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25 de setembro de 2013

Robot, Empire e Foundation: O legado de Asimov na ficção científica

Ao longo das três últimas semanas, John DeNardo (do SF Signal) publicou no Kirkus Reviews Blog uma série de três artigos dedicados a Isaac Asimov, às três grandes séries literárias que desenvolveu ao longo da sua carreira - a saber, Robot, Empire e Foundation - e à forma imperfeita mas engenhosa como as uniu num vastíssimo universo ficcional que deixou uma marca indelével na ficção científica literária (e não só). Ficam os três como leituras recomendadas: 

O primeiro artigo, I, for one, welcome our robot overlords, incidiu sobre as origens deste universo nas histórias originais que Asimov escreveu nos anos 40 sobre os robots - retirando-os do papel de vilão que habitualmente desempenhavam na ficção científica da época e colocando-os ao lado dos humanos. É nestas histórias, compiladas na antologia I, Robot, que nascem as célebres Três Leis da Robótica, influentes até aos dias que correm - e que viram os seus temas alargados para vários romances de ficção científica temperados com motivos de histórias de detectives. The 1000 Year Plan, o segundo artigo, é dedicado aos sete livros que compõem uma das mais populares séries literárias da ficção científica: Foundation. Partindo de uma série de contos posteriormente interligados num único volume, Asimov transporta The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, de Edward Gibbon, para um futuro distante no qual a Humanidade estabeleceu um império galáctico em queda iminente. Hari Seldon, fundador da "psicohistória", propõe um plano para reduzir o período de barbárie que se seguirá à queda do império para mil anos - e para levar a cabo tal plano estabelece duas Fundações em pontos distintos da galáxia. DeNardo conclui a série com Still Going Strong, um artigo dedicado ao legado das três séries de Asimov e à vasta influência que tiveram, e têm ainda, na ficção científica. Vários são os autores que continuaram a desenvolver os temas propostos por Asimov nas suas histórias, tanto em mundos secundários novos como no universo já estabelecido nas histórias do mestre. 

Fontes: SF Signal / Kirkus Reviews

24 de fevereiro de 2013

Citação fantástica (55)

Now any dogma, based primarily on faith and emotionalism, is a dangerous weapon to use on others, since it is almost impossible to guarantee that the weapon will never be turned on the user.

Isaac Asimov, Foundation (1951)

29 de outubro de 2012

Paul Krugman: My Book is Asimov's Foundation Trilogy.

Há uma frase do economista Paul Krugman sobre The Lord of the Rings de Tolkien e Atlas Shrugged de Ayn Rand the se tornou - nas palavras do próprio - num meme na Internet, sendo frequentemente citada para atacar a filosofia objectivista da autora russo-americana. Considerações à parte sobre o Objectivismo ou a influência de Tolkien ou Rand na vida de um jovem, não deixa de ser surpreendente (para mim) ver Krugman a destacar a trilogia Foundation, de Isaac Asimov, como uma das suas principais referências literárias. A Folio Society lançou uma (magnífica) edição especial ilustrada da trilogia premiada de Asimov que conta com o prefácio do economista, onde se pode ler:

Maybe the first thing to say about ‘Foundation’ is that it’s not exactly science fiction — not really. Yes, it’s set in the future, there’s interstellar travel, people shoot each other with blasters instead of pistols and so on. But these are superficial details, playing a fairly minor part in the story. The‘Foundation’ novels are about society, not gadgets — and unlike, say, William Gibson’s cyberpunk novels, which are excellent in a very diferent way, they’re about societies that don’t seem much afected by technological progress. Asimov’s Galactic Empire sounds an awful lot like the Roman Empire. Trantor, the empire’s capital, comes across as a sort of hyper-version of Manhattan in the 1940s. The Foundation itself seems to recapitulate a fair bit of American history, passing through Boss Tweed politics and Robber Baron-style plutocracy; by the end of the trilogy it has evolved into something resembling mid-twentieth-century America — although Asimov makes it clear that this is by no means its final state.



9 de setembro de 2012

Citação fantástica (31)

The temptation was great to muster what force we could and put up a fight. It's the easiest way out, and the most satisfactory to self-respect--but, nearly invariably, the stupidest.

Isaac Asimov, Foundation (1951)

20 de julho de 2012

Leitura de férias

Estes conteúdos têm mais de um ano, mas merecem ser lidos e relidos e debatidos: na secção "Blogging the Hugos"*, do portal io9, o escritor freelance Josh Wimmer e o editor Alasdair Wilkins dedicaram uma semana, em Maio do ano passado, a falar dos sete livros que compõem a série Foundation, de Isaac Asimov (Foundation's Edge venceu o Prémio Hugo em 1983, e a trilogia original ganhou o Hugo especial - e único - para melhor série literária no Fantástico, um prémio que se pensava feito à medida de The Lord of the Rings, de Tolkien). Cada artigo - repleto de spoilers - consiste numa troca de ideias entre Wimmer e Wilkins sobre os vários livros de Foundation, e revelam uma análise muito interessante a esta obra seminal da Ficção Científica. Para poupar tempo aos leitores, deixo aqui as ligações para os sete artigos:



*E, já que estou a fazer sugestões de leitura, não deixem de ler os vários artigos da secção "Blogging the Hugos", sobre os vários livros que ao longo dos anos venceram o Prémio Hugo na categoria "Best Novel". Para mim, foi excelente ler os artigos sobre alguns dos meus livros de ficção científica preferidos, como The Moon Is a Harsh MistressThe Forever War, Starship Troopers, The Snow Queen ou Gateway, entre vários outros.

16 de fevereiro de 2012

Foundation



Consta que quando em 1966 foi criado o prémio Hugo para "All-Time Best Series" (o único atribuído até à data), toda a gente pensou ser este um galardão feito à medida para J.R.R. Tolkien e a extraordinária obra The Lord of the Rings. O prémio, no entanto, acabou por calhar a outra trilogia: Foundation.
Isaac Asimov foi - é - considerado um dos "três grandes" da ficção científica, a par de Arthur C. Clarke e de Robert A. Heinlein. Com toda a justiça, diga-se de passagem: as super-citadas "Três Leis da Robótica" são da sua autoria, assim como a série Robot (parte integrante do universo de Foundation), um dos mais famosos contos de ficção científica de todos os tempos (Nightfall) e, claro, Foundation - uma obra que é sem dúvida um dos textos essenciais do género.

A história de Foundation tem início num futuro distante, no qual a raça humana colonizou a espiral da Via Láctea de uma ponta à outra, na forma de um Império Galáctico que se estende por milhões de planetas e governa triliões de pessoas. A capital do Império, perto do centro da Galáxia, é a cidade-planeta de Trantor – e nela vive Hari Seldon, o eterno (e ausente) protagonista da série, o matemático prodigioso que estabeleceu o princípio de que o futuro da raça humana, enquanto observação das massas, pode ser previsto e determinado com precisão através de equações matemáticas. Nasce assim a “Psicohistória”, ramo científico que deu a Seldon e aos seus seguidores a capacidade de ver o declínio do Império, já em curso, e a sua inevitável queda, à qual se seguiriam trinta milénios de barbárie em redor de estilhaços da civilização espalhados entre as estrelas.

Pretendendo alterar o curso da História e reduzir o período de ocaso da humanidade para apenas um milénio, Seldom embarca numa viagem, com todos os seus cientistas, para o distante planeta de Terminus, na orla da Galáxia. E em Terminus nasce a Fundação, uma cidade dedicada ao projecto de elaborar uma “enciclopédia galáctica”, um repositório de conhecimento científico que permitisse à raça humana renascer após as trevas da queda do Império.

Seldon prevê, através da Psicohistória, que a Fundação teria de atravessar várias “crises” ao longo dos tempos. E são essas crises que, em termos de estrutura narrativa, marcam as cinco partes de Foundation: a primeira, em jeito de prólogo, narra a história da partida de Seldon de Trantor e o estabelecimento da Fundação; a segunda parte, intitulada “os Psicohistoriadores”, conta a história da Fundação após a morte de Seldon e a nascente sociedade de Terminus governada pelos seus sucessores; a terceira parte tem o título “The Mayors”, e mostra uma Fundação já governada pelo poder político, e envolvida em tensões político-económicas com os mundos que lhe estão mais próximos à medida que o declínio do Império se acentua e este perde o controlo da periferia galáctica; na quarta parte, intitulada “The Traders”, narra a ascensão do poder económico tanto no interior da Fundação, em Terminus, como na sua expansão para os mundos próximos; e, por fim, a quinta parte da história revela uma Fundação dominada pelo poder económico, que leva a sua influência a vários mundos da orla da galáxia – muito adequadamente, esta parte tem o título de “The Merchant Princes”. Todas estas etapas, que abrangem um período de sensivelmente 150 anos, foram matematicamente previstas por Hari Seldon, que determinou com exactidão a natureza de cada crise.

A história de Foundation não acaba aqui: a série tem um total de sete livros, com quatro sequelas e duas prequelas ao livro original. A Foundation segue-se Foundation and Empire, Second Foundation, Foundation’s Edge e Foundation and Earth; Prelude to Foundation e Forward the Foundation narram os eventos que antecederam a partida de Seldon e o estabelecimento da Fundação. Para além disso, Asimov integrou no universo de Foundation as séries Robot e Galactic Empire, assim como vários contos dispersos - até mesmo o romance Eternity's End acaba por estar, de certa forma, ligado a Foundation. Essas histórias, que eu mesmo ainda estou a descobrir (apenas li os sete livros da série principal), deixo-as à curiosidade do leitor.

(adaptado deste artigo publicado originalmente no Delito de Opinião)