1 de agosto de 2012

Cloud Atlas: Divulgado trailer alargado

Os Wachowskis (juntamente com Tom Tykwer, realizador de Run Lola Run) regressam no Outono com a adaptação cinematográfica de Cloud Atlas, o best seller de David Mitchell - e, em jeito de anúncio, foi divulgado um trailer alargado muito interessante, com quase seis minutos.



Não li o livro de David Mitchell (para ser franco, não tinha sequer ouvido falar do filme até há algumas semanas, quando soube que os Wachowskis estavam a trabalhar numa adaptação) e a verdade é que, apesar de o trailer estar muito interessante, a componente narrativa não me entusiasma por aí além. Ou então tornei-me (ainda mais) cínico devido a alguns falhanços recentes e estrondosos. Já a componente visual, essa, enche verdadeiramente o olho - sobretudo na parte de ficção científica. A aguardar mais desenvolvimentos.

31 de julho de 2012

A Ficção Científica e o Cinema: Serenity

Quem costuma acompanhar este blogue sabe que sou um browncoat irredutível - e, como tal, não poderia deixar de escrever um pouco sobre Serenity (2004), filme de Joss Whedon (que entretanto ascendeu ao estatuto de top director com o excelente The Avengers) que procurou dar um final mais ou menos coerente à inacabada série televisiva Firefly

É sabido que os filmes baseados em - ou no seguimento de - séries televisivas tendem, na prática, a ser pouco mais do que um grande episódio da série, preparado para ser visto no grande ecrã. Serenity não é excepção - para todos os efeitos, é de facto um grande episódio de Firefly, escrito como um filme. Interessante é notar como Whedon conseguiu passar para um meio diferente tudo aquilo que fez de Firefly uma série de culto: uma componente visual sólida com alguns detalhes muito interessantes pelo seu realismo, um enredo interessante com reviravoltas bem construídas, um guião muito bem escrito (seguindo a fórmula convencional e eficaz que popularizou Whedon, ritmada e repleta de humor) e, acima de tudo, um elenco formidável, com uma "química" perfeita. O que não é de estranhar quando todos os actores principais da série interpretaram os seus papéis no filme. 

Não podendo fechar todas as narrativas abertas na série, o enredo centra-se na história de River (Summer Glau), a misteriosa rapariga "raptada" pelo seu irmão, Simon (Sean Maher), e "escondida" na nave Serenity. Não se sabe ao certo por que motivo a Alliance - o governo totalitário do sector - prendeu River e a submeteu a experiências tão misteriosas como traumáticas, mas quando as autoridades enviam um agente especial para a eliminar, devido à informação contida na mente dela, a tripulação da Serenity vê-se envolvida numa conspiração que envolve a origem dos Reavers (bárbaros sanguinários que vivem na orla do sistema) e um segredo muito bem guardado. Serenity leva assim Firefly para a sua conclusão lógica - e independentemente das pontas soltas que sobraram (e cuja introdução no filme seria impossível) de de alguns saltos narrativos entre os últimos episódios da série e o filme, pode-se dizer que o resultado foi muito bem sucedido.

Em jeito de conclusão, Serenity demonstra o enorme potencial de uma série televisiva cancelada muito antes de ter a oportunidade de se afirmar - mas que mesmo assim perdurou no imaginário da ficção científica da última década. As (poucas) fraquezas que o filme exibe são largamente compensadas pela solidez do seu enredo, pelo elenco extraordinário e por uma componente visual simples e eficaz - provando (se tal fosse ainda necessário provar) que um bom filme de ficção científica é muito mais do que os seus efeitos especiais. Numa década com muito poucos filmes a destacarem-se no género, Serenity figura sem dúvida entre os melhores. 8/10

J.K. Rowling (1965 - )

Goste-se ou não, os sete livros da série Harry Potter são um marco no Fantástico dos últimos 20 anos - pela popularidade alcançada, pelos milhões de leitores que cativaram em todo o mundo e, diria, por todo o universo neles descrito e criado, que, não sendo porventura o expoente máximo da originalidade (o que será, nos nossos dias?), revelou uma consistência e um interesse notáveis. Joanne Rowling, doravante conhecida como J. K. Rowling, criou na década de 90 Harry Potter, o famoso feiticeiro que frequentou a escola de feitiçaria de Hogwarts e desafiou Voldemort, o poderoso feiticeiro negro - e deixou um sólido legado no imaginário das gerações mais jovens, mas também de inúmeros leitores mais velhos.

J. K. Rowling viveu em Portugal entre 1991 e 1993 - onde terá desenvolvido algumas partes do livro que viria a ficar mundialmente conhecido pelo título Harry Potter and the Philosopher's Stone. Foi, contudo, no Reino Unido que a história teve início, durante uma viagem de comboio - e foi também lá que a história do jovem feiticeiro seria concluída e publicada - após rejeição de 12 editoras - com o sucesso que se conhece. J. K. Rowling nasceu em Yate, Gloucestershire, em Inglaterra, e celebra hoje 47 anos.

30 de julho de 2012

The Hobbit: Projecto passa a trilogia

Peter Jackson confirmou os rumores que circulavam pela Internet há já alguns dias, desde a Comic-Con: The Hobbit, a adaptação cinematográfica do célebre livro de J. R. R. Tolkien, será dividido em três filmes, e não nos dois inicialmente previstos (The Hobbit: An Unexpected Journey e The Hobbit: There and Back Again). Não se sabe ainda o título do terceiro. Citando o anúncio do realizador no seu Facebook

It is only at the end of a shoot that you finally get the chance to sit down and have a look at the film you have made. Recently Fran, Phil and I did just this when we watched for the first time an early cut of the first movie - and a large chunk of the second. We were really pleased with the way the story was coming together, in particular, the strength of the characters and the cast who have brought them to life. All of which gave rise to a simple question: do we take this chance to tell more of the tale? And the answer from our perspective as the filmmakers, and as fans, was an unreserved ‘yes.' We know how much of the story of Bilbo Baggins, the Wizard Gandalf, the Dwarves of Erebor, the rise of the Necromancer, and the Battle of Dol Guldur will remain untold if we do not take this chance. The richness of the story of The Hobbit, as well as some of the related material in the appendices of The Lord of the Rings, allows us to tell the full story of the adventures of Bilbo Baggins and the part he played in the sometimes dangerous, but at all times exciting, history of Middle-earth. So, without further ado and on behalf of New Line Cinema, Warner Bros. Pictures, Metro-Goldwyn-Mayer, Wingnut Films, and the entire cast and crew of “The Hobbit” films, I’d like to announce that two films will become three. It has been an unexpected journey indeed, and in the words of Professor Tolkien himself, "a tale that grew in the telling."
Pessoalmente, não vejo esta novidade como uma boa notícia. The Hobbit é um livro incomparavelmente mais curto do que a saga The Lord of the Rings - e se a adaptação desta se viu forçada, e bem, a deixar muitos elementos interessantes (Tom Bombadil) e importantes (The Scouring of the Shire) de fora, receio que alargar a adaptação de The Hobbit para três filmes vá implicar muito trabalho de encher chouriços - a menos que estejamos a falar de filmes mesmo curtos. 

É certo que os dois filmes previstos vão incluir muitas cenas que têm lugar na cronologia de The Hobbit, mas não na narrativa principal (como a reunião do Conselho Branco e a ida de Gandalf a Dol Guldur para enfrentar o Necromante, que é na verdade Sauron), e mesmo outros momentos interessantes, mas porventura não essenciais para a narrativa (como Beorn, por exemplo). É também inegável que os anexos de The Lord of the Rings e da restante obra de Tolkien tem conteúdo mais do que suficiente para inúmeros filmes (há, por exemplo, algumas curtas metragens amadoras muito boas feitas com base neste material). No entanto, sempre imaginei que a história contida na cronologia de The Hobbit seria suficiente para dois filmes sólidos e longos (a roçar as três horas), até por não haver muitos momentos de "pausa" na narrativa. Veremos o efeito desta decisão no ritmo narrativo dos filmes e no desenrolar do próprio enredo. 

Apesar das palavras de Jackson - das quais não tenho qualquer motivo para desconfiar -, isto parece-me mais uma tentativa de espremer um pouco mais a cash cow do que outra coisa qualquer. A ver vamos.

[fonte: Entertainment Weekly]

Bang!#13: Nova capa apresentada

A revista Bang! já tem nova capa* - que, para (não) variar, está excelente. Afinal, quem não gosta de goblins? Ora vejam:

 

A revista será distribuída gratuitamente nas lojas Fnac em inícios de Agosto.


*Antes que alguém o diga, é verdade que esta nova capa já foi anunciada há alguns dias. Vi-a durante as férias, mas não me foi possível dar logo conta da novidade - o meu telemóvel, única fonte de acesso à Internet durante a última semana, não é exactamente o melhor dispositivo para actualizar o blogue. Aliás, nos próximos dias devem ser publicados alguns artigos sobre temas e notícias que, não sendo novidade agora, chamaram a minha atenção durante o período da preguiça.

29 de julho de 2012

Citação fantástica (24)

There is a certain solipsism to serious illness which claims all of one's attention as certainly as an astronomical black hole seizes anything unlucky enough to fall within its critical radius.

Dan Simmons, Hyperion (1989)

25 de julho de 2012

Descobertas improváveis

Em férias, num escaparate de uma tabacaria em Tavira, entre literatura light diversa, encontrei isto:


Que, como já se sabe, é leitura muito recomendada cá na casa (se houver algum leitor de ficção científica na cidade interessado, é ir à Praça Velha).

22 de julho de 2012

Citação fantástica (23)

Insofar as thought could be governed at all, it could only be commanded to follow what reason affirmed anyhow; command it otherwise and it would not obey.

Walter M. Miller Jr., A Canticle for Leibowitz (1960)

20 de julho de 2012

Arqueologia literária do Fantástico português

Se é que podemos chamar de "arqueologia" à procura de livros publicados há pouco mais de 20 anos. Enfim, é o mercado editorial português. Aproveitei uma tarde de férias para sair da preguiça e fazer uma ronda pelos alfarrabistas de Lisboa (não por todos, entenda-se), à procura dos clássicos perdidos da Ficção Científica portuguesa. Não encontrei o que procurava (o já clássico Terrarium, de João Barreiros e Luís Filipe Silva), mas encontrei algumas relíquias a preços muito convidativos. Como estas, também do Luís Filipe Silva:

[Se ignorarmos uma mancha (de café, talvez?), o Vinganças parece novinho em folha]

Para além do único álbum do Astérix que nunca tinha lido (A Foice de Ouro) e de de O Quarto Planeta, de João Aniceto, também da velhinha colecção de Ficção Científica da Caminho, de capa azul (e publicidade da Sagres na contracapa). Amanhã de manhã repete-se a odisseia.

Leitura de férias

Estes conteúdos têm mais de um ano, mas merecem ser lidos e relidos e debatidos: na secção "Blogging the Hugos"*, do portal io9, o escritor freelance Josh Wimmer e o editor Alasdair Wilkins dedicaram uma semana, em Maio do ano passado, a falar dos sete livros que compõem a série Foundation, de Isaac Asimov (Foundation's Edge venceu o Prémio Hugo em 1983, e a trilogia original ganhou o Hugo especial - e único - para melhor série literária no Fantástico, um prémio que se pensava feito à medida de The Lord of the Rings, de Tolkien). Cada artigo - repleto de spoilers - consiste numa troca de ideias entre Wimmer e Wilkins sobre os vários livros de Foundation, e revelam uma análise muito interessante a esta obra seminal da Ficção Científica. Para poupar tempo aos leitores, deixo aqui as ligações para os sete artigos:



*E, já que estou a fazer sugestões de leitura, não deixem de ler os vários artigos da secção "Blogging the Hugos", sobre os vários livros que ao longo dos anos venceram o Prémio Hugo na categoria "Best Novel". Para mim, foi excelente ler os artigos sobre alguns dos meus livros de ficção científica preferidos, como The Moon Is a Harsh MistressThe Forever War, Starship Troopers, The Snow Queen ou Gateway, entre vários outros.

19 de julho de 2012

Sugestão para ouvir nas férias

Radio Rivendell 

(sim, é geek, mas é excelente para ouvir enquanto se lê qualquer coisa do Fantástico)

18 de julho de 2012

Comic-Con: Neil Gaiman anuncia prequela a Sandman

Se isto não é notícia que valha a pena interromper as férias, não sei o que será. Em Novembro de 2013, 25 anos passados sobre a publicação do primeiro volume de Sandman na linha Vertigo da DC Comics, será lançada a prequela da icónica banda desenhada de Neil Gaiman, com ilustração de J. H. Williams III (Batwoman, Promethea, entre outros). O anúncio foi feito na Comic-Con, através do vídeo que aqui reproduzo.



Fonte: io9

17 de julho de 2012

Ouvi dizer que Zegema Beach* é excelente nesta altura do ano

Ainda a recuperar de um extraordinário concerto dos Radiohead no Optimus Alive, é finalmente altura de descansar - que, é como quem diz, de aproveitar duas (certamente curtas) semanas de férias para fazer nada. Assim, o Viagem a Andrómeda vai entrar em serviços mínimos até ao final do mês - ou seja, é possível que publique por aqui alguma coisa, mas não é muito provável. Não deixa de ser irónico que um blogue que me exige tanto tempo livre (que cedo com prazer) fique "mudo" precisamente quando tenho mais tempo livre, mas a verdade é que metade destes dias vão ser passados com acesso muito limitado à Internet, e a outra metade... bom, a outra metade será dedicada à nobre arte da preguiça, e talvez à preparação de alguns conteúdos para o regresso. Retomarei a programação habitual nos últimos dias de Julho.


*certo, o filme pode nem ser grande coisa (sobretudo como adaptação), mas foi a única referência estival que me ocorreu.

15 de julho de 2012

Citação fantástica (22)

History isn't like that. History unravels gently, like an old sweater. It has been patched and darned many times, reknitted to suit different people, shoved in a box under the sink of censorship to be cut up for the dusters of propaganda, yet it always—eventually—manages to spring back into its old familiar shape. History has a habit of changing the people who think they are changing it. History always has a few tricks up its frayed sleeve. It's been around a long time.

Terry Pratchett, Mort (1987)

14 de julho de 2012