Decorreu durante a semana que passou - entre Terça-feira, 27, e Sexta-feira, 30 de Novembro - a segunda edição, ou o segundo episódio, do colóquio internacional "Mensageiros das Estrelas", organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dedicado inteiramente à Fantasia e à Ficção Científica. De início, planeei assistir todos os dias a vários colóquios e a várias sessões plenárias, mas acabei por mudar de ideias - em parte por cansaço físico (os dias do Fórum Fantástico, no fim-de-semana anterior, foram excelentes mas desgastantes) e em parte por não ter paciência para os colóquios académicos portugueses (já explico). Ainda assim, assisti a várias sessões, e estou mais ou menos à vontade para deixar aqui algumas notas e considerações sobre o colóquio:
1. A iniciativa: Antes de mais, importa saudar a iniciativa - regra geral, os géneros do Fantástico não são recebidos com entusiasmo em Portugal, tanto no mercado editorial (salvo os best-sellers internacionais) como no meio académico, pelo que a organização de um colóquio académico todo ele dedicado ao Fantástico merece desde logo os parabéns. Ainda por cima quando se trata da segunda edição (e espero, com sinceridade, que chegue à terceira).
2. Os temas: Em termos gerais, o programa pareceu-me um pouco fraco - até em comparação com o anterior. Muito cinema, muita televisão, muito Fantástico da "moda" (leia-se: "muitos vampiros"), pouca literatura de ficção científica. Há que destacar, porém, algumas coisas muito boas e muito raras: uma sessão plenária com o britânico Adam Roberts, escritor e intelectual de ficção científica de primeira água; uma sessão plenária dedicada ao Fantástico nos videojogos (!), e uma sessão que juntou, na mesma mesa, o cineasta e escritor António de Macedo, o escritor Luís Filipe Silva, e (para minha surpresa), o professor Jorge Martins Trindade, que não só me aturou durante dois anos de faculdade, como me deu aquelas que terão porventura sido as mais relevantes lições de escrita que já tive: 1) sim, pode haver excesso de adjectivos, e 2) sim, pode haver excesso de advérbios de modo. Já falarei com mais detalhe sobre estas três sessões.

