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2 de setembro de 2014

Frederik Pohl (1919 - 2013)

Há um ano, com a morte de Frederik Pohl aos 93 anos de idade a ficção científica literária perdeu um dos seus mais relevantes vultos. Ao longo das sete décadas que a sua carreira atravessou no género, Pohl fez praticamente tudo aquilo que é possível fazer. Começou com uma relevante actividade de fã ainda durante a "Golden Age", tendo fundado o grupo nova-iorquino conhecido como "Futurians" (juntamente com Isaac Asimov, Damon Knight, Judith Merrill, Virginia Kidd, James Blish e Cyril M. Kornbluth, entre outros). Foi editor de revistas pulp, publicou crítica, foi agente literário - e, de caminho, ainda deixou como legado alguns clássicos da ficção científica. Em The Space Merchants, escrito a meias com Kornbluth, desenvolveu uma sátira publicitária em tons de distopia; em Gateway, dá início ao universo ficcional Heechee com um romance fascinante, vencedor dos principais galardões do género (Hugo, Nebula, Locus). A sua bibliografia inclui ainda obras como Man Plus e Jem, e as suas colaborações literárias não ficaram limitadas ao seu amigo Kornbluth: também escreveu romances a meias com Jack Williamson e Arthur C. Clarke. The Way the Future Blogs, o seu blogue pessoal, foi actualizado com regularidade até às vésperas da sua morte - e em 2010 valeu-lhe mesmo um prémio Hugo na categoria de "Best Fan Writer". 

11 de março de 2014

Gateway, de Frederik Pohl, será adaptado para televisão

A confirmar-se, esta poderá ser uma das grandes notícias da ficção científica em 2014: Gateway, o romance clássico de Frederik Pohl que conquistou os prémios Hugo, Nebula, Locus e John W. Campbell Memorial na categoria de "Best Novel" entre 1977 e 1978, será adaptado para uma série televisiva. De acordo com o io9 (via Deadline), os direitos de adaptação foram adquiridos pela Entertainment One Television (The Walking Dead) e pela De Laurentiis Co. (Hannibal); e, de momento, as produtoras estarão a seleccionar os argumentistas que transportarão esta fascinante história de Pohl para o pequeno ecrã.

Publicado originalmente em várias partes na revista Galaxy, Gateway situa-se num futuro distópico com uma Terra sobrepovoada, na qual muita gente trabalha em condições miseráveis para poupar o suficiente para comprar um bilhete de ida para "Gateway": uma estação espacial alienígena construída num asteróide próximo do nosso planeta, e repleta de naves interestelares aparentemente funcionais. Quem vai tentar a sorte em "Gateway" torna-se prospector: embarca numa das naves para o seu destino pré-configurado (e inalterável), e parte rumo ao desconhecido. Apenas um terço das naves regressa; nem todas as tripulações, porém, o fazem com vida. A história centra-se em Robinette "Bob" Broadhead, um prospector que fez fortuna numa expedição e que, no presente narrativo, vive entre a elite nova-iorquina. Para além da fortuna, porém, trouxe também um trauma profundo; e é ao longo das suas sessões psiquiátricas que a verdadeira história da sua estadia no asteróide e da expedição em que participou emerge, de forma tão espantosa como aterradora. 

Que Gateway tem muito potencial para dar origem a um excelente drama de ficção científica, disso não há dúvida. Resta saber como será adaptado. 

Fontes: io9 / Deadline

6 de janeiro de 2014

Frederik Pohl e a criação de The Space Merchants

No longo obituário de 2013 no que à ficção especulativa diz respeito, o nome de Frederik Pohl surge destacado: Pohl era um dos mais consagrados decanos da ficção científica literária, vencedor dos principais galardões do género pela sua actividade como escritor, editor e fã - actividade que manteve no blogue The Way the Future Blogs até dias antes da sua morte, aos 93 anos de idade. Gale Anne Hurd, viúva de Pohl, decidiu dar continuidade ao blogue não só através de escritos próprios mas através dos inúmeros rascunhos e artigos completos que Pohl escrevera e acabara por nunca publicar. E entre esses artigos que estão agora a ser publicados encontra-se um, especialmente interessante, sobre a concepção, a escrita e a edição de The Space Merchants, a distopia publicitária que Frederik Pohl escreveu a meias com Cyril M. Kornbluth em 1953. The Story of The Space Merchants é o título do artigo; está dividido em cinco partes (1, 2, 3, 4, 5), ao longo das quais o autor conta as origens da história ainda durante o período da Segunda Guerra Mundial, os vários rascunhos da ideia original, a investigação, a colaboração com Kornbluth, a publicação do romance completo na versão publicada em série nas páginas da revista "Galaxy", à época editada por Horace Gold, e a subsequente publicação em livro. Alguns excertos da primeira parte:
(...) I had a lot of free time on my hands. Much of it I spent exploring the nearby Italian towns and the just as nearby Adriatic Sea beaches. But I was also a little homesick for my beloved city of New York, and what I decided to do about that was to write something about it. That something became a novel, not science fiction, set in the city and concerning what seemed to me one of New York’s most interesting manifestations, the advertising business.
(...)
Then time passed. The war ended. Better times did come, and I was a civilian again with a neat little apartment and attached roof garden at 28 Grove Street in the heart of Greenwich Village. And one of the first things I did after moving in was to pull that manuscript out and read it over.
It was not a joyous experience. I quickly realized that the story had an incapacitating flaw. It was about the advertising business, which was a subject I knew nothing about. It showed.
After some thought, however, I could see a possible way of remedying that. I picked up a copy of the Sunday Times, turned to the Help Wanted pages and found three ads for advertising copywriters. I answered all three. (...)
(...) I once more pulled out that manuscript from my 456th Bomb Group days and read it over. As I read it, I perceived that it had another flaw I had not previously noted. Considered on its merits as a novel it was — what’s the word I should use? — well, lousy.
So as I read the manuscript, I fed it page by page into the fire. And when I was through, there I was, now with some notions about advertising that just begged to be put into a novel, and no novel to put them into.(...)
O artigo completo pode e deve ser lido na íntegra no The Way the Future Blogs. 


5 de setembro de 2013

Frederik Pohl: Fandom is where science fiction writers are born (entrevista)

Bob Farley/The Washington Post
Tal como foi aqui referido, Frederik Pohl, um dos grandes mestres da ficção científica, faleceu há dias aos 93 anos de idade. No Tor.com, Jo Walton assina uma excelente crónica sobre o autor, editor e fã. E no blogue da Amazing Stories, R . K. Troughton republicou a entrevista que fizera a Pohl no início de Agosto - e que terá sido uma das últimas, se não mesmo a última entrevista do autor. Foi uma conversa muito interessante sobre as origens da ficção científica enquanto género literário tal como a conhecemos hoje em dia, da Worldcon e do ambiente das convenções, e do vasto trabalho de editor que Pohl desenvolveu (foi a única pessoa a vencer um Hugo tanto como autor como com editor - e até como fã). Alguns excertos:
Amazing Stories Magazine: (...) What was it like being a science fiction fan when the greats of the industry were still just finding their way? 
Frederik Pohl: It  was wonderful.  We kids who were living in that age didn’t know just how wonderful because they weren’t aware that some of the most exciting discoveries in science—the ones that inspired myriad sf stories—were incomplete, and thus gave both scientists and sf writers freedom to speculate.  Venus was covered in clouds no telescope could see through, so stories could be written about the planet as a single great ocean, or an immense forest with the Venusians living in two-mile-high trees.
Unfortunately for our freedom to imagine, most of what scientists learn about the universe limits, rather than encourages our imagination.  When Doc Smith wanted to go long distances in his Skylark of Space he just stepped on the gas and his ship went as fast as he liked to distant stars.  He had no idea that the speed of light was a limiting factor.
(...)
ASM: (...) Please tell us how WorldCon was created and what transpired at the original event.
FP: Conventions were basically Don Wollheim’s idea, like many other fan innovations.  (Someone should write a biography of Donald just to show in how many ways that is so.)  In 1936 there was much emphasis on political conventions, probably because there was unusual interest in politics as a result of the Depression and the New Deal; that’s what gave Donald the idea to call the visit of half a dozen New York fans to Philadelphia fandom “the first sf convention.” Then he got the idea of taking advantage of New York’s upcoming World’s Fair for bigger game. The Fair would bring millions of visitors to NYC; some small fraction of them would be fans; why not tack on an sf world con with all that raw material floating by?  All of New York’s fans got behind that idea, but then fan feuding messed things up.
(...)
ASM: For those not familiar with your novel Gateway, please tell us a little about the story and how you came to write such a masterpiece.
FP: I wish I could explain it.  Then maybe I could do it often.
(...)
A entrevista completa pode e deve ser lida aqui. 


3 de setembro de 2013

Frederik Pohl (1919 - 2013)

Andrea Bauer / Chicago Reader
2013 continua a ser um annus horribilis para a ficção científica. Frederik Pohl faleceu ontem, aos 93 anos de idade. Com uma carreira literária de mais de 70 anos, Pohl fez praticamente tudo aquilo que é possível alguém fazer dentro do universo da ficção científica. Começou como fã, e muitas foram as polémicas em que se envolveu. Foi um dos co-fundadores do grupo "Futurians", de Nova Iorque - do qual fizeram parte autores como Isaac Asimov, Judith Merrill, Damon Knight, Virginia Kidd, Cyril M. Kornbluth e James Blish, entre outros. Foi editor de revistas pulp e de vários livros, trabalhou como agente literário, desenvolveu crítica. E deixou um legado invejável de literatura de ficção científica.

Colaborou com Kornbluth em várias obras, das quais a mais notável será porventura The Space Merchants: uma intensa e satírica distopia publicitária que Pohl começou a desenvolver ainda nos anos 40, e que viria a ser publicada em 1953 (Pohl chegou mesmo a trabalhar no sector da publicidade para melhor o conhecer). Já em 1984, publicaria a sequela The Merchant's War. Com Jack Williamson escreveu as séries Cuckoo e Starchild, entre outros livros; e já em 2008, colaboraria com Arthur C. Clarke em The Last Theorem. A solo, escreveu obras como Man Plus (1976), Jem (1979) e o extraordinário Gateway (1977), que viria a vencer os prémios Hugo, Nébula, Locus e Campbell Memorial.

Manteve, até praticamente à sua morte, o blogue The Way the Future Blogs - que, em 2010, lhe valeu o Prémio Hugo na categoria de "Best Fan Writer". 

Fonte: Locus Online / io9

12 de abril de 2013

A distopia publicitária de The Space Merchants

Alguns dos livros consensualmente mais populares dentro do vasto género que é a ficção científica são distopias. Várias décadas após a sua publicação original, livros como Nineteen Eighty-Four, Brave New World, Fahrenheit 451 ou A Clockwork Orange continuam ser relevantes, e lidos com frequência, não só pela sua superlativa qualidade literária como também - sobretudo, talvez - pelos futuros que os seus autores imaginaram, tão tenebrosos como verosímeis. Estas serão porventura as distopias mais conhecidas, dentro e fora do género; outras há, porém, que apesar de nunca terem alcançado o mesmo sucesso mainstream, nem por isso são menos relevantes nas suas abordagens e nos seus futuros imaginados. Um desses casos é The Space Merchants, a distopia comercial e publicitária imaginada por Frederik Pohl e Cyril M. Kornbluth e publicada em 1953.

Pohl e Kornbluth imaginaram em The Space Merchants um século XXII sobrepovoado e dominado não por políticos, economistas ou líderes religiosos, mas por publicitários. A sociedade, dividida entre produtores abastados e consumidores a viver em condições miseráveis, está dominada por um capitalismo degenerado, uma autêntica selva na qual tudo vale para os produtores comercializarem os seus produtos - desde campanhas publicitárias espectacularmente agressivas - e enganadoras, claro - à introdução de substâncias viciantes em inúmeros produtos, de cigarros a rebuçados, para provocar dependência em quem os consome. Agências publicitárias travam autênticas batalhas entre si (literalmente - assassínios de executivos são não só frequentes como legais dentro de determinados parâmetros), e a espionagem industrial abunda. A narrativa centra-se em Mitch Courtenay, copywriter genial de uma das maiores agências publicitárias mundiais, a quem é entregue uma das maiores contas do momento: a campanha publicitária para a colonização de Vénus, planeta recentemente visitado por uma expedição e classificado como "habitável", apesar das suas terríveis condições naturais. Um desafio tão aliciante como perigoso, que obrigará Mitch a sair da sua redoma privilegiada e ver a outra face da sociedade onde vive. 

Mais do que um cautionary tale em formato de distopia, The Space Merchants é uma sátira muito bem conseguida sobre o mundo preverso da publicidade e sobre a capacidade que este meio poderia ter para convencer as pessoas - os consumidores - de que precisam de um determinado produto, ou que as suas condições de vida são muito melhores do que imaginam. Ou mesmo, quem sabe, que será desejável correr para conseguir um lugar na primeira nave de colonização de um planeta aparentemente inóspito. Na construção deste futuro, Pohl e Kornbluth forjaram algumas imagens inesquecíveis (a "Chicken Little" e o "Coffiest", para referir as mais óbvias), mostrando as várias faces deste mundo através do ponto de vista  de Mitch, cínico, sarcástico e ainda assim curiosamente ingénuo em alguns momentos. Ainda que num ou noutro ponto The Space Merchants possa parecer um pouco datado, a sátira à publicidade invasiva e enganadora talvez seja hoje mais relevante do que o era há 60 anos - e é veiculada por um protagonista interessante, numa narrativa rápida com tons de mistério. 

Publicado originalmente num formato de série na revista "Galaxy Science Fiction" com o título de Gravy Planet, The Space Merchants resultou de uma ideia de longa data de Frederik Pohl, para a qual Cyril M. Kornbluth deu um contributo importante no desenvolvimento do enredo de Mitch e na conclusão. Para melhor compreender o mundo da publicidade, Pohl chegou mesmo a arranjar um emprego nessa área. Mais recentemente, em 2010, Pohl reviu o manuscrito original, e reeditou-o numa "edição do Século XXI" com várias referências corporativas actualizadas para o presente. Mas independentemente das referências, o universo que imaginou com Kornbluth e a mensagem que a narrativa transmite mantém toda a vivacidade e pertinência. 

26 de novembro de 2012

Frederik Pohl (1919 - )

Um dos mais antigos autores de ficção científica vivos, Frederik Pohl já fez praticamente de tudo dentro do universo do género - começou como fã (e casou-se com uma fã), foi crítico, agente literário, editor de livros e de revistas, e um escritor incontornável na ficção científica. Vencedor da maioria dos prémios com que o género distingue os seus melhores autores (foi a única pessoa a vencer o Prémio Hugo como autor e editor), Pohl tem uma vasta e relevante obra literária. Concebeu a popular saga Heechee, iniciada em 1977 com Gateway, obra icónica que venceu os prémios Hugo, Nébula, Locus SF e Campbell Memorial, e continuada nas obras Beyond the Blue Event Horizon (1980), Heechee Rendezvous (1984), The Annals of the Heechee (1987), The Gateway Trip (1990) e The Boy Who Would Live Forever: A Novel of Gateway (2004). A sua obra a solo inclui dezenas de outras obras, como Jem (1979) e Man Plus (1976), e colaborou ainda com vários autores. Com Cyril M. Kornbluth publicou a antologia de contos The Wonder Effect em 1962, e escreveu The Space Merchants (1955), uma fascinante distopia comercial à qual daria continuidade sozinho em 1985 com The Merchants of Venus. Em parceria com Arthur C. Clarke, escreveu The Last Theorem, em 2008.

Pohl continua a actualizar com regularidade o seu blogue pessoal, "The Way the Future Blogs". Actualmente, vive em Palatine, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Celebra hoje 93 anos. 

28 de outubro de 2012

Citação fantástica (38)

That's what life is, just one learning experience after another, and when you're through with all the learning experiences you graduate and what you get for a diploma is, you die.

Frederik Pohl, Gateway (1977)

22 de junho de 2012

Gateway

A roleta russa tem regras simples. Joga-se com um revólver de seis tiros e uma única bala. Aponta-se à própria têmpora. Prime-se o gatilho. Passa-se ao próximo. Com seis jogadores, a fava - ou melhor, a bala - há-de sair a algum. Podem no entanto haver formas mais interessantes de se jogar à roleta russa, dispensando até o arcaico revólver. Que tal entrar, sozinho ou acompanhado, numa nave de fabrico alienígena, com a rota previamente introduzida e inalterável, para ver onde ela nos leva e o que há no seu destino - e, mais interessante, se ela nos traz de volta ao ponto de partida? 

Foi a partir desta premissa que Frederik Pohl desenvolveu Gateway (1977), obra vencedora dos prémios Hugo e Nébula e um clássico da ficção científica espacial por mérito inteiramente próprio. A narrativa divide-se em dois momentos cronologicamente diferentes, alternando entre si a cada capítulo: o primeiro momento, no presente, passa-se no gabinete do psiquiatra robótico "Sigfrid Von Shrink", durante as várias sessões em que Robinette Broadhead, o protagonista, procura lidar com os seus medos, as suas pulsões e um enorme sentimento de culpa provocado por algo terrível no seu passado; o segundo momento, nesse passado, é a narração do próprio Robinette da sua vida miserável como mineiro na Terra, da lotaria que ganhou e da sua partida para "Gateway" para se tornar Prospector.

"Gateway" é, de forma muito resumida, uma estação espacial alienígena construída pela misteriosa raça Heechee há milhares de anos no interior de um asteróide relativamente próximo da Terra. Encontra-se na sua maior parte funcional, ainda que deserta - nenhum dos seus construtores ou habitantes originais permaneceu lá, ou deixou vestígios da sua passagem e do seu desaparecimento. Para trás ficaram, porém, várias naves espaciais - mais de um milhar, de acordo com as estimativas -, e muitas delas funcionais. Isto, claro, se ignorarmos alguns detalhes: a sua tecnologia não é entendida na totalidade; todas as tentativas de reverse-engineering resultaram na auto-destruição das naves; e, apesar de poderem ser livremente activadas e desactivadas pelos humanos, as suas rotas estão pré-definidas, e o mecanismo que as define e altera escapa à compreensão dos melhores cientistas disponíveis. De qualquer forma, está criada a oportunidade: a Humanidade instala-se em "Gateway", a corporação que controla o asteróide começa a organizar expedições e dezenas de pessoas candidatam-se para Prospectores, deixando "Gateway" em naves individuais ou de dois e cinco ocupantes, com rumo incerto, e sem saber se levam mantimentos suficientes e se regressarão vivos. Algumas naves perdem-se definitivamente. Outras regressam vazias, ou com os seus ocupantes mortos. Outras regressam normalmente com os seus Prospectores, mas sem qualquer descoberta relevante a assinalar. Há, contudo, alguns Prospectores que têm a sorte de encontrar um mundo que suporte vida, ou artefactos Heechee, ou qualquer outra descoberta de grande valor - e esses Prospectores são ricamente recompensados. O que, por sua vez, alimenta a vontade de mais e mais Prospectores querem continuar a ter lugar nesta roleta russa galáctica, na esperança de lhes sair a sorte grande. Robinette narra, justamente, a sua vida em Gateway, desde a sua partida da Terra à sua adaptação ao asteróide, ao seu treino, às suas relações amorosas e aos medos que enfrentou. 

Mais interessante do que a vida de Robinette e os motivos que o levam ao psiquiatra é a própria construção do mundo de Gateway. Frederik Pohl não poupou esforços ou imaginação - o asteróide-estação espacial, com a sua baixa gravidade e os seus habitantes peculiares, tem aquele aspecto gritty, sujo e usado que confere uma atmosfera bastante realista àquela localização fantástica. As naves Heechee são fascinantes, com os seus misteriosos controlos e o pouco que revelam sobre os seus tripulantes originais (questão que fica por responder). E, claro, todo o conceito de exploração às cegas em naves alienígenas antigas é interessantíssimo, e Pohl explora-o de forma magistral através do instável Robinette e das várias personagens que ele vai conhecendo durante a sua estadia em "Gateway". Com um final surpreendente e um sentido de humor interessante, Gateway é uma aventura muito difícil de colocar de lado. Não conheço o resto da “saga Heechee” posteriormente desenvolvida por Pohl, mas este primeiro livro é imperdível.

15 de abril de 2012

Citação fantástica (9)

Wealth ... or death. Those were the choices Gateway offered. Humans had discovered this artificial spaceport, full of working interstellar ships left behind by the mysterious, vanished Heechee. Their destinations are preprogrammed. They are easy to operate, but impossible to control. Some came back with discoveries which made their intrepid pilots rich; others returned with their remains barely identifiable. It was the ultimate game of Russian roulette, but in this resource-starved future there was no shortage of desperate.

Frederik Pohl, Gateway (1977)