3 de junho de 2013

Blade Runner 2 avança com argumentista de Green Lantern

A notícia foi avançada no portal The Wrap (via SciFiWorld PT): Michael Green, argumentista do filme Green Lantern e de séries televisivas como Heroes e Smallville, foi o escolhido por Ridley Scott para escrever o argumento da sequela ao clássico de culto Blade Runner. O que, a confirmar-se, é uma notícia desanimadora para um projecto que, já de si, suscitava pouco entusiasmo. 

A insistência de Ridley Scott nesta produção é um exemplo curioso do que se passa hoje em dia na indústria cinematográfica norte-americana. Quase imobilizada e incapaz de arriscar em novos temas e em produções mais arrojadas, os blockbusters actuais são reféns da franchise. Vivem da sequela, da prequela, do remake e do reboot - enfim, do eterno retorno aos mesmos locais, por vezes até com as mesmas caras. A possível contratação de um autor menor (pois é disso que se trata) para escrever o argumento à sequela de um filme baseado na obra de Philip K. Dick (um dos grandes da ficção científica) é disso sintomática - pois mesmo tendo Scott e os argumentistas originais atirado borda fora a maior parte do "sumo" de Do Androids Dream of Electric Sheep?, o esqueleto, a acção, ficou lá. E deu um filme a todos os níveis notável. Mas Dick não escreveu qualquer sequela ao seu clássico de 1968 - para quê a insistência quando há tantas obras de ficção científica, de Philip K. Dick e de outros, que não só mereceriam um bom tratamento cinematográfico (The Forever War, livro do qual Scott detém os direitos de adaptação) como serviriam decerto de base para filmes de qualidade, que se não fossem inteiramente originais pelo menos não seriam mais do mesmo. No caso de Scott, a persistência é notável - depois do regresso algo evasivo ao universo de Alien com Prometheus, a insistência na sequela tanto deste como de Blade Runner é notável, ainda que dificilmente meritória. 

Talvez seja demasiado cedo para nos queixarmos - afinal, o ano ainda vai a meio e ainda que After Earth entusiasme pouco, até Dezembro ainda haverá pelo menos três estreias de ficção científica promissoras e desenquadradas de qualquer franchise: Pacific Rim, de Guillermo Del Toro, Elysium, de Neill Blomkamp, e Ender's Game, de Gavin Hood - e se os dois primeiros projectos são ambiciosos e estão a cargo de realizadores com provas dadas, o último é uma adaptação de um dos mais aclamados livros de ficção científica. É pena que estes projectos, mesmo que possam fracassar, pareçam ser a excepção e não a regra. 


4 comentários:

Luís Filipe Silva disse...

O Dick não escreveu sequelas mas o K W Jeter sim - pergunto-me se irão olhar para estas (algumas das quais publicadas em português) quando esquematizarem o guião...

João Campos disse...

A questão é: as sequelas valem a pena?

Luís Filipe Silva disse...

Nunca li. Sempre me pareceram demasiado comerciais (e continuações do filme, não do livro) para me interessarem. Há coisas melhores e menos comerciai do Jeter. É uma pena que, por cá, só tenhamos isto traduzido dele.

João Campos disse...

Eu diria que é antes sintomático... afinal, também à tradução de "Do Androids Dream of Electric Sheep?" se deu o título "Blade Runner" (e a capa), como se o livro do PKD fosse uma novelização do filme do Ridley Scott...