O primeiro desafio Arthur C. Clarke coloca ao leitor com Rendezvous With Rama (1972) é de perspectiva, implodindo qualquer noção de familiaridade ao apresentar um mundo cilíndrico - no interior do cilindro. É um pouco como a ideia antiga da Hollow Earth, mas alguns passos mais à frente - um mundo completo com cidades e mares construído na superfície interior de um gigantesco cilindro oco a viajar pelo espaço.
Está então apresentado Rama, nome dado a um misterioso objecto que é detectado ao entrar no Sistema Solar, num futuro no qual a Humanidade já se expandiu para fora da órbita da Terra e colonizou vários planetas e luas. É, inicialmente, tomado por um asteróide; no entanto, essa teoria cai por terra quando análises à sua trajectória indicam não estar a orbitar o Sol. Mais: indicam que aquele objecto é um cilindro perfeito e gigantesco, completamente liso, com um movimento de rotação incrivelmente rápido. O que torna evidente que não pode ser um objecto natural - foi criado por alguém, e poderá ser uma nave espacial. De imediato é preparada uma missão, liderada pelo Comandante Norton da nave Endeavour, para chegar a Rama e tentar perceber o que é, de onde vem e qual é o seu objectivo antes de se aproximar demasiado do centro do Sistema Solar e de o Sol inviabilizar qualquer tentativa de exploração.
Rendezvous With Rama é a história da tripulação da Endeavour durante a sua exploração de Rama - com todo o engenho e toda a improvisação que foi necessária para tentarem desvendar os mistérios daquele artefacto extraterrestre. Clarke desenvolve a narrativa a um ritmo perfeito, com capítulos curtos e intensos, mostrando aos poucos as maravilhas que a tripulação, qual exploradores de outros tempos, vai descobrindo naquele estranho mundo cilíndrico onde o familiar assume frequentemente formas estranhas e o estranho está para lá da mais rebuscada imaginação. Não é dada especial atenção à caracterização das personagens, pois a verdadeira personagem não faz parte da Endeavour - é, sim, a própria Rama; e toda a concepção de Rama é um prodígio que desafia constantemente a percepção do leitor ao apresentar o impossível de forma tão plausível e rigorosa. É frequentemente considerado um dos grandes livros de Clarke, e uma obra fundamental na hard science fiction; quando foi publicado, venceu os prémios Nébula e Hugo. Percebe-se bem porquê.
(Seria fascinante ver Rendezvous With Rama adaptado para o cinema - e não sou só eu a dizê-lo. Morgan Freeman está há mais de uma década envolvido no projecto que teima em não sair do development hell. David Fincher é um dos realizadores apontados para o projecto, mas, ao que parece, falta ainda um guião realmente bom. Que seja escrito, e depressa.)



















