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14 de maio de 2014

This happening world (12)

Na sua coluna na Kirkus Reviews, Andrew Liptak (também do SF Signal) debruça-se sobre a história da Science Fiction Writers of America e da célebre, ainda que curta, série de antologias Science Fiction Hall of Fame - e, na sua página pessoal, publicou a entrevista completa que, a propósito do artigo, fez a Robert Silverberg, um dos gigantes do género, que sucedeu a Damon Knight na liderança da então ainda jovem SFWA e que promoveu a organização da primeira Science Fiction Hall of Fame. Para os interessados na história da ficção científica, tanto o artigo como a entrevista deverão ser leitura obrigatória.

Na Amazing Stories, Steve Fahnestalk continua a sua exploração dos juveniles do mestre Robert A. Heinlein - e Steve Davidson crítica com veemência a tentativa de apropriação ideológica de Heinlein por alguns sectores mais conservadores do fandom, numa época em que este se encontra especialmente (e estupidamente, acrescento) fragmentado em termos políticos (algo que, como Davidson bem aponta, Heinlein condenaria sem hesitação). 

No Tor.com, Alex Bledsoe explica por que motivo gosta mais de 2010 do que de 2001: A Space Odyssey. Ainda que a última frase do artigo seja um tanto ou quanto imbecil, o texto é interessante na separação que faz entre a exploração intelectual e tecnológica de Kubrick e a aposta na humanidade das personagens de Peter Hyams. 

Gavia Baker-Whitelaw, no portal The Daily Dot, analisa o erro fundamental da maioria das críticas mainstream ao filme Captain America 2: Winter Soldier, sobretudo no que à Black Widow de Scarlett Johansson diz respeito. E um erro que, diga-se de passagem, acaba por dizer mais acerca dos críticos do que da própria personagem em si, ou de qualquer outra personagem feminina do Marvel Cinematic Universe. 

Precisará a ficção especulativa de um novo movimento literário? A pergunta é de Charlie Jane Anders no io9; a resposta, essa, está longe de ser óbvia.

15 de janeiro de 2014

This happening world (1)*

Assinala-se hoje o aniversário de Robert Silverberg, autor consagrado de fantasia e ficção científica, vencedor dos prémios Hugo e Nébula em várias categorias e um dos mais importantes antologistas que ambos os géneros conheceram na segunda metade do século XX. Distinguiu-se com livros como Tower of Glass (1970), A Time of Changes (1971) e The Book of Skulls (1972); com Lord Valentine's Castle, em 1980, abriu a série Majipoor; e entre a sua ficção curta premiada encontram-se títulos como Nightwings (1969), Passengers (1970), e Enter a Soldier. Later: Enter Another (1989). New Dimensions (vários números), Legends (1998) e Far Horizons (1999) são algumas das antologias que editou. Já aqui escrevi sobre Silverberg em mais detalhe no ano passado. 

É habitual a polémica em redor das nomeações e das shortlists dos principais prémios da fantasia e da ficção científica - leia-se, dos Hugos e dos Nébulas - começar pelo menos depois dos idos de Março, quando as listas são conhecidas e toda a gente pode começar a atirar lama para quem foi nomeado e não devia, e a glorificar quem não foi nomeado, mas devia (isto, entenda-se, de acordo com os gostos de cada um). Este ano começou mais cedo: Adam Roberts (nomeado este ano numa categoria do Prémio Hugo) abriu as hostilidades com chumbo grosso, e John Scalzi, vencedor do mesmo prémio no ano passado na categoria de "Best Novel", responde  na mesma moeda. O resumo é de Niall Alexander, no Tor.com.

Disney prepara uma limpeza no Extended Universe de Star Wars. A ideia, aparentemente, é preparar o terreno para os próximos filmes desta popular franchise de ficção científica. Na prática, porém, isso significa que centenas de histórias escritas por diversos autores para várias plataformas (de livros a bandas desenhadas e videojogos) vão conhecer, no que ao cânone diz respeito, o mesmo destino do planeta Alderaan em A New Hope. O artigo é de Lee Hutchinson no Ars Technica (e no Observation Deck por Ria Misra); os comentários ao artigo também merecem leitura. 

Sam Worthington e Zoe Saldana vão participar na trilogia Avatar, de James Cameron, que se seguirá ao filme original de 2009. A notícia é avançada pelo The Verge (via The Hollywood Reporter), e só poderá ser surpreendente neste ponto: Stephen Lang, o actor que interpretou o papel de Coronel Miles Quaritch, o vilão da história, também irá regressar. Como, é algo que só saberemos em 2016, data prevista para a estreia do próximo filme da franchise.

*O título para esta nova secção irregular, como é bom de ver, vem de John Brunner.

16 de outubro de 2013

Robert Silverberg: (...) science fiction is a category of commercial publishing, and the boundaries began to push back at me (entrevista)

Já restam entre nós poucos autores de ficção científica que ainda viveram a época em que o género, antes de se alargar para vôos mais altos em formato de romance e ganhar outras aspirações literárias, vivia de forma enérgica nas revistas da especialidade, as célebres pulps. Robert Silverberg é um deles - viveu a Golden Age, a New Wave e o que se seguiu, e manteve uma presença constante e destacada no género. Foi publicado pela primeira vez em 1956, quando ainda era estudante, com o romance Revolt on Alpha C, destinado para um público young adult; e a partir daí publicou inúmeros contos e romances, em fantasia e ficção científica. Venceu por várias vezes os prémios Hugo e Nébula, e na sua prolífica carreira literária ainda arranjou tempo para se notabilizar também como antologista - na viragem do milénio, os ambiciosos projectos Far Horizons e Legends são duas montras fabulosas de alguns dos melhores autores contemporâneos da ficção científica e da fantasia.

Numa excelente entrevista a R. K. Throughton para o blogue da Amazing Stories, o criador do universo de Majipoor e autor de romances como A Time of Changes e The Book of Skulls fala sobre o seu percurso literário desde os anos 50, a sua obra, as suas inspirações e ambições. Dois excertos:
Amazing Stories Magazine: You tasted your first success writing science fiction when the pulps were in full swing. (...) The volume of your output during that time was simply amazing. Please give us a taste of what life was like in those chaotic pulp days and share with us how you traversed from a college student into one of the most widely published science fiction authors of the day.
Robert Silverberg: I was still an undergraduate when I began hitting my stride as a high-volume producer of pulp stories. By the summer of 1955, between my junior and senior years, I was selling stories every few days, and that continued all through my senior year and onward into my post-collegiate life. In achieving this I had great help from Randall Garrett, a writer six or seven years older than I was who moved into the building where I was living near Columbia. Garrett had sold some first-rate stories to most of the magazines of the period, but he was hampered by alcoholism and a lack of writerly discipline. Seeing in me a potential collaborator who would keep him hard at work, he took me downtown and introduced me to the major editors of the day — John Campbell of ASTOUNDING, Howard Browne of AMAZING, Bob Lowndes of the Columbia group of magazines, etc. At first in collaboration with Garrett, and then on my own, I became a valued contributor to the magazines these men edited, and to many others, too and, by the time I was 21, I was selling everything I wrote as fast as I could write it. (And that was plenty fast.) It was a wild, exciting time. I married my college girlfriend a couple of months after graduation in 1956, I moved into a lovely apartment on one of Manhattan’s best residential streets, and in the summer of 1957 I paid my way over to England to attend the first European Worldcon (with a side trip for us to Paris.) Before I quite understood what was happening I was living all of my adolescent fantasies—and I guess I have continued to live them ever since.
(...)
ASM: After your assault on the awards’ lists in the late 60s and early 70s, you took some time off from writing. When you returned to writing, you introduced the world and all of your salivating readers to Lord Valentine’s Castle and the world of Majipoor. As we turned every page in anticipation, you exposed us to yet another facet of this jewel known as Robert Silverberg. How would you characterize this third act of your career, and how had you changed as a writer? 
RS: In the early 1970s I had, like many other science-fiction writers, gone in for some degree of literary experimentation, pushing the boundaries of the field as far as I could. But science fiction is a category of commercial publishing, and the boundaries began to push back at me—the readers made it clear that they wanted more emphasis on storytelling than on experimentation. So I took a few years off to regroup and when I returned it was with a renewed emphasis on storytelling, notably in LORD VALENTINE’S CASTLE.
(...)
A entrevista completa, bem mais longa e detalhada, pode (e deve) ser lida aqui.


8 de fevereiro de 2013

Dangerous Visions em retrospectiva (1): Contos de Robert Silverberg, Philip José Farmer, Brian Aldiss e Poul Anderson

Ao longo do último mês tenho-me entretido com Dangerous Visions, a célebre e polémica antologia de ficção curta inédita editada por Harlan Ellison em 1967 e que se tornou num dos mais importantes livros da "New Wave" da ficção científica. No total, a antologia reúne 33 contos e agrega submissões de alguns dos maiores autores do género nos anos 60, de outros que começavam a destacar-se e ainda de alguns escritores que, não escrevendo habitualmente ficção científica, aqui se aventuraram no género. Tenciono, ao longo das próximas semanas, regressar várias vezes a este livro: primeiro para falar de vários dos seus contos a título individual, para depois avaliar a antologia no seu todo - com a ficção dos vários autores e as muitas apresentações e introduções de Ellison. Na semana passada referi o conto Faith of Our Fathers, de Philip K. Dick, porventura (e sem surpresa) um dos melhores de todo o livro; hoje, dedicarei este artigo a quatro submissões de quatro outros autores. 

Flies, de Robert Silverberg: O conto de Silverberg é o segundo a figurar na antologia - e é a todos os níveis impressionante. No centro da narrativa está Richard Cassiday, que sobreviveu à destruição da sua nave espacial numa das luas de Saturno. Capturado por misteriosos alienígenas (os golden ones),  é "reconstruído" com um upgrade: uma maior sensibilidade empática para com os seus semelhantes, para melhor os estudar e reportar as emoções humanas aos alienígenas. Estes, porém, cometeram um pequeno erro que vai assumir proporções monstruosos: ao aumentar a sua capacidade de sentir aquilo que os outros sentem, eliminaram a sua consciência, tornando-o incapaz de sentir, ele mesmo, o que quer que seja - o que terá resultados tão inesperados como chocantes. Flies é a todos os níveis um conto extraordinário, combinando um estilo narrativo invulgar e uma escrita tão eficaz como rica para descrever o calvário de Cassiday. Apesar de não ter sido premiado, figura sem dúvida entre os melhores trabalhos da antologia. 

Riders of the Purple Wage, de Philip José Farmer: Na prática uma novela (e o trabalho mais longo da antologia), a submissão de Philip José Farmer venceu nessa categoria o Prémio Hugo de 1968. Com um estilo muito próprio e muito invulgar - para não dizer histriónico -, Riders of the Purple Wage é uma história de tons quase surrealistas que acompanha o jovem artista Chib enquanto este tenta ascender na sua comunidade fechada de "Ellay" para poder continuar a pintar e a não ser obrigado a emigrar para o Egipto. Entretanto, em sua casa esconde-se o seu avô (na prática o bisavô), um dos últimos empresários do país que anos antes, perante a nacionalização da sua empresa, deu um autêntico golpe do baú e simulou a própria morte - um esquema que enganou toda a gente menos um detective empenhado em descobrir a verdade e resolver aquele crime. Riders of the Purple Wage é uma novela complexa e multifacetada, que cruza na narrativa sobre Chib e a sua família uma abordagem peculiar à sexualidade (tema afastado da ficção científica da época), uma reflexão especialmente polémica sobre o universo artístico e uma crítica muito pouco subtil ao desprezo a que já na época era votada a ficção científica pela crítica literária e o jornalismo mainstream - isto num futuro um tanto ou quanto distópico e descrito numa narrativa tão convulsa como fascinante, com uma premissa que consegue em simultâneo parodiar uma história popular irlandesa e... James Joyce. 

The Night That All Time Broke Out, de Brian Aldiss: Aldiss apresenta neste conto uma premissa fascinante: e se o tempo pudesse ser uma comodidade como a água, o gás ou a electricidade,  controlado e canalizado para que cada um de nós pudesse dispor dele da forma que nos fosse mais conveniente? Nesta futuro visionário, o fluxo normal do Tempo de cada pessoa pode ser alterado pela inalação de uma droga - na prática,  uma espécie de Tempo condensado, ou concentrado. Torna-se assim possível, ainda que dispendioso, regressar mentalmente a um momento específico do passado, ou ter várias divisões de uma casa em momentos temporais diferentes de acordo com um estado de espírito. A narrativa acompanha Tracey e Fifi, um casal que vive no campo e que decide instalar uma "canalização temporal" para poder usufruir de um luxo reservado a quem vive nas cidades. Mas no momento mais inoportuno vai surgir um problema na distribuição temporal que gera efeitos tão curiosos como dramáticos. Aldiss explora a premissa de forma muito simples e directa, deixando espaço ao leitor para imaginar todas as consequências daquele problema. É uma abordagem singular ao tema das viagens no tempo (ou na regressão no tempo), com efeitos inesperados. 

Eutopia, de Poul Anderson: Um conto muito interessante e um daqueles casos que pede uma segunda leitura quase de imediato: o twist final, tão simples, dá um novo significado a todo o texto. Anderson criou toda uma realidade alternativa para a América do Norte, quase feudal na sua caracterização (e no seu aparente "atraso" tecnológico), e nessa realidade colocou o protagonista, o estrangeiro Iason Philippou, em fuga. Tendo violado um tabu do reino de "Norland", Philippou procura uma forma de escapar para um dos reinos vizinhos e a partir daí conseguir transporte para o seu próprio reino. Mas essa fuga não estará isenta de peripécias... A prosa e as descrições de Poul Anderson quase fazem Eutopia parecer um conto de fantasia, e não de ficção científica - o que está longe de ser um defeito. É certo que os mais de quarenta anos que passaram desde a publicação de Dangerous Visions retiraram o shock value da premissa de Eutopia, mas a reflexão cultural e civilizacional de Anderson nos momentos finais da narrativa permanece tão actual como em 1967. 

15 de janeiro de 2013

Robert Silverberg (1935 - )

A dificuldade em falar de Robert Silverberg reside no ponto de partida: onde começar? Na sua bibliografia? Nos muitos prémios que recebeu? Na sua actividade como editor e antologista? Comecemos talvez pelo início: publicou a sua primeira história, Gorgon Plant, na revista escocesa "Nébula" em 1953; em 1955, foi publicado o seu primeiro livro, Revolt on Alpha C; e em 1956 recebeu o prémio Hugo para "Most Promising Writer" em 1956. Entre a vasta bibliografia de Silverberg encontram-se obras como The Masks of Time (1968), Tower of Glass (1970), Dying Inside (1972) e The Book of Skulls (1972), entre muitos outros. Com Lord Valentine's Castle, em 1980, deu início ao universo de Majipoor, explorado em vários contos e livros. Em 1990, expandiu para livro o popular conto Nightfall, de Isaac Asimov, com a colaboração do próprio Asimov, numa parceira que viria a repetir-se em The Ugly Little Boy e The Positronic Man, ambos de 1992. O seu livro mais recente intitula-se Roma Eterna (2003), e a sua ficção curta encontra-se compilada em várias antologias. 

O prémio Hugo que recebeu na categoria de "Most Promising Writer" foi o primeiro de muitos, em várias categorias: tornou a levar para casa o foguetão prateado com a noveleta Enter a Soldier. Later: Enter Another (1989) e as novelas Nightwings (1969) e Gilgamesh in the Outback (1986). Também venceu prémios Nébula em múltiplas categorias, com os contos Passengers (1970) e Good News from the Vatican (1971), as novelas Born With the Dead (1975) e Sailing to Byzantium e o livro A Time of Changes (1971). Isto sem contar com as inúmeras nomeações que teve para as várias categorias em ambos os prémios.

A sua actividade como antologista é também notável, tendo sido responsável pela edição de várias antologias desde os finais dos anos 60. Entre estas, destacam-se entre muitas outras os nove números da antologia Alpha (1970 - 1978), vários números da antologia New Dimensions, e ainda The Science Fiction Hall of Fame, Volume One, 1929 - 1964 (1970), as antologias Legends (1998) e Legends II (1999) dedicadas a contos originais de fantasia em universos estabelecidos de autores aclamados, e a antologia Far Horizons (1999), com contos originais de ficção científica em universos de autores do género. 

Robert Silverberg nasceu em Brooklyn, New York, em 1935, e celebra hoje o seu 78º aniversário. 

4 de março de 2012

Citação fantástica (4)

"If you were in Darkness, what would you want more than anything else - what would it be that every instinct would call for?"
"Why, light, I suppose."
"And how would you get light?"
Theremon pointed to the switch on the wall. "I'd turn it on."
Sheerin said, "Where will light come from, when the generators stop? You'd be out on the street in the Darkness. And you want light. So you burn something. Ever see a forest fire? Ever go camping and cook a stew over a wood fire? Heat isn't the only thing burning wood gives off, you know. It gives off light, and people are very aware of that. And when it's dark they want light, and they're going to get it."
"So they'll burn logs", Theremon said without much conviction.
"They'll burn everything they can get. They've got to have light. They've got to burn something, and wood won't be very handy, not on city streets. So they'll burn whatever is nearest. A pile of newspapers? Why not? What about the newsstands that the papers on sale are stacked up in? Burn them too! Burn clothing. Burn books. Burn roof-shingles. Burn anything. The people will have their light - and every center of habitation goes up in flames! There is the end of the world you used to live in."

Isaac Asimov e Robert Silverberg, Nightfall (1990)