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10 de janeiro de 2014

You can't stop the signal, Mal: A ressureição de Firefly na banda desenhada

É possível que Firefly se tenha tornado mais conhecida ao longo dos anos pelo seu prematuro e inesperado cancelamento pela Fox ainda antes da conclusão da sua primeira temporada - mas a verdade é que com o passar dos anos, o culto em redor do universo ficcional criado por Joss Whedon com inspirações de space opera e de western cresceu de forma desmesurada. Muitas pontas soltas na narrativa ficaram inevitavelmente por atar - e o filme de 2005, ainda que tenha sido muito bem-vindo (apesar do fracasso na bilheteira), não conseguiu resolver todas as pequenas histórias deixadas em aberto. Não surpreende por isso que Firefly tenha acabado por ganhar uma nova vida na banda desenhada - e foi na Dark Horse Comics que Malcolm Reynolds, Zoe, Wash, Jayne, Kaylee, Inara, Shepherd Book, Simon e River acabaram por ganhar uma nova vida, em várias aventuras mais ou menos soltas, que exploram algumas facetas das personagens e que resolvem ideias deixadas em aberto na série (e há ainda uma nova série na calha a continuar a narrativa após os acontecimentos do filme).

É certo que as bandas desenhadas de Serenity foram feitas a pensar sobretudo nos fãs - quem não tiver o enquadramento dos 14 episódios originais e do filme dificilmente encontrará nestas páginas algo que lhe encha as medidas. Mas para os fãs de Firefly, para os verdadeiros browncoats, estas bandas desenhadas, por breves que sejam, e com todas as suas limitações e falhas (haverá algumas a registar), são sempre bem-vindas - são uma forma de regressar àquele fascinante universo ficcional, e a algumas das melhores personagens que a ficção científica conheceu no pequeno ecrã nas últimas décadas. Aqui fica uma breve análise às histórias de Malcolm Reynolds e da tripulação da "Serenity" contidas na edição paperback de Those Left Behind e no volume hardcover Better Days and Other Stories.


Those Left Behind
História de Joss Whedon e Brett Matthews / Arte de Will Conrad / Cor de Laura Martin
Publicada originalmente em três fascículos em 2005 (e em 2006 compilada numa pequena graphic novel) na sequência da estreia de Serenity, a história de Those Left Behind serve de transição entre a série inacabada e o filme, atando algumas das suas pontas soltas - a saber, o destino dos enigmáticos agentes conhecidos apenas como "Hands of Blue" e a passagem da sua missão para o "Operative" e a partida de Shepherd Book e de Inara. Para isso, Whedon e Matthews pegam numa ponta que parecia estar bem fechada: no Agente Dobson. Para quem não se lembra, no episódio piloto de Firefly o Agente Dobson infiltrou-se na "Serenity" para capturar River e Sam - para acabar, após várias peripécias, abatido a tiro e atirado para a poeira de Whitefall antes de a nave partir. Mas Dobson não morreu, e os "Hands of Blue" dão-lhe a oportunidade de se vingar da tripulação da "Serenity". Isto, claro, é o ponto de partida do segundo fascículo; o primeiro, esse, é um heist ao melhor estilo de Malcolm Reynolds e da sua equipa: um que nunca corre da forma esperada, e que acaba com uma fuga debaixo de fogo até Wash e Kaylee conseguirem salvar o dia (quanto à terceira parte, essa conclui a história com a transição para o início de Serenity). O argumento de Whedon e Matthews captura na perfeição o espírito da série, com excelentes diálogos e as one-liners ao melhor estilo whedoniano; a arte de Will Conrad, essa, reproduz com rigor as personagens tal como as vimos no pequeno ecrã, e possui excelentes detalhes em alguns momentos. 

Better Days
História de Joss Whedon e Brett Matthews / Arte de Will Conrad / Cor de Michelle Madsen
A segunda mini-série de três fascículos de Serenity data de 2006, e intitula-se Better Days. Joss Whedon, Brett Matthews e Will Conrad voltaram a juntar-se para mais uma aventura da tripulação da "Serenity" - que, tal como a de Those Left Behind, começa com um golpe. Com uma diferença fundamental: este só é mal sucedido na aparência, e termina com um resultado no mínimo inesperado para todos. Whedon e Matthews esmeraram-se neste início, que teria sem dúvida dado um excelente episódio da série: a perseguição é intensa e a reviravolta é excepcional. Claro que é de Malcolm Reynolds e da sua tripulação de que falamos - a dada altura, algo terá de correr mal. E desta vez o vilão será Ephraim Sanda, oficial da Aliança e dedicado a perseguir e a eliminar todos os "dust devils" - nome dado aos rebeldes que, após perderem a guerra, continuaram a luta através de acções violentas. Sanda chega à "Serenity" através de Inara - e fica o enigma sobre quem terá sido o "dust devil". Em termos de história, Better Days cumpre todas as expectativas que os fãs de Firefly podem ter: boa acção, excelentes reviravoltas, a equipa a sair de situações complicadas através de muita imaginação e improvisação. A arte de Will Conrad continua a revelar-se bastante sólida - não arrisca, mas também não compromete. 

The Other Half
História de Jim Krueger / Arte de Will Conrad / Cor de Julius Ortha
Serenity: The Other Half é uma história curta publicada na edição de Agosto de 2008 da revista Dark Horse Presents, mais tarde reeditada na edição hardcover intitulada Better Days and Other Stories. A história começa já após o golpe, com uma nave de Reavers no encalço de Mal e da sua equipa. Mas a bordo do veículo roubado segue também um homem ferido, que não é exactamente quem aparenta ser - e caberá a River descobrir a verdade. The Other Half tem o espírito de Firefly, mas peca por ser demasiado curta - teria sido sem dúvida interessante ver como começou aquele golpe, e ver aquelas personagens um pouco mais em acção.


Downtime
História de Zack Whedon / Arte de Chris Samnee / Cor de Dave Stewart
Downtime é mais uma história curta de Serenity publicada pela Dark Horse em 2010 e reeditada em Better Days and Other Stories - na prática, consiste num breve momento com a tripulação enquanto a "Serenity" está bloqueada devido a um nevão. Destaca-se sobretudo pela arte de Chris Samnee - é bom variar do estilo mais realista de Will Conrad nas histórias anteriores, e Samnee e Stewart fazem um excelente trabalho na ilustração e na cor. E também pela revelação final de River sobre Shepherd Book - algo que não será novo para quem tenha acompanhado a série, mas que nem por isso deixa de ser intrigante.

Float Out:
História de Patton Oswalt / Arte de Patric Reynolds / Cor de Dave Stewart
Mais uma homenagem a Wash do que uma história propriamente dita, Float Out passa-se após os acontecimentos de Serenity, com três estranhos a recordarem as aventuras vividas com o piloto antes de ele ter sido contratado por Malcolm Reynolds. É uma história interessante, mas que peca um pouco por falta de contexto - o tributo a Wash seria sem dúvida um excelente pretexto para a tripulação da "Serenity" recordar aventuras anteriores à série. Enfim, Float Out acaba por valer pela revelação final, decerto com consequências para histórias futuras neste universo.

18 de março de 2013

You can't stop the signal, Mal

Não desejar um regresso da série, porém, não quer dizer que não goste de a rever - ou de a ver referida  ou parodiada noutras séries pelos actores que lhe deram vida há mais de uma década. Afinal, o Viagem a Andrómeda continua a ser um blogue browncoat - e todos os dias são um bom dia para relemberar Firefly/Serenity.



17 de março de 2013

Joss Whedon, Firefly e o crowdfunding: I'm booked up by Marvel for the next three years

Era mais ou menos previsível: quando na semana passada foi anunciada a produção de um filme da série Veronica Mars com financiamento através de Kickstarter (crowdfunding), as atenções voltaram-se quase de imediato para uma das séries com um mais forte culto na Internet: Firefly. Sem surpresas: a série de Joss Whedon criada em 2002 e cancelada antes mesmo de chegar ao fim da sua primeira temporada  tem ainda hoje uma autêntica legião de fãs que continua a manter viva a chama. No SF Signal, Andrew Liptak deu logo o mote:
The inevitable question that comes out of this is clear to me: How soon before Joss Whedon does this with Firefly? There’s a bit of wishful thinking here, but given that there’s a continual, growing fan base for the beloved Fox TV show, cast members who speak nostalgically about it and a director who filmed an entire movie in a house on his honeymoon, projects like this make me wonder if the long absence of new Firefly material is growing shorter. I certainly hope so.
Algo que terá certamente passado pela cabeça de muitos browncoats por esse mundo fora - e, inevitavelmente, a questão chegou a Joss Whedon, criador da malfadada série - que se apressou a esclarecer em entrevista ao jornalista Adam B. Vary, do portal BuzzFeed (via io9):
My fourth feeling when I read about [the Veronica Mars Kickstarter campaign] was a kind of dread. Because I realized the only thing that would be on everybody's mind right now. I've said repeatedly that I would love to make another movie with these guys, and that remains the case. It also remains the case that I'm booked up by Marvel for the next three years, and that I haven't even been able to get Dr. Horrible 2 off the ground because of that. So I don't even entertain the notion of entertaining the notion of doing this, and won't. Couple years from now, when Nathan [Fillion]'s no longer [on] Castle and I'm no longer the Tom Hagen of the Marvel Universe and making a giant movie, we might look and see where the market is then. But right now, it's a complete non-Kickstarter for me.
Para além, claro, da diferença óbvia entre conseguir financiar através de crowdfunding uma série como Veronica Mars e Firefly (ou um filme como Serenity):
We come to Veronica Mars to hear her talk and hear her father talk. But Firefly/Serenity, it's kind of a different animal — and then there's also the question of what kind of animal it is. Because some people are talking about Firefly episodes. Some people are talking about [a new] Serenity. (...) For me, [Kickstarter] doesn't just open the floodgates. God knows, things are cheaper now than when we made even Serenity. Good effects can be done in a different manner. Nor is that universe all about spectacle either. But it is a tad more expensive — and a little all-consuming! (...)
Enquanto fã do universo criado por Whedon, mantenho a posição que manifestei no artigo sobre Firefly que escrevi para o portal TV Dependente em Junho do ano passado: em 2002, Firefly foi a série certa no momento errado; hoje (ou a curto prazo), seria provavelmente a série errada no momento certo. E digo isto com muita pena: gosto imenso da série, e nada me teria dado mais prazer do que continuar a acompanhar as aventuras do capitão Malcolm Reynolds e da tripulação da "Serenity". Mas mais de uma década volvida, é difícil imaginar que fosse possível continuar a série de alguma forma mantendo o seu encanto original - mesmo admitindo que tanto o realizador como os vários actores continuam a nutrir um grande carinho por aquele projecto abandonado pela Fox de forma tão prematura. E para sair uma série ou um filme inferior de Firefly, será preferível ficarmos com aquilo que já existe - que é pouco, mas excepcional.

Fontes: SF SignalBuzzFeed / io9