Uma das coisas mais interessantes da série A Song of Ice and Fire, de George R.R. Martin, é a comunidade de "fãs" (não gosto muito do termo) que se formou com o passar dos anos, e os intensos debates e teorias que se geram em alguns fóruns da Internet. Por exemplo, aqui. É certo que muitas teorias sobre os futuros desenvolvimentos da série são absurdas, para dizer o mínimo, mas há muita gente que durante as leituras e releituras encontra detalhes com significados e interpretações muito curiosos e, frequentemente, muito inteligentes. Quem leu os livros sabe que são ricos em pormenores e foreshadowing, e hoje deparei-me com um que tem especial interesse. Deixo já o alerta para spoilers: quem não leu o mais recente livro da série, A Dance With Dragons, deve evitar ler o que se segue, ou seguir esta hiperligação. Feito o aviso, aqui vamos:
"First you use machines, then you wear machines, and then...? Then you serve machines." - John Brunner, Stand on Zanzibar
17 de março de 2012
16 de março de 2012
Arthur C. Clarke antecipou os tablets em 1968
Um curioso artigo de Maria Popova sobre Arthur C. Clarke e a forma como o autor antecipou um dispositivo idêntico aos actuais tablets (o artigo fala especificamente no iPad) no livro 2001: A Space Odyssey (no filme de Kubrick, existem uns dispositivos tácteis curiosos na nave). Está bem visto, de facto.
The Snow Queen

A FilmPuff pediu-me uma sugestão de um bom livro de ficção científica para quem quer começar a ler alguma coisa dentro do género. Há muitos livros que poderia sugerir - Nightfall, de Isaac Asimov, seria um deles (e poupava-me trabalho, que já tenho o texto escrito. Mas deixarei esse para outro dia; o livro que recomendo para uma introdução à ficção científica é também o primeiro livro do género que li: The Snow Queen, de Joan D. Vinge.
Baseado no conto homónimo de Hans Christian Andersen, The Snow Queen apresenta uma história cativante suportada por excelentes personagens num universo de ficção científica particularmente bem imaginado. Joan D. Vinge venceu o prémio Hugo com este livro em 1981, e isso não foi obra do acaso. Num futuro muito distante, uma civilização humana - a Hegemonia - ergue-se por entre os escombros do antigo Império. Perdida a tecnologia para viajar no espaço a velocidades superiores à da luz, os oito planetas que compõem a Hegemonia utilizam wormholes (buracos negros) para comunicarem entre si. Mas no planeta onde a acção começa - Tiamat - há uma particularidade: a cada 150 anos, os sóis gémeos que permitem a vida no planeta aproximam-se do buraco negro e tornam a travessia impossível, na prática eliminando durante o longo "Verão" qualquer contacto entre os habitantes de Tiamat, os restantes membros da Hegemonia, e a tecnologia que estes trazem.
Esta particularidade tem um impacto profundo na cultura de Tiamat: sendo um mundo essencialmente coberto por oceanos, encontra-se dividido entre dois grandes clãs. Os clãs de Verão são mais supersticiosos e levam uma vida mais ligada à Natureza - abominam a tecnologia e vivem daquilo que o mar lhes dá. Durante o longo período de Verão em que a comunicação de Tiamat com o exterior é impossível, migram para Norte e elegem as sucessivas Rainhas de Verão que governam o planeta. Já os clãs de Inverno procuram retirar o máximo partido da tecnologia que os estrangeiros trazem durante o longo Inverno, período durante o qual a Rainha de Inverno domina por completo os destinos do planeta. E é justamente uma única Rainha de Inverno que governa Tiamat durante o longo Inverno de 150 anos.
Isto deve-se à única riqueza de Tiamat: o sangue dos mers, dóceis criaturas aquáticas que durante o Inverno são caçadas quase até à extinção por ordem da Rainha de Inverno. O motivo é simples: o sangue dos mers permite a juventude eterna a quem o tomar constantemente, e é por ele que os povos da Hegemonia regressam constantemente a Tiamat, e efectivamente mantém o planeta num estado atrasado e semi-bárbaro.
A história de The Snow Queen centra-se essencialmente em duas personagens: Moon Dawntreader Summer, uma jovem rapariga dos clãs de Verão que na sua jornada para se tornar numa sibila (uma mensageira da divindade de Verão capaz de responder a qualquer pergunta que lhe seja colocada) acaba por se envolver numa trama que a levará onde nenhum outro habitante de Tiamat alguma vez chegou; e Arienrhod, a poderosa Rainha de Inverno, eternamente jovem, e decidida a não olhar a meios para conservar o seu poder após a partida dos estrangeiros no próximo ritual de Mudança. Entre as duas está Sparks Dawntreader, namorado de Moon e dividido entre a sua herança materna, de Verão, e paterna, de outro planeta da Hegemonia.
Esta descrição é meramente o contexto e o ponto de partida de The Snow Queen. A partir daqui tem início uma narrativa intensa, acompanhando Moon na descoberta da sua própria identidade e do seu destino inescapável, e Arienrhod na sua tentativa de mudar Tiamat mantendo tudo exactamente como está - enquanto descobrimos alguns dos segredos mais bem guardados daquele estranho mundo. The Snow Queen é a primeira parte de uma série composta por duas sequelas (World's End, de 1984, e The Summer Queen, de 1991) e uma prequela (Tangled Up in Blue, de 2000). Sem ser hardcore sci-fi, é uma história de ficção científica bastante sólida, com vários elementos definidores do género. Merece a leitura, tanto o livro por si só ou a série inteira (ainda que hoje em dia seja relativamente difícil de arranjar - há traduções em português, mas são de fugir).
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15 de março de 2012
Diablo 3: Anunciada data oficial de lançamento
É oficial: Diablo 3, um dos jogos mais aguardados do ano, sairá das trevas a 15 de Maio de 2012. O anúncio foi feito pela própria Blizzard Entertainment, pondo fim à onda de rumores que apontavam várias datas de Abril como certas para o lançamento do terceiro título desta aclamada série.
Seguindo de perto a história que o anterior jogo concluiu há mais de uma década, em Diablo 3 os jogadores regressam a Tristram para tentar salvar o mundo de Sanctuary da destruição às mãos das hordas de demónios do Inferno. À escolha estarão cinco classes: Monk, Demon Hunter, Witch Doctor, Wizard e o já clássico Barbarian.
Que Maio chegue depressa.
Rosa Montero em entrevista
Não sei se é sinal, ainda que pequeno, de um maior receptividade do jornalismo cultural português para com a ficção científica, mas é interessante notar que o livro Lágrimas na Chuva (publicado em Portugal pela Editorial Presença), da jornalista e escritora espanhola Rosa Montero, tem sido falado na imprensa e recebido uma crítica no geral bastante positiva. Na última edição da revista Atual (nº2054, 10 de Março de 2012, página 29), do Expresso, a autora deu uma entrevista onde aborda o tema da ficção científica de forma muito interessante. Dois excertos:
Como se aventura na ficção científica?
Lágrimas na Chuva não é uma estreia. (...) Gosto de ficção científica como leitora e como escritora. Nos países latinos existe um preconceito absurdo contra a ficção científica. Apesar de nunca terem lido um livro do género, acreditam que trata de coisas muito estranhas e esotéricas. É um género maravilhoso e tem grandes obras literárias. E é também uma ferramenta metafórica para aprofundar a realidade.
Tem sofrido com o preconceito [da ficção científica]?
Menos do que pensava. Fiz este livro porque me apetecia fazê-lo. Sempre me senti muito livre. Sabia, antes mesmo de o escrever - por causa dos estudos de mercado -, que é o género menos apreciado em Espanha. Esperava que a crítica me recebesse mal, mas está a ser fenomenal. Também estou a ter uma resposta espantosa por parte dos leitores. Se servir para as pessoas perderem o preconceito e lerem escritores tão importantes como a Ursula K. Le Guin - que para mim é um dos maiores nomes da literatura do século XX -, ótimo.
A ler na íntegra, na edição impressa (ou online, se estiver disponível a assinantes).
[Nota: as passagens transcritas seguem o acordo ortográfico, adoptado pelo Expresso e todas as suas publicações. Em Andrómeda, escreve-se e escrever-se-à sempre no Português correcto, e não correto]
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The Walking Dead: Segunda temporada aproxima-se do fim
Os dois últimos episodios - para não mencionar mesmo toda a segunda parte desta segunda temporada - mostraram na perfeição porque The Walking Dead é a melhor série da temporada. A avaliar pelo episódio da passada Terça-feira, a temporada vai acabar em grande.
Resta apenas revelar o mistério que se tornou evidente no último episódio: se Shane e Randall não foram mordidos, por que motivo se transformaram em zombies, e de forma tão rápida? Há quem diga que a resposta paira já sobre a série há algum tempo, desde o último episódio da primeira temporada, quando Jenner revela algo em segredo a Rick antes de os deixar sair do CDC. Em princípio, a próxima terça tudo estará confirmado (e depois teremos de esperar até Novembro para termos mais mortos-vivos em horário nobre).
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14 de março de 2012
Os (meus) videojogos e o Fantástico (1) - Duke Nukem 3D
Apenas aos 18 anos tive um computador (e aos 14, uma Playstation); como tal, durante a minha infância as oportunidades para me dedicar aos videojogos, pelo que todas eram de aproveitar. Duke Nukem 3D foi o primeiro videojogo que joguei, algures em 1995 ou 1996. Quando comprei uma Playstation, foi o primeiro jogo que comprei. E ainda hoje o jogo, ocasionalmente, pela pura diversão que proporciona.
Para a sua época, Duke Nukem 3D foi um jogo revolucionário, com os seus cenários vastos e destrutíveis, inimigos imaginativos, uma das melhores selecções de armas que jamais figurou first person shooter, um humor cru e machista à melhor moda dos eighties e mais referências de cultura pop que qualquer outro jogo da época (assim de repente, relembro as alusões a Doom, 2001: A Space Odyssey, Sledgehammer, The Evil Dead, Alien(s), Pulp Fiction, Dirty Harry, Die Hard… entre tantas outras). Doom ou Quake, por bons que fossem (e eram), não ofereciam nada que fosse sequer comparável. A história é simples: uma raça de extraterrestres invadem a Terra, raptam as mulheres, e apenas um homem os pode derrotar e salvar o dia: Duke Nukem. E a partir daqui começa a aventura de Duke a massacrar extra-terrestres em Los Angeles, na Falha de Santo André, na Lua, e em bases espaciais em órbita. Uma festa, portanto, que me proporcionou incontáveis horas de diversão a abater pig cops, a escapar a sentry drones, a descobrir locais secretos nos sitios mais improváveis e a abrir caminho em plataformas espaciais, bancos, estúdios de cinema, discotecas, esquadras de polícia e prisões. O modo Multiplayer também foi bastante popular, mas confesso nunca o ter testado (mas acredito que armas como a Shrinker ou o Freezethrower tenham tornado a experiência muito interessante).
Escusado será dizer que a expectativa causada por Duke Nukem Forever resultou numa enorme desilusão. O processo de criação do jogo foi demasiado irregular e fragmentado, e a equipa que acabou por concluir o jogo não percebeu de todo o título original. Qualquer novo título da série Duke Nukem não deve tentar ser um FPS realista, pois Duke Nukem 3D não foi, de modo algum, um jogo realista - foi, sim, uma fantasia de ficção científica corny, de humor duvidoso, desavergonhadamente inspirada nos heróis de acção dos loucos anos 80, com um arsenal assinalável e uma galeria de inimigos invejável. É exactamente isso que os fás pretendem de um novo título de Duke Nukem (e não um jogo em que Duke só pode transportar duas armas). Quem quiser realismo num shooter tem imensas opções no mercado. O bom e velho Duke Nukem nunca se levou a sério, e foi justamente isso que o tornou numa referência na história dos videojogos.
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Game of Thrones no SyFy a 23 de Abril
A transmissão em Portugal da segunda temporada de Game of Thrones já tem data de estreia: 23 de Abril, no canal SyFy (restrito a subscritores do Meo). O primeiro episódio da temporada terá ante-estreia no dia 19 de Abril, numa sala de cinema de Lisboa (ainda a definir), e conta com a presença do próprio George R.R. Martin.
Digamos que está bem melhor do que no ano passado: a série estreou em Abril nos Estados Unidos, e os fãs portugueses que não optam por descarregar ilegalmente da Internet só puderam acompanhar a série a partir de Outubro, seis meses após a estreia. Ainda assim, sempre são três semanas de diferença, o que nos dias que correm é um atraso incompreensível - mesmo com a possibilidade de ver o primeiro episódio na companhia do autor dos livros. Há séries americanas que passam em Portugal poucos dias depois de serem transmitidas nos Estados Unidos (assim de repente ocorre-me The Walking Dead, mas não é caso único).
Enfim, em última análise o que importa é que a série vai mesmo passar por cá, e que desta vez não teremos de esperar até ao Outono.
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Quão fácil seria escapar a um apocalipse zombie?
Muito fácil, segundo Luís Filipe Silva, neste post excelente, repleto de humor e, diria, com alguma polémica. Concordo em parte com a tese - é também por isso que prefiro ver zombies num contexto de fantasia e não de ficção científica. A verdade é que a magia continua a ser um deus ex machina para qualquer situação de desentendimento entre a explicação e a lógica.
Claro que podemos tentar outra abordagem para salvar a carne morta: uma análise puramente lógica (desprovida de suspensão da descrença) estaria condenada a arruinar boa parte da ficção científica que conhecemos (uma vez mais, a fantasia safava-se por artes mágicas). E nem precisamos de mencionar o som no vácuo (no caso do cinema), a gravidade "simulada" no espaço ou o inglês perfeito de qualquer civilização alienígena. Se quisermos recorrer ao TV Tropes (um site que já devia ter recomendado aqui há muito tempo) para uma mão-cheia de exemplos, basta seguirmos a trope Necessary Weasel. E sim, pessoalmente incluiria os zombies nesta.
O Red Wedding de Shepard (ou: um bom final é um final bom?)
Parece que os fás de Mass Effect 3 estão furiosos com o final - ao ponto de estarem mesmo a constituir um movimento on-line para exigir à produtora do jogo um final alternativo. Exagerado? Sem dúvida - um dos traços mais marcantes do actual mundo on-line é, justamente, o exagero a que as pessoas se dão na crença de que é possível fazer movimentos com significado a partir do que quer que seja. Enfim, ainda nem vou a metade do jogo, pelo que é possível que, daqui a uma ou duas semanas, eu perceba que a coisa de facto não tem ponta por onde se lhe pegar e, de archote e forquilha em riste, me junte à turba. No entanto, e até ver, julgo que neste caso em particular talvez o efeito dacontestação seja exactamente o oposto daquele que os contestatários pretendem atingir. Tal como diz Ben Kuchera nesta análise no Penny Arcade (que não li na íntegra para não absorver demasiados spoilers),
Ora isto faz-me mesmo lembrar A Song of Ice and Fire, de George R.R. Martin, e a brutalidade que é para o leitor a passagem do Red Wedding, em A Storm of Swords. Há relatos de imensos leitores devastados com aquele momento (livros a ser atirados à parede e tal), que mais do que qualquer outro mostra quão diferente a obra de Martin é da generalidade da fantasia épica publicada. No clímax de alguns capítulos de angústia em crescendo, ao longo dos quais o leitor sente que alguma coisa está errada e que algo de terrível vai acontecer, o autor dá o golpe de mestre, na cena de particular violência (também emocional) a que designou de Red Wedding - um verdadeiro massacre que revela, ao mesmo tempo, que os "bons" não estão a salvo, que os "maus" podem mesmo cometer as maiores atrocidades e escapar incólumes (mesmo que temporariamente), e que o mundo pode de facto ser um lugar particularmente cruel.
Para que se note, e uma vez mais, ainda não cheguei ao final de Mass Effect 3 (longe disso; quando acabar, haverá review), apesar de alguns indícios que apanhei aqui e ali me levarem a suspeitar, com elevado grau de certeza, que a coisa vai ser mais próxima de um Red Wedding do que de um and they lived happily forever after. Força nisso. Há muito tempo que os videojogos deixaram de ser um meio menor; se um jogo conseguir fazer-me sentir algo idêntico ao que senti quando li a passagem do Red Wedding, ou o poderosíssimo final de Childhood's End, the Arthur C. Clarke, ficarei mais do que satisfeito.
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13 de março de 2012
Prometheus: teaser ao trailer
Ou porque Ridley Scott anda decididamente a gerar um hype quase tão mostruoso como a Alien Queen. É bom que Junho nos traga "o" filme de ficção científica da década. Entretanto, o teaser do trailer, a ser divulgado no próximo dia 17.
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O Fantástico nos (meus) videojogos - Introdução
Há dois aspectos interessantes na minha relação com os videojogos: praticamente todos os meus títulos preferidos encaixam nos géneros do Fantástico, e gosto muito de jogar poucos jogos. Diria que, entre amigos e conhecidos, encontro todo o tipo de gamers: aqueles que jogam tudo e mais alguma coisa, aqueles que são absolutamente indefectíveis de um ou dois géneros, jogadores mais casuais, malta que vive entre as costas da cadeira e o teclado... enfim, há de tudo. Nunca funcionei muito bem com os géneros nos videojogos - dois dos meus jogos preferidos são jogos de estratégia em tempo real, mas dentro deste género são os únicos que me dão prazer jogar, e nunca sequer tive qualquer curiosidade para experimentar outro (sem ironia, sabe-se lá o que ando a perder). Passam-me ao lado, simplesmente, independentemente do hype - que, no mundo do entretenimento virtual, é formidável hoje em dia.
Assim de repente, consigo nomear os seis ou sete títulos de videojogos (individuais ou séries) que me acompanharam ao longo dos anos, e aos quais acabo invariavelmente por regressar mais cedo ou mais tarde. Com essa ideia presente, darei início a uma pequena série aqui no blogue, programada para as quartas-feiras, sobre os meus videojogos preferidos e a forma como estão ligados ao Fantástico. Vamos ver o que sai daqui
12 de março de 2012
Jean "Moebius" Giraud (1938 - 2012)
Com três dias de atraso assinalo aqui a morte de Jean Giraud, também conhecido no mundo da banda desenhada como Moebius. Não conheço com detalhe o seu trabalho, confesso; no entanto, não há conversa sobre banda desenhada em que o nome deste autor não seja mencionado. Fundador do grupo "Les Humanoïdes Associés" e conhecido pela série westerns Blueberry, Jean Giraud notabilizou-se também no Fantástico, com trabalhos como L'Incal, entre outros.
A influência de Moebius estendeu-se também ao cinema, tendo colaborado na produção de filmes como Alien, Willow ou Tron. Tem uma filha chamada Nausicaä, em homenagem ao (extraordinário) filme de Hayao Miyazaki - que, por sua vez, se inspirou no trabalho do francês na concepção do filme.
Morreu de doença prolongada no dia 9 de Março. Tinha 73 anos.
Que não se acabe o carvão na fornalha
Para quem gosta de Steampunk, uma referência obrigatória em português, acabadinha de estrear: Clockwork Portugal. Nem de propósito: a minha leitura actual - e introdução ao subgénero - é The Difference Engine, de William Gibson e Bruce Sterling. A acompanhar, sem dúvida.
Diablo 3: PvP, data de lançamento e hype
Apesar dos rumores, a data de 17 de Abril para o lançamento do Diablo 3 - um dos jogos mais aguardados do ano - parece não passar disso mesmo: de um rumor. No entanto, as notícias de que à data de lançamento o jogo não vai incluir o sistema de Player versus Player (PvP) confirmam-se, como se pode ler neste post de Jay Wilson no blogue oficial do Diablo 3. O motivo? O sistema não está suficientemente refinado, e a Blizzard não quer fazer os fãs esperar mais tempo. O que não deixa de fazer sentido.
O mesmo post dá a entender que em breve a Blizzard confirmará a data de lançamento oficial do Diablo 3. Claro que, tratando-se da Blizzard, só mesmo no dia de lançamento é que poderemos ter a certeza de que de facto a data prevista foi a data oficial.
Entretanto, e ainda no tema Diablo 3, parece que houve em finais de Fevereiro uma polémica interessante em redor das declarações do gestor de comunidades "Bashiok" acerca das expectativas face ao terceiro título da aclamada série da Blizzard:
Com ou sem sarcasmo, o gestor de comunidades acerta aqui num ponto interessante: no enorme hype que envolve o lançamento dos grandes títulos de videojogos (e poderíamos dissertar também sobre séries, filmes e mesmo livros). Aconteceu há dias com Mass Effect 3, aconteceu há dois anos com Starcraft 2, vai acontecer com cada novo título de uma série de videojogos de sucesso - nos meses que antecedem o lançamento não se fala de outra coisa, e muitos são os jogadores esperam que o próximo seja "o" jogo definitivo, perfeito. O que normalmente resulta em expectativas frustradas e dissabores vários, não por culpa dos jogos em si - que, salvo excepções, continuam excelentes - mas por causa das enormes expectativas. Que, bem vistas as coisas, não fazem grande sentido. Passo a explicar:
Diablo 3 é uma sequela. Aquilo que espero do jogo é uma versão moderna do Diablo 2, com alguns melhoramentos, novas personagens, algumas mecânicas novas e a continuação da narrativa. Mas, na essência, aquilo que espero é mais do mesmo, apenas com uma qualidade superlativa. Não espero que Diablo 3 revolucione o género action role play/hack and slash, como, por exemplo, não esperei que Mass Effect 3 fosse radicalmente diferente dos dois anteriores títulos - apenas melhorado. A verdade é que uma vista de olhos rápida em alguns fóruns dá a ideia de que muita gente espera algo que Diablo 3 não só não vai ser, como, enquanto sequela, jamais poderia ser.
Evidentemente, para a coisa ser revolucionária a Blizzard teria de fazer algo do género daquilo que fez na franchise Warcraft - abandonou a estratégia em tempo real para dar lugar ao massively multiplayer online role-play game. Ou seja, mudar radicalmente o formato de um jogo. A ideia de Diablo 3 não é de todo essa.
Como muitas sequelas, Diablo 3 tem um problema: atrás de si tem um jogo brutalmente aclamado, com um núcleo de fãs grande e ruidoso. O que é um problema: muitos não esperam um jogo tão bom como o anterior, mas um jogo ainda melhor. Imagino que não seja fácil gerir isto.
Enfim, o que importa é que o jogo esteja excelente quando sair, e que mantenha os elevados padrões de qualidade a que a Blizzard habituou os seus fãs. Se é melhor ou pior que o seu antecessor acaba por, a prazo, importar muito pouco.
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