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12 de novembro de 2012

Rosa Montero em entrevista ao Ars Technica sobre Tears in Rain

No Ars Technica, um artigo muito interessante sobre Tears in Rain (no original, Lágrimas en la lluvia), o recente livro de ficção científica da escritora espanhola Rosa Montero. Baseado numa entrevista à autora, o artigo tem como tema a influência de Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick, e Blade Runner, de Ridley Scott, nesta obra, na reflexão sobre a identidade e a memória artificial, sobre o ambiente noir-futurista e sobre a narrativa desenvolvida por Rosa Montero. O livro, recorde-se, está traduzido e editado em Portugal pela Porto Editora, e será lançada no final do mês a edição inglesa em paperback.

Fonte: Artur Coelho

27 de março de 2012

O caldo entornado

Lágrimas na Chuva, o mais recente romance de ficção científica da autora espanhola Rosa Montero, tem sido mencionado na imprensa portuguesa ao longo das últimas semanas - algo invulgar e sempre positivo para o género. A avaliar pela crítica e pela sinopse, a história parece interessante, com influências directas de Do Androids Dream of Electric Sheep? e Blade Runner. Só é pena que na própria sinopse impressa na contracapa do livro, e exposta no site, o(a) tradutor(a) e o(a) editor(a) tenham metido o pé na argola:

Uma série de replicantes parece estar a enlouquecer, cometendo assassinatos brutais e suicidando-se de seguida. A detetive Bruna Husky, uma replicante de combate, é contratada para descobrir quem e o que está por detrás desta onda de loucura coletiva, num entorno social cada vez mais instável. Entretanto, o arquivo central de documentação da Terra está a ser alvo de pirataria informática: uma mão anónima anda a manipular a História da Humanidade.

Em português, o que é um "entorno social"? A ideia era dizer "ambiente social" (ou algo do género)? O ou a responsável pela tradução distraiu-se? Os revisores meteram férias? Eu, que não consigo escrever duas linhas em espanhol e a falar não passo do mais rasco portunhol, apanho isto numa leitura na diagonal, e na Porto Editora - casa com longa tradição editorial - ninguém repara no "entorno"?

Como se o flagelo do acordo ortográfico não fosse suficiente. Que alguém me avise quando houver uma edição do livro em língua inglesa, por favor.

Adenda: leitora atenta indica que o termo "entorno", naquele contexto, existe de facto na Língua Portuguesa. O Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Bertrand não o reconhece (pelo menos na edição que aqui tenho); no entanto, encontrei-o no Houaiss. Isso, no entanto, não invalida o facto de a palavra "entorno", ainda que correcta do ponto de vista meramente semântico, não ter uso corrente prático e, como tal, ser uma péssima opção de tradução. Dito de outra forma: a partir do momento em que há formas mais simples e adequadas para o público-alvo do livro, aquela opção do tradutor é apenas ruído. De qualquer forma, aqui fica o reparo.

15 de março de 2012

Rosa Montero em entrevista

Não sei se é sinal, ainda que pequeno, de um maior receptividade do jornalismo cultural português para com a ficção científica, mas é interessante notar que o livro Lágrimas na Chuva (publicado em Portugal pela Editorial Presença), da jornalista e escritora espanhola Rosa Montero, tem sido falado na imprensa e recebido uma crítica no geral bastante positiva. Na última edição da revista Atual (nº2054, 10 de Março de 2012, página 29), do Expresso, a autora deu uma entrevista onde aborda o tema da ficção científica de forma muito interessante. Dois excertos:

Como se aventura na ficção científica?
Lágrimas na Chuva não é uma estreia. (...) Gosto de ficção científica como leitora e como escritora. Nos países latinos existe um preconceito absurdo contra a ficção científica. Apesar de nunca terem lido um livro do género, acreditam que trata de coisas muito estranhas e esotéricas. É um género maravilhoso e tem grandes obras literárias. E é também uma ferramenta metafórica para aprofundar a realidade.

Tem sofrido com o preconceito [da ficção científica]?
Menos do que pensava. Fiz este livro porque me apetecia fazê-lo. Sempre me senti muito livre. Sabia, antes mesmo de o escrever - por causa dos estudos de mercado -, que é o género menos apreciado em Espanha. Esperava que a crítica me recebesse mal, mas está a ser fenomenal. Também estou a ter uma resposta espantosa por parte dos leitores. Se servir para as pessoas perderem o preconceito e lerem escritores tão importantes como a Ursula K. Le Guin - que para mim é um dos maiores nomes da literatura do século XX -, ótimo.

A ler na íntegra, na edição impressa (ou online, se estiver disponível a assinantes).

[Nota: as passagens transcritas seguem o acordo ortográfico, adoptado pelo Expresso e todas as suas publicações. Em Andrómeda, escreve-se e escrever-se-à sempre no Português correcto, e não correto]