18 de novembro de 2013

Alan Moore (1953 - )

Quando em 2005 os críticos literários Lev Grossman e Richard Lacayo compilaram para a britânica "Time" a lista dos 100 melhores livros de língua inglesa desde 1923, data da fundação da revista. E nessa lista surgiu em destaque uma graphic novel: Watchmen. Pegando no tema dos super-heróis, tão caro ao meio, os doze fascículos de Watchmen viram o tema do avesso e desconstroem-no com minucioso rigor numa Nova Iorque alternativa nos anos 80, onde existem indivíduos mascarados que combatem o crime. Uma ideia que poderia parecer simples, mas que foi desenvolvida com um layout inteligente a suportar uma estrutura narrativa soberba, cruzando os passados e os pontos de vista de várias personagens para dar forma a uma história fascinante, marco absoluto do género. Dave Gibbons foi o artista que desenhou Watchmen; o texto, esse, ficou a cargo de Alan Moore.

E se nos dias que correm os comics (passe o anglicismo, que aqui serve como forma de diferenciação de outras tradições da banda desenhada, como a franco-belga ou a japonesa) conseguiram ascender acima das suas limitações e dos seus estereótipos originais de entretenimento infantil e/ou nerd para se tornarem num meio de excelência não só artística mas também narrativa e mesmo literária, em larga medida tal se deve ao tremendo impacto de Watchmen. Alan Moore já tentara algo daquele género antes, nas páginas da Warrior, com a Inglaterra distópica de V For Vendetta, outro marco do género. E a sua bibliografia não se resume a estas duas obras notáveis: Reformulou The Swamp Thing, série de onde emergiu uma das mais populares e persistentes personagens da linha "Vertigo" da DC Comics, John Constantine; trabalhou em personagens já estabelecidas como o Super-Homem e o Batman (assinou o formidável The Killing Joke); pegou em personagens literárias populares para criar a League of Extraordinary Gentlemen; e criou bandas desenhadas como From Hell, Promethea e Lost Girls. Em prosa, escreveu em 1996 o livro Voice of the Fire

Alan Moore nasceu em Northampton, no Reino Unido, e celebra hoje o seu 60º aniversário.

2 comentários:

Nuno Vargas disse...

Algumas das obras dele são algo verdadeiramente genial. Neste momento estou a ler o "The Courtyard" + "Neonomicon", e é interessante especialmente para apreciadores de H.P. Lovecraft. Mas para mim infelizmente não chega ao nivel médio de Alan Moore.

João Campos disse...

"V for Vendetta" e "Watchmen" encaixam na perfeição na definição de "genial".