordes milionários estabelecidos por Titanic em 1997 só foram batidos por Avatar em 2009. Mas a filmografia do realizador canadiano é mais do que os seus sucessos de bilheiteira, e o contributo que deu para a ficção científica cinematográfica dos últimos 30 anos é praticamente incomparável. Em 1984 fez estrear Terminator, sobre um andróide assassino (Arnold Schwarzenegger) enviado de um futuro pós-apocalíptico para o presente com o objectivo de eliminar Sarah Connor (Linda Hamilton), mãe daquele que será o líder da rebelião humana contra as inteligências artificiais da Skynet, que quase erradicaram a Humanidade; sete anos mais tarde deu continuidade à história em Terminator 2: Judgment Day, colocando o antigo vilão no papel de herói, e criando um novo terminator, o célebre T-1000 de Robert Patrick.

Cinco anos antes, em 1986, realizou uma incursão ao universo ficcional criado por Ridley Scott no final da década de 70 com Alien; compreendendo que repetir a atmosfera do original, optou pela via da ficção científica militar num filme de acção tenso como poucos. O resultado foi Aliens, um dos raros casos em que a sequela, nas mãos de outro realizador, se revela capaz de fazer justiça ao filme original. E entre Aliens e Terminator 2 houve ainda tempo para The Abyss, onde conseguiu explorar, num contexto de ficção científica, uma das suas grandes paixões: a exploração do fundo do mar (a título de exemplo, em 2012 desceu sozinho num submersível ao fundo da Fossa das Marianas).

Após mais de uma década afastado do grande ecrã (dedicou-se, entre outros projectos, à série televisiva Dark Angel), regressou em 2009 com Avatar, um êxito estrondoso que pulverizou recordes de bilheteira em todo o mundo e revolucionou as tecnologias de motion capture e que relançou toda a indústria do 3-D no cinema - ainda que, diga-se de passagem, poucos filmes estreados neste formato desde então conseguem ombrear com a experiência assombrosa de Avatar em IMAX 3D. Actualmente, Cameron encontra-se a trabalhar no regresso ao mundo de Pandora em três sequelas.

James Cameron nasceu a 16 de Agosto de 1954 em Kapuskasing, na província de Ontário, no Canadá, e celebra hoje o seu 60º aniversário.

Kapuskasing, Ontario,

15 de janeiro de 2014

This happening world (1)*

Assinala-se hoje o aniversário de Robert Silverberg, autor consagrado de fantasia e ficção científica, vencedor dos prémios Hugo e Nébula em várias categorias e um dos mais importantes antologistas que ambos os géneros conheceram na segunda metade do século XX. Distinguiu-se com livros como Tower of Glass (1970), A Time of Changes (1971) e The Book of Skulls (1972); com Lord Valentine's Castle, em 1980, abriu a série Majipoor; e entre a sua ficção curta premiada encontram-se títulos como Nightwings (1969), Passengers (1970), e Enter a Soldier. Later: Enter Another (1989). New Dimensions (vários números), Legends (1998) e Far Horizons (1999) são algumas das antologias que editou. Já aqui escrevi sobre Silverberg em mais detalhe no ano passado. 

É habitual a polémica em redor das nomeações e das shortlists dos principais prémios da fantasia e da ficção científica - leia-se, dos Hugos e dos Nébulas - começar pelo menos depois dos idos de Março, quando as listas são conhecidas e toda a gente pode começar a atirar lama para quem foi nomeado e não devia, e a glorificar quem não foi nomeado, mas devia (isto, entenda-se, de acordo com os gostos de cada um). Este ano começou mais cedo: Adam Roberts (nomeado este ano numa categoria do Prémio Hugo) abriu as hostilidades com chumbo grosso, e John Scalzi, vencedor do mesmo prémio no ano passado na categoria de "Best Novel", responde  na mesma moeda. O resumo é de Niall Alexander, no Tor.com.

Disney prepara uma limpeza no Extended Universe de Star Wars. A ideia, aparentemente, é preparar o terreno para os próximos filmes desta popular franchise de ficção científica. Na prática, porém, isso significa que centenas de histórias escritas por diversos autores para várias plataformas (de livros a bandas desenhadas e videojogos) vão conhecer, no que ao cânone diz respeito, o mesmo destino do planeta Alderaan em A New Hope. O artigo é de Lee Hutchinson no Ars Technica (e no Observation Deck por Ria Misra); os comentários ao artigo também merecem leitura. 

Sam Worthington e Zoe Saldana vão participar na trilogia Avatar, de James Cameron, que se seguirá ao filme original de 2009. A notícia é avançada pelo The Verge (via The Hollywood Reporter), e só poderá ser surpreendente neste ponto: Stephen Lang, o actor que interpretou o papel de Coronel Miles Quaritch, o vilão da história, também irá regressar. Como, é algo que só saberemos em 2016, data prevista para a estreia do próximo filme da franchise.

*O título para esta nova secção irregular, como é bom de ver, vem de John Brunner.

25 de setembro de 2012

A ficção científica e o cinema: Terminator 2: Judgement Day

Terminator 2: Judgement Day (1991) será porventura um dos raros casos em que uma sequela consegue superar o filme original. O que impressiona neste caso é que The Terminator é já um excelente filme - como superá-lo? A fórmula seguida por James Cameron foi simples: pegou nas pontas soltas de The Terminator, "reprogamou" (literalmente) o personagem de Arnold Schwarzenegger do duro vilão do primeiro filme para herói do segundo, e criou um vilão ainda mais ameaçador e memorável - T-1000, o Exterminador de metal líquido protagonizado por Robert Patrick (quem é que consegue ver Patrick noutro filme e não pensar em T2?).

Onze anos após os acontecimentos de The Terminator, Sarah Connor (Linda Hamilton) encontra-se detida  e John Connor (Edward Furlong) vive com uma família de acolhimento. No futuro, a Skynet envia um novo Exterminador para o passado com o objectivo de eliminar aquele que será um dia o líder da resistência, e desta vez o modelo enviado é substancialmente mais avançado do que o original T-800 - o T-1000, um sofisticado Exterminador feito de metal líquido, mais resistente, capaz de assumir várias formas e de tornar o seu próprio corpo numa arma tão aguçada quanto mortífera. Para o impedir de cumprir a sua missão, o futuro John Connor envia um reprogramado T-800 para o passado - mas como conseguirá ele ganhar a confiança de Sarah Connor e do John Connor de 1995 após um modelo exactamente igual ter tentado eliminá-los onze anos antes?

Se The Terminator já era um grande filme de acção, Terminator 2: Judgement Day eleva a fasquia para um patamar muito difícil de alcançar. A narrativa é vertiginosa sem no entanto perder a sua densidade - Cameron é, de facto, um contador de histórias exímio, e poucos realizadores sabem conjugar a acção mais intensa com uma história de ficção científica coerente e verosímil. Já o provara em The Terminator e Aliens (numa década muito inspirada, diga-se de passagem), e volta a fazê-lo em Terminator 2: Judgement Day. A história da Skynet e da sua perseguição ao líder da resistência no passado é suportada por um conjunto de personagens complexas e bem desenvolvidas - Sarah Connor no seu esforço de conjugar o que sabe do futuro com a educação do seu filho e mais uma fuga de um inimigo impiedoso, John Connor com um enorme fardo ainda por se tornar real, e o cyborg T-800 a tentar compreender as emoções humanas. E, claro, convém não esquecer T-1000, um dos vilões mais implacáveis que a ficção científica cinematográfica já conheceu. 

Os efeitos especiais, esses, foram os melhores do seu tempo - e ainda hoje se revelam bastante sólidos. Não admira que tenha ganho vários prémios neste departamento - Óscar incluído - e que, à data, Terminator 2: Judgement Day tenha sido o mais caro filme jamais realizado. Pessoalmente, diria que cada dólar gasto foi bem empregue - nem que seja para ainda hoje me poder maravilhar com os espantosos efeitos especials de T-1000.

Há tantas cenas memoráveis em Terminator 2: Judgement Day que é difícil escolher a melhor. O pesadelo de Sarah Connor com um parque infantil a ser incinerado por uma explosão nuclear? A destruição do cerco policial por T-800 com uma Gatling Gun e um lança-granadas sem matar polícias? A deixa hasta la vista, baby, imortalizada no filme? A "ressurreição" de T-1000 após o seu corpo congelado com nitrogénio líquido ser estilhaçado em milhares de pedaços? O inesquecível final? É difícil escolher uma - para além destas, há muitas mais, e o facto de tantas cenas do filme permanecerem na memória é prova indelével tanto da sua força narrativa como da sua qualidade estética. 8.9/10

18 de setembro de 2012

A ficção científica e o cinema: The Terminator

Apesar de o seu momento de glória - em termos de prémios - ter ocorrido com Titanic em 1997, James Cameron é associado com frequência à ficção científica - sobretudo a uma ficção científica mais orientada para a acção. Com Aliens, em 1986, realizou uma excelente sequela a Alien de Ridley Scott; no entanto, começou o seu percurso na ficção científica dois anos antes, em 1984, com o original e hoje clássico The Terminator

Feito à medida de Arnold Schwarzeneggee, The Terminator aborda o tema das viagens no tempo com o enquadramento do presente da narrativa a situar-se não no seu passado, mas num 2029 pós-apocalíptico ainda por concretizar. Em 1997, a rede de inteligência artificial Skynet, utilizada para o controlo dos sistemas de defesa dos Estados Unidos, ganhou consciência e desencadeou um holocausto nuclear, colocando a Humanidade à beira da extinção. Sob a liderança de John Connor, os sobreviventes formaram um movimento de resistência e desencadearam uma guerra contra as máquinas da Skynet, até ao ponto em que conseguiram destruir as suas defesas. Em desespero, a Skynet decide enviar para 1984 o cyborg T-800 (Arnold Schwarzenegger), um Exterminador com um único objectivo: eliminar Sarah Connor (Linda Hamilton), mãe do líder da resistência, John Connor, antes mesmo de ele nascer - impedindo assim que ele lidere o movimento de resistência. Como resposta, a Resistência envia para o passado um soldado, Kyle Reese (Michael Biehn), determinado a impedir que o Exterminador cumpra a sua missão.

Um dos aspectos interessantes deste filme é notar a abordagem “circular” de James Cameron ao tema das viagens no tempo, em parte idêntica na sua essência às abordagens de Chris Marker em La Jetée, de Terry Gilliam em Twelve Monkeys (ou, na literatura, à abordagem de Robert A. Heinlein em Time Enough for Love). Afastando-se do conceito clássico de paradoxo, Cameron opta por uma narrativa na qual todos os acontecimentos presentes e futuros estão interligados, independentemente do seu momento cronológico. Assim, John Connor só nasce devido à viagem no tempo efectuada pelo Exterminador para matar a sua mãe, Sarah Connor; da mesma forma, o breakthrough da Cyberdyne Corporation para a Skynet dá-se devido à tecnologia do Exterminador destruído no processo. No entanto, e este é o ponto interessante, o plano da Skynet assenta todo ele na assumpção de que a noção de paradoxo é válida, partindo do princípio que a eliminação de Sarah Connor no passado assegura a neutralização de John Connor no futuro. Dito de outra forma: a noção de paradoxo é imperativa para a anulação da própria noção de paradoxo - ou seja, é a própria Skynet quem, de forma indirecta, “cria” John Connor ao tentar prevenir que ele se torne no líder capaz de a destruir. 

Se do ponto de vista narrativo The Terminator se revela denso e estimulante, que se pode dizer da acção? Pouco mais do que isto: é excelente, e só será superada pela sua própria sequela em Terminator 2: Judgement Day. Pode-se questionar as qualidades de Arnold Scharzenegger enquanto actor, mas importa reconhecer que, no papel do Exterminador, está perfeito - lacónico, intimidante e brutal, capaz de destruir tudo aquilo que esteja entre si e o seu alvo. I'll be back, diz ele para a história do cinema, momentos antes de arrasar uma esquadra de polícia inteira. Memorável.

Hoje, The Terminator apenas parecerá datado nos penteados e no guarda-roupa - e quanto a esses, mais dia menos dia serão moda novamente. Sombrio, intenso e violento q.b., The Terminator marcou de forma indelével a acção na ficção científica, que a sua sequela viria a aperfeiçoar a um patamar que ainda hoje permanece entre o que de melhor se fez no género. 8.6/10

14 de agosto de 2012

A ficção científica e o cinema: Avatar

À (ainda recente) data do seu lançamento, em 2009, Avatar foi massacrado pela crítica e por muitos apreciadores de ficção científica devido ao seu pouco original argumento. Não tenciono, naturalmente, fazer aqui o papel de advogado do diabo e defender os méritos narrativos do épico de James Cameron - de facto, a história contada é simples, desinspirada e pouco original. Nada que não tenhamos já visto em outras incursões pelo fantástico, como Mononoke-hime, de Hayao Miyazaki, e noutros filmes fora do género, como Dances With Wolves ou Pocahontas. Entre muitos outros, decerto - não será certamente difícil levantar uma ou duas pedras e encontrar mais alguns filmes que abordam o velho tema do "homem de uma civilização superior" encontra "rapariga selvagem", apaixona-se por ela e passa para o lado dos "selvagens" para combater - com sucesso, claro, que o politicamente correcto exige finais felizes - os seus anteriores companheiros e destruir as suas pretensões imperialistas ou gananciosas. Avatar encaixa perfeitamente neste molde, recuperando o gasto mito do "bom selvagem" que se arrisca a ser "corrompido" ou "destruído" pela "civilização", a menos que seja - convenientemente - salvo por alguém dessa "civilização" que, por amor, decide regressar ao primitivismo. Neste caso em particular, é uma fusão curiosa do mito do "bom selvagem" de Rousseau com as preocupações ecologistas da sociedade contemporânea. Enjoativo? Um pouco.

No entanto, honra seja feita a Avatar - consegue contar esta história básica e repleta de moralidade vazia sem plot holes relevantes (partindo do princípio, claro, que bombardear o planeta a partir de órbita com bombas nucleares não seria opção), e com um módico de coerência. Afinal, seguir uma fórmula tão explorada como esta tem algumas vantagens óbvias. A primeira, do ponto de vista narrativo: pode não surpreender, mas flui a bom ritmo. A segunda é a familiaridade: as personagens encaixam em vários moldes que tão bem conhecemos, passam pelas dificuldades que esperamos que passem, resolvem o problema da maneira esperada, e tudo fica bem. A terceira, neste caso, é a ausência de pretenciosidade: Cameron não quis propriamente ganhar um Óscar pela escrita ou pela originalidade - quis, sim, contar aquela história que tão bem conhecemos à sua maneira. E é precisamente aqui que reside aquilo que torna Avatar num filme inesquecível.

De uma perspectiva meramente visual, Avatar não tem paralelo no cinema actual - foi, de longe, a mais elaborada e marcante experiência visual que o género conheceu em cinema desde Matrix, uma década antes. E, como Matrix no seu tempo, Avatar foi revolucionário ao mostrar que não só a famigerada tendência do 3D pode ser perfeitamente viável, como pode ser muito mais que um truque. Quem viu o filme em 3D numa boa sala de cinema saberá do que falo: Avatar não atira objectos para fora da tela, como outros filmes antes dele; antes transporta o público para dentro da tela, para dentro do espantoso mundo de Pandora, com a sua flora tão exuberante como alienígena e a sua fauna selvagem. Tal como Matrix marcou decisivamente o cinema - sobretudo o cinema de acção - ao mostrar um caminho a seguir (e quantos filmes não aproveitaram, e aproveitam ainda, o legado deixado pelos Wachowsky), Avatar mostrou como pode o 3D ser uma componente fundamental - e, por enquanto, irreproduzível fora da sala de cinema - para fazer o público entrar, quase literalmente, dentro da narrativa de um filme. Em resumo, uma exibição tecnológica formidável em formato de entretenimento.

E é precisamente isso que é Avatar: entretenimento em estado puro. Não há ali mensagem que não se conheça já, nem twists inesperados - apenas uma história simples narrada com um mínimo de competência e sem qualquer pretensão de grandeza (ao contrário de outros filmes recentes e de má memória), suportada por um worldbuilding e uma componente visual sem paralelo. Para muitos, e com toda a legitimidade, poderá saber a pouco. Para mim, é mais do que suficiente. 7.5/10

26 de junho de 2012

A Ficção Científica e o Cinema: Aliens

Realizar a sequela a uma obra-prima é uma tarefa que não está ao alcance de todos: a muitos faltaria a arte, e à maioria faltaria mesmo a coragem. A James Cameron não faltou uma ou outra quando decidiu realizar Aliens (1986).

Percebendo que não poderia limitar-se a repetir a fórmula do filme original de Ridley Scott para gerar aquele horror claustrofóbico que tornara Alien num filme tão especial, Cameron optou por mudar de registo: passou da combinação de ficção científica, suspense e horror para uma ficção científica mais orientada para a acção, sem contudo abdicar do suspense e de alguns sobressaltos. This time there’s more, anunciava a frase promocional do filme; e fiel à sua promessa, Cameron mostrou em Aliens muitos xenomorphs (e evitou de forma muito elegante a denominação “Alien 2”), e procurou dar algumas respostas que Scott omitira no primeiro filme (e que, com franqueza, não eram relevantes para o filme). Nomeadamente, a origem dos “ovos” de onde saiu o facehugger que atacou Kane e lhe plantou um xenomorph nas entranhas. A solução encontrada por Cameron é para muitos discutível, talvez por ser tão óbvia, mas pessoalmente gosto muito da Alien Queen.

Em Aliens, Ellen Ripley (Sigourney Weaver, uma vez mais) deixa de ser a sobrevivente do primeiro filme para assumir definitivamente o papel de heroína de acção. Encontrada após mais de cinquenta anos a vaguear em sono criogénico pelo vazio do espaço, Ripley é convidada a regressar a LV-426 - o planeta onde o xenomorph foi encontrado pela infeliz tripulação da Nostromo. O planeta fora entretanto colonizado, mas o contacto com a colónia foi interrompido. Desta vez, porém, ao invés de ter por companhia uma tripulação civil, Ripley é acompanhada por um pelotão de Marines cuja confiança nas suas capacidades apenas é comparável ao poder de fogo que transportam consigo. Mas o título do filme não alude aos Marines, mas aos xenomorphs, aos Aliens - e já sabemos como estes encontros costumam acabar.

Enquanto filme de acção, Aliens é um triunfo de James Cameron - perfeito no ritmo e excelente nos efeitos especiais (para a época), com uma excelente caracterização das personagens e um argumento bastante sólido (basta pensarmos na quantidade de deixas do filme que fazem hoje parte da cultura popular). Ripley evoluiu da sobrevivente solitária de Alien para uma autêntica heroína de acção, personagem que seria quase masculina não fosse a sua forte ligação maternal a Newt. Lance Henriksen brilha no papel do andróide Bishop, que, longe do frio calculismo de Ash no primeiro filme, procura ajudar Ripley a sobreviver ao terror dos xenomorphs. Carrie Henn, no único papel da sua carreira, representou uma Newt inesquecível, simultaneamente frágil e corajosa. O resto das personagens encaixa nos estereótipos da praxe - Marines, o tipo da corporação -, mas conseguem na sua maioria ter interesse e densidade suficientes para serem mais do que carne para canhão (mesmo que, na prática, sejam apenas carne para canhão).

O horror, esse, ficou um pouco remetido para segundo plano, mas Aliens tem momentos mais do que suficientes para justificar alguns saltos da cadeira ou do sofá. Os cenários mantiveram a influência original de H.R. Giger, que, combinados com os tons predominantemente sombrios em todo o filme, com os espaços apertados onde as personagens se movem e, claro, com a grande quantidade de xenomorphs, asseguram que há espaços escuros e claustrofóbicos mais do que suficientes para entusiasmar os adeptos do horror.

Não costumo entrar na discussão sobre qual dos filmes é melhor: se o primeiro, de Scott, ou se este, de Cameron. Há quem diga que Aliens supera o Alien; pessoalmente, prefiro o original, mas considero que esta sequela tem imenso mérito, e continua a ser um filme de cortar a respiração. Fossem todas assim. 8.8/10

(adaptado deste post do Delito de Opinião)