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31 de julho de 2014

Interstellar: Novo trailer

Depois do longo mistério e de dois trailers prometedores, ainda que um pouco duvidosos no que à premissa diz respeito, Interstellar consegue finalmente impressionar com o seu terceiro trailer, divulgado ontem. Não que as dúvidas quanto à premissa tenham sido esclarecidas (isso só o filme o fará); mas porque Christopher Nolan parece apostado, uma vez deixada a Terra apocalíptica para trás, em realizar uma odisseia espacial moderna, rigorosa e memorável, com um drama humano sustentado pelas questões da relatividade. No resto, elogie-se a elegância do trailer: imagens criteriosamente escolhidas, uma boa introdução à premissa, às personagens e ao drama que as envolve, sem spoilers excessivos. Algo tão raro no marketing moderno que, por si só, é digno de notícia.

Interstellar tem estreia prevista para 6 de Novembro em Portugal. Abaixo, o trailer.


Fonte: io9

17 de maio de 2014

Interstellar: Primeiro trailer

Depois de um teaser que aguçou a curiosidade, foi ontem revelado o primeiro trailer de Interstellar, o próximo filme de Christopher Nolan, que conta com um elenco de luxo (Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Michael Caine, Jessica Chastain, Casey Affleck e John Lithgow, entre outros) e que marca o regresso do realizador britânico à ficção científica. O filme baseia-se nas teorias científicas de Kip Thorne e propõe, como o título indica, uma expedição humana muito para lá dos limites do Sistema Solar. O diabo, como se costuma dizer, reside nos detalhes - e se o trailer consegue desviar-se da péssima tendência actual de resumir todo o enredo, centrando-se quase exclusivamente na premissa e no ponto de partida, deixando o desenlace oculto, nem por isso deixa de suscitar algumas questões e dúvidas bastante pertinentes sobre a verosimilhança da premissa (e não da tecnologia).

Dúvidas à parte, Interstellar promete levar uma vez mais a ficção científica cinematográfica até ao espaço, e com a estética sempre interessante de Christopher Nolan. A estreia está marcada para Novembro.



Fonte: Empire

28 de março de 2014

This happening world (8)

Have Severed Robot Head, Will Travel: com um título humorístico e alusivo a um clássico de Robert A. Heinlein, Ryan Britt expõe no Tor.com cinco possibilidades para a (inevitável) sequela de Prometheus funcionar. São cinco ideias interessantes, ainda que um tanto ou quanto rebuscadas em alguns casos - nenhuma, porém, parece tão boa como imaginar Ridley Scott deixar este projecto de lado e dedicar-se finalmente à adaptação cinematográfica de The Forever War com um grupo de argumentistas com talento. 

Christopher Nolan revelou alguns detalhes sobre o seu próximo filme de ficção científica, Interstellar. O projecto, que conta com Matthew McConaughey como protagonista e que tem por base as teorias científicas de Kip Thorne, continua envolto em mistério, e Nolan não adiantou muitos pormenores; merece destaque, ainda assim, a sua preferência pela construção de cenários sempre que possível, em contraponto à opção cada vez mais fácil (e generalizada) das computer-generated images. Em Novembro, veremos quão realista será o interior da nave. (via io9)

How we won the war on Dungeons & Dragons: Annalee Newitz, do io9, evoca as dificuldades de afirmação do jogo de role-play clássico Dungeons & Dragons, numa época - não tão distante quanto isso - em que, nos Estados Unidos, grupos de pais mais conservadores consideravam o jogo como obra do Diabo. Literalmente. 

Great Unsung Science Fiction Writers That Everybody Should Read: mais um artigo do io9, desta vez pela pena de Charlie Jane Anders. Não me fica muito por dizer: o artigo dá destaque a John Brunner (como se pode ver pela epígrafe, se este blogue tivesse um santo padroeiro, seria Brunner), e nos comentários alguém chamou a atenção para o esquecimento a que tem sido votado a muito subvalorizada obra de Joan D. Vinge. Não o diria melhor.

Fontes: Tor.com / io9

15 de dezembro de 2013

Interstellar: Primeiro teaser do novo filme de Christopher Nolan

Não há grande produção cinematográfica nos dias que correm que não se faça anunciar pela Internet por teasers aos trailers. Uma tendência curiosa: na prática, um trailer é em si um teaser ao filme propriamente dito; recorrendo à gíria do mundo online, podemos dizer estar na presença de um trailerception (pun intended), no qual o filme acaba tantas vezes secundarizado. Já todos nos deparámos com teasers e trailers que, no afã de chamar a atenção do público, revelam os principais detalhes da narrativa e tornam previsíveis as reviravoltas do enredo. Adiante. Serve esta longa introdução para falar do teaser de Interstellar, filme que marcará em 2014 o regresso de Christopher Nolan à ficção científica - a narração de Matthew McConaughey dá contexto sem revelar detalhes; chama a atenção para o filme sem mostrar o filme; e, pelo menos no que a mim diz respeito, consegue ser muito bem sucedido em despertar a minha curiosidade (disclaimer: não sou propriamente fã de Nolan). 

Interstellar explora um futuro em que a Humanidade se vê obrigada a dar um passo ousado rumo ao desconhecido - às estrelas. Pouco mais se sabe sobre a premissa, para além de que se baseia nas teorias de Kip Thorne; e quanto ao elenco, este conta com Matthew McConaughey, Jessica Chastain, Anne Hathaway, Casey Affleck, Wes Bentley, Michael Caine e John Lithgow. Interstellar tem estreia prevista para Novembro de 2014.

Abaixo, o teaser.


Fontes: io9 / The Verge

16 de abril de 2012

Dentro dos sonhos: Inception e Paprika

O meu problema com o filme Inception, de Christopher Nolan, não é o facto este ser um mau filme - coisa que não é, de todo. O meu problema é de outra natureza: Inception é um filme bastante bom, mas poderia ser muito mais do que isso. E não é por falta de esforço que falha.

Longe de ser apenas "pirotecnia visual", como tanto blockbuster que hoje em dia entope as salas de cinema, Inception é um filme ambicioso, da autoria de um realizador experiente e apostado em cumprir aquilo que a boa ficção científica normalmente faz muito: explorar as potencialidades da tecnologia - efeitos especiais, imagens geradas por computador, câmaras, enfim, um sem-número de truques de encher o olho - para contar uma história. A verdade é que sem recurso a esses truques, filmes como 2001: A Space Odyssey, Star Wars, Alien, Blade Runner ou The Matrix não teriam sido possíveis no seu tempo. Em termos gerais, e pese um ou outro momento menos inspirado, Inception trabalha muito bem a componente visual, e tem algumas cenas que são um regalo para a vista.

Inception parte de uma premissa interessante: a ideia de que existe tecnologia que permite entrar nos sonhos, e assim fazer várias coisas, desde implantar sonhos diferentes a roubar ideias. O problema é que esta ideia nunca é explorada de forma convincente. O filme é demasiado action-oriented, quando uma narrativa que se desenvolve literalmente dentro de sonhos devia ser mais fantasy-oriented. Não falo de elfos e orcs, atenção, mas sim da vertente onírica e surreal que os sonhos têm, e que Inception omite por completo, preferindo utilizar a desculpa de que "os cenários dos sonhos são implantados na mente" para nos presentear com vários "níveis" em que os mecanismos de defesa do inconsciente se resumem a... homens armados. Sim, há a cena do comboio, supostamente representando o "descontrolo" causado por Mal (Marion Cotillard), a falecida mulher de Cobb (Leonardo DiCaprio) - mas mesmo isso é desinspirado. O único momento em que esta lógica parece ser subvertida é quando Eames (Tom Hardy) usa um lança-foguetes, mas esse momento acaba por ser mais um comic relief do que uma demonstração do carácter imprevisível dos sonhos.

Se a isto juntarmos um elenco muito bom e terrivelmente desaproveitado com um argumento demasiado rígido e pouco imaginativo, é bom de ver porque Inception não consegue elevar-se ao patamar altíssimo em que o hype o colocou: o filme é bom, tem momentos excelentes, mas quer revelar-se tão inteligente que acaba por se perder dentro do seu próprio labirinto, sem por um momento conseguir realmente surpreender o espectador nos sonhos que cria e recria.

Por contraste, podemos dar uma vista de olhos à forma como o filme Paprika, de Satoshi Kon, aborda uma premissa parecida. É certo que Paprika é um filme de animação, tendo por isso à partida muito mais liberdade criativa para abordar o tema dos sonhos. A questão é que Paprika trabalha este tema de forma praticamente irrepreensível. Não só as personagens são muito interessantes, como os sonhos são, de facto, surreais, delirantes e imprevisíveis como devem ser. O espectador nunca sabe ao certo o que irá acontecer a seguir - que forma irão as personagens assumir, ou como irá o sonho evoluir. Até ao momento em que todas as camadas se parecem fundir num único pesadelo. Paprika leva-nos para um mundo verdadeiramente onírico, repleto de possibilidades, onde as fronteiras entre o sonho e a realidade se esbatem, e onde o bizarro é rei e senhor - tal como nos nossos próprios sonhos. Se juntarmos a isto a mestria de Satoshi Kon, é bom de ver por que Paprika é um filme tão bom, e por que consegue chegar ao patamar a que Inception aspirou.

Claro que, comparações à parte, Inception não é um mau filme - simplesmente não cumpre aquilo que a primeira meia hora promete. É interessante, sim, mas não explora da melhor maneira todos os caminhos que poderia ter explorado - e alguns dos quais teriam sido bem mais interessantes. Acontece que é justamente essa a diferença entre um filme bom e um clássico. 

Inception: 7.1/10
Paprika: 8.8/10