Mostrar mensagens com a etiqueta ann leckie. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ann leckie. Mostrar todas as mensagens

17 de agosto de 2014

Ancillary Justice, de Ann Leckie, vence o Hugo Award 2014 na categoria de "Melhor Romance"

Ancillary Justice, de Ann Leckie, conquistou o Prémio Hugo na muito cobiçada categoria de "Best Novel" - um galardão que se vai juntar aos prémios Nébula, Arthur C. Clarke e British Science Fiction, o que torna o romance de estreia de Leckie num dos romances de ficção científica mais premiados no seu ano de publicação. É um prémio justo para um romance notável, inteligente e desafiante, que não merecia ser preterido para a longa saga de fantasia épica The Wheel of Time, submetida a concurso no seu todo devido ao lançamento do seu último volume, A Memory of Light, no ano passado.

No que diz respeito aos restantes prémios, Charles Stross, Mary Robinette Kowal e John Chu venceram nas categorias de ficção curta; Gravity, de Alfonso Cuarón, levou o foguetão para a categoria de "Best Dramatic Presentation, Long Form"; e na "Short Form", Game of Thrones destornou o já clássico vencedor da categoria, Dr. Who (numa Worldcon decorrida em Londres, o que pode tornar a coisa ainda mais especial), com o nono episódio da terceira temporada (o célebre e polémico "The Rains of Castamere").

A cerimónia de entrega dos Prémios Hugo decorreu hoje em Londres, na LonCon 3. Abaixo, a lista completa dos vencedores por categoria:

Best Novel:
  • Ancillary Justice, de Ann Leckie (Orbit)
  • Neptune’s Brood, de Charles Stross (Ace/Orbit)
  • Parasite, de Mira Grant (Orbit)
  • Warbound (Terceiro Volume das Grimnoir Chronicles), de Larry Correia (Baen Books)
  • The Wheel of Time, de Robert Jordan e Brandon Sanderson (Tor Books)
Best Novella:
  • Equoid, de Charles Stross (Tor.com, 09/2013)
  • The Butcher of Khardov, de Dan Wells (Privateer Press)
  • The Chaplain’s Legacy, de Brad Torgersen (Analog, 07-08/2013)
  • Six-Gun Snow White, de Catherynne M. Valente (Subterranean Press)
  • Wakulla Springs, de Andy Duncan e Ellen Klages (Tor.com, 10/2013)
Best Novelette:
  • The Lady Astronaut of Mars, de Mary Robinette Kowal (Tor.com, 09/2013)
  • Opera Vita Aeterna, de Vox Day (The Last Witchking, Marcher Lord Hinterlands)
  • The Exchange Officers, de Brad Torgersen (Analog, 01-02/2013)
  • The Truth of Fact, the Truth of Feeling, de Ted Chiang (Subterranean Press Magazine, Outono de 2013)
  • The Waiting Stars, de Aliette de Bodard (The Other Half of the Sky, Candlemark & Gleam)
Best Short Story:
  • The Water That Falls on You from Nowhere, de John Chu (Tor.com, 02/2013)
  • If You Were a Dinosaur, My Love, de Rachel Swirsky (Apex Magazine, 03/2013)
  • The Ink Readers of Doi Saket, de Thomas Olde Heuvelt (Tor.com, 04/2013)
  • Selkie Stories Are for Losers, de Sofia Samatar (Strange Horizons, 04/2013)
Best Related Work:
  • We Have Always Fought: Challenging the Women, Cattle and Slaves Narrative, de Kameron Hurley (A Dribble of Ink)
  • Queers Dig Time Lords: A Celebration of Doctor Who by the LGBTQ Fans Who Love It, edição de Sigrid Ellis e Michael Damien Thomas (Mad Norwegian Press)
  • Speculative Fiction 2012: The Best Online Reviews, Essays and Commentary, de Justin Landon e Jared Shurin (Jurassic London)
  • Wonderbook: The Illustrated Guide to Creating Imaginative Fiction, de Jeff VanderMeer, com Jeremy Zerfoss (Abrams Image)
  • Writing Excuses Season 8, de Brandon Sanderson, Dan Wells, Mary Robinette Kowal, Howard Tayler e Jordan Sanderson
Best Graphic Story:
  • Time, de Randall Munroe (XKCD)
  • Girl Genius Vol 13: Agatha Heterodyne & The Sleeping City, com escrita de Phil e Kaja Foglion, arte de Phil Foglio e cor de Cheyenne Wright (Airship Entertainment)
  • The Girl Who Loved Doctor Who, com escrita de Paul Cornell, e ilustração de Jimmy Broxton (Doctor Who Special 2013, IDW)
  • The Meathouse Man, adaptado da história de George R.R. Martin e com ilustração de Raya Golden (Jet City Comics)
  • Saga, Vol 2, com escrita de Brian K. Vaughn e ilustração de Fiona Staples (Image Comics)
Best Dramatic Presentation, Long Form:
  • Gravity, com realização de Alfonso Cuarón e argumento de Alfonso e Jonás Cuarón (Esperanto Filmoj; Heyday Films; Warner Bros.)
  • Frozen, com realização de Chris Buck e Jennifer Lee, e argumento de Jennifer Lee (Walt Disney Studios)
  • The Hunger Games: Catching Fire, com realização de Francis Lawrence e argumento de Simon Beaufoy e Michael Arndt (Color Force; Lionsgate)
  • Iron Man 3, com realização de Shane Black e aragumento de Drew Pearce e Shane Black (Marvel Studios; DMG Entertainment; Paramount Pictures)
  • Pacific Rim, com realização de Guillermo Del Toro e argumento de Travis Beacham e Guillermo Del Toro (Legendary Pictures, Warner Bros., Disney Double Dare You)
Best Dramatic Presentation, Short Form:
  • Game of Thrones: “The Rains of Castamere”, com argumento de David Benioff e D.B. Weiss e realização de David Nutter (HBO Entertainment)
  • An Adventure in Space and Time Written, de Mark Gatiss, com realização de Terry McDonough (BBC Television)
  • Doctor Who: “The Day of the Doctor”, com argumento de Steven Moffat e realização de Nick Hurran (BBC)
  • Doctor Who: “The Name of the Doctor”, com argumento de Steven Moffat e realização de Saul Metzstein (BBC)
  • The Five(ish) Doctors Reboot, com argumento e realização de Peter Davison (BBC Television)
  • Orphan Black: “Variations under Domestication”, com argumento de Will Pascoe e realização de John Fawcett (Temple Street Productions; Space/BBC America)
Best Editor - Short Form:
  • Ellen Datlow
  • John Joseph Adams
  • Neil Clarke
  • Jonathan Strahan
  • Sheila Williams
Best Editor - Long Form:
  • Ginjer Buchanan
  • Sheila Gilbert
  • Liz Gorinsky
  • Lee Harris
  • Toni Weisskopf
Best Professional Artist:
  • Julie Dillon
  • Galen Dara
  • Daniel Dos Santos
  • John Harris
  • John Picacio
  • Fiona Staples
Best Semiprozine:
  • Lightspeed Magazine, com edição de John Joseph Adams, Rich Horton e Stefan Rudnicki
  • Apex Magazine, com edição de Lynne M. Thomas, Jason Sizemore e Michael Damian Thomas
  • Beneath Ceaseless Skies, com edição de Scott H. Andrews
  • Interzone, com edição de Andy Cox
  • Strange Horizons, com edição de Niall Harrison, Brit Mandelo, An Owomoyela, Julia Rios, Sonya Taaffe, Abigail Nussbaum, Rebecca Cross, Anaea Lay e Shane Gavin
Best Fanzine:
  • A Dribble of Ink, com edição de Aidan Moher
  • The Book Smugglers, com edição de Ana Grilo e Thea James
  • Elitist Book Reviews, com edição de Steven Diamond
  • Journey Planet, com edição de James Bacon, Christopher J Garcia, Lynda E. Rucker, Pete Young, Colin Harris e Helen J. Montgomery
  • Pornokitsch, com edição de Anne C. Perry e Jared Shurin
Best Fancast:
  • SF Signal Podcast, de Patrick Hester
  • The Coode Street Podcast, de Jonathan Strahan e Gary K. Wolfe
  • Doctor Who: Verity!, de Deborah Stanish, Erika Ensign, Katrina Griffiths, L.M. Myles, Lynne M. Thomas e Tansy Rayner Roberts
  • Galactic Suburbia Podcast, de Alisa Krasnostein, Alexandra Pierce, Tansy Rayner Roberts (Apresentadores) e Andrew Finch (Produtor)
  • The Skiffy and Fanty Show, de Shaun Duke, Jen Zink, Julia Rios, Paul Weimer, David Annandale, Mike Underwood e Stina Leicht
  • Tea and Jeopardy, de Emma Newman
  • The Writer and the Critic, Kirstyn McDermott e Ian Mond
Best Fan Writer:
  • Kameron Hurley
  • Liz Bourke
  • Foz Meadows
  • Abigail Nussbaum
  • Mark Oshiro
Best Fan Artist:
  • Sarah Webb
  • Brad W. Foster
  • Mandie Manzano
  • Spring Schoenhuth
  • Steve Stiles
John W. Campbell Award for Best New Writer:
  • Sofia Samatar
  • Wesley Chu
  • Max Gladstone
  • Ramez Naam
  • Benjanun Sriduangkaew
Fonte: Hugo Awards

11 de julho de 2014

Ancillary Justice: A fragmentação identitária numa space opera pós-género

Título: Ancillary Justice
Autora: Ann Leckie
Editora: Orbit
Ano: 2013
Formato: Paperback
Páginas: 396
Género: Ficção Científica / Space Opera

Para todos os efeitos, a ficção científica literária de 2013 (e, dadas as balizas temporais da temporada de prémios, de 2014 também) fica marcada pelo fenómeno Ancillary Justice, o romance de estreia da contista Ann Leckie (e primeiro volume de uma "loose trilogy" intitulada Imperial Radch) que conquistou de forma tão surpreendente como incontornável os leitores, a crítica especializada do género e, sobretudo, os prémios. Até ao momento, Ancillary Justice conquistou na categoria principal os prémios Arthur C. Clarke, British Science Fiction e Nebula, tendo ainda sido distinguido com o prémio Locus para "Primeiro Romance" e tendo sido nomeado para o prémio Philip K. Dick; e, convém lembrar, a temporada ainda não acabou, e resta ainda saber se a nomeação na categoria principal do Hugo também dará frutos, o que fará deste romance algo único e histórico no contexto da género, sobretudo quando se toma em consideração que se trata de um primeiro romance (repito-me, mas o ponto é pertinente. Como se verá).

Convenhamos: tamanha unanimidade num género tão fragmentado (e, hoje em dia, entrincheirado) como a ficção científica moderna é, no mínimo, algo estranho, a justificar por si só um olhar mais atento, quando não alguma desconfiança. Mas tal acaba por se revelar desnecessário à medida que a leitura progride e a narrativa temporalmente bifurcada de Ancillary Justice começa a convergir num enredo espantoso. Ann Leckie desenvolve, em simultâneo e com engenho, um estudo de personagens com uma das mais intrigantes protagonistas da ficção científica moderna e um thriller centrado num mistério intrigante, num contexto de space opera com uma boa dose de acção e com uma componente de intriga política com muito interesse. Alguns elementos de FC militar dão uma cor especial ao worldbuilding, e as aproximações a The Left Hand of Darkness e à série Culture, de Ursula K. Le Guin e de Iain M. Banks respectivamente, a ganharem algum destaque perante os leitores mais experimentados. 

Ancillary Justice é a história de Breq, uma personagem enigmática (a descrição de género, como se verá, é irrelevante - e o ponto é mesmo esse) que, no início da história, encontra num planeta remoto um corpo inanimado com um rosto familiar que não devia ter lugar naquele tempo e naquele lugar. Cerca de um milénio antes, quando a humana (na aparência) Breq era a inteligência artificial empática da nave Justice of Toren, aquela figura caída na neve era um dos seus oficiais, chamava-se Seivaarden e era descendente de uma casa ilustre do Império Radch. A sua presença ali, naquelas condições, revela-se ao mesmo tempo uma surpresa e um obstáculo - e, sem saber bem porquê, Breq decide desviar-se um pouco da sua missão solitária naquele mundo distante para resgatar o seu antigo oficial. Num segundo momento, Leckie transporta a trama cerca de vinte anos para o passado, quando a Justice of Toren, ainda uma nave de guerra, se encontrava em simultâneo na órbita do planeta Shis'urna e no terreno com a unidade de ancillaries One Esk - corpos humanos de outros mundos anexados cuja mente foi apagada e ocupada para servir de extensão móvel à IA da nave e para prestar apoio directo aos seus oficiais - seja no interior da própria nave, em estações orbitais ou na superfície de um planeta. Shis'urna é a última anexação do Império Radch, numa mudança de política um pouco estranha para alguns sectores daquela sociedade estratificada; mas algo se está a preparar que poderá colocar alguns dos alicerces do império em causa. Até ao último terço do livro, as duas tramas surgem em capítulos alternados, e Leckie dá-lhes uma sinergia notável na forma como se enquadram de forma tão natural, fornecendo num momento a resposta às questões colocadas noutro. Ao mesmo tempo, a natureza fragmentada da protagonista - que é, em simultâneo, a Justice of Toren, todas as diferentes unidades de ancillaries da nave (entre as quais se destacam vários elementos da One Esk), e Breq - permite à autora explorar um ponto de vista único na sua dispersão, e original na forma como se apresenta, por vezes de forma simultânea, como singular e plural. 

É no enquadramento da missão de Breq (no presente) e do que a conduziu àquela demanda (no passado) que o worldbuilding notável de Ancillary Justice emerge, com a sua complexidade e ambiguidade a ser progressivamente desvendada - uma sociedade rígida na sua profunda estratificação por clãs familiares, convicta na sua superioridade galáctica e governada com firmeza por Anaander Mianaai, imortal e com inúmeros corpos a governar os destinos das várias regiões do Império. É uma sociedade na qual não existem divisões de género - e esse aspecto reflecte-se no discurso de Breq e na sua assinalável dificuldade em abordar estranhos fora do território Radch sem utilizar expressões que denunciem género. Leckie recorre sempre ao pronome feminino she, mesmo quando as personagens referidas são, ou podem ser, masculinas - e esta utilização invulgar do pronome dá toda uma nova dimensão à leitura na medida em que desafia as convenções de género que estão entranhadas na linguagem e obriga a que a caracterização das personagens (principais e secundárias) se faça de forma mais indirecta, e sempre ambígua. É um desafio curioso, ainda que valha mais pela experiência que proporciona do que pela sua pertinência narrativa. 

Mas onde Leckie se excede é na forma como utiliza motivos e conceitos mais ou menos típicos da ficção científica para reflectir sobre temas que são caros ao género, como a identidade individual ou a oposição entre inteligência natural e artificial - e fá-lo de forma profundamente original através de Breq/OneEsk/Justice of Toren e de Anaander Mianaai: a primeira, uma entidade artificial colectiva que se vê privada da sua fragmentação original e restrita a uma única unidade natural (mas que já antes manifestava sinais de individualização); e a segunda, uma entidade na aparência natural e una, fragmentada em inúmeros "eu" que podem ou não assumir aspectos psicológicos distintos. É do confronto destas duas perspectivas distintas que uma parte significativa da trama emerge, e Leckie consegue dar ao tema a complexidade e a profundidade que ele exige sem o tornar ininteligível. O resto é uma aventura de ficção científica notável pela sua plausibilidade, pela tridimensionalidade das suas personagens mais relevantes, pela textura do universo ficcional, que se nota ser muito mais vasto do que aquelas quase quatrocentas páginas dão a entender. Muito a propósito: o segundo livro da trilogia, Ancillary Sword, tem publicação prevista para Outubro próximo. 

O domínio de Ancillary Justice nos prémios literários do género não tem sido obra do acaso: para todos os efeitos, Ann Leckie demonstrou uma capacidade assombrosa de construir todo um universo tão complexo como credível, explorá-lo com uma das mais fascinantes e originais personagens da ficção científica recente numa narrativa algo arriscada, e desenvolver toda a trama evolvente e bem ritmada em duas linhas temporais distintas que se complementam na perfeição, com um ponto de vista tão original como complexo. É uma pena que provavelmente acabe por não vencer o prémio Hugo devido à "batota" de The Wheel of Time - pelo seu arrojo temático e formal, pela forma como recupera temas e motivos clássicos da ficção científica para contar uma história nova e superlativa, e por constituir uma das mais auspiciosas estreias literárias da memória recente do género, Ancillary Justice bem merece a distinção. De qualquer forma, fica a prova (se tal ainda fosse necessário) de que na FC literária, a space opera está viva e recomenda-se. 

6 de julho de 2014

Citação fantástica (142)

If you're going to do something that crazy, save it for when it'll make a difference.

Ann Leckie, Ancillary Justice (2013)

26 de junho de 2014

This happening world (17)

Is Ann Leckie the Next Big Thing in Science Fiction? A pergunta é colocada por Danny Wincentowsky numa longa reportagem para o Riverfront Times sobre a autora de Ancillary Justice, o romance de ficção científica de 2013 cuja aclamação crítica generalizada lhe valeu nomeações para praticamente todos os prémios do género - já venceu o Nébula, o BSFA e o Arthur C. Clarke, e está na corrida para o Hugo em Agosto. É reportagem interessantíssima sobre a ainda curta mas relevante carreira literária de Leckie, sobre o desenvolvimento de Ancillary Justice e sobre as suas opções mais controversas em termos do retrato da identidade de género no romance. 

Iain M. Banks' Culture Spits in the Eye of Nihilism. O artigo de Mordicai Knode para o Tor.com destaca a série Culture, de Iain M. Banks, no actual panorama da ficção científica literária - com as suas utopias futuristas a sobressaírem perante o nihilismo e a distopia que tem marcado o género nos últimos anos, e com o seu sentido de humor único a pautar histórias repletas de grandes conceitos e de aventuras profundamente humanas.

M. R. Carey recupera no Huffington Post a eterna polémica da ficção de género versus ficção literária. When Will People Realize that Science Fiction Can Be Just as Great as Literary Fiction? é o título da peça e a pergunta que lhe serve de ponto de partida - e, antes de recuperar todas as pequenas polémicas que o tema conheceu nos últimos anos, desmonta um artigo publicado no The Guardian e a referência a um estudo no mínimo curioso. Para todos os efeitos, Carey não introduz nenhuma novidade nesta polémica batidíssima, mas não deixa de ser um ponto de situação interessante. 

No io9, Annalee Newitz lança uma afirmação provocadora: Science in Fantasy Novels Is More Accurate Than in Science Fiction. Tenho algumas dúvidas de que a palavra-chave aqui seja rigor e não verosimilhança, mas a argumentação de Newitz é sólida, e os exemplos que utiliza para demonstrar quão complexo e quão verosímil pode o worldbuilding ser na fantasia - muito mais do que a mera utilização de magia como plot device e deus ex machina de que o género tem mais fama do que proveito. Por outro lado, muita da ficção científica recente tem assentado mais na extrapolação social do que propriamente científica... 

Na E3, No Man's Sky esteve em destaque, como se pode ver na reportagem de Dave Tach para a Polygon - e cada pormenor revelado aguça a curiosidade para com este colorido e fascinante space sim independente, produzido por um estúdio independente com mais imaginação do que recursos. Com o hype em redor de blockbusters históricos e milionários como Star Citizen e Elite: Dangerous, é bom ver o entusiasmo crescer em redor deste jogo da Hello Games. Confirma-se: o space sim está de volta. E ainda bem.

22 de junho de 2014

Citação fantástica (140)

Luxury always comes at someone else’s expense. One of the many advantages of civilization is that one doesn’t generally have to see that, if one doesn’t wish. You’re free to enjoy its benefits without troubling your conscience.

Ann Leckie, Ancillary Justice (2013)

1 de maio de 2014

Ancillary Justice, de Ann Leckie, é distinguido com o Arthur C. Clarke Award

Depois de vencer o British Science Fiction Award, Ancillary Justice, da norte-americana Ann Leckie, conquista o Arthur C. Clarke Award, atribuído anualmente desde 1987 ao melhor romance de ficção científica publicado no Reino Unido no ano anterior - e é bem possível que o romance de estreia de Leckie ainda venha a conquistar o Hugo e o Nébula na categoria de "Best Novel". 

Na shortlist do prémio encontravam-se ainda os romances The Disestablishment of Paradise, de Philip Mann, Nexus, de Ramez Naam, The Adjacent, de Christopher Priest, e The Machine, de James Smythe. 

Fonte: Tor.com