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14 de abril de 2014

This happening world (9)

No sempre excelente Intergalactic Robot, o Artur Coelho resume o que foi o "Ateliê Utópico" por si preparado para o Utopias 2014, um encontro educativo destinado a professores. O resumo, enfim, é pouco resumido e ainda bem: o seu workshop dedicado à ficção científica devia ser regular e aberto a todos, pela lição que é sobre as origens e os objectivos da ficção científica literária - e por que motivo é tão divertido lê-la. Com bibliografia incluída, para os mais interessados. A ler no Intergalactic Robot.

No seu blogue pessoal, George R. R. Martin faz um ponto de situação das histórias de Dunk & Egg, que acompanham Ser Duncan the Tall e Aegon "Egg" Targaryen nas suas deambulações por Westeros nove décadas antes dos acontecimentos de A Game of Thrones. Os três primeiros contos serão compilados numa antologia (já se sabia) com ilustrações de Gary Gianni; e a escrita de outros contos, como The She-Wolves of Winterfell (título provisório), está adiada para depois do lançamento de The Winds of Winter (via Not a Blog).

Em Boston, Chris Roberts revelou finalmente o dogfighting module de Star Citizen, o muito aguardado space simulator que recupera o legado de videojogos clássicos como Wing Commander e Freelancer e que, até ao momento, arrecadou a módica quantia de 42 milhões de dólares em várias campanhas de crowdfunding. E é possível ver quão realista parece todo o sistema de jogo - até é possível o piloto da nave desmaiar por aceleração excessiva. E, claro, a componente visual e gráfica, que é absolutamente espantosa. A ver no Polygon e no GameFront.

Já foi revelado um trailer para a segunda temporada de Defiance, a série western-science fiction que o SyFy Channel estreou no ano passado. Pode ser que nesta segunda temporada venha a explorar um pouco melhor o enorme potencial da sua premissa (via io9).

Começaram na semana passada os previews a Journey Into Nyx, a próxima expansão de Magic: the Gathering e o terceiro capítulo do bloco de Theros - com novos deuses, uma nova versão de um dos planeswalkers clássicos (Ajani Goldmane) e mais algumas novidades muito interessantes. Em termos narrativos, Ajani chega a Theros para ajudar Elspeth Tirel, caída em desgraça após a ascensão de Xenagos, a enfrentar o planeswalker tornado deus e a repor alguma justiça entre os céus e a terra daquele mundo. Esta semana dedicarei algum tempo ao tema; para já, aqui fica o trailer da nova expansão (via Daily MTG).

13 de maio de 2013

Defiance: confirmada segunda temporada

Quatro semanas após a estreia, o SyFy Channel confirmou que Defiance irá ter uma segunda temporada. O que é a todos os níveis uma excelente notícia. Defiance pode estar muito longe - e está - de ser uma série de ficção científica do calibre de Firefly ou Cowboy Bebop (antes que alguém pergunte, nunca acompanhei Farscape), mas já se sabe que terá o espaço que pelo menos a série de Joss Whedon nunca teve para crescer, para desenvolver a sua premissa (que continua promissora, apesar dos altos e baixos dos primeiros quatro episódios) e para retirar o máximo partido de um elenco especialmente talentoso. Se o fará ou não, é outra história. 

De resto, o massively multiplayer game homónimo que partilha o universo com a série televisiva já atingiu, apesar das críticas medianas e de muitas falhas, um milhão de jogadores registados - e a Trion Worlds continua a apostar tudo na resolução dos problemas actuais e no desenvolvimento de novos conteúdos. A interligação entre a série televisiva e o jogo tem passado essencialmente por alguns detalhes (o cristal de Nolan no primeiro episódio, os hellbugs do terceiro), mas na segunda temporada essa ligação deve ser aprofundada com acontecimentos do jogo a terem um maior impacto na série - e com alguns jogadores que se destaquem em algumas actividades no jogo a verem as suas personagens mencionadas no decurso dos acontecimentos da série. 

Fontes: io9 / Joystik / Polygon 

20 de abril de 2013

Defiance: Uma estreia imperfeita, mas promissora

Defiance começa com o duo de protagonistas, Nolan e Irisa, a encontrar uma arkfall e a recuperar, com a ajuda de um pequeno cristal luminoso, uma esfera de energia muito valiosa designada por "Terra Core". Quem jogou o jogo - ou quem, como eu, dedicou algumas dezenas de horas à fase de testes - não só saberá logo em que consiste uma arkfall (fácil de deduzir pela série), como também será provável que identifique o cristal como o objecto recuperado numa missão com Nolan e Irisa, e roubado de forma algo irónica por estes. Para além das breves referências à E-Rep e aos 99ers, fica assim explicado como as duas narrativas em dois meios tão distintos se cruzam, pelo menos para já - e resta saber se em missões mais avançadas do jogo outras personagens da série irão aparecer, ou se personagens (NPC) do jogo poderão dar um ar de sua graça na televisão. Jon Cooper seria uma boa aposta.

Easter eggs à parte, Defiance arrancou na passada Segunda-feira nos Estados Unidos - um science fiction western que representa a nova grande aposta do SyFy Channel. Sim, é fácil encontrar naqueles 90 minutos as várias convenções (clichés, se preferirem) tanto dos velhos filmes do Oeste selvagem como de alguma ficção científica pós-apocalíptica - que podem ser consultadas no melhor (e mais divertido) local para o efeito, o TV Tropes. Adiante: A novidade que a série introduz não reside tanto nos seus elementos individuais, mas no mundo criado pela combinação (e possível subversão) de cada um desses elementos num quadro mais vasto. Nesse sentido, o episódio piloto cumpre o seu papel com distinção - estabeleceu de forma muito interessante a premissa sem revelar todos os mistérios e todos os truques que pode ter na manga; mostrou um mundo novo e rico; introduziu aquele que será porventura o arco narrativo principal da temporada, assim como vários enredos laterais; e apresentou as personagens que irão dar vida e cor àquele mundo*. 


E se as personagens parecem à partida convencionais, há em praticamente todas elas um pormenor, por pequeno que seja, que subverte um pouco a trope. Nolan (Grant Bowler) pertence à longa linha de renegados onde também figuram Han Solo e Malcolm Reynolds: Um anti-herói altruista. Com duas diferenças: Aceita um cargo de destaque e tem uma filha a seu cargo, Irisa (Stephanie Leonidas). A ligação entre o veterano e a jovem e irascível Irathient revela-se promissora desde os primeiros minutos, não só pela "química" entre ambos mas também por se saber desde logo que uma das histórias que um e outro contaram sobre o seu passado comum é falsa. Julie Benz representa o papel Amanda Rosewater, a recém-eleita Mayor de Defiance - a clássica cidade de fronteira -, e Mia Kirshner é Kenya, a prostituta que gere o Need/Want, na prática como o bordel da cidade; o twist em ambas reside no facto de serem irmãs (e no facto de o Need/Want ser tudo menos um bordel convencional). As famílias McCawley e Tarr são os Capuletos e os Montecchios da região, mas tudo indica que aquela história clássica não vai ser seguida à risca. E, numa preferência pessoal, Trenna Keating é Doc Yewll, a Indogene (muito) sarcástica que trabalha como médica em Defiance. Para um primeiro episódio mais preocupado em apresentar toda a gente do que em surpreender, os desempenhos foram mais do que competentes.


Do ponto de vista visual, Defiance oscilou entre efeitos especiais muito interessantes (a cena inicial) e outros mais fracos - mas que, mesmo assim, são um salto qualitativo face aos padrões habituais dos "SyFy Originals". As várias raças alienígenas são, na prática, humanóides - algo que é comum a muitas outras produções televisivas e cinematográficas (e mesmo de videojogos) de ficção científica. Ainda assim, as várias raças que o episódio piloto mostrou parecem suficientemente diferentes entre si para gerar alguma variedade (dentro do estilo "dois braços, duas pernas e uma cabeça, claro). 


Resta saber como irá o SyFy Channel desenvolver Defiance - e dado o historial do canal, a incerteza perdurará pelo menos até ao final da temporada. O potencial está lá, e ao que parece as audiências também: de acordo com a Entertainment Weekly, a estreia da passada Segunda-feira foi a melhor que uma produção do canal conheceu em muitos anos. Pode não ser uma nova Firefly ou uma nova Battlestar Galactica, e o seu piloto não terá certamente sido tão arrebatador como o daquelas; mas em por isso deixei de retirar destes primeiro episódio hora e meia de entretenimento mais do que satisfatório num ambiente com mais potencial do que a maior parte das produções de ficção científica tenho visto nos últimos tempos. Será, sem dúvida, uma série a seguir de perto.  


* E, já agora, mostrou os óculos escuros mais cool da ficção científica desde as lentes de Morpheus em The Matrix

9 de abril de 2013

Defiance: Trailer

Defiance, a nova série de ficção científica do canal SyFy, tem estreia marcada para 15 de Abril nos Estados Unidos - infelizmente não terá transmissão em Portugal (pelo menos para já). Abaixo, o mais recente trailer:


Fonte: io9

27 de março de 2013

Defiance: Impressões da fase Beta de testes

Decorreu no passado fim-de-semana mais uma etapa - porventura a última antes do lançamento? - da fase Beta de testes a Defiance, o Massively Multiplayer Online Shooter ligado à série homónima do SyFy Channel que vai estrear em Abril nos Estados Unidos (não irá ser transmitida em Portugal). A diferença desta vez foi o levantamento dos non-disclosure agreement, pelo que os participantes no teste podem falar  sobre a experiência - algo que, após duas fases Beta e uma longa fase Alfa, tenho aguardado com alguma expectativa. Aqui ficam as minhas primeiras impressões sobre o jogo - infelizmente sem screenshots disponíveis para acompanhar o texto, pois por algum motivo o jogo (ou o meu sistema) não me permitiu obter imagens.

1. Jogabilidade: Para quem, como eu, adquiriu boa parte da sua experiência em jogos online mais orientados para o role-play, como World of Warcraft, o início de Defiance irá decerto parecer estranho. As opções de personalização de personagens são mais escassas (há duas raças - com ambos os géneros - e quatro classes com poucas diferenças práticas entre elas), e falta alguma diversidade no ambiente introdutório. Cada personagem está equipada com uma interface que permite ter duas armas diferentes, um escudo e alguns atributos obtidos através de uma espécie de talent tree que pode parecer algo confusa ao início. No entanto, a partir do momento em que nos habituamos aos controlos e à interface e nos aventuramos naquele mundo devastado - para seguir as várias missões da narrativa, para fazer os vários desafios espalhados pelo mapa ou, mais simplesmente, para um bocado de acção trigger happy -, Defiance torna-se num jogo bastante divertido (ainda que longe de estar perfeito). O mapa é vasto e a introdução de veículos (com condução muito pouco suave, admita-se) logo no início torna a exploração mais fácil e divertida. Para além das várias missões principais e secundárias, há vários desafios diferentes espalhados pelo território, e os eventos colectivos são tão caóticos como entusiasmantes. 

2. Narrativa e ambiente: A narrativa principal é introduzida num vídeo inicial que enquadra a criação da personagem jogável e apresenta algumas das personagens principais tanto do jogo como da série - com destaque para Joshua Nolan (Grant Bowler) e Irisa Nyira (Stephanie Leonidas). Estas duas personagens de destaque da série vão regressar ao jogo para uma sequência de missões formidável, e muitas outras acompanham o nosso (ou a nossa) Ark Hunter naquele território. Esta narrativa é desenvolvida através de uma sequência de missões principais com várias missões secundárias entre elas (uma coisa que estranhei foi a ausência de um quest log detalhado: o jogo só permite uma missão narrativa de cada vez). Os momentos principais são introduzidos por vídeos gerados pelo motor gráfico do jogo, com um voice acting bastante sólido, ainda que os diálogos de algumas personagens possam ser bastante cheesy (Karl Von Bach é disso um exemplo estridente, mas John Cooper compensa). 

Fora das personagens, a atmosfera do jogo é excepcional - mesmo estando os gráficos muito longe, em termos de qualidade, do melhor que os sistemas actuais podem oferecer. Aquela Bay Area devastada, repleta de ruínas, flora surreal e criaturas hostis convida à exploração, e estabelece um excelente ambiente para o jogo. 

3. Dificuldade: Shooters na terceira pessoa são um tipo de jogo no qual tenho muito pouca prática, pelo que fiquei bastante surpreendido com a facilidade com que me adaptei aos controlos de Defiance, tanto com uma personagem centrada em armas de precisão (sniper) como com outra a apostar em fogo rápido (machinist). E, de facto, é divertido andar por aquela Califórnia devastada a seguir a narrativa principal e a perseguir Arkfalls - os world raids do jogo. Estes eventos ao ar livre estão pensados para grupos grandes, organizados ou não - é sempre surpreendente ver como se formam de forma espontânea grupos caóticos de dezenas de jogadores ou pequenos grupos de personagens que se encontram e que acabam por perseguir duas ou três Arkfalls na mesma região. Até onde consegui explorar, as missões narrativas não são, regra geral, difíceis de executar a solo, ainda que alguns obstáculos sejam sem dúvida mais simples de ultrapassar com a companhia de um ou dois amigos. Mas, diga-se de passagem, a sensação de conseguir derrubar sozinho uma "Hellbug Matriarch" (uma criatura insectóide que não destoaria em Starship Troopers) ou dois Tankers (mutantes cheios de esteróides e granadas) em simultâneo é excelente. 

Resumo: Para um jogo que deverá estar no mercado em poucas semanas (uma, duas?), Defiance tem sem dúvida muitas arestas por limar. É uma pena que não dê maior profundidade à criação de personagens, mas a verdade é que após a primeira meia-hora de habituação o jogo torna-se bastante divertido e por vezes desafiante. Gostaria de o ter testado com um ou dois amigos para perceber melhor como funcionam as interacções entre jogadores (o chat é muito limitado), mas mesmo a solo o ambiente de jogo e a narrativa tornam a experiência bastante interessante, ainda que provavelmente apenas a médio prazo. Alguma companhia e as modalidades player versus player (que nunca testei) decerto darão uma maior longevidade ao jogo. 

13 de março de 2013

Defiance e o western na ficção científica

No io9, Meredith Woerner publicou a primeira review à próxima série de ficção científica do SyFy Channel, Defiance, com base nos três primeiros episódios (aos quais terá tido acesso). Tenho aqui falado da série, sobretudo devido ao massively multiplayer online shooter ligado à série que está neste momento em fase Alfa de testes e que será colocado à venda em Abril. E a crítica de Woerner é bastante interessante, sobretudo nas questões que suscita sobre como se desenvolverá uma série no território da western science fiction mais de uma década após a genial e malograda Firefly

Sendo curta - uma temporada incompleta -, a série de Joss Whedon perdurou na memória dos fãs e no imaginário do género quase como a definição de "ficção científica encontra o Oeste selvagem", projectando uma grande sombra sobre qualquer potencial mash-up de dois géneros simultaneamente tão distintos e tão semelhantes. Haverá outra, muito diferente na premissa e no tom mas em nada inferior na execução: Cowboy Bebop. É certo que Defiance terá certamente elementos comuns a estas séries icónicas, mas se o jogo (em cuja fase de testes tenho participado com regularidade, e no qual vários actores aparecem) servir de indicação para a atmosfera geral da série, então diria que a premissa deverá ser suficientemente diferente para as semelhanças não caírem no domínio da cópia descarada - como disse antes, mais do que Firefly, o ambiente do jogo faz-me mais pensar num híbrido de Starship Troopers com Mad Max.

De qualquer forma, o objectivo deste artigo - para além de chamar a atenção para a crítica a Defiance, série que aguardo com alguma expectativa - é mencionar um outro artigo, de Chris Gerwel, no blogue da Amazing Stories: Crossroads: Riding into Space - Westerns and Speculative Fiction. Este foi o primeiro de vários artigos sobre o tema que Gerwel publicará ao longo das próximas semanas, e merece uma leitura pelo paralelismo entre ambos os géneros, tanto de um ponto de vista temático e de imaginário como de um ponto de vista comercial. E é nesta perspectiva que o autor suscita a questão mais pertinente, e que destaco de seguida:
The commercial path of the western genre saw film and television eclipse the printed form, and ultimately lead to an over-saturation in the marketplace which damaged sales of western genre novels. Today, the western section in our local bookstores are either tiny or nonexistent. Yet a hundred years ago, the western was the largest genre in print. 
As we look at our multimedia landscape today, we find it saturated with speculative fiction. Whether we’re talking about films, video games, or television, our media consumption is saturated with speculative themes and devices. Will this one day lead to the type of over-saturation that preceded the western’s decline? Or is speculative fiction protected against this by its thematic breadth? 
I don’t know if we’ll find an answer in the coming weeks, but I’m looking forward to exploring it with you. Next week, we’ll be diving into that core of the western genre: the western hero. ‘Til then, what are your favorite westerns and how do they relate to your favorite SFnal stories?
Dado que este blogue é dedicado à ficção científica (especulativa, se preferirem) e que tenho um interesse muito especial pelos westerns , este será um tema ao qual voltarei ao longo das próximas semanas, acompanhando as questões suscitadas por Chris Gerwel.

Fonte: Amazing Stories Blog


* Uma curiosidade: a primeira edição do Fórum Fantástico a que assisti foi à de de 2008. Naquela altura ainda não conhecia Firefly, Serenity ou Cowboy Bebop, pelo que a sessão sobre os elementos e as influências western em Firefly e Serenity não me chamou a atenção no programa - e revelou-se, no auditório, num tremendo festival do bocejo. Olhando para trás à distância, não deixa de ser uma pena - o tema era fascinante, e seria mais do que suficiente para várias sessões interessantes. 

28 de fevereiro de 2013

Defiance: The Ark Hunter Chronicles

Nos últimos dias tenho entretido com o Alpha Testing de Defiance (não me perguntem a lógica de a fase Alfa de testes se suceder a uma fase Beta), mas sobre isso não posso falar muito. Nem é essa a ideia, para já: a verdade é que tenho andado tão entretido com o jogo que não reparei na web series de animação que tem sido divulgada pela Trion no Youtube: Defiance: Ark Hunter Chronicles. Os dois primeiros mini-episódios já estão disponíveis, e dão uma ideia do ambiente do jogo. 





Fonte: Polygon

9 de fevereiro de 2013

Defiance (o jogo) já chegou à fase beta

Foi disponibilizado há dias um live action trailer de Defiance, o jogo MMO da Trion que está ligado à série homónima em produção pelo SyFy Channel. É certo que o trailer não mostra como será a jogabilidade - para isso há a fase beta de testes, que está a decorrer durante o fim-se-semana; já lá irei -, mas deixa antever um certo ambiente pós-apocalíptico um tanto ou quanto convencional, de aparente inspiração em Mad Max, com um misto de Starship Troopers, Starcraft e Aliens. A backstory, no entanto, está bastante interessante, e pode dar alguma profundidade tanto ao jogo como à série televisiva. 

Quanto ao jogo propriamente dito, encontra-se neste momento em fase de beta testing, e tem lançamento previsto para Abril próximo. Em termos genéricos, funciona como um massively multiplayer online shooter com elementos de role-play (raças, classes, missões, uma interface de especializações que na prática funciona como uma talent tree). Está interessante, ainda que os meus velhos hábitos de MMO (com World of Warcraft) e de RPG (com Mass Effect) embirrem frequentemente com alguns detalhes de interface. No geral, e a avaliar pelas horas que dediquei a testar o jogo, diria que Defiance tem potencial, mas ainda precisa de ser muito polido. Mas, diga-se de passagem, também é para isso que as fases beta servem. 


18 de outubro de 2012

Defiance: Novo projecto de televisão e videojogos do SyFy Channel e da Trion Worlds

Em 2003, aquando da muito antecipada estreia de The Matrix: Reloaded, foi lançado o videojogo Enter the Matrix, um jogo de acção na terceira pessoa que, na perspectiva da tripulação da nave Logos (Niobe, Ghost e Sparks), estabelece a ligação entre os acontecimentos da curta The Last Flight of the Osiris (no DVD Animatrix) e o filme, e acompanha a narrativa de The Matrix: Reloaded passo a passo. A ligação entre filme e videojogo torna-se particularmente relevante na cena de perseguição na auto-estrada, na qual o jogador tem de conduzir Niobe e Ghost para onde a acção do filme está a decorrer, de forma a "salvar" Morpheus no combate contra o Agente. Para tornar a experiência mais viva e realista, os próprios actores participam no filme - de Jada Pinkett-Smith (Niobe) a Trinity (Carrie-Anne Moss) -, tanto em personagens renderizadas a partir de motion capture como em pequenas sequências de filme "real" filmadas para o efeito.

A ideia foi excelente e diria que foi muito bem sucedida do ponto de vista narrativo. Enter the Matrix, porém, sofria de sérios problemas de jogabilidade que minaram a experiência. É possível que tal se tenha devido a um desenvolvimento apressado para que o lançamento do jogo coincidisse com a estreia do filme. O que não serve de desculpa, mas não deixa de ser uma pena.

Nove anos volvidos, o SyFy Channel (que dispensa apresentações) e a Trion Worlds (estúdio responsável por Rift) apresenta um projecto ainda mais ambicioso: Defiance. Já foi anunciado há algum tempo, mas por algum motivo não reparei nele até hoje. Não sei se Defiance se inspirou de facto em Enter the Matrix, mas o projecto parte de um conceito similar para o levar um pouco mais longe: associar uma série televisiva a um shooter MMO, com os acontecimentos da série a terem impacto no universo do videojogo e vice-versa.







Ambicioso? Sem dúvida. No entanto, todo o conceito de Defiance é tão interessante como problemático, e a minha experiência com MMO (sempre foram cinco anos de World of Warcraft) obriga-me a ter algumas reservas quanto à possibilidade de este projecto ser bem sucedido.

1. Calendarização (1):  Este é o primeiro problema - ou melhor, o primeiro conjunto de problemas. Se a série seguir o formato habitual de um episódio por semana, como consegue a Trion Worlds renovar o videojogo a um ritmo semanal, introduzindo eventos constantes e com densidade suficiente para terem impacto narrativo na série? Se pensarmos em World of Warcraft - de longe o mais popular jogo MMO -  notamos desde logo que os patches que introduzem novos conteúdos às expansões estão separados por vários meses. É possível, claro, introduzir eventos semanais num jogo desta natureza (um ataque alienígena, uma retaliação humana - ou vice-versa), mas é difícil de imaginar que tal ritmo permita aos eventos terem a densidade que uma série televisiva de qualidade exige. 

2. Calendarização (2): Para este projecto funcionar em pleno, é necessário que o SyFy Channel transmita a série praticamente em simultâneo em todo o mundo - ou, pelo menos, em todos os países onde o jogo esteja presente. Não pode haver um desfasamento de semanas ou meses - ou as acções de parte da comunidade de jogadores não terão quaisquer consequências na série, como é pretendido. Isto, note-se, não é exactamente uma dificuldade técnica - é perfeitamente possível estrear uma série nos Estados Unidos ao Domingo à noite e difundi-la em todo o mundo nos próximos dois dias. Essa opção, contudo, não costuma ser explorada pelas produtoras e emissoras (que se esquecem de que vivemos na era da Internet e depois se queixam da pirataria).

3. Interregnos: Assumindo o cenário mais optimista - temporadas de 24 episódios semanais separadas por mais ou menos um ano -, como consegue Defiance manter o mundo virtual persistente sem a série a seguir em paralelo?  Finda a série, o que fazer? Se a narrativa prosseguir no videojogo, com a temporada seguinte a partir do ponto onde o jogo se encontrar, todo o público que não joga está desde logo alienado. Por outro lado, o jogo também não pode parar nas pausas da série - ou é alienada a audiência que se dedica ao jogo. 

4. Nível de interactividade: Até que ponto existe uma verdadeira interactividade entre Defiance-série e Defiance-videojogo? Não é difícil introduzir as personagens da série no universo do jogo, mas o contrário parece-me ser algo complexo - convém lembrar que, num MMO, seja shooter ou RPG, as verdadeiras personagens são os jogadores. As non-playable characters (vulgo NPC) são, por definição, não jogáveis - se a dita interacção passar por elas, nunca haverá interacção efectiva. No entanto, colocar os jogadores e as guildas a interferir na série televisiva parece-me ser muito perigoso - a menos, claro, que se queira uma série com insultos, trolling generalizado e piadas de Chuck Norris às duas da manhã*.

5. Personalização de personagens: Se de facto as personagens jogáveis, individualmente ou em guildas, tiverem um impacto palpável (por pequeno que seja) na série, as opções de customização têm de ser algo limitadas. Dito de outra forma: não pode haver personagens com o nome Ahahahah ou guildas com o nome de "The Pink Bunnies of Doom" (exemplos verdadeiros). Não se isto seja necessariamente mau, mas será sempre polémico. E para flame wars, poucos grupos conseguem bater os gamers

Estas reservas, contudo, não significam que o SyFy Channel e a Trion Worlds não consigam levar avante o projecto Defiance - e se conseguirem ser bem sucedidos, revolucionam o entretenimento como o conhecemos. É caso de esperar para ver e, acima de tudo, resistir ao hype.

Fonte: Rogério Ribeiro | Facebook

*Note-se que tenho a perfeita noção de que nem todas as comunidades de MMO são assim, mas por melhor que a comunidade de Defiance venha a ser, jamais conseguirá evitar alguns trolls.