Continua o hype em redor de Prometheus, com o lançamento de um novo trailer. OK, a história do filme já foi praticamente toda revelada nos vários trailers, mas nem por isso deixo de ter a expectativa de que esteja aqui um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos anos.
"First you use machines, then you wear machines, and then...? Then you serve machines." - John Brunner, Stand on Zanzibar
30 de abril de 2012
Smaug: A mais rica personagem de ficção (literalmente)
Smaug, o dragão e o principal antagonista de The Hobbit, de J. R. R. Tolkien, é, de acordo com o ranking de 2012 da Forbes, a mais rica de todas as personagens de ficção, com uma fortuna avaliada nos 62 mil milhões de dólares (podem ver aqui como foram feitas as estimativas da fortuna que o velho dragão arrecadou na Montanha Solitária quando a conquistou aos Anões). Na edição de 2012 do top 15 anual elaborado pela Forbes estão também, a representar o Fantástico, Tony Stark (Iron Man), Bruce Wayne (Batman) e Tywin Lannister (A Song of Ice and Fire). Alguém mostre isto a Peter Jackson, para que o interior da caverna de Smaug na segunda parte do filme The Hobbit (a estrear em finais de 2013) faça justiça aos cálculos da Forbes.
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29 de abril de 2012
Citação fantástica (11)
Do nothing because it is righteous or praiseworthy or noble to do so; do nothing because it seems good to do so; do only that which you must do and which you cannot do in any other way.
Ursula K. Le Guin, The Farthest Shore (1972)
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28 de abril de 2012
Terry Pratchett (1948 - )
Falarmos de literatura de fantasia sem mencionarmos Discworld seria ignorarmos uma das suas vertentes mais divertidas - e, claro, uma das suas séries mais longas. Para todos os efeitos, Terry Pratchett conseguiu ao longo de mais de três décadas criar e desenvolver um universo fantástico muito coerente (ou melhor: coerente na sua incoerência non-sense) e extraordinariamente divertido, parodiando todos os tropes clássicos do género (e mesmo muitos de outros géneros) e o "mundo real" que deixamos esquecido sempre que mergulhamos naquele mundo plano assente em quatro elefantes sobre a carapaça da gigantesca tartaruga cósmica Great A'Tuin. Personagens como o feiticeiro falhado Rincewind, a bruxa Granny Weatherwax, o detective Sam Vimes e a Morte - entre tantas e tantas outras - ficam na memória como algumas das mais loucas e divertidas figuras do Fantástico.
A carreira literária de Terry Pratchett não se resume porém a Discworld, série publicada desde 1983 (com The Colour of Magic) e que conta com o impressionante número de 39 livros publicados, para além de vários contos. O seu primeiro trabalho publicado foi o livro The Carpet People (1971). Em 1990, publicou Good Omens com Neil Gaiman (1990), e na sua bibliografia contam-se muitos outros livros, dirigidos sobretudo a leitores mais jovens. Entre as suas obras, várias conheceram adaptações para diversos meios, da rádio à televisão, passando pelo teatro, pela música e pelos videojogos - havendo também planos para algumas adaptações cinematográficas.
Em 2007, Terry Pratchett anunciou padecer de Alzheimer precoce, e desde então tem participado em várias iniciativas sobre esta doença e sobre o tema da eutanásia. Desde o diagnóstico, publicou quatro livros da série Discworld, entre outros trabalhos.
Terry Pratchett nasceu em Beaconsfield, Buckinghamshire, no Reino Unido, a 28 de Abril de 1948. Faz hoje 64 anos.
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27 de abril de 2012
The Lathe of Heaven
Quando se fala em Ursula K. Le Guin, as obras mais referenciadas são, na ficção científica, The Left Hand of Darkness e The Dispossessed, e a série Earthsea na fantasia. Justamente, diga-se de passagem. No entanto, há um outro livro da autora que, ainda que seja menos referenciado, nem por isso o considero inferior - sendo mesmo absolutamente brilhante em alguns momentos. Falo de The Lathe of Heaven.
The Lathe of Heaven começa com uma premissa interessante: o protagonista, George Orr, vive em profunda depressão por causa dos seus sonhos. Ou melhor, por aquilo que acaba por ser designado por "sonhos effectivos" - sonhos profundos que têm o poder de alterar toda a realidade. Como se substituíssem a realidade conhecida e vivida por todos por a nova realidade, sem que ninguém perceba a diferença - excepto Orr, claro, que mantém a memória da realidade anterior. Orr tenta por todos os meios impedir-se de ter "sonhos efectivos", recorrendo ao consumo abusivo de drogas, o que acaba por o conduzir a um psiquiatra. Esse psiquiatra, William Haber, revela-se céptico quanto à capacidade de Orr conseguir alterar a realidade através dos seus "sonhos efectivos". No entanto, após induzir o seu paciente num sonho efectivo, sugerindo-o através de hipnose e de uma máquina por si desenvolvida (o Augmentor), verifica de facto o poder de Orr - e não hesita em utilizá-lo, a pretexto de terapia, para tentar criar um mundo melhor - e, naturalmente, para aumentar o seu poder e prestígio. Naturalmente, as coisas começam a complicar-se devido à sua ambição - e também devido à capacidade de o inconsciente de Orr mostrar como um mundo perfeito é apenas uma fachada para um intrincado novelo de imperfeições.
É justamente neste ponto que reside a força da narrativa de The Lathe of Heaven: Le Guin consegue, com inegável mestria, demonstrar como cada utopia encerra em si uma distopia, e como o ambicionado "mundo perfeito" não pode jamais existir. As tentativas de Haber mudar o mundo para melhor esbarram sempre no inconsciente de Orr - que, no fundo, é o refúgio da sua humanidade, e da sua incapacidade ignorar as "imperfeições" que definem os seres humanos - e assim gerando distopias cada vez maiores, em proporção às utopias ambicionadas por Haber.
Diz-se que The Lathe of Heaven é o tributo de Ursula K. Le Guin a Philip K. Dick. As influências estão lá todas, de facto, com o tema das múltiplas realidades - tão caro a Philip K Dick - a ser abordado de forma particularmente interessante e, a meu ver, original.
The Lathe of Heaven conheceu duas adaptações para filme. A primeira adaptação, de 1980, foi para um filme televisivo, e Le Guin participou activamente na produção, considerando o resultado satisfatório. Já a segunda, de 2002, foi, nas palavras da própria Le Guin, "misguided and uninteresting".
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Dog Mendonça e Pizza Boy fazem sucesso nos Estados Unidos
As Incríveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy, de Filipe Melo e Juan Cavia, foram publicadas nos Estados Unidos pela Dark Horse (após a publicação de uma aventura especial) - e receberam, para começar, esta fantástica review no portal norte-americano Giant Fire Breathing Robot. Inteiramente merecida, aliás; as aventuras de Dog Mendonça, Eurico, Pazuul e a Gárgula (cujo nome não revelo por ser, enfim, um spoiler) numa fantástica Lisboa nocturna merecem todos os elogios. Por cá, depois das Incríveis Aventuras e das Extraordinárias Aventuras (que conseguiram ainda ser mais delirantes, no bom sentido, que a estreia), aguardamos o terceiro álbum deste grupo muito especial. Que, muito provavelmente, se deverá intitular As Fantásticas Aventuras, provavelmente...
[fonte: Facebook]
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26 de abril de 2012
A ficção científica e os ideais libertários
Através do blogue da Trema chego à lista dos seis livros de ficção científica mais libertários do ano, elaborada pela revista Reason. Esta lista conta com nomes tão conhecidos como Vernor Vinge (com The Children of the Sky, sequela a Deepness in the Sky) ou Terry Pratchett (com Snuff, a mais recente história do universo Discworld).
É interessante ver o Fantástico - e, com maior frequência, a ficção científica - associado aos ideais libertários. Essa associação faz-se frequentemente através da defesa acérrima desses valores - e aqui poderíamos utilizar Robert A. Heinlein e a sua defesa intransigente do individualismo como exemplo, muito visível em obras como The Moon Is a Harsh Mistress ou Time Enough for Love. Mas tal associação é também feita por contraste, na demonstração normalmente em forma de distopia da ausência ou corrupção do ideal libertário. Ocorre-me The Dispossessed, de Ursula K. Le Guin, como exemplo aqui, mas poderia mencionar muitas outras distopias.
Não é certamente por acaso que, se consultarmos a lista dos Prometheus Awards, encontramos uma longa lista de ficção científica premiada, com autores como Vernor Vinge, Robert A. Heinlein, Ursula K. Le Guin, Poul Anderson, Larry Niven e Alfred Bester, entre outros, ao lado de clássicos libertários como Ayn Rand (de certa forma, pode-se argumentar que em Atlas Shrugged Ayn Rand entrou na ficção científica, mas isso deixo para outro dia). Ora aqui está um tema interessante a desenvolver um dia, ao cuidado dos meus vários amigos que estudam ciência política: a ligação entre a ficção científica e os ideais libertários. Boas referências não faltam.
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25 de abril de 2012
The Witcher 2: Enhanced Edition: Trailer
Nunca joguei The Witcher, e não é provável que o faça nos próximos tempos. Contudo, não posso deixar de referir o trailer de The Witcher 2: Enhanced Edition, que não só está formidável como mostra muito bem quão próximos estão os videojogos actuais de outras formas narrativas (nomeadamente o cinema). E com um cheirinho de Fantástico!
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Das ideias e das descrições:
Aqui está um exemplo de uma excelente descrição da ideia elementar de um livro, tornando-o interessante sem recorrer a spoilers:
The primary engine of the novel's story is overpopulation and its projected consequences, and the title refers to an early twentieth-century claim that the world's population could fit onto the Isle of Wight – which has an area of 381 square kilometres (147 sq mi) – if they were all standing upright. Brunner remarked that the growing world population now required a larger island; the 3.5 billion people living in 1968 could stand together on the Isle of Man (area 572 square kilometres (221 sq mi)), while the 7 billion people who he projected would be alive in 2010 would need to stand on Zanzibar (area 1,554 square kilometres (600 sq mi)).Throughout the book, the image of the entire human race standing shoulder-to-shoulder on a small island is a metaphor for a crowded world.
Stand on Zanzibar, de John Brunner (na Wikipedia)
E assim se decide uma das próximas leituras (apesar de a lista ser já bastante longa).
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24 de abril de 2012
Londres poderá receber a Worldcon 2014
Londres está na corrida para a organização da Worldcon em 2014 e, considerando que a sua foi a única candidatura, tudo indica que será a cidade escolhida para daqui a dois anos receber o principal evento mundial de ficção cientifica, no qual são atribuídos os prémios Hugo. A confirmar-se, a Worldcon 2014 decorrerá entre 14 e 18 de Agosto de 2014, no International Convention Centre em Londres. O que, para todos os efeitos, é uma excelente notícia: nos dias que correm, é relativamente fácil e barato chegar a Londres. Será certamente difícil encontrar melhor oportunidade para estar presente numa Worldcon.
A Ficção Científica e o Cinema: Blade Runner
Quando estreou, em 1982, Blade Runner causou perplexidade no público, com o seu visual arrojado e a sua banda sonora misteriosa (da autoria de Vangelis), e gerou críticas particularmente ácidas. Se há filmes que estão destinados a estarem à frente do seu tempo, Blade Runner é um deles: de filme falhado a filme de culto, inaugurou o sub-género ciberpunk no cinema, e foi (é, ainda) uma autêntica lição de adaptação de livro para filme - no caso, o livro que lhe serviu de base foi Do Androids Dream of Electric Sheep?, de Philip K. Dick (leitura que aproveito para recomendar). Scott baseou-se na obra de Dick, sim, mas retirou-lhe os elementos de natureza religiosa e filosófica (os "mood organs", o Mercerism, a obsessão com animais vivos numa Terra devastada) e favoreceu a história "crua": um grupo de Replicants (andróides) evadiu-se na Terra e Rick Deckard (Harrison Ford em grande forma), um blade runner (caçador de andróides), assume a missão de os "retirar", eufemismo para "destruí-los". Mas quando o seu teste de reconhecimento de Replicants falha ao analisar Rachael, uma andróide praticamente perfeita desenvolvida pela Tyrell Corporation, Deckard começa a questionar a sua missão; e os andróides evadidos procuram por todos os meios sobreviver...
Hoje, é impossível falar de ficção científica no cinema sem mencionar Blade Runner, que brilha por si só e pela influência que teve em vários filmes subsequentes (dos quais Ghost in the Shell e Matrix serão bons exemplos, e porventura os mais óbvios - o primeiro, aliás, "transpira" Blade Runner), tanto em temática como em estética. Tal como acontece com Alien, vê-se hoje o filme e percebe-se que, quase trinta anos passados, não ganhou uma única ruga. Num período de quatro anos, Ridley Scott criou duas obras essenciais, não só da ficção científica, mas do cinema em geral. O que, convenhamos, não é para todos. A ver se este ano repete a graça com Prometheus.
[Adaptado deste post do Delito de Opinião]
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23 de abril de 2012
Entrevista: George R. R. Martin
A segunda temporada da série Game of Thrones estreia hoje à noite no SyFy. O primeiro episódio teve direito a ante-estreia com a presença do autor no passado dia 19, nos cinemas do El Corte Inglés (Lisboa). Diga-se de passagem que é excelente ver a série no grande ecrã - e, no final, houve ainda uma sessão de perguntas e respostas com o público.
Na manhã de 19, o SyFy promoveu uma mesa redonda com George R. R. Martin e vários jornalistas e bloggers, que tiveram assim a oportunidade de colocar ao autor várias questões - sobre a série, e não só. O Viagem a Andrómeda esteve presente, e o resultado foi esta breve entrevista sobre o presente e o futuro da série Game of Thrones:
VA: Quanto à segunda temporada de Game of Thrones, não pude deixar de reparar alguns personagens relevantes para a história em falta no elenco, como Thoros ou Jojen e Meera Reed. Estas personagens vão eventualmente aparecer na terceira temporada?
GRRM: O David Benioff e o D.B. Weiss são os criadores da série, e provavelmente serão as pessoas mais indicadas para responder a essa pergunta. Tanto quanto seu, os Reed [Jojen e Meera] vão eventualmente aparecer, provavelmente na terceira temporada. O Thoros foi mencionado em diálogo, pelo que certamente existirá naquele mundo - poderá aparecer também na terceira temporada. Mas não o posso assegurar. Algumas personagens têm de ser eliminadas - já temos o maior elenco de personagens contínuas em televisão, e o número de personagens aumenta a cada livro, à medida que estas se espalham pelo mundo e encontram novos povos, novas cidades e novas pessoas. Esse é o desafio para os criadores e para a HBO: manter tudo sob controlo. Obviamente, num livro posso ter quantas personagens quiser, mas numa série televisiva cada personagem requer um actor, e cada actor requer um salário... a coisa pode descontrolar-se. É isso que o David [Benioff] e o Dan [Weiss] têm de gerir. Ainda bem que isso é problema deles, e não meu! Deixo-lhes a eles a tarefa de resolverem os desafios da série, enquanto me concentro em escrever os livros.
VA: Foi mencionado [noutra questão] o episódio que escreveu para esta temporada, Blackwater. O que podemos esperar deste episódio? Certamente não será a "Batalha de Pelennor Fields" [no filme The Lord of the Rings: The Return of the King] em formato televisivo?
GRRM: Sem querer revelar demasiado: é evidente que não podemos fazer algo como a Batalha de Pelennor Fields. Na verdade, não podemos sequer fazer a batalha tal como ela está escrita nos livros, ou custaria certamente muito mais do que a Batalha de Pelennor Fields. Por mais espectacular que seja, e é, a Batalha de Pelennor Fields é uma batalha bastante linear: há dois exércitos, a carga dos cavaleiros de Rohan, a chegada dos Oliphants, e mais tarde os fantasmas. Na minha batalha há uma cidade completamente fortificada, três enormes "trebuchets" [arma de artilharia medieval parecida a uma catapulta] a atirar pedras e projécteis flamejantes, pessoas nas muralhas, uma batalha naval com duas frotas em combate, uma corrente gigantesca a bloquear o rio, e, claro, há ainda a introdução de um elemento místico: o "wildfire", que arde intensamente como fogo grego mas com uma chama verde, e que não pode ser apagado. Há ainda um exército enorme na margem sul do rio a tentar atravessá-lo e cargas de cavalaria a partir das portas da cidade para tentar impedir os desembarques. Tudo isto é um pesadelo - cada um destes elementos é um pesadelo para produzir. São necessários efeitos especiais para os "trebuchets" e para o "wildfire", e temos ainda de contar com os cavalos e os barcos. Alguns destes elementos tiveram de ser eliminados - não vou dizer quais. Ainda assim, espero que com os elementos escolhidos tenhamos conseguido recriar uma batalha extremamente intensa e visceral, mais do que suficiente para satisfazer os fãs. Não creio que aqueles que tenham lido os livros vão referir o que está em falta - a batalha será suficientemente grande.
VA: Tenciona escrever outros momentos fortes da série em temporadas posteriores, como por exemplo o "Red Wedding"?
GRRM: Suspeito que o Red Wedding vá ser escrito pelo David Benioff e pelo Dan Weiss - creio que eles já o decidiram. Espero vir a escrever outros momentos fortes, mas são eles quem decide cada episódio e quem escreve o quê. Posso manifestar as minhas preferências, mas eles podem ou não dar-me as partes que gostaria de escrever.
VA: A série literária terá sete livros. No entanto, é provável que a adaptação televisiva precise de mais do que sete temporadas. Quais são as suas expectativas para o futuro da série? Será feita uma adaptação integral?
GRRM: Espero que a série chegue ao final da história, claro. Quantas temporadas serão necessárias? Não sei. Sei que a terceira temporada acabou de ser confirmada, e que não vai cobrir na totalidade os eventos do terceiro livro [A Storm of Swords], mas apenas metade. Como tal, a quarta temporada - se houver uma quarta temporada -, irá provavelmente cobrir a segunda metade do terceiro livro. E aí chegamos ao quarto e ao quinto livro, que são um problema porque decorrem ao mesmo tempo, mas com personagens diferentes. Estes dois livros terão de ser recombinados, e contém material para pelo menos duas temporadas - provavelmente para três ou mesmo quatro. Dito de outra forma, as coisas começam a complicar-se. A dada altura, o David e o Dan vão ter de começar a simplificar, pois a história cresce cada vez mais, com cada vez mais complexidade, exércitos, batalhas, personagens em partes diferentes do mundo, mas atravessaremos cada uma dessas pontes quando lá chegarmos. Suspeito que para contar toda a história a série precise de dez temporadas, ou mesmo mais – talvez onze ou doze. Veremos. Teremos essas temporadas? Depende do público e das audiências. Se continuarmos a vencer prémios, a obter excelentes reviews e a ter boas audiências... as vendas de DVD e Blu-Ray bateram todos os recordes da HBO; as vendas externas também bateram recordes – nunca uma série da HBO foi vendida para tantos mercados estrangeiros. Se tudo isto se mantiver, a HBO continuará a apostar na série. Se a dada altura os resultados caírem, se a produção da série se tornar demasiado dispendiosa ou se as audiências diminuírem drasticamente, então a HBO poderá desistir. Claro que espero que isso não aconteça; de qualquer forma, isso está fora do meu controlo, e não pode ser para mim uma preocupação. Eu sou o autor dos livros, e nos livros irei acabar a história. A HBO decidirá o futuro da série televisiva, e isso eu não poderei influenciar.
VA: Ainda sobre o futuro da série, os actores mais jovens poderão constituir um problema? Os actores crescem, e poderá ser estranho ver personagens como Bran ou Arya demasiado crescidos.
GRRM: Será sem dúvida diferente. A série começou com todos os personagens mais velhos do que eram nos livros, e estão a crescer ainda mais depressa. A Arya cresceu cerca de três anos em cinco livros, mas a Maisie Williams cresceu três anos só durante a adaptação do primeiro livro. É difícil. Maisie e Sophie [Turner] vão tornar-se em jovens mulheres – aliás, já estão a tornar-se jovens mulheres. Uma vez mais, pensaremos nisso quando lá chegarmos. Não penso que isso vá afectar demasiado a série. Excepto no caso do Hodor, que poderá ter de deixar de carregar o Bran às costas, pois em breve o Bran será tão grande como o Hodor. Acho que o Kristian Nairn já se começa a acusar o esforço de carregar o Isaac Wright – julgo que as filmagens são feitas mais depressa!
Naturalmente, muitas outras questões interessantes foram colocadas pelos restantes jornalistas e bloggers. Outros artigos sobre a mesa redonda podem ser lidos em: TV Dependente (também aqui), Diário Digital, ActionScreen.
Já agora: no dia anterior, na sessão de autógrafos promovida pela Saída de Emergência após a apresentação de O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias, tive a oportunidade de colocar a George R. R. Martin uma outra questão: se Howland Reed, uma das mais enigmáticas personagens de A Song of Ice and Fire (porventura a mais enigmática), irá eventualmente aparecer activamente na narrativa, ou se vai manter-se ausente e envolto em mistério. De acordo com o autor, "eventualmente o Howland Reed vai aparecer." O que é uma excelente notícia, claro (a menos que apareça no prólogo ou no epílogo de The Winds of Winter, considerando que todos os pontos de vista de prólogos e epílogos morrem - e Howland Reed tem muito para contar, certamente).
Agradecimentos: Fernando Batista/LewisPR/SyFy
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22 de abril de 2012
Citação fantástica (10)
No utopia can ever give satisfaction to everyone, all the time. As their material conditions improve, men raise their sights and become discontented with power and possessions that once would have seemed beyond their wildest dreams. And even when the external world has granted all it can, there still remain the searchings of the mind and the longings of the heart.
Arthur C. Clarke, Childhood's End (1953)
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George R. R. Martin em Portugal: Q&A na apresentação de O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias
Na apresentação de O Cavaleiro de Westeros e Outras Histórias, no passado dia 18, houve a possibilidade de o público colocar algumas questões a George R. R. Martin. Foi uma sessão muito descontraída e com bastante humor, na qual o autor esclareceu que, apesar de ter algumas notas dispersas sobre o futuro da história, "se me acontecer alguma coisa, estão todos sem sorte".
Quando lhe perguntaram qual o seu personagem preferido no universo de A Song of Ice and Fire, George R. R. Martin não hesitou: Tyrion Lannister. "O que não significa que ele esteja a salvo", acrescentou. O autor assumiu uma predilecção por personagens bem construídos, e no caso de Tyrion aprecia especialmente a sua faceta de "underdog" e a astúcia que o caracteriza, e que lhe dá às suas palavras um sentido de oportunidade particularmente apurado.
Já sobre o processo de escrita, Martin afirmou não escrever os capítulos pela ordem que eles têm nos livros. "Gosto de explorar um personagem quando estou dentro da sua cabeça", explica, "e quando surge um problema, mudo de personagem". Ainda assim, considera ser "difícil mudar de personagens. Cada um tem a sua voz própria."
Sobre o grande universo de A Song of Ice and Fire, George R. R. Martin disse, em resposta a uma pergunta, não tencionar escrever algo de concreto sobre momentos do passado recente da narrativa, como a Rebelião de Robert, ou sobre personagens como Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. "Tudo o que houver de relevante sobre isso será revelado em A Song of Ice and Fire quando a história estiver concluída". Entretanto, "há outras coisas que quero fazer, como escrever mais sobre o Dunk e o Egg, ou mesmo outras histórias de Westeros" - e, claro, "regressar à ficção científica e ao horror". Quanto ao final da série, remeteu a possibilidade de um final feliz para as expectativas dos leitores, reforçando a intenção de criar um final que "seja satisfatório, podendo ser bom para alguns e mau para outros". Por outras palavras, o final "agri-doce" a que já aludira noutras ocasiões. Como exemplo, dá o final de The Lord of the Rings, que considera ser "extremamente satisfatório e profundo", e destaca o capítulo The Scouring of the Shire, omitido na adaptação cinematográfica, como fundamental para o livro.
Tolkien é, aliás, uma das grandes influências de George R. R. Martin, que apesar de se sentir "lisonjeado" pelo título de "o Tolkien americano", descarta qualquer comparação com o velho professor inglês. Para além deste, entre os seus autores preferidos destaca Jack Vance, Roger Zelazny e Robert A. Heinlein, o seu autor preferido em jovem.
No final, disse tencionar escrever outras histórias quando "acabar A Song of Ice and Fire", e desabafou: "preciso de imortalidade!" E, numa breve reflexão sobre o seu fandom, conclui que "a vantagem de ter milhões de fãs é que, se por acaso precisar de um rim...", para gargalhada geral da sala.
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21 de abril de 2012
Notas sobre ficção científica (1)
Science fiction really isn't about the future; it's about the present, which concerns SF writers as much as it does anyone else. SF's much reviled "escapist genre rubbish" is in fact a rich and varied field of fiction. It gives a writer more freedom to explore ideas as well as experiment with style than any other literary form. The best SF, truly "mind-bending", holding a fun-house mirror to our reality, warping the reader's fixed perceptions about society, and giving them a fresh and liberating parallax view.
(...)
Some people have called SF "modern mythology", because it clothes the universal themes of myth into "modern dress". Throughout the ages, stories with certain basic themes have recurred over and over, in widely disparate cultures; emerging like the goddess Venus from the sea of our unconscious. Each time, storytellers clothed the naked body of myth in their own traditions, so that listeners could relate more easily to its deeper meaning. For us, the "clothing" is high-tech, while the resonance it somehow creates in the dephts of our soul affirms our relationship with countless generations before us, and the universal bond of our common humanity today. Those subliminal messages reassure and guide us as we struggle to deal with ever-increasing rates of change and complexity in our modern world.
Joan D. Vinge, The Snow Queen (1980), Warner Books, Reading Group Guide: A Conversation With Joan D. Vinge
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