Diz-se na tradição oral que não há fome que não dê em fartura - um ditado que talvez se pudesse aplicar ao cinema português ligado ao fantástico, e sobretudo à ficção científica. Após anos sem um único filme que se aproximasse dos territórios temáticos ou estéticos da ficção dita de género, 2013 trouxe ao público português não uma mas duas longas-metragens, desenvolvidas por equipas internacionais e faladas em inglês, mas com um cunho assumidamente português. Em Agosto, estreou R.P.G., realizado por David Rebordão e Tino Navarro; e em Novembro, foi a vez de Collider, filme produzido pela beActive com base no argumento de Nuno Bernardo, e integrado numa experiência transmedia mais vasta que abrangeu uma banda desenhada, um webcomic e mesmo videojogos para sistemas de mobilidade e redes sociais. Uma experiência multi-plataforma sem dúvida ambiciosa na tentativa de conjugar vários meios para desenvolver uma narrativa, acabando por desaguar no filme que estreou em algumas salas de cinema do país.
E Collider começa de forma bastante promissora, apresentando cinco personagens que, sem saberem como ou por que motivo, se viram transportadas para um tempo e um espaço diferente - em concreto, para um hotel arruinado em Genebra num 2018 pós-apocalíptico, após um desastre no Large Hadron Collider do CERN ter praticamente aniquilado a Humanidade e povoado a noite com criaturas aterradoras. Este ponto é esclarecido por uma sexta personagem, Peter (Iain Robertson), um cientista que parece ser o único do grupo com uma noção, por vaga ou imprecisa que seja, do que aconteceu. A ideia de trabalhar o tema das viagens no tempo - e, vá lá, do pós-apocalipse - pela perspectiva de seis personagens vindas de momentos e de lugares diferentes é apelativa, e Collider cedo estabelece condições no mínimo enigmáticas; a tensão que se gera no grupo quando os vários desconhecidos se encontram funciona, e deixa antever um desenlace para o qual os conflitos internos serão tão ou mesmo mais importantes do que uma qualquer ameaça externa.
É por isso uma pena que, esgotada a curiosidade dos minutos iniciais, Collider acabe por se revelar um filme desconexo, sem ritmo e repleto de falhas lógicas, com um argumento mais preocupado em incluir ideias na premissa inicial do que em explorar algumas delas com a profundidade de que seriam merecedoras. Sempre através de technobabble, tão críptico como oco - como se pode ver pelo desenvolvimento do conceito de viagem no tempo (sempre pantanoso, é certo), carente de uma lógica interna que o sustente e que, mais do que racional, seja clara. Mas não é caso único; alguns dos elementos mais importantes do enredo, como as condições climatéricas daquele futuro pós-apocalíptico ou as terríveis criaturas que assombram a noite, não são explicados ou mesmo integrados no enredo - o primeiro é um plot device puro, mera conveniência narrativa; e o segundo, esse, é uma red herring tornada inconsequente até nesse papel por cenas de acção mal estruturadas e interrompidas com demasiada frequência por pausas inexplicáveis para conversas inenarráveis em cenas que se quereriam talvez com maior suspense. Uma ameaça vazia, em suma; são aquelas criaturas como poderia ser outra coisa qualquer. Paira em Collider uma promessa de sobrevivência, mas essa, como muitas outras, fica por cumprir.
É por isso uma pena que, esgotada a curiosidade dos minutos iniciais, Collider acabe por se revelar um filme desconexo, sem ritmo e repleto de falhas lógicas, com um argumento mais preocupado em incluir ideias na premissa inicial do que em explorar algumas delas com a profundidade de que seriam merecedoras. Sempre através de technobabble, tão críptico como oco - como se pode ver pelo desenvolvimento do conceito de viagem no tempo (sempre pantanoso, é certo), carente de uma lógica interna que o sustente e que, mais do que racional, seja clara. Mas não é caso único; alguns dos elementos mais importantes do enredo, como as condições climatéricas daquele futuro pós-apocalíptico ou as terríveis criaturas que assombram a noite, não são explicados ou mesmo integrados no enredo - o primeiro é um plot device puro, mera conveniência narrativa; e o segundo, esse, é uma red herring tornada inconsequente até nesse papel por cenas de acção mal estruturadas e interrompidas com demasiada frequência por pausas inexplicáveis para conversas inenarráveis em cenas que se quereriam talvez com maior suspense. Uma ameaça vazia, em suma; são aquelas criaturas como poderia ser outra coisa qualquer. Paira em Collider uma promessa de sobrevivência, mas essa, como muitas outras, fica por cumprir.

