Brian Aldiss comemora hoje o seu 89º aniversário. Na sua bibliografia encontramos contos como o célebre Super-Toys Last All Summer Long, romances clássicos como Non-Stop, Greybeard e a trilogia Helliconia, e obras relevantes para o género como Billion Year Spree: The History of Science Fiction, mais tarde alargado para um novo volume intitulado Trillion Year Spree (com David Wingrove). No ano passado, por ocasião do aniversário do autor, publicou-se por aqui esta pequena biografia; fica como destaque para este ano também.
"First you use machines, then you wear machines, and then...? Then you serve machines." - John Brunner, Stand on Zanzibar
Mostrar mensagens com a etiqueta brian aldiss. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta brian aldiss. Mostrar todas as mensagens
18 de agosto de 2014
13 de fevereiro de 2014
Brian Aldiss: Most of today’s SF is based on assumptions (entrevista)
Continuando a sua série de entrevistas a alguns dos mais importantes autores de ficção científica vivos no blogue da Amazing Stories, R. K. Troughton publica esta semana uma carta de Brian Aldiss em resposta às suas questões. Aldiss, para todos os efeitos, uma das figuras de proa do género - para além de se ter distinguido com romances notáveis (a trilogia Heliconia, Non-Stop, Greybeard ou Hothouse) e contos perenes que acabaram adaptados ao cinema (Super Toys Last All Summer Long, que deu origem a A. I., de Steven Spielberg, é disso exemplo), escreveu um dos trabalhos mais completos e relevantes sobre a história da ficção científica enquanto género literário: Billion Year Spree - The History of Science Fiction, editado em 1973 (e revisto em 1986 com David Wingrove e republicado com o título Trillion Year Spree). Na entrevista/carta à Amazing Stories, Aldiss fala, com um humor muito próprio e que só por si justifica a leitura do artigo na íntegra, sobre o início da sua actividade de escrita, a sua descoberta da ficção científica, o seu apoio à revista New Worlds de Michael Moorcock e alguns dos seus trabalhos mais notáveis. Segue-se um excerto:
R. K Troughton / Amazing Stories: How did you first discover science fiction?
Brian Aldiss: Judged as art, the stories in several U.S. magazines did not amount to much, while the Brits were even worse when Vargo Statten SF Magazine appeared in 1954. Many of the stories there were written by John Fearn, also known as Volstead Gridban. ’New Worlds’, edited by John Carnell, showed improvements, and published stories by Mike Moorcock and me.
But I, at least, was aware that something closely resembling SF had been published and proved popular for centuries.
Better not go into what those Continentals were doing, but—to give a British instance—Bishop Francis Godwin published ‘Man in the Moone” in 1638. It remained popular for two centuries.
Of course, the novel was based on an assumption—the reasonable assumption that Earth and Moone shared an atmosphere. Most of today’s SF is based on assumptions. We tend to assume that we can travel in space. ‘Space’ is itself an assumption. The vacuities between planets are filled by teeming electrodes and alien bodies that could kill us the moment we tried for Mars.
So often, something from real life can fortify an imagining. Many a year ago, I took a little ferry across the River Hooghly in order to have a look at the Calcutta Botanical Gardens. I found there a tree labeled as the biggest in the world. No, not a sequoia. This one grows outward and is carefully protected from marauding creatures. I thought, Assume it goes on growing like this, and covers the world?
Eventually “Hothouse” emerged in “F&SF” in parts.
A entrevista completa pode e deve ser lida na íntegra no blogue da Amazing Stories.
Fonte: Amazing Stories
Etiquetas:
brian aldiss,
ficção científica,
literatura
18 de agosto de 2013
Brian Aldiss (1925 - )
A poucos autores contemporâneos de ficção científica se aplicará tão bem o epíteto de “veterano” como ao britânico Brian Aldiss. Com uma carreira literária de quase seis décadas, Aldiss viu, em 1954, o conto “Criminal Record” publicado nas páginas da revista "Science Fantasy", editada por John Carnell – e de lá para as páginas da vanguardista "New Worlds" foi um passo. A mais conhecida das suas histórias será porventura Super-Toys Last All Summer Long, que chamou a atenção de Stanley Kubrick e viria dar origem ao filme Artificial Intelligence, realizado por Steven Spielberg após a morte de Kubrick; mas, para além destas, publicou dezenas em várias revistas e antologias (como na célebre Dangerous Visions, de Harlan Ellison, para a qual escreveu o conto The Night That All Time Broke Out). Na ficção longa, distinguiu-se sobretudo com a trilogia Helliconia, publicada entre 1982 e 1985 (composta por Helliconia Spring, Helliconia Summer e Helliconia Winter): uma vasta narrativa épica sobre a ascensão e a queda das civilizações no planeta que dá o título à série, com estações de ano extraordinariamente longas. Entre os romances de Aldiss destacam-se ainda Non-Stop (1958), Hothouse (1961) e Greybeard (1964).
Aldiss notabilizou-se também pela sua vasta actividade como antologista. Para a Penguin editou a popular Penguin Science Fiction, em 1961; e o sucesso desta gerou duas sequelas, More Penguin Science Fiction (1963) e Yet More Penguin Science Fiction (1964). Com Harry Harrison editou os seis primeiros números da antologia anual The Year’s Best Science Fiction (1968 – 1973) e três outras antologias sobre a melhor ficção científica dos anos 40, 50 e 60, entre muitas outras.
Também no ensaio e na não-ficção a carreira de Brian Aldiss merece destaque, sobretudo pela publicação de Billion Year Spree: The History of Science Fiction (1973), obra sobre a história do género que viria a vencer o prémio especial dos British Science Fiction Awards; em 1986, juntamente com David Wingrove, Aldiss reviu esta obra e tornou a publicá-la com o título Trillion Year Spree – tendo conquistado o Prémio Hugo na categoria de “Non-Fiction”.
É vice-presidente da H.G. Wells Society, e co-presidiu com Harry Harrison ao Birmigham Science Fiction Group. A Science Fiction Writers of America distinguiu-o com o título de Grand Master em 2000; em 2004 entrou para o Science Fiction Hall of Fame, e em 2005 foi distinguido pela Rainha Isabel II com a Ordem do Império Britânico por serviços prestados à literatura. Venceu dois Prémios Hugo, um Prémio Nébula e um Prémio John W. Campbell Memorial.
Natural de East Dereham, Norfolk, no Reino Unido, Brian Aldiss nasceu em 1925 e celebra hoje o seu 88º aniversário.
Etiquetas:
brian aldiss,
ficção científica,
literatura
Citação fantástica (80)
An overcrowded world is the ideal place in which to be lonely.
Brian Aldiss, Super-Toys Last All Summer Long (1969)
Etiquetas:
brian aldiss,
citação,
ficção científica,
literatura
2 de março de 2013
O Tempo segundo Brian Aldiss
About Time é o título deste curto documentário de Chloe Evans e Stuart Turner sobre Brian Aldiss, um dos mais antigos e aclamados autores de ficção científica vivos (com obras como Non-Stop, Graybeard e a trilogia Helliconia). O documentário está a concurso no festival de curtas Sundance London, e mostra Brian Aldiss a falar da passagem do tempo, das suas ocupações e da escrita.
Fonte: SF Signal
Etiquetas:
brian aldiss,
ficção científica,
literatura
8 de fevereiro de 2013
Dangerous Visions em retrospectiva (1): Contos de Robert Silverberg, Philip José Farmer, Brian Aldiss e Poul Anderson
Ao longo do último mês tenho-me entretido com Dangerous Visions, a célebre e polémica antologia de ficção curta inédita editada por Harlan Ellison em 1967 e que se tornou num dos mais importantes livros da "New Wave" da ficção científica. No total, a antologia reúne 33 contos e agrega submissões de alguns dos maiores autores do género nos anos 60, de outros que começavam a destacar-se e ainda de alguns escritores que, não escrevendo habitualmente ficção científica, aqui se aventuraram no género. Tenciono, ao longo das próximas semanas, regressar várias vezes a este livro: primeiro para falar de vários dos seus contos a título individual, para depois avaliar a antologia no seu todo - com a ficção dos vários autores e as muitas apresentações e introduções de Ellison. Na semana passada referi o conto Faith of Our Fathers, de Philip K. Dick, porventura (e sem surpresa) um dos melhores de todo o livro; hoje, dedicarei este artigo a quatro submissões de quatro outros autores.
Flies, de Robert Silverberg: O conto de Silverberg é o segundo a figurar na antologia - e é a todos os níveis impressionante. No centro da narrativa está Richard Cassiday, que sobreviveu à destruição da sua nave espacial numa das luas de Saturno. Capturado por misteriosos alienígenas (os golden ones), é "reconstruído" com um upgrade: uma maior sensibilidade empática para com os seus semelhantes, para melhor os estudar e reportar as emoções humanas aos alienígenas. Estes, porém, cometeram um pequeno erro que vai assumir proporções monstruosos: ao aumentar a sua capacidade de sentir aquilo que os outros sentem, eliminaram a sua consciência, tornando-o incapaz de sentir, ele mesmo, o que quer que seja - o que terá resultados tão inesperados como chocantes. Flies é a todos os níveis um conto extraordinário, combinando um estilo narrativo invulgar e uma escrita tão eficaz como rica para descrever o calvário de Cassiday. Apesar de não ter sido premiado, figura sem dúvida entre os melhores trabalhos da antologia.
Riders of the Purple Wage, de Philip José Farmer: Na prática uma novela (e o trabalho mais longo da antologia), a submissão de Philip José Farmer venceu nessa categoria o Prémio Hugo de 1968. Com um estilo muito próprio e muito invulgar - para não dizer histriónico -, Riders of the Purple Wage é uma história de tons quase surrealistas que acompanha o jovem artista Chib enquanto este tenta ascender na sua comunidade fechada de "Ellay" para poder continuar a pintar e a não ser obrigado a emigrar para o Egipto. Entretanto, em sua casa esconde-se o seu avô (na prática o bisavô), um dos últimos empresários do país que anos antes, perante a nacionalização da sua empresa, deu um autêntico golpe do baú e simulou a própria morte - um esquema que enganou toda a gente menos um detective empenhado em descobrir a verdade e resolver aquele crime. Riders of the Purple Wage é uma novela complexa e multifacetada, que cruza na narrativa sobre Chib e a sua família uma abordagem peculiar à sexualidade (tema afastado da ficção científica da época), uma reflexão especialmente polémica sobre o universo artístico e uma crítica muito pouco subtil ao desprezo a que já na época era votada a ficção científica pela crítica literária e o jornalismo mainstream - isto num futuro um tanto ou quanto distópico e descrito numa narrativa tão convulsa como fascinante, com uma premissa que consegue em simultâneo parodiar uma história popular irlandesa e... James Joyce.
The Night That All Time Broke Out, de Brian Aldiss: Aldiss apresenta neste conto uma premissa fascinante: e se o tempo pudesse ser uma comodidade como a água, o gás ou a electricidade, controlado e canalizado para que cada um de nós pudesse dispor dele da forma que nos fosse mais conveniente? Nesta futuro visionário, o fluxo normal do Tempo de cada pessoa pode ser alterado pela inalação de uma droga - na prática, uma espécie de Tempo condensado, ou concentrado. Torna-se assim possível, ainda que dispendioso, regressar mentalmente a um momento específico do passado, ou ter várias divisões de uma casa em momentos temporais diferentes de acordo com um estado de espírito. A narrativa acompanha Tracey e Fifi, um casal que vive no campo e que decide instalar uma "canalização temporal" para poder usufruir de um luxo reservado a quem vive nas cidades. Mas no momento mais inoportuno vai surgir um problema na distribuição temporal que gera efeitos tão curiosos como dramáticos. Aldiss explora a premissa de forma muito simples e directa, deixando espaço ao leitor para imaginar todas as consequências daquele problema. É uma abordagem singular ao tema das viagens no tempo (ou na regressão no tempo), com efeitos inesperados.
Eutopia, de Poul Anderson: Um conto muito interessante e um daqueles casos que pede uma segunda leitura quase de imediato: o twist final, tão simples, dá um novo significado a todo o texto. Anderson criou toda uma realidade alternativa para a América do Norte, quase feudal na sua caracterização (e no seu aparente "atraso" tecnológico), e nessa realidade colocou o protagonista, o estrangeiro Iason Philippou, em fuga. Tendo violado um tabu do reino de "Norland", Philippou procura uma forma de escapar para um dos reinos vizinhos e a partir daí conseguir transporte para o seu próprio reino. Mas essa fuga não estará isenta de peripécias... A prosa e as descrições de Poul Anderson quase fazem Eutopia parecer um conto de fantasia, e não de ficção científica - o que está longe de ser um defeito. É certo que os mais de quarenta anos que passaram desde a publicação de Dangerous Visions retiraram o shock value da premissa de Eutopia, mas a reflexão cultural e civilizacional de Anderson nos momentos finais da narrativa permanece tão actual como em 1967.
Subscrever:
Mensagens (Atom)



