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12 de maio de 2014

Constantine: Primeiro trailer para a série televisiva da NBC

Foi divulgado o primeiro trailer para Constantine, a adaptação da banda desenhada Hellblazer para série televisiva pela NBC. O actor galês Matt Ryan interpretará o protagonista, John Constantine, o célebre detective do oculto britânico criado por Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben ainda nas páginas de The Swamp Thing, antes de receber o seu próprio título na DC - Hellblazer viria a tornar-se numa das séries mais longas e populares da linha Vertigo. A avaliar pelas imagens, a série parece procurar um equilíbrio curioso entre o horror, o mistério e o humor - uma mistura não propriamente original na televisão contemporânea, mas que poderá funcionar bastante bem.

Constantine tem estreia prevista para o Outono. Abaixo, o trailer.


Fonte: The Verge

27 de setembro de 2013

NBC e DC Comics planeiam levar John Constantine para televisão

A notícia do Deadline é avançada pelo io9: a DC Comics aliou-se à cadeia televisiva norte-americana NBC para criar uma série televisiva com John Constantine, protagonista de Hellblazer, uma das mais longas e populares bandas desenhadas da linha Vertigo. A série conta com Daniel Cerone (de The Mentalist) e David S. Goyer como produtores executivos, mas ainda pouco se sabe sobre o projecto: se será inspirado em Hellblazer ou na mais recente série Constantine; se terá lugar no Reino Unido ou nos Estados Unidos (pergunta pertinente se pensarmos no filme Constantine, de 2005, passado em Los Angeles e sem qualquer indicação de que o protagonista pudesse ser britânico); e se irá transpor a violência e o estilo politicamente incorrecto da personagem originalmente criada por Alan Moore, Steve Bissete e Jamie Delano. 

No entanto, o mais interessante da notícia avançada pelo Deadline não é tanto o anúncio da série, mas o rumor aparentemente mais substanciado de que Guillermo Del Toro poderá estar a trabalhar num filme da Justice League Dark. Veremos se se confirma.

Fontes: io9 / Deadline

25 de junho de 2013

Constantine, ou Hellblazer segundo Hollywood

Como escrevia há dias, o meu primeiro contacto com a personagem de John Constantine não se deu através dos comics da série Hellblazer, mas através do filme Constantine, que em 2005 levou pela primeira vez a personagem criada por Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben durante a sua recriação de Swamp Thing. Para deixar o óbvio logo arrumado, o sucesso de bilheteira de Constantine não foi proporcional à sua tépida recepção pela crítica. Longe de constituir uma adaptação fiel tanto da personagem da DC Comics ou de algum dos muitos arcos narrativos dos 25 anos de publicação de Hellblazer, o enredo do filme inclui elementos e inspirações de várias histórias dos comics e combina esse material numa narrativa alternativa própria - que, mesmo não sendo fiel à sua origem ou mesmo qualitativamente relevante em si, nem por isso deixa de ser bastante interessante.

Na película, não há qualquer indicação de que o John Constantine interpretado por Keanu Reeves seja britânico - e considerando que a acção decorre em Los Angeles e que o protagonista parece estar perfeitamente ambientado nos círculos de sobrenatural da cidade (os locais que frequenta e a reacção da polícia para isso apontam), tudo indica que este Constantine seja americano. O que não significa que tenha perdido o seu cinismo e o seu carácter provocador - Reeves (porventura o actor norte-americano com o melhor agente) transporta ambos sem dificuldade, com um ou dois momentos dignos de registo, e empresta à personagem uma melancolia muito própria que pode não ser característica da personagem original, mas que funciona surpreendentemente nesta versão. Constantine é apresentado como um suicida - alguém que tem o Inferno à espera, por mais boas acções que faça; todos os seus exorcismos e todos os demónios que deporta de volta para as profundezas têm como único objectivo uma motivação tão egoísta como inútil: perante a morte iminente, a salvação. 


E após a breve introdução do macguffin do filme na forma da mítica Lança do Destino (embrulhada numa bandeira nazi, pormenor tão curioso como irrelevante), Constantine arranca com o protagonista em acção, a fazer um exorcismo arriscado (e espectacular) para deportar um "demónio soldado" do corpo de uma criança - algo que, segundo o exorcista, está longe de ser normal, e que o leva a investigar o que se possa estar a passar. Ao mesmo tempo, Isabel, uma rapariga católica internada na ala psiquiátrica de um hospital comete suicídio, ou pelo menos assim aparenta - a sua irmã, Angela (Rachel Weisz), polícia em Los Angeles com um dom estranho de saber sempre para onde apontar durante confrontos com criminosos, não acredita nessa possibilidade e decide investigar o que poderia levar uma católica devota a condenar-se ao Inferno. 


A investigação de Angela acaba por levá-la até Constantine, que durante um acontecimento invulgar decide ajudá-la - e juntos vão ver-se envolvidos numa vasta trama sobrenatural que envolve jogadores improváveis com um plano de alto risco, o que obriga Constantine a subir sempre a parada. Durante a sua descida ao submundo, nada é o que aparenta - e mesmo Angela e Isabel têm muito que se lhe diga.


Se Keanu Reeves consegue recriar um John Constantine muito próprio, Rachel Weisz também merece destaque na sua interpretação de Angela (e Isabel). E, claro, Tilda Swinton e Peter Stormare, com desempenhos muito interessantes nos respectivos papéis (sobretudo Stormare, o que não surpreende - as suas personagens secundárias são regra geral excelentes). Shia LaBeouf é que não convence como Chaz Kramer, prejudicado também por um argumento que não lhe dá o destaque que talvez devesse.


Essa não é a única falha do argumento - alguns elementos (como o amuleto de Hennessey) ficam por explicar, e o final, ainda que muito interessante pelos seus sucessivos twists, nem por isso deixa de ser um tanto ou quanto previsível para quem esteja um pouco mais familiarizado com alguns dogmas católicos. De um ponto de vista visual, Constantine é um filme bastante sólido, ainda que pudesse beneficiar de alguma imaginação adicional - a visão do Inferno, por exemplo, parece mais próxima do holocausto nuclear do icónico sonho de Sarah Connor em Terminator 2: Judgement Day do que de um Inferno de Hellblazer (ou do que eu imagino que seria um inferno de Hellblazer com as minhas incursões limitadas pela banda desenhada).


Se tomarmos Constantine como uma adaptação directa de Hellblazer para o cinema, não há alternativa: o filme falha em toda a linha. Não consegue recriar o protagonista, as personagens secundárias e mesmo o ambiente tão característicos da banda desenhada, e falta-lhe uma boa dose de horror. Mas se olharmos para Constantine como uma recriação muito livre da personagem em formato de thriller sobrenatural com uma história fechada, o filme acaba por funcionar - sem ser brilhante, tem humor, acção e entretenimento q.b.. A sua componente visual é interessante, e o elenco confere-lhe uma solidez um tanto ou quanto inesperada. Não será decerto o filme que os fãs de Hellblazer gostariam de ver; mas enquanto produção individual baseada naquele universo, não está mal. Se considerarmos outras adaptações de banda desenhada feitas na última década, é bom de ver que o resultado poderia ter sido muito pior. 6.3/10

Constantine (2005)
Realizado por Francis Lawrence
Argumento de Kevin Brodbin e Frank A. Capello com base nos comics de Jamie Delano e Garth Ennis
Com Keanu Reeves, Rachel Weisz, Shia LaBeouf, Djimon Hounsou, Tilda Swinton, Peter Stormare, Gavin Rossdale, Pruitt Taylor Vince e Max Baker
121 minutos

21 de junho de 2013

Hellblazer: All His Engines: os deuses e os demónios de John Constantine

A minha apresentação a John Constantine não se deu com algum dos comics ou graphic novels do célebre detective do oculto inspirado em Sting que Alan Moore, Steve Bissette e John Totleben criaram em meados dos anos 80 durante a série de Swamp Thing e que viria a ganhar protagonismo na série Hellblazer, da linha Vertigo da DC Comics. Deu-se, sim, com o filme de 2005 (com o Keanu Reeves como protagonista - logo falarei dele um dia destes), e independentemente da qualidade ou da fidelidade da adaptação, a verdade é que fiquei muito curioso com todo o conceito subjacente à personagem - uma curiosidade que foi aumentando com o tempo, à medida que fui descobrindo mais e mais banda desenhada e que fui lendo alguns fragmentos de informação sobre a série. Talvez devesse ter entrado no universo de Constantine na banda desenhada pelas suas primeiras aparições em Swamp Thing, ou mesmo pelos primeiros fascículos de Hellblazer; uma oportunidade da Feira do Livro, porém, levou-me a optar antes pela graphic novel Hellblazer: All His Engines.

(por acaso minto: a introdução a John Constantine deu-se, sim, alguns dias antes com a leitura de Preludes & Nocturnes, o primeiro paperback de The Sandman; numa das histórias, Morpheus conta com a ajuda de Constantine para encontrar um artefacto muito especial. Mas nesta história, por sinal excelente, o protagonista é Morpheus, e não Constantine, pelo que manterei All His Engines como a minha introdução a Hellblazer. Continuemos.) 

O que talvez não tenha sido um problema. Com texto de Mike Carey e ilustração de Leonardo Manco, All His Engines não conheceu publicação na sequência de comics de Hellblazer, tendo sido publicado em 2005 no formato de graphic novel - contendo uma história contida, repleta do flavour que tornou a série tão popular. Em Inglaterra (ao contrário do que mostra - ou não mostra - o filme, Constantine é britânico e não americano), várias pessoas entram em coma sem qualquer explicação - e entre elas Tricia, a neta de Chaz, eterno amigo (e sidekick) de Constantine. Na investigação do caso, a dupla viaja até à cidade de Los Angeles, onde encontram Beruel, um demónio interessado nos serviços de Constantine para lidar com a sua concorrência, e Mictlantecuhtli, deus Azteca da Morte, a perder influência mas não poder. Ao longo da narrativa, Carey vai mostrando através de flashbacks alguns momentos do passado de Constantine com influência nos acontecimentos do presente - e essas cenas são encaixadas na narrativa de forma muito natural, sem quebra de ritmo e sem se alongar para lá do estritamente necessário. Mas mais do que isso, introduz a amizade de Chaz e Constantine de forma muito eficaz, sem se perder na vasta bagagem de ambos, e revela o carácter polémico do protagonista através de uma caracterização interessante e sem papas na língua. Nesse ponto, é interessante notar como a tradutora da edição portuguesa da Devir, Beatriz Pereira, não só não poupou (e muito bem) no calão como também soube converter muito bem algumas das tão características tiradas da personagem.


Igualmente relevante é o trabalho artístico de Leonardo Manco, com o ilustrador argentino a dar vida própria e muita expressividade ao enredo convulso de Carey e à improvisação recorrente com que Constantine se move entre deuses da morte, demónios e autênticos cenários de inferno. Nos pontos mais intensos da narrativa, a arte de Manco é visceral, detalhada e expressiva; fora desses momentos, mantém uma grande solidez e muita expressividade. Vários painéis são memoráveis (as cenas da igreja têm uma arte formidável), com as criaturas sobrenaturais a serem desenhadas com muita expressividade (e especialmente... demoníacas). Os coloristas Lee Loughridge e Zylonol Studios complementaram com empenho o trabalho de Manco.

Olhando para All His Engines no seu todo, talvez não tenha sido uma escolha desadequada para me estrear no vasto universo de Hellblazer: a narrativa contida e fechada dentro do universo mais vasto onde Constantine se desloca mostra o seu carácter peculiar e o tipo de círculos por onde habitualmente se desloca - e a forma como aborda os vários obstáculos que surgem no seu caminho. Estará decerto longe de ser o mais interessante capítulo de Hellblazer - mas como introdução, funciona muito bem. 

Edição portuguesa: Hellblazer: Todo o Seu Engenho. Devir, 2005. Tradução de Beatriz Pereira.