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8 de fevereiro de 2014

O som e a fúria (12)

Em termos meramente cinematográficos, talvez o recente Tron: Legacy de Joseph Kosinski não tenha estado à altura do filme original realizado por Steven Lisbergerg, que passou de sucesso moderado e discreto de bilheteira em 1982 para um clássico de culto cuja estética revolucionária ainda hoje merece destaque. Quaisquer limitações da continuação, porém, não se deveram à banda sonora - com os Daft Punk a assinar uma banda sonora que não só encaixa na perfeição no filme e no visual de Kosinski, como também é uma digna sucessora das composições electrónicas com que Wendy Carlos coloriu o original. De Tron: Legacy chega-nos hoje este Derezzed



2 de fevereiro de 2014

O som e a fúria (11)

Hoje com um ligeiro atraso (dia longo). Na música alternativa das últimas duas décadas, o nome de Björk será sem dúvida um dos mais destacados - a cantora islandesa construiu uma carreira notável pela enorme diversidade de influências, de estilos e de sonoridades com que constrói as suas músicas, dando forma a um todo inimitável. Como esta All Is Full of Love, do álbum Homogenic, de 1997 - com um vídeo magnífico realizado por Chris Cunningham.

25 de janeiro de 2014

O som e a fúria (10)

Há pouco mais de um mês, o primeiro trailer do próximo filme de Godzilla deu que falar a propósito da utilização da composição Requiem, do húngaro György Ligeti - celebrizada num clássico maior da ficção científica cinematográfica, 2001: A Space Odyssey, tendo ficado definitivamente associada ao icónico monólito. Ao todo, Kubrick utilizou quatro composições de Ligeti em todo o filme: a célebre Atmosphères, Lux Aeterna, uma versão de Aventures e esta Requiem que aqui deixo hoje - estranha, misteriosa e vagamente dissonante. Como o monólito, aliás. Kubrick, conhecido pelo seu perfeccionismo a roçar o obsessivo, não poderia ter escolhido melhor.

18 de janeiro de 2014

O som e a fúria (9)

Childhood's End é um clássico incontornável da ficção científica literária, e uma das melhores obras na vasta bibliografia de Arthur C. Clarke - uma história magnífica e profundamente triste sobre o contacto da Humanidade com uma civilização alienígena. E, pelos vistos, serviu de inspiração para uma banda lendária dos anos 60 e 70: os Genesis, de Peter Gabriel, Phil Collins, Tony Banks, Steve Hackett e Mike Rutherford. Watcher in the Sky, do álbum Foxtrot (1972), recupera o tema da história de Clarke para uma canção muito curiosa. Ora ouçam: 



Fonte: Geekosystem

11 de janeiro de 2014

O som e a fúria (8)

Talvez não surpreendesse ver um grupo de música electrónica a explorar através da sua música temas e conceitos de ficção científica. Ou uma banda de heavy metal a utilizar iconografia de horror. Ou ouvir um álbum conceptual de rock progressivo a contar, a cada música, uma história fantástica. Ou mesmo alguma pop: nos dias que correm o geek está na moda, e o mainstream está a transbordar de referências, mais ou menos contextualizadas, aos comics e a alguma ficção científica. Enfim, isto são estereótipos - como todos têm um fundo de verdade e incluem uma margem de erro generosa. Mas a verdade é que em 2007, a cantora norte-americana Janelle Monáe surpreendeu com a sua música arrojada, a misturar as suas referências de R&B e soul com influências conceptuais de Philip K. Dick e de Metropolis, a obra-prima do expressionismo alemão que Fritz Lang legou à ficção científica cinematográfica. Muito apropriadamente, o seu primeiro EP recebeu o título de Metropolis: Suite 1 (The Chase), a primeira de sete partes do seu trabalho conceptual desenvolvido em redor da sua personagem/alter ego Cindi Mayweather - uma andróide produzida em 2719, numa sociedade extremamente estratificada. A seu tempo, regressarei a esta obra (que, de resto, só há pouco comecei a descobrir); para já, fiquemos com a curta que serve de videoclip a um dos temas deste primeiro trabalho: Many Moons.

4 de janeiro de 2014

O som e a fúria (7)

Para não deixar a música portuguesa de fora: é possível que os Blasted Mechanism estejam hoje bastante longe daquele que julgo ter sido o melhor momento da sua carreira: o período entre os álbuns Namaste (2003) e Sound in Light (2007), com Avatara (2005) pelo meio. Durante estes anos, o seu rock electrónico esteve a anos-luz de tudo o que se fez na música portuguesa, e as suas actuações ao vivo eram um acontecimento memorável. O visual da banda alterou-se a cada álbum, e será talvez difícil apontar muitas referências e inspirações concretas. Mas que a estética está próxima da ficção científica, disso não há dúvida. 

Também por isso, esta série regressará várias vezes aos Blasted Mechanism. Hoje, ficamos com uma música retirada de Sound in Light, com um videoclip muito sugestivo: Battle of Tribes

28 de dezembro de 2013

O som e a fúria (6)

A discografia dos britânicos Muse está repleta de referências, mais ou menos evidentes, a conceitos, ideias e temas da ficção científica. A distopia será talvez o tema mais recorrente, como se viu no álbum de 2010, The Resistance (com canções como Uprising ou The Resistance). Mas foi também neste álbum, curiosamente um dos mais fracos da sua discografia que a banda compôs a sua peça mais ousada - e, atrevo-me, a melhor sequência de temas de todos os seus álbuns. Exogenesis é o título da sinfonia rock tripartida na qual os Muse, inspirados por compositores como Rachmaninov ou Richard Strauss, abordam os últimos dias da Humanidade, quando toda a esperança da espécie reside nos astronautas enviados para colonizar outros planetas. É um trabalho magnífico - um dos melhores registos da banda de Teignmouth, e uma entrada indispensável para algo que talvez pudéssemos designar como "ficção científica musical". Aqui ficam as três partes - Overture, Cross-Polination e Redemption - seguidas na sequência correcta.



21 de dezembro de 2013

O som e a fúria (5)

E do rock distópico dos Radiohead passamos para um clássico esquecido da pop dos anos 90: Sleeping Satellite, da britânica Tasmin Archer (do seu álbum de estreia, Great Expectations, de 1992). Haverá decerto um motivo insodável para esta ser, desde o final da minha infância, uma das minhas canções pop preferidas. Entrou-me no ouvido, enfim - nada a fazer para além de apreciar a canção, que apesar de orelhuda, é muito boa. Sim, o videoclip kitsch ao melhor estilo nineties, a puxar para um qualquer filme de fantasia da época, está em franca dissonância com a letra: um surpreendente poema sobre a conquista do espaço e a ida à Lua nos anos 60, e sobre o abandono de todas aquelas conquistas e promessas. Já não se faz música pop assim. 

14 de dezembro de 2013

O som e a fúria (4)

E porque as distopias estão na moda, nada como recuperar a faixa adequada de um dos melhores álbuns da década de 90. Em 1997, os Radiohead decidiram reinventar o rock mais convencional e musculado do aclamado The Bends; e o resultado foi OK Computer, um disco excepcional atravessado por alguns temas que se entrecruzam no fantástico. Fitter Happier, mais um solilóquio ritmado do que propriamente uma música, na sua essência - se não nas suas palavras - quase poderia ser retirado ipsis verbis de um pesadelo de Orwell ou Huxley. Aqui fica, em versão live, logo seguida da não menos notável Karma Police (é ouvir até ao fim):



7 de dezembro de 2013

O som e a fúria (3)

Em Maio último, Chris Hadfield - o astronauta mais cool que passou pela órbita baixa da Terra na memória recente - fez sucesso no YouTube com a sua cover de Space Oddity, música composta por David Bowie e lançada como single em 1969. Uma cover gravada a bordo da Estação Espacial Internacional, com gravidade zero e todo o tipo de brincadeiras que aquele ambiente possibilita. Esse vídeo pode ser visto aqui; quanto à música original de Bowie, com título alusivo ao filme de Kubrick e Clarke e a célebre letra sobre Major Tom (personagem que recuperaria posteriormente em duas outras músicas), essa tornar-se-ia num clássico incontornável da sua vasta discografia. 


30 de novembro de 2013

O som e a fúria (2)

Depois do piano clássico de Rachmaninoff, poderia talvez passar para referências musicais com trabalhos mais obviamente ligados a temas do fantástico - assim de cabeça, e para não me desviar muito da minha playlist recorrente, ocorrem-me os tons distópicos de algumas faixas de Radiohead ou Muse. Mas continuemos no piano, e na ligação russa: uma das descobertas musicais mais recentes que fiz (leia-se: há para aí dois anos que ando a ouvi-la) foi Regina Spektor, pianista russo-americana com um repertório tão singular como electrizante. E, a espaços, de inspirações na fantasia e na ficção científica. No excelente Far, de 2009 (talvez o seu melhor álbum), encontra-se uma pérola intitulada "Machine". Ora ouçam: 


23 de novembro de 2013

O som e a fúria (1)

Ver 2001: A Space Odyssey no grande ecrã (mais sobre a experiência em breve) abre o ouvido para música clássica. Como esta que deixo abaixo, magnífica: Prelude in C-Sharp Minor, do compositor russo Sergei Rachmaninoff. Cheguei a Rachmaninoff por via de um livro de ficção científica, em cuja primeira cena se estabelece uma atmosfera extraordinária por via da referência a este prelúdio. Desafio aos leitores: saber-me-ão dizer de que livro falo?


(a resposta virá amanhã, por via das citações)

28 de março de 2013

Exile Vilify: Vídeo alternativo

Que os The National tinham escrito a (excelente) música Exile Vilify para o jogo Portal 2 já eu sabia - mas não fazia ideia de que, em 2011, a Valve tinha organizado um concurso para a criação de um vídeo para a música. Descobri isto por acaso, ao encontrar no YouTube o vídeo que aqui deixo: uma das muitas submissões ao concurso, da autoria de "MultiTrip" e "Spiritzzup" (não venceu, apesar de, na minha opinião, ser incomparavelmente melhor que o vídeo vencedor; o "segundo vencedor", que pode ser visto na página oficial do concurso, também é muito bom).


16 de dezembro de 2012

The Humans Are Dead

Isto não é novo (qualquer cibernauta geek já deve ter tropeçado neste vídeo há anos), mas vale sempre a pena mostrar a quem ainda não viu, e dar a quem já viu a oportunidade de rever e de se rir um bocado. De qualquer forma, não é muito habitual falar de música aqui no Viagem a Andrómeda, pelo que aqui fica uma muito adequada para este blogue: The Humans Are Dead, dos neozelandeses Flight of the Conchords.



19 de julho de 2012

Sugestão para ouvir nas férias

Radio Rivendell 

(sim, é geek, mas é excelente para ouvir enquanto se lê qualquer coisa do Fantástico)

13 de abril de 2012

Lickanthrope



Não só é muito bom ter os Moonspell de volta, como também dá gosto vê-los voltar com uma excelente música. E com um videoclip realizado pelo Filipe Melo.