21 de maio de 2012

Julgar o livro pela capa (1)

Hyperion (1990), Dan Simmons 

Muito a propósito, estou neste momento a ler (bom, não exactamente neste momento) Hyperion, de Dan Simmons. Infelizmente, a capa que coloquei ali ao lado - e que aqui reproduzo - não é a da minha edição. Esta, de acordo com este blogue, pertence à nova edição polaca de Hyperion que comemora o vigésimo aniversário da obra. Não consegui descobrir quem foi o autor desta espantosa - e vagamente arrepiaste - ilustração, mas a verdade é que o ilustrador conseguiu, numa imagem formidável, mostrar a premissa da narrativa no entanto a denunciar: os sete peregrinos (as sombras), que na iminência de uma guerra viajam até ao planeta Hyperion para encontrarem a misteriosa e letal criatura Shrike (no centro do motivo principal). Diria que tudo nesta capa está perfeito: as cores, o contraste entre os tons quentes do fundo e o negro das sombras dos peregrinos e de Shrike, até a fonte. Não é que Hyperion tenha tido más capas - mas esta é absolutamente extraordinária. 

20 de maio de 2012

Julgar o livro pela capa (0)

Não serei certamente a melhor pessoa para falar de capas de livros. Julgo que isso se deve ao facto de, em termos muito sucintos, pouco saber e menos entender sobre o assunto. No fundo, a coisa resume-se a isto: há capas de que gosto, e há capas de que não gosto; há capas que considero boas (podem ou não sê-lo) e capas que considero terríveis (idem). Sou capaz de explicar a minha opinião de forma subjectivamente fundamentada: gosto da ilustração, gosto da combinação de cores, detesto as capas da moda com fotografias de tudo e mais um par de botas (e aqui não faço concessões). 

De qualquer maneira, e porque 1) o facto de não se saber nada sobre um assunto nunca impediu ninguém de falar sobre ele e 2) os gostos, ao contrário do que diz a sabedoria popular, não só se discutem como dão excelentes discussões (aliás, acho que o ditado tem um equívoco não por causa da definição de "gosto", mas por causa do significado que atribuímos à palavra "discussão", que por cá quer dizer confronto e não debate; mas adiante). Assim, vou começar aqui no bloque uma nova série semanal, sobre capas de livros do Fantástico de que gosto especialmente, e porquê. É provável que abra esta série a participações exteriores, mas isso será ainda um caso a pensar.

De qualquer forma, amanhã sairá a primeira capa.

Citação fantástica (14)

There is no worse tyranny than to force a man to pay for what he does not want merely because you think it would be good for him. 

 Robert A. Heinlein, The Moon Is a Harsh Mistress (1966)

18 de maio de 2012

The Forever War

The Forever War, the Joe Haldeman (1974) é um exemplo perfeito da ficção científica que coloca num enquadramento futuro temas do presente para sobre eles reflectir com maior desprendimento - e, frequentemente, com maior acutilância. Neste caso, o tema é a guerra (e a sua derradeira falta de sentido), a partir do ponto de vista de William Mandella, estudante brilhante recrutado para o exército com o objectivo de combater na guerra com os Taurans, uma misteriosa raça de extra-terrestres que atacou naves de colonização humana. Joe Haldeman foi, ele mesmo, um veterano do Vietname, pelo que as descrições do campo de recruta e de combate dificilmente poderiam ser mais realistas. Mandella junta-se a outros recrutas - todos com QI elevado e currículos académicos exemplares - para um período de recruta brutal em Charon, e depois embarca para o espaço profundo através das collapsar utilizadas para viajar a velocidades superiores às da luz, e assim chegar às zonas de batalha mais distantes.

É neste ponto que entra o tema central de The Forever War: considerando a teoria da relatividade como válida, a passagem do tempo para os soldados a bordo das naves de batalha é diferente daquela verificada no mundo que deixaram para trás - e que juraram defender. Para Mandella e os restantes soldados na frente de combate, passam-se alguns meses, poucos anos; mas na Terra, várias décadas passaram - e é com choque e surpresa que os militares sobreviventes regressam ao seu planeta-natal após uma longa campanha para encontrar um mundo radicalmente diferente daquele que deixaram. Haldeman jogou de forma brilhante com este conceito para ilustrar o deslocamento sentido pelas tropas quando regressam da guerra e se tentam reintegrar num mundo que já não conhecem, do qual já não fazem parte - e que já não tem lugar para eles, tendo avançado ao seu próprio ritmo e com as suas próprias condicionantes, privada das suas mentes mais brilhantes, consumidas pelo esforço de uma guerra espacial à escala galáctica. O mundo que Mandella encontra no seu regresso é uma autêntica distopia política, económica e social, uma de muitas que se sucederam durante os poucos anos que esteve ausente - que foram muitos, na sua ausência. Ao ponto de compreender que a guerra, que viveu de forma tão dura por tão pouco tempo, é o único mundo que lhe resta. 

The Forever War distingue-se de uma parte relevante da ficção científica ao ter em consideração a passagem do tempo em relatividade, com todas as suas consequências - das alterações sociais ao constante jogo do "gato e do rato" entre a Humanidade e os Taurans pela supremacia bélica quando as batalhas estão a distâncias - espaciais e temporais - incompreensíveis para um homem comum. Sem esquecer as próprias relações humanas, tornadas impossíveis a partir do momento em que a separação espacial implica uma separação temporal que se torna inevitavelmente permanente. Haldeman não foi, é certo, o único escritor a recorrer a este tema (podia nomear alguns bons exemplos), mas poucos terão alcançado o mesmo impacto e realismo. Mas aqui, mais do que ser um plot device, esta questão da relatividade é o centro da história, sustentando as várias ramificações do enredo e as diferentes questões que o autor levanta, e sobre as quais convida o leitor a reflectir. 

Joe Haldeman tem em The Forever War mais do que uma space opera, e mais do que um clássico incontornável da ficção científica - tem uma obra notável sobre a guerra e sobre os efeitos indeléveis que esta deixa naqueles que lhe sobrevivem, e uma reflexão sobre a sua própria experiência colocada num futuro plausível e extraordinariamente rico. Este futuro é descrito de forma extraordinária, num estilo sólido e com um ritmo narrativo perfeito. Na edição que possuo, da colecção SF Masterworks, o escritor Peter F. Hamilton descreve The Forever War como "a book that's damn near perfect". E é mesmo. Está, sem dúvida, entre a melhor ficção científica que já li. 

17 de maio de 2012

O Grande Asteróide de '98

A Filmpuff, do Not a Film Critic, desafiou-me há tempos para escrever um texto sobre um dos meus guilty pleasures cinematográficos. O escolhido foi Armageddon. A quem interessar, o texto pode ser lido aqui

Prometheus: Quiet Eye

A menos de um mês da estreia de Prometheus, seria difícil o hype e as expectativas serem maiores - mas nem por isso a tremenda campanha de marketing viral dá sinais de abrandamento. Num novo vídeo viral divulgado ontem, intitulado Quiet Eye, a actriz Noomi Rapace interpreta a protagonista Elizabeth Shaw na sua "proposta" às Weyland Industries - escrutinada com tecnologia que faria inveja ao Cal Lightman da série Lie to Me. 




É possível que o filme seja uma desilusão (esperemos que não), mas temos de reconhecer que a campanha está formidável. 

16 de maio de 2012

Diablo 3: Wrath

Doze anos volvidos desde Diablo 2, eis que a Blizzard Entertainment finalmente lançou o muito aguardado Diablo 3. O jogo chegou ontem às lojas, com muita animação em algumas cidades europeias. Infelizmente, os meus planos para adquirir logo o jogo, se possível na edição de coleccionador, foram por água abaixo - três estrelas gigantes vermelhas, intituladas EDP, Lisboa Gás e Meo entraram em colapso simultâneo e criaram um buraco negro supermassivo no pequeno universo do meu saldo bancário. Enfim, fica para o próximo mês, que a efeméride do meu aniversário pode até não ser celebrada, mas sempre servirá para alguma coisa. 

 Entretanto, e porque para todos os efeitos o lançamento do Diablo 3 é um dos acontecimentos do ano no que aos videojogos diz respeito, deixo aqui uma (excelente) curta de animação escrita pelo próprio director artístico da Blizzard Entertainment, Chris Metzen, sobre este fantástico universo.



15 de maio de 2012

Yarrr, Game of Thrones

Parece que Game of Thrones está a caminho de se tornar na série televisiva mais pirateada de 2012. O que, diga-se de passagem, só surpreenderá os mais desatentos. O problema, como bem aponta este artigo da Forbes, está menos na pirataria em si (alguns utilizadores vão sempre optar pelo download ilegal independentemente do que a HBO fizer) e mais no modelo de distribuição da série. Dada a enorme popularidade da adaptação televisiva de A Song of Ice and Fire, a HBO devia ter optado por um modelo de distribuição online para todo o mundo em linha com a transmissão nos Estados Unidos, para além de assegurar  a difusão nos canais televisivos de outros países com o mínimo possível de desfasamento temporal. Um pouco, por exemplo, como a Fox fez por cá com The Walking Dead, cujas duas primeiras temporadas estreavam ao Domingo à noite nos EUA e à Terça-feira na Fox Portugal.

É provável que esta situação tenha um impacto pouco significativo nas vendas posteriores em DVD, mas para já é um indicador expressivo de duas coisas: 1) o sucesso de Game of Thrones é incomparavelmente maior do que as audiências televisivas revelam, e 2) a HBO não está a fazer tanto dinheiro como poderia com a série. E não adianta muito usar o habitual bode expiatório da pirataria (que hoje em dia serve de desculpa para tudo e mais um par de botas), quando a culpa reside sobretudo num modelo de distribuição completamente obsoleto para a realidade actual. 

A ficção científica e o cinema: Melancholia

É algo difícil enquadrar Melancholia (Lars Von Trier, 2011) no género de ficção científica, ou mesmo num Fantástico mais abrangente. O filme foge às tropes clássicas do género ao apresentar-se desprovido de um enquadramento temporal identificativo (tanto quanto sabemos, a acção decorre nos nossos dias, e não num futuro distante) e com poucos elementos relevantes. Na verdade, só o motivo de fundo - a destruição da Terra - e uma certa intuição premonitória que Justine revela dão a este filme um carácter de Fantástico. O que não só não é invulgar como, pessoalmente, é também mais do que suficiente para mim. Numa altura em que a ficção científica "clássica" tem perdido força no grande ecrã, é refrescante ver trabalhos alternativos de qualidade, produzidos e realizados por pessoas que normalmente não associamos ao género - mesmo que o utilizem não como motivo principal, mas como pano de fundo para algo diferente. 

Para ir directo ao assunto: Melancholia é um filme a todos os níveis excepcional, de longe a melhor estreia que vi em muito tempo. Não sou particular conhecedor da obra de Von Trier, pelo que evitarei as comparações - mas em Melancholia, o dinamarquês tem sem dúvida uma obra-prima. É um filme muito contido, com um enredo simples e coeso, centrado na vida de duas irmãs durante as semanas que antecedem a destruição da Terra pela colisão com o planeta-nómada Melancolia. Isto, atenção, não é propriamente um spoiler: nos primeiros momentos do filme, através de uma sucessão de imagens quase estáticas de grande beleza, Lars Von Trier mostra vários momentos importantes do filme, entre eles a colisão planetária que oblitera o planeta Terra. Melancholia não é o convencional filme-catástrofe a pedir pipocas numa tarde chuvosa de domingo. Não há aqui uma tragédia anunciada, a notícia do apocalipse apresentada à imprensa por um líder mundial, o pânico generalizado pelo mundo, e a tentativa meio desesperada, meio heróica de resolver o problema, sabendo que no final os heróis triunfam e salvam a Terra. Em Melancholia, a destruição da Terra é um facto consumado, e nada poderá mudar isso. Lars Von Trier não está sequer preocupado em mostrar como o mundo vive os dias do fim (o que poderia ser um exercício interessante) - ao longo do filme, nenhuma pista é dada nesse sentido. Apenas as duas irmãs, Justine e Claire, interessam.

E é precisamente entre ambas que o filme se divide, em duas partes que recebem o nome de cada uma delas. A primeira, "Justine", retrata a cerimónia e a festa de casamento de Justine (Kristen Dunst num desempenho formidável), num momento de drama familiar onde sobressai a oposição entre a impulsividade e o carácter depressivo e auto-destrutivo de Justine e o rigor e o auto-controlo de Claire (Charlotte Gainsbourg), num cenário humano que tenta (em vão) compensar a sua vacuidade através da ostentação. As diferenças suscitam o conflito entre ambas, mas curiosamente são um ponto de união entre as duas irmãs nomeio de uma família disfuncional. Na segunda parte, intitulada "Claire", Justine cede por fim à depressão, e é Claire quem vai tomar conta dela enquanto o planeta Melancolia se aproxima da Terra - com John (Kiefer Sutherland), o marido de Claire, a garantir que o planeta passará pela Terra sem risco de colisão. Aqui dá-se uma inversão curiosa de papéis, entre uma Justine a sair progressivamente da sua depressão (ou a aprender por fim a viver com ela) e a aceitar de forma surpreendentemente estóica e controlada o fim da Humanidade quando se torna evidente que os planetas vão de facto colidir, e uma Claire a perder o auto-controlo e a mergulhar numa loucura induzida pelo desespero.

Este drama familiar é pautado por uma banda sonora formidável (Tristão e Isolda, de Wagner), que contribui de forma subtil mas decisiva para a atmosfera criada por Lars Von Trier - cada vez mais opressiva à medida que o fim se aproxima e sabemos nada poder ser feito para o evitar. Entrar em Melancholia induz uma sensação difusa de desconforto, uma angústia permanente que extravasa as imagens de grande beleza que Von Trier recria até ao último momento. Pessoalmente, a única experiência que tive do género foi quando li Childhood's End, de Arthur C. Clarke - que, não por acaso, é o meu livro de ficção científica preferido. Vi Melancholia no cinema, em Dezembro, e no momento em que o filme acabou, ninguém se moveu - durante longos minutos rolavam os créditos, e o público permaneceu sentado, em silêncio, sem desviar o olhar da tela. É possível que nem todos tenham gostado do filme - aliás, é muito provável que metade da audiência tenha detestado Melancholia. Mas ninguém lhe ficou indiferente. 9.5/10


[Que um filme deste calibre tenha sido praticamente posto de parte devido às declarações idiotas de Lars Von Trier numa conferência de imprensa só demonstra (como se ainda houvesse dúvidas) a estupidez reinante no meio cinematográfico.]

14 de maio de 2012

Notícias de George R.R. Martin

Finda a tour por Inglaterra e Portugal (já lá vai quase um mês), George R.R. Martin já regressou ao trabalho - e deixa no seu blogue pessoal alguns apontamentos sobre o que tem em mãos e o que podemos esperar nos próximos tempos. Em jeito de resumo, as novidades mais "quentes": 

1) o autor já retomou a escrita de The Winds of Winter (está a escrever passagens dos Dothraki, o que provavelmente significa que a Dany e o Drogon não fizeram churrasco deles); 

2) A antologia Dangerous Women, de Martin com Gardner Dozois, está quase completa - sendo que o "quase" aqui traduz-se por "vai sair atrasada". Recordo que esta antologia deverá incluir o conto The She-Wolves of Winterfell, a quarta história de Dunk & Egg. 

3) Martin e Dozois vão colaborar em três novas antologias de originais: a primeira, intitulada Rogues, segue mais ou menos na linha das antologias Warriors; as outras duas, que o autor classifica de "retro-futuristas", intitulam-se Old Mars e Old Venus.

4) Para a terceira temporada de Game of Thrones, Martin já concluiu o argumento do sétimo episódio, intitulado "Autumn Storms". Entretanto, ainda aguardamos o "Blackwater", na segunda temporada...

O artigo completo pode ser lido aqui.

13 de maio de 2012

Citação fantástica (13)

All explorers are seeking something they have lost. It is seldom that they find it, and more seldom still that the attainment brings them greater happiness than the quest.

Arthur C. Clarke, The City and the Stars (1956)

12 de maio de 2012

Notas sobre ficção científica (3)

Please do not misunderstand me: I have enormously enjoyed the best of Star Trek and Lucas/Spielberg's epics, to mention only the most famous examples of the genre. But these works are fantasy, not science fiction in the strict meaning of the term. It now seems almost certain that in the real universe we may never exceed the velocity of light. Even the very closest star systems will always be decades or centuries apart; no Warp Six will ever get you from one episode to another in time for next week's installment. The Great Producer in the Sky did not arrange his program planning that way. 

Arthur C. Clarke, The Songs of Distant Earth (1986): Introdução

11 de maio de 2012

The City and the Stars

De que falamos quando pensamos em ficção científica num futuro distante? A ficção científica, nas suas diversas formas, produziu várias respostas ao longo dos anos, e a tecnologia evolui até ao ponto em que a humanidade consegue viajar a velocidades superiores às da luz (ou encontrar uma estratégia que permita obter os mesmos resultados de outra forma) e colonizar as estrelas mais distantes. A noção de império galáctico não é de todo estranha ao género. No entanto, fica a pergunta: o que acontece após a Humanidade conquistar as estrelas? 

The City and the Stars, de Arthur C. Clarke, ensaia uma resposta possível numa obra admirável. Expandindo o seu primeiro trabalho publicado, a noveleta Against the Fall of Night (título formidável que devia ter permanecido), The City and the Stars situa-se, em termos cronológicos, mais distante no tempo do que qualquer outra obra de ficção científica que tenha lido: mais de mil milhões de anos no futuro. A sua história não tem lugar em qualquer outro planeta ou galáxia, mas na cidade fechada de Diaspar: a última cidade que existe numa Terra devastada e árida cujos oceanos há muito se evaporaram, o último reduto da Humanidade que vive pacificamente entre muros depois de ter conquistado e perdido as estrelas. Ninguém sai ou deseja sair de Diaspar - aliás, ninguém se lembra da última vez em que alguém saiu de Diaspar. Nela, os seres humanos não nascem - são criados artificialmente pelas máquinas que mantém a cidade. As mentes e as memórias individuais são preservadas e atribuídas aos novos cidadãos quando estes "nascem", e apenas uma pequena parte da população potencial de Diaspar vive a cada momento. 

Esta regra, porém, tem algumas excepções muito raras - como o caso de Alvin, o protagonista. Alvin é um Único - foi concebido sem memórias, é alguém que não possuiu outra vida antes, e que não tem assim quaisquer memórias de Diaspar. Ao contrário dos seus conterrâneos, Alvin não teme o exterior, e deseja deixar a protecção da cidade e saber o que existe fora dela. Eventualmente consegue-o - e fora dos muros fechados de Diaspar encontra um mundo que supera a sua imaginação.

The City and the Stars é um livro sobre o impulso humano de querer chegar mais longe. De descobrir, de explorar, de nos superarmos a cada demanda. É uma história sobre a superação do medo, sobre o desconhecido que tememos, que frequentemente embrulhámos em lendas ambíguas para justificar os nossos medos sem querer admitir a sua existência. É também um livro sobre a utopia, com a última sociedade humana a viver uma existência quase imortal e sem ambição entre as paredes de Diaspar, num mundo fascinante concebido por Arthur C. Clarke. 

A world where black magic is at work is not that different from high science fiction

Jon Spaihts, um dos argumentistas de Prometheus, deu uma excelente entrevista ao portal io9 - sobre o filme de Ridley Scott, sobre o estado da ficção científica, e sobre outros projectos. A entrevista pode ser lida na íntegra aqui (o que recomendo). Três destaques:

Why is it so hard to get Hollywood to greenlight space adventures like your Shadow 19 script? Video games like Mass Effect make insane amounts of money, so why is it so hard for Hollywood to commit to similar movies? 
There are some technical reasons why. In game engines, hard shiny surfaces are easy to render, while pliable or complex surfaces are hard. So in a game, spaceships, tanks and armored figures are very approachable subjects. It's a lot harder to render, say, a long-haired girl in a flowing dress chasing a shaggy dog through a garden. That's brutal geometry for a game engine. In games, scifi's easier to achieve than mundane reality. With film, the opposite is true. Anything available in the real world you can just point a camera at. Fantastic things have to be built, physically or digitally, and that's expensive. Scifi costs more in film. All that said: scifi blockbusters have made mountains of money, and are over-represented in the top fifty box office hits of all time. The mighty Avatar first among them, with the Star Wars films and others trailing behind. Clearly the audience will turn out if you execute well. I think there's a ready market for grand space adventures. But it's got to be a good story on every level: good characters, emotional arcs, sharp dialogue, comprehensible world, clear stakes… it's a lot to get right. There aren't that many people around who can do it well. 
(...) 
Do you think films like Prometheus and Gravity could spark a new interest in big space epics that aren't based on an existing franchise? 
I want to say yes, but I think those aren't the films for the job. Prometheus "shares DNA" with a pre-existing franchise, and what I know of Gravity suggests it's a fairly grounded predicament movie, without the larger-than-life characters or fanciful story-world that would naturally give birth to a franchise. To launch a new franchise you need both a strikingly imagined world with a conflict built into its bones, and vivid characters with heroic traits that allow them to the be the backbone of a series of stories. See "Star Wars." 
(...) 
How weird is it moving from hard science fiction to something like The Mummy, and do you think you have some room to expand the mythos of why there are mummies coming to life and chasing people around? 
In Arthur C. Clarke's words, "any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic." So a world where black magic is at work is not that different from high science fiction. You still need rules, powers, a world whose history and sweep of events extends beyond the borders of the frame. I'd never have taken the job if I didn't think I had something new to bring to it. I'm incubating a mythology I really dig – once more balancing the imperatives to honor the canon and the archetypes of the story universe, and to give birth to something new.

[fonte: io9]

10 de maio de 2012

Hear me roar!

Peter Dinklage, o actor que dá vida ao hábil Tyrion Lannister na série Game of Thrones, está na capa da próxima edição da revista Rolling Stone. O que, não deixa de ser assinalável, e um justo reconhecimento não só do sucesso de Game of Thrones, mas também do grande desempenho de Dinklage num dos papéis mais cativantes da série. De acordo com George R. R. Martin, não houve casting para o papel de Tyrion Lannister - a produção da série apenas considerou Peter Dinklage para o papel. Basta vermos um episódio - qualquer um - da série para percebermos porquê. 

(E a coisa melhora sempre quando vemos Tyrion a esbofetear Joffrey, como no último episódio)

[fonte: io9]