Mostrar mensagens com a etiqueta adaptações. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta adaptações. Mostrar todas as mensagens

1 de março de 2013

The Drowned World de J.G. Ballard terá adaptação cinematográfica

Os direitos de adaptação cinematográfica de The Drowned World, o clássico de J.G. Ballard de 1962, foram adquiridos pela Warner Bros., que vai desenvolver este projecto com a Heyday Films (produtora responsável, entre outros filmes, pela série Harry Potter e por Gravity, filme de ficção científica que deverá estrear este ano). Num livro que antecipa o tema do aquecimento global, Ballard imagina um futuro no qual o gelo dos pólos derreteu, inundando vastos territórios e cidades e provocando mudanças climatéricas que alteraram drasticamente os ecossistemas mundiais. Até ao momento, esta é a única informação que se sabe deste filme, pelo que é impossível prever quem realizará, quem integrará o elenco ou quando irá estrear - mas é, sem dúvida, um projecto a acompanhar.



Fontes: io9 / Deadline

25 de fevereiro de 2013

O cinema (fantástico) em loop

No rescaldo dos Óscares, este artigo de Gary Dalkin no blogue da Amazing Stories sobre o estado da indústria cinematográfica parece-me mais actual e pertinente do que nunca: Cloud Atlas Shrugged - or let the Skyfall. Fala sobre o tempo - perdido, aparentemente - em que os filmes eram grandes produções individuais, feitos com risco e brio, com o propósito de encantar as audiências, que os encaravam como um autêntico espectáculo. Todo o artigo é digno de leitura cuidada, mas destaco uma ideia que me parece fundamental: 

Great cinema don't need sequels.

O que é bem verdade - os grandes filmes, de facto, não precisam de sequelas. Como os grandes livros não precisam. Isto, note-se, não significa que não se possam fazer boas séries literárias ou cinematográficas: veja-se The Lord of the Rings (em livro e filme), EarthseaHis Dark Materials ou Foundation. Philip K. Dick, porém, nunca escreveu uma série - e é um dos melhores autores que o género já conheceu (para dar apenas o exemplo mais evidente). Isto não significa que não tenha havido bons filmes de género em franchises: The Hobbit: An Unexpected Journey foi um bom primeiro capítulo (ainda que pouco inspirado) de uma nova trilogia, The Avengers foi um dos filmes mais divertidos do ano, e mesmo a câmara sísmica de The Hunger Games não estragou demasiado um filme interessante q.b.. Mas, como bem relembra Dalkin, 2012 foi também o ano em que Ridley Scott decidiu regressar ao universo de Alien para o abastardar ainda mais com Prometheus - e promete repetir a graça com a sequela a Blade Runner. Algo que é mais grave ainda quando detém os direitos de adaptação de um dos melhores livros de ficção científica militar jamais escritos: The Forever War, de Joe Haldeman. 2012 foi também o ano em que The Dark Knight Rises voltou a afundar Batman para os níveis próximos dos de Batman Forever, mas com a agravante de se levar demasiado a sério. 

Isto, como relembra o autor, não seria grave se a indústria não estivesse tão dependente das franchises que se tornou avessa ao risco. Uma vez mais, ano foi paradigmático: as duas grandes produções de cinema fantástico (Cloud Atlas e Looper) foram independentes - e ignoradas em quase tudo o que foi prémio. O resto? Franchises, aquelas que já referi acima. Dalkin fala de Cloud Atlas (que, como o caro leitor saberá se acompanha o blogue, foi o meu filme preferido em 2012), um filme a todos os níveis notável: no argumento, nos desempenhos, na caracterização, na interligação entre cada uma das excelentes histórias que compõem a narrativa. Conseguir financiamento para o filme, porém, foi um desafio - e os resultados de bilheteira foram uma desilusão para um filme tão ambicioso e arrojado. É certo que continuam a ser feitos excelentes filmes de ficção científica, mas são quase sempre produções independentes, com orçamentos muito limitados e poucos recursos. 

Gostaria de pensar que não será necessário seguir o conselho do autor e deixar de acompanhar franchises no cinema. Que, mais cedo ou mais tarde, os estúdios voltarão a arriscar e voltaremos a ter grandes filmes de género - sejam conceitos originais ou adaptações de algumas obras literárias notáveis (Rendezvous With Rama e Ubik continuam em development hell?). Que, mais dia menos dia, a ficção científica voltará a ter um filme com a ambição, a qualidade e o impacto de um Blade Runner ou The Matrix. Contudo, ao olhar para o que foram os últimos anos - e, sobretudo, ao olhar para o que será este ano em termos de estreias -, é difícil manter as expectativas minimamente elevadas.


6 de fevereiro de 2013

O "Público" e as adaptações cinematográficas

Fora de Portugal, o professor de guionismo da UBI [João de Mancelos] elege a história de um amor adiado em plena Segunda Guerra Mundial, Expiação, escrito por Ian McEwan em 2001 e realizado em 2007 pelo britânico Joe Wright. Na opinião deste professor, o espírito de reencarnação e predestinação imaginado por Stephen King, em 1977, foi igualmente bem captado por Stanley Kubrick em Shining (1980), que também realizou 2001: Odisseia no Espaço (1968) e Laranja Mecânica (1971). [Público]

Não se percebe o "também" a referir-se a 2001: Odisseia no Espaço - o filme, ao contrário do que se possa pensar, não é uma adaptação de um livro, pois tanto o filme de Stanley Kubrick como o livro de Arthur C. Clarke resultaram de um projecto conjunto de ambos. Já Laranja Mecânica é, de facto, uma adaptação (muito fiel, por sinal) do clássico de Anthony Burgess - e talvez merecesse mais do que uma referência de passagem. É pena que um artigo publicado num órgão de comunicação social dito "de referência" tenha tanto medo do Fantástico e não mencione algumas mas mais conhecidas e bem sucedidas adaptações cinematográficas, como Blade Runner, Fahrenheit 451 ou mesmo de The Lord of the Rings (um fenómeno mundial). Entre muitos outros claro. E, já agora, se a ideia era também falar do sucesso de adaptações, então talvez a série Harry Potter merecesse mais do que a ambígua referência final - quase como se Rowling tivesse escrito os livros em função dos filmes. Enfim, é o que se arranja. 

Fonte: Público

5 de dezembro de 2012

Ender's Game: Primeira imagem da adaptação cinematográfica

Ender's Game, o filme, só estreará em Novembro de 2013 - ainda faltam muitos meses para podermos todos ver quão fiel será esta adaptação do livro premiado de Orson Scott Card. Como certamente ainda faltarão alguns meses para a disponibilização do primeiro trailer. Para já, fica esta primeira imagem do filme, com Harrison Ford em destaque no seu papel de Coronel Graff.


Um dos pontos da adaptação que mais discussão tem gerado online é relativo à idade das personagens. No livro, Ender e os restantes miúdos tinham seis anos quando ingressaram na Battle School; no filme, parecem estar a entrar na adolescência. Para além das questões práticas decorrentes da rodagem do filme, esta decisão de envelhecer as personagens pode revelar-se positiva, apesar de ser um desvio claro à narrativa que lhe serve de inspiração. Talvez não seja má ideia recordarmos o caso da série Game of Thrones


20 de novembro de 2012

A ficção científica e o cinema: A Scanner Darkly, ou a adaptação (quase) perfeita de Philip K. Dick

Já falei várias vezes aqui no blogue sobre A Scanner Darkly, aquele que para mim é (até ver) o melhor livro de Philip K. Dick - uma trip vertiginosa e autobiográfica sobre as consequências do consumo abusivo de drogas pesadas através da história de um polícia infiltrado da Brigada de Narcóticos. Em 2006, estreou nas salas de cinema a adaptação desta extraordinária obra: A Scanner Darkly, realizada por Richard Linklater, uma produção independente de baixo orçamento com um elenco de luxo (Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr., Woody Harrelson e Rory Cochrane).

A narrativa de A Scanner Darkly decorre em Anaheim, Orange County (Califórnia), num futuro próximo ("sete anos no futuro", como é dito antes dos créditos iniciais) marcado pela hiper-vigilância dos cidadãos. Numa sociedade com 20 por cento de indivíduos viciados em drogas pesadas, trava-se uma "guerra" sem tréguas entre as autoridades governamentais de combate aos narcóticos e os traficantes de droga. A principal preocupação das autoridades é a "Substance D": uma uma droga tão poderosa como viciante, capaz de provocar danos irreversíveis no cérebro. Para combater o flagelo, a polícia emprega agentes infiltrados que levam uma vida aparentemente normal nos meios onde circulam as drogas. Só nas altas esferas da autoridade é que a identidade dos agentes infiltrados é conhecida; nas instalações ligadas à polícia, utilizam uma tecnologia muito interessante intitulada scramble suit: um fato que lhes oculta a identidade ao mostrar uma série de expressões faciais e volumes corporais a uma velocidade tão rápida que a figura se torna numa mancha indistinta. Robert "Bob" Arctor (Keanu Reeves) é um destes agentes com vida dupla: divide casa com James Barris (Robert Downey Jr.) e Ernie Luckman (Woody Harrelson), e mantém uma relação amorosa e algo platónica com Donna Hawthorne (Winona Ryder). No decurso da sua investigação, começa a consumir "Substance D", tal como os seus companheiros, viciando-se na droga - e começa a sentir os seus efeitos preversos quando sente a sua identidade a fragmentar-se, à medida que o seu trabalho o leva a investigar-se a si mesmo.

Com premissas clássicas de Philip K. Dick - a fragmentação de identidade e a permanente interrogação sobre a realidade -, A Scanner Darkly recria a narrativa complexa e vertiginosa do livro através de um guião fragmentado mas sempre coerente, nunca perdendo de vista o livro em que se baseia. A elevada fidelidade do filme face à obra original, porém, deve-se não só ao excelente guião, mas também a outros dois factores: o elenco e a animação.

O elenco, como referi, é excepcional, e apresenta desempenhos que correspondem às expectativas: Keanu Reeves provou, uma vez mais, ter o melhor agente do mundo, pois a alienação e a inexpressividade que o caracterizam (e que tanta vez servem para o parodiar) fazem dele um Bob Arctor a todos os níveis perfeito; Winona Ryder interpreta uma Donna Hawthorne particularmente expressiva; Woody Harrelson e Rory Cochrane dão solidez e verosimilhança às personagens de Ernie Luckman e Charles Freck; mas é Robert Downey Jr. quem brilha no papel de James Barris, com um desempenho frenético, alucinado, rico em tiques e maneirismos que dão à personagem uma densidade especial. 

A animação é um dos aspectos mais curiosos do filme. Richard Linklater empregou a técnica da rotoscopia (em inglês, rotoscoping), que consiste na construção da imagem animada sobre uma filmagem verdadeira. Dito de outra forma: o filme foi filmado de forma normal na sua totalidade, e animado depois, sobre a filmagem original. O resultado é uma animação simultaneamente detalhada e difusa, viva e colorida, em movimento permanente - e que encaixa na perfeição tanto no tema como no tom do filme, contribuindo para a alienação experimentada por Arctor à medida que a sua identidade se fragmenta. É certo que, para muita gente, a utilização desta técnica de animação foi problemático e diminuiu o impacto do filme; para mim, porém, a sensação foi a oposta: a animação acentuou o tom do filme, ao ponto de meio e mensagem se confundirem para criar um filme único. 

Uma última nota para a excelente banda sonora de Graham Reynolds, e sobretudo para as quatro músicas de Radiohead e para a música a solo de Thom Yorke incluídas no filme. Para além de serem excelentes músicas (claro), encaixam de forma muito subtil na narrativa e na animação. 

A Scanner Darkly será porventura a mais fiel das adaptações cinematográficas da obra de Philip K. Dick - e muitos foram os seus contos e livros a chegar ao grande ecrã, com mais ou menos sucesso. Tanto na evolução do enredo como no tom da narrativa, o filme acompanha os momentos principais do livro, sem deixar de parte duas das mais memoráveis e hilariantes cenas descritas por Philip K. Dick: a discussão a propósito das mudanças da bicicleta e o karma  (chamemos-lhe assim para evitar o spoiler) de Charles Freck. Com uma premissa fascinante, uma narrativa complexa, uma componente visual alucinante e uma banda sonora superlativa, A Scanner Darkly destaca-se com facilidade tanto entre os melhores filmes de ficção científica da última década como entre as melhores adaptações de um dos mais fascinantes - e importantes - autores da ficção científica. 8.1/10

A Scanner Darkly (2006)
Realizado por Richard Linklater
Com Keanu Reeves, Winona Ryder, Robert Downey Jr., Woody Harrelson e Rory Cochrane
100 minutos


19 de novembro de 2012

Seasons, de Joe Haldeman, terá adaptação cinematográfica

Seasons, uma noveleta de ficção científica de Joe Haldeman (publicada originalmente na antologia Alien Stars, editada por Elizabeth Mitchell em 1985, e na antologia de ficção curta Dealing In Futures, de Haldeman, publicada no mesmo ano), vai ser adaptada ao cinema. Os direitos de adaptação foram adquiridos pela Sony, e Tim Miller, realizador do recentemente anunciado filme de Deadpool, irá realizar este filme, com argumento escrito por Sebastian Gutierrez (que, para quem não sabe, foi o autor do argumento de uma pérola cinematográfica intitulada... Snakes on a Plane).

Já no que diz respeito à adaptação de The Forever War por Ridley Scott (mencionada pelo Nuno Reis neste artigo do SciFiWorld), duvido que algum dia venha a acontecer. O realizador anunciou recentemente querer realizar e produzir vários filmes de horror e ficção científica de médio e baixo orçamento ao longo dos próximos três anos, e parece querer mesmo avançar com a sequela a Prometheus - e, pior, com a sequela a Blade Runner. É certo que os seus estúdios têm os direitos de adaptação de The Forever War (que foi um dos melhores livros de ficção científica que já li), mas o que não falta é direitos de adaptação esquecidos no development hell (ainda alguém fala na possibilidade de Rendezvous With Rama, de Arthur C. Clarke, chegar ao grande ecrã?). E, de resto, depois do que Scott mostrou no seu regresso à ficção científica com Prometheus, talvez o melhor seja deixar a história do soldado Mandella em paz. 


31 de outubro de 2012

Dez clássicos de ficção científica que deviam ser adaptados ao cinema*

No io9 (em modo alternativo devido ao furacão Sandy), Charlie Jane Anders fala sobre os dez livros de ficção científica que jamais conhecerão adaptação cinematográfica. É uma lista com títulos interessantes (falo dos títulos porque ainda não li nenhum deles), à qual poderíamos acrescentar muitos mais. Mas há outros casos - por exemplo, de obras de ficção científica que não foram adaptadas ao cinema, mas que deviam. Aproveitando a deixa, aqui fica a minha lista de clássicos da ficção científica que poderiam dar excelentes filmes se adaptados ao cinema*:

1. The Stars My Destination, de Alfred Bester
Sim, esta é muito falada - mas como qualquer pessoa que tenha lido o livro entende, é incontornável. A história de Gully Foyle na sua cruzada de vingança pelo Sistema Solar é uma história de acção incrivelmente cinematográfica. Junte-se a isso uma vasta conspiração interplanetária, tribos estranhas a viver na cintura de asteróides e uma sociedade cujo método de transporte assenta na teletransportação e temos todos os ingredientes para um grande filme de ficção científica.

2. The Snow Queen, de Joan D. Vinge
Nesta obra premiada da autora norte-americana, encontramos uma conspiração galáctica e um mistério muito antigo em redor Tiamat, um planeta remoto que contém o segredo para a juventude eterna e que é habitado por duas tribos diametralmente opostas. Do ponto de vista visual, há o vasto oceano de Tiamat, a misteriosa Carbuncle, cidade em forma de búzio, e a avançada sociedade de Karemough. Arienrhod seria sem dúvida uma vilã inesquecível, e um bom elenco poderia fazer maravilhas com a excelente galeria de personagens de Vinge. Quem se queixa da falta de diversidade étnica nos filmes de ficção científica teria aqui um festim. Da mesma autora, Psion também poderia dar um filme muito interessante.

3. The Moon Is a Harsh Mistress, de Robert A. Heinlein
Starship Troopers foi adaptado ao cinema em 1997 - e consta que já há um remake na calha, que procura ser mais fiel à obra de Robert A. Heinlein. É contudo uma pena que ninguém mostre interesse em adaptar um dos livros mais premiados e mais interessantes da vasta obra de Heinlein: The Moon Is a Harsh Mistress. A história da revolta da colónia lunar e das subsequentes negociações de independência poderia dar um excelente filme, suportado por excelentes personagens e com um toque de humor impecável.

4. Ubik, de Philip K. Dick
Não há outro autor de ficção científica cuja obra tenha sido tão adaptada ao cinema como Philip K. Dick. Apesar de me surpreender que (ainda) ninguém tenha ainda feito um filme baseado no premiado The Man in the High Castle, julgo que Ubik seria uma melhor opção - a sua história bizzara de uma conspiração a envolver psíquícos numa realidade em desintegração seria sem dúvida fascinante no grande ecrã - numa boa adaptação, claro. Parece que Michel Gondry (realizador de Eternal Sunshine of the Spotless Mind) está a trabalhar no projecto, apesar de haver muito pouca informação sobre ele. 

5. The Forever War, de Joe Haldeman
Outro que parece estar na calha (ou, pelo menos, no development hell), desta ver com Ridley Scott a deter os direitos de adaptação do clássico de ficção científica militar de Joe Haldeman. Com franqueza: seria preferível ver Ridley Scott a tentar esta adaptação do que a trabalhar nas duas sequelas que tem na calha: a do sofrível Prometheus e a do genial Blade Runner. The Forever War é uma história fascinante sobre a guerra espacial que a Humanidade trava com uma raça alienígena, utilizando a dilatação temporal como metáfora para a alienação vivida pelos soldados quando deixam a guerra e regressam para um mundo que lutaram para preservar, mas que já não é o seu. Isto, por si só, daria um filme fascinante;com as enormes mudanças sociais que ocorrem durante o tempo que William Mandela passa no Exército teríamos material para um filme inesquecível. 

6. Childhood's End, de Arthur C. Clarke
Filmes como Independence Day e séries como V familiarizaram-nos com os alienígenas que chegam à Terra em gigantescas naves, que estacionam sobre as principais cidades do planeta. O que talvez menos gente saiba é que esta trope vem de um clássico de Arthur C. Clarke publicado na década de 50 e que é um dos mais fascinantes livros de ficção científica que já tive a oportunidade de ler. A premissa que sustenta o livro é formidável e muito cinematográfica, mas é no extraordinário final que reside toda a força de Childhood's End. Bem adaptado, seria filme para não deixar ninguém indiferente. 

7. Nightfall, de Isaac Asimov
Batota, eu sei - o conto clássico de Asimov já foi adaptado ao cinema duas vezes, com resultados que, segundo consta, oscilaram entre o mau e o péssimo. Por isso mesmo seria interessante ver uma boa adaptação de Nightfall, em formato de thriller, à medida que as várias personagens juntam as peças do puzzle que é o eclipse total que mergulha o planeta Lagash/Kalgash nas trevas - e no apocalipse - a cada dois mil anos. 

8. Gateway, de Frederik Pohl
Vejamos: no futuro, foi encontrado perto da Terra um asteróide com uma enorme base espacial alienígena, antiga mas operacional, repleta de naves com rotas pré-definidas e impossíveis de alterar. A base é colonizada, e prospectores são enviados naquelas naves em expedições cujo resultado é impossível de prever - uma verdadeira roleta-russa galáctica. Rob Broadhead é um desses prospectores - sabe-se que regressou milionário de uma expedição, mas que essa sua sorte está envolta em mistério. A descoberta desse mistério, entre as suas sessões com o psiquiatra artifical Siegfred von Shrink e as suas memórias do tempo que viveu em Gateway poderiam ser dúvida dar um filme visualmente impressionante e sustentado por um excelente enredo. 

9. The Space Merchants, de Frederik Pohl e Cyril M. Kornbluth
É possível que esta obra de Pohl e Kornbluth seja ainda mais relevante hoje, em 2012, do que aquando da sua publicação há  sessenta anos. O seu retrato de um mundo sobrepopulado, com os recursos naturais à beira do colapso e dominado por mega-corporações é fascinante, e a conspiração que se desenvolve em redor do copywriter Mitch Courtenay daria sem dúvida um thriller excelente e muito actual. 

10. Foundation, de Isaac Asimov
Tal como Ubik ou The Forever War, está prevista (mais ou menos) uma adaptação de Foundation. Parece que Roland Emmerich tem os direitos para o clássico de Isaac Asimov, pelo que é de esperar um filme-catástrofe mais cedo ou mais tarde. Concedo: a destruição de Trantor deve ser um verdadeiro eye-candy, mas Foundation é uma obra tão vasta e tão densa que reduzi-la a duas horas e meia de pirotecnia visual é quase criminoso. Certo: também se pensava que The Lord of the Rings seria impossível de filmar - mas é insensato esperar pela possibilidade de uma adaptação de quase dez horas da trilogia original de Asimov. Para explicar o asterisco do título: a trilogia Foundation merece adaptação, sim, mas não ao cinema. Já uma boa série de ficção científica, ao estilo de Battlestar Galactica, com muita intriga política e twists surpreendentes, era capaz de ser muito interessante.


4 de julho de 2012

Cinema: projectos originais e adaptações novas em curso

Numa época de prequelas, sequelas, remakes e muitas outras provas de falta de originalidade, não deixa de ser bom saber que estão para sair algumas adaptações novas e alguns trabalhos interessantes e originais na área do Fantástico no cinema, tanto longo como curto. Neste artigo do io9, a jornalista Charlie Jane Anders apresenta uma interessante lista dos projectos que podemos esperar nos próximos tempos. Deixo aqui alguns destaques sobre as adaptações:


World War Z 
Ainda não li o livro homónimo de Max Brooks, mas o facto de o filme incluir Damon "Lost" Lindeloff na equipa criativa faz-me pensar logo no trainwreck de Prometheus. A menos, claro, que Lindeloff deixe de se armar aos cucos e escreva (ou rescreva) um argumento minimamente aceitável, sem ideias rebuscadas e conceitos obscuros a fingir que são profundos. É esperar para ver, mas sem grandes expectativas.

Ender's Game 
A obra premiada de Orson Scott card vai ser finalmente adaptada ao cinema. Com realização de Gavin Hood (X-Men Origins: Wolverine), o filme conta com um elenco de luxo: Asa Butterfield, Abigail Breslin, Hailee Steinfield, Harrison Ford, Ben Kingsley e Viola Davis, entre outros. Ainda não li o livro (está na lista de leitura para breve), mas sabendo que Ender's Game é normalmente considerado uma das grandes obras de ficção científica militar e considerando o elenco, é caso para esperar algo no mínimo interessante.

Neuromancer  
Depois de Blade Runner, Ghost in the Shell e The Matrix, ainda haverá espaço para um grande e revolucionário filme de cyberpunk? Talvez - Neuromancer, de William Gibson, é praticamente o pai de todo o subgénero, e a avaliar pela densidade e pela componente visual da obra, diria que a adaptação tem potencial para ser a todos os níveis memorável. Tanto quanto se sabe, o projecto vai avançar - só não se sabe é ainda em que moldes. A mim surpreende-me é que se tenha esperado tanto tempo para o fazer.

Snow Crash
Outro da minha lista de leitura que vai ser adaptado, e mais um projecto a entrar no universo cyberpunk. O realizador da adaptação do livro de Neal Stephenson será Joe Cornish, que ficou recentemente célebre pelo filme Attack the Block (que alguns amigos me garantem ser excelente). Também ainda não se sabe muito sobre este projecto.

Hyperion 
Este não é mencionado no artigo do io9. Hyperion, de Dan Simmons, será adaptado ao cinema por Scott Derrickson (The Day the Earth Stood Still, The Exorcism of Emily Rose). Apesar de o filme estar previsto para 2013, ainda pouco se sabe sobre o projecto - apenas que adaptará em simultâneo Hyperion e a sua sequela directa, The Fall of Hyperion. O que, convenhamos, não augura nada de bom. Se por um lado Derrickson não parece ter "currículo" para levar a bom porto um trabalho desta envergadura, juntar as complexas narrativas de Hyperion e The Fall of Hyperion num único filme que dificilmente terá três horas será certamente algo impossível de concretizar com um mínimo de sucesso (duvido que a coisa fosse viável em dois filmes, quanto mais num só). Será porventura interessante ver o Shrike no grande ecrã, mas julgo que a adaptação da história de Simmons vai conhecer o mesmo destino de muitas outras adaptações nos últimos anos: ideias com imenso potencial terrivelmente desperdiçadas (ver The Golden Compass, por exemplo).

30 de março de 2012

Quem for original que atire a primeira pedra

Uma das modas mais recentes da Internet - deve tornar-se meme em breve - é diminuir o filme The Hunger Games (adaptação do romance homónimo de Suzanne Collins) ao considerá-lo uma cópia do filme Battle Royale (adaptado do romance homónimo de Koushun Takami). É claro que surgem piadas engraçadas - o 9gag está cheio delas. Já vi The Hunger Games (review em breve), não vi - ainda - Battle Royale, e não li nenhum dos livros - mas suspeito de que muita gente que anda a fazer piadas também não (passe o cinismo). De qualquer forma, não é esse o ponto.

É perfeitamente possível que Suzanne Collins se tenha inspirado em Battle Royale para escrever The Hunger Games. E a verdade é que não há mal nenhum nisso - a literatura é feita de reciclagem, hoje mais do que nunca. Aplicando o critério rígido segundo o qual The Hunger Games é uma cópia de Battle Royalle, então Inception mais não seria do que uma imitação de Paprika. Ghost in the Shell mais não seria do que uma versão recauchutada e animada de Blade Runner. Mais de metade de toda a high fantasy escrita em literatura, cinema ou videojogos desde 1960 mais não seria do que um plagio da obra de Tolkien. E, se quisermos sair do Fantástico - qual é o livro ou o filme sobre o tema da vingança que não vá beber directamente a O Conde de Monte Cristo?

A verdade é que Inception e Paprika partem de uma ideia comum - é possível entrar nos sonhos - para fazerem dois filmes bastante diferentes que, em comum, têm aquela ideia inicial (pessoalmente, gosto mais da abordagem de Paprika). Da mesma forma, Ghost in the Shell e Blade Runner são dois filmes diferentes, mesmo que no primeiro se note claramente a influência do segundo. Universos tão distintos como Dungeons & Dragons e Warcraft (e tantos outros) foram de facto beber a Tolkien, mas criaram os seus próprios mundos e as suas próprias mitologias. E o velho tema da vingança a que O Conde de Monte Cristo alude serviu de inspiração a obras tão diversas - e tão boas - como V for Vendetta ou Oldboy.

É certo que estamos todos fartos de franchises, remakes, sequelas e prequelas, mas convém não confundir inspiração e influência com plágio - são coisas radicalmente diferentes. A originalidade hoje passará mais pela capacidade de dar uma nova forma ou um novo sentido a elementos que nos são familiares do que pela possibilidade de criar algo completamente novo - mas aqui já a conversa se torna demasiado filosófica. No fundo, quem resumiu muito bem a coisa foi Philip Pullman, nos agradecimentos de The Amber Spyglass:

I have stolen ideas from every book I have ever read. My principle in researching for a novel is "Read like a butterfly, write like a bee", and if this story contains any honey, it is entirely because of the quality of the nectar I have found in the work of better writers.

Nem mais.

22 de março de 2012

O eterno retorno (2)

Continuando com o eterno retorno: parece que está na calha mais uma adaptação cinematográfica de Nineteen Eighty-Four, de George Orwell. É uma obra poderosíssima, sem dúvida, mostrando uma distopia particularmente sombria que, por vezes, parece querer materializar-se já ao virar da próxima esquina da História. Mas a verdade é que a história de Winston e Julia naquele mundo totalitário de controlo perpétuo já conheceu duas adaptações ao cinema, e na ficção científica é possível encontrar várias distopias interessantes, com boas premissas, personagens cativantes e enredos com tudo para ser bem sucedidos numa adaptação ao grande ecrã. É certo que nenhuma outra distopia - exceptuando talvez Brave New World, de Aldous Huxley - se revelou tão marcante e influente como o clássico de Orwell (basta pensarmos na quantidade enorme de conceitos desenvolvidos em Nineteen Eighty-Four que hoje são universalmente conhecidos, como o Big Brother, o doublethink, o thoughtcrime - e, claro o próprio termo orwelliano). Pessoalmente, considero Nineteen Eighty-Four uma obra extraordinária, daquelas que nem com ameaça de hipotermia num pós-apocalipse poderia ser queimada. Mas diria que daí até ser necessário fazer um novo filme a cada vinte e cinco anos vai um grande passo...

5 de março de 2012

O eterno retorno

No Scifiworld: Joel Kinnaman confirmado como o novo Robocop. A minha questão é: precisávamos mesmo de um novo Robocop?

Um dos grandes problemas do cinema actual é justamente isto: o eterno retorno, a eterna repetição não de temas - o que seria aceitável - mas dos próprios filmes. O cinema em geral e a ficção científica em particular não necessitam de um novo Robocop - há o original de Paul Verhoeven, que não sendo uma obra-prima é um filme moderadamente interessante, e algumas sequelas duvidosas. Tal como, por exemplo, não é de todo necessário um remake ao Total Recall, que já está na calha - o original, também de Paul Verhoeven (há aqui um padrão?), é também bastante bom. Já todos os vimos várias vezes, já sabemos várias deixas de cor. O que falta nestes filmes? Outros actores? Efeitos especiais melhorados? 3D? Chega.

Isto é particularmente frustrante quando, falando apenas em argumentos adaptados, já um filão gigantesco para explorar na ficção científica. Rendezvous With Rama, de Arthur C. Clarke, está há anos no development hell. The End of Eternity, de Isaac Asimov, também poderia dar um belo filme (para nem falar de Foundation). E, por Deus, como é que nunca ninguém se lembrou de adaptar ao cinema The Moon Is a Harsh Mistress, de Robert A. Heinlein? Ou do Gateway, de Frederik Pohl? Ou de The Stars My Destination, de Alfred Bester? Ou do The Snow Queen, da Joan D. Vinge? É evidente que estou apenas a falar dos mais óbvios, mas são alguns exemplos de narrativas perfeitamente adaptáveis para o cinema, e que nas mãos de um argumentista e de um realizador com talento, poderiam resultar em grandes filmes, até mesmo em clássicos. E, convém sublinhar, bem mais interessante do que assistir ao remake - provavelmente em 3D - de um filme que todos já vimos mais vezes do que nos lembramos, é ver um filme novo, baseado numa história nova, que tenha algo de novo para contar. Ou que, pelo menos, nos conte a história de sempre de uma forma diferente. A regra, no entanto, parece ser outra - a aposta nas fórmulas seguras de filme-pipoca de Verão (quantos mais filmes de super-heróis teremos de aturar?) tão cheios de CGI como vazios de conteúdo ou de narrativa palpável, e a produção de remakes de filmes mais lembrados do que relembrados, na esperança de que a nova capa (3D, certamente) mais brilhante torne boa uma coisa que já no original era assim-assim.