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12 de julho de 2014

O som e a fúria (32)

Não é grande segredo que, com todo o respeito que possa ter (e tenho) pela importância da franchise no cinema de ficção científica, Star Wars está muito longe de ser uma das minhas obras preferidas no género. A New Hope é, claro, um filme incontornável tanto no contexto da ficção científica como do cinema em geral, ainda que em termos narrativos tenha ficado longe da fasquia estabelecida por The Empire Strikes Back - um filme notável e uma autêntica lição sobre como fazer um segundo capítulo de uma trilogia. Já The Return of the Jedi é francamente sobrevalorizado, e os dois primeiros filmes da nova trilogia são um cash-grab tão descarado como irrelevante (não vi o terceiro capítulo; lá irei um dia destes); será, portanto, com enfado que assisto ao bombardeamento de não-notícias que a blogosfera geek internacional promove a propósito da continuação da série, agora pela Disney. O que, convenhamos, em nada diminui o gosto por alguns elementos dos filmes clássicos - dos quais a música merece especial destaque, sendo as composições de John Williams tão ou mais icónicas que o opening crawl, a respiração de Darth Vader, o discurso invertido de Yoda ou as falhas estruturais nos sistemas de ventilação de uma Death Star. É o caso desta "Imperial March", para sempre associada a um dos mais memoráveis vilões da ficção científica, aqui pela mão da Orquestra Filarmónica de Viena.

(e sim, bem sei que já aqui a coloquei uma vez, a propósito de The Empire Strikes Back; mas esta versão é tão boa que merece ser repetida)

(Artigo editado)

5 de julho de 2014

O som e a fúria (31)

Seria inevitável que, mais cedo ou mais tarde, esta série semanal chegasse a Rocket Man, de Elton John - tema de 1972 que integra o seu quinto álbum, Honky Chatêau, e que faz uma curiosa aproximação temática a Space Oddity de David Bowie enquanto se inspira no conto The Rocket Man, de Ray Bradbury (que integra a colectânea The Illustrated Man). Um astronauta a preparar-se para a viagem para Marte, dividido entre a sua família na Terra e o seu trabalho para lá dos limites do planeta, numa letra exemplar de Bernie Taupin que dá o mote a um tema icónico na carreira de Elton John. Aqui fica hoje, numa versão ao vivo: 

28 de junho de 2014

O som e a fúria (30)

Regressemos hoje a Portal. Para todos os efeitos, seria um desperdício ter um videojogo com voice acting de alguém com o talento de Ellen McLain sem incluir pelo menos um momento musical - e esse surge nos créditos finais, após a conclusão do jogo, com um twist interessante no contexto narrativo de Portal. O tema, intitulado Still Alive e interpretado por McLain no papel de GlaDOS, foi escrito e composto por Jonathan Coulton, fã assumido da série Half-Life (também da Valve) - e encanta pelo seu sentido de humor e pela forma dá a todo o jogo um desfecho de grande originalidade.

21 de junho de 2014

O som e a fúria (29)

Gorillaz. Não sendo estritamente sobre ficção científica, nem por isso o projecto musical de Damon Albarn e Jamie Hewlett deixou de ser um tanto ou quanto científico-ficcional na sua concepção de banda virtual - a derradeira banda do novo milénio, se quisermos, surgida naquele par de anos - hoje tão distante - do último milénio, explorando ao máximo as potencialidades da ainda tão incipiente World Wide Web. E, diga-se de passagem, com alguns dos mais memoráveis temas da transição dos anos 90 para os anos 00. Aqui fica hoje, em jeito de memória - e com gorilas gigantes reanimados - o single Clint Eastwood.

14 de junho de 2014

O som e a fúria (28)

A música de hoje interessa sobretudo pelo seu videoclip - ou não estivéssemos a falar de um trabalho de animação de Hayao Miyazaki, feito para o tema Mark On do duo japonês Chage and Aska em 1995, enquanto trabalhava naquela que viria a ser uma das suas mais icónicas obras, Mononoke-hime. Para todos os efeitos, o clip funciona como uma curta que acaba por ser facilmente enquadrada na obra de Miyazaki pelo estilo inconfundível da animação e, sobretudo, pelo tema. 


Fonte: The Verge

7 de junho de 2014

O som e a fúria (27)

Em 1994, e por sugestão do então presidente da Warner Records, Rob Dickins, o compositor britânico MIke Oldfield compôs e produziu um álbum conceptual intitulado The Songs of Distant Earth, inspirado no romance homónimo que Arthur C. Clarke publicou em 1986 (e que foi um dos seus últimos romances sem colaboração de outros autores). Quem tiver lido o livro irá facilmente identificar todas as referências contidas nos títulos dos dezassete temas do álbum, acompanhando a narrativa do início ao fim. De The Songs of Distant Earth foram retirados dois singles; Let There Be Light foi o segundo, e fica como sugestão para hoje.

24 de maio de 2014

O som e a fúria (26)

Há qualquer coisa de profundamente dickiano na letra de Subterranean Homesick Alien, o terceiro tema do (muito orwelliano) aclamadíssimo OK Computer, dos Radiohead - com a sua história dos alienígenas a filmar vídeos das "estranhas criaturas" que são os humanos, para enviarem para o seu planeta de origem; e com o desejo do "narrador" (digamos assim por uma questão de conveniência) de se juntar a eles, de ver o mundo lá de cima - de contar uma história inacreditável ao ponto de se tornar insana. Aqui fica como tema da semana.

17 de maio de 2014

O som e a fúria (25)

Poucas bandas rock serão tão difíceis de classificar como os norte-americanos Tool, que hoje aqui recupero a propósito de um dos seus temas mais memoráveis. Corria o ano de 1996 quando a banda de Maynard James Keenan lançou Ænima - um álbum que, por entre a aclamação crítica, se tornaria num disco incontornável daquela década. E o terceiro single, também intitulado Ænima, emergiu sem surpresa como um dos seus mais persistentes hinos - um tema apocalíptico e intenso (quem já o viu/ouviu ao vivo que o diga), que se fez acompanhar por um videoclip especialmente bizarro, mesmo para os padrões da banda (que habituou o seu público a uma boa dose de abstracção horrível). Aqui fica hoje, na sua versão alargada.


10 de maio de 2014

O som e a fúria (24)

Muse, mais uma vez (não será a última) - e, de novo, mais pelo videoclip do que pela música propriamente dita. A verdade é que a banda de Matt Bellamy, Chris Wolstenholme e Dominic Howard sempre andou próxima de temas clássicos da ficção científica, da distopia ao pós-apocalipse e à exploração espacial. E é precisamente sobre estes dois últimos que versa o vídeo de Sing for Absolution, um dos singles retirados do terceiro álbum de originais da banda, Absolution (2003).

3 de maio de 2014

O som e a fúria (23)

E hoje entramos no jazz por via de uma das melhores séries televisivas que acompanhei, animadas ou em live action: Cowboy Bebop, de Shinichiro Watanabe. Quando aqui falei da série, destaquei a sua magnífica banda sonora como um dos seus elementos mais icónicos - não será talvez exagerado afirmar que acabam por ser as composições de jazz de Yoko Kano e da banda Seatbelts que marcam o ritmo de Cowboy Bebop e lhe conferem o seu estilo único, unindo os seus vários elementos díspares e as suas influências da ficção científica ao western num todo tão coeso e memorável. E isso nota-se desde logo no genérico - intenso, ritmado, e irresistível. Aqui fica, sem imagem mas na sua versão completa, Tank!.

26 de abril de 2014

O som e a fúria (22)

Apesar de Sunshine, de Danny Boyle, não figurar entre o melhor cinema de ficção científica da primeira década deste novo milénio, ninguém lhe pode tirar o mérito de ter apresentado uma estética e uma componente visual ímpares - com algumas das mais belas imagens que o género viu no grande ecrã. E merece também destaque pela sua extraordinária, um trabalho de colaboração dos Underworld com o compositor britânico John Murphy. O tema mais conhecido será decerto este Adagio in D Minor, uma composição especialmente evocativa. Tem sido usada em material promocional de outros filmes, e mesmo em séries televisivas e anúncios publicitários; mas onde se tornou inesquecível foi em Sunshine.

19 de abril de 2014

O som e a fúria (21)

Poucos filmes - de ficção científica ou de outro género qualquer - tiveram uma abertura tão hipnótica e fascinante como Blade Runner, a adaptação de Ridley Scott ao romance Do Androids Dream of Electric Sheep? de Philip K. Dick que, desde a sua estreia em 1982, passou de fracasso crítico e comercial para clássico de culto, e para obra-prima dos anos 80. E essa abertura deve muito à banda sonora formidável de Vangelis, harmoniosamente embebida na estética noir de Ridley Scott. Como se pode ver neste icónico Main Title.

12 de abril de 2014

O som e a fúria (20)

O tema de hoje já por aqui passou há algum tempo - mas numa semana que, no que ao fantástico diz respeito, ficou marcada pelo regresso de Game of Thrones, a adaptação televisiva da HBO à saga de fantasia A Song of Ice and Fire, de George R. R. Martin, torna-se inevitável recuperar uma das suas músicas mais célebres. No caso, a extraordinária interpretação que os The National fizeram há dois anos, para o nono episódio da segunda temporada, da mais famosa canção associada ao clã Lannister: The Rains of Castamere. A letra conta como Tywin Lannister enfrentou uma rebelião entre os seus vassalos, erradicando por completo o Clã Reyne e destruindo por completo o seu castelo. Aqui fica. 

29 de março de 2014

O som e a fúria (19)

Em 1995, o compositor australiano Rod Dougan compôs um tema instrumental com o título Clubbed to Death, que viria a integrar a banda sonora de dois filmes. O primeiro, um filme francês de 1996 relativamente desconhecido, também intitulado Clubbed to Death; o segundo, aquele que será talvez o filme de ficção científica mais importante da minha geração: The Matrix, de Larry e Andy Wachowski. O tema de Dougan surge no momento em que Neo, já libertado da Matriz, entra na simulação urbana de Morpheus onde descobre a natureza ubíqua dos Agentes. Na falta de um videoclip alusivo a The Matrix, aqui fica o vídeo original. 

22 de março de 2014

O som e a fúria (18)

Hoje regressamos aos britânicos Muse - e a um tema do seu álbum de 2006, Black Holes and Revelations, que se tornaria numa espantosa música de encerramento daquela tour (que passou por Lisboa, num concerto memorável no Campo Pequeno) e numa peça imprescindível dos seus concertos desde então. Falo de Knights of Cydonia, evidentemente - que merece aqui destaque pelo videoclip realizado por Joseph Kahn, com uma micronarrativa western spaghetti de ficção científica pós-apocalíptica num Marte terraformado, com kung-fu cowboys, amazonas montadas em unicórnios, robots e ray guns. Sim - é tão over the top como aparenta; e é precisamente por isso que é uma pequena maravilha.


15 de março de 2014

O som e a fúria (17)

Até ao início da semana que agora termina não tinha ouvido falar dos The Telekinetics, uma banda pop de Los Angeles mais ou menos desconhecida por estas paragens até o SF Signal - e vários outros portais dedicados ao fantástico - darem destaque a Science Fiction, um dos temas do EP homónimo da banda. E esse destaque não se deveu tanto ao título e à letra da música como ao videoclip que a acompanha, uma excelente montagem de vários momentos de alguns clássicos da ficção científica cinematográfica dos anos 50 e 60, como Forbidden Planet ou The Day the Earth Stood Still (e outros - deixo o convite a quem quiser alinhar todas as referências). Em suma: quatro minutos e 12 segundos de nostalgia. Aqui fica, como tema da semana, Science Fiction.


Fonte: SF Signal

8 de março de 2014

O som e a fúria (16)

Para hoje, uma cedência ao hype - e será difícil encontrar por estes dias uma música mais overhyped do que Let It Go, tema composto por Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez para a interpretação de Idina Menzel no mais recente êxito de animação da Disney, Frozen. Let It Go venceu o Óscar na categoria de "Best Original Song" - e se será possível questionar a justiça do prémio na comparação com as restantes nomeações (e com outros temas que não foram nomeados), já a qualidade superlativa do tema e da interpretação de Menzel não deixa espaço para grandes dúvidas. O hype, exagerado por natureza, não lhe retira o mérito; Let It Go não chegará talvez ao patamar de temas clássicos da Disney como Can You Feel the Love Tonight, que Elton John imortalizou para o filme The Lion King (talvez traga este tema aqui quando finalmente ver o filme), mas é uma excelente música.

Diz quem viu que Frozen, inspirado num conto de Hans Christian Andersen (que, por acaso, serviu de base a um dos meus romances de ficção científica preferidos), é também um belo filme. Um dia destes dar-lhe-ei destaque no artigo de cinema de Terça-feira. Por hoje, ficamo-nos com Let It Go. Bom fim-de-semana. 

1 de março de 2014

O som e a fúria (15)

Afastemo-nos de distopias e de outros conceitos da ficção científica - a sugestão musical de hoje regressa, tanto no tom como no tema, ao registo da fábula. Alison Sudol, mais conhecida pelo nome artístico de "A Fine Frenzy (sim: o nome vem de A Midsummer Night's Dream), até pode dizer que esta sua The Minnow & the Trout é uma canção "peixes e pássaros", e não deixará de ter razão. Mas é também mais do que isso: é uma belíssima fábula em duas partes sobre amizades improváveis e, mais do que isso, sobre as origens comuns, por distantes que sejam, que todos partilhamos. One cell in the sea indeed.

22 de fevereiro de 2014

O som e a fúria (14)

Regressemos hoje aos Radiohead. Se poucas são as bandas que se atrevem a mudar de forma profunda e radical a sua sonoridade, menos ainda são aquelas que o fazem quando estão no auge, após conhecerem em simultâneo a aclamação crítica e o sucesso comercial. Mas foi exactamente isso que a banda de Abington fez em 2000, quando, no seguimento de um dos melhores álbuns da década de 90 - OK Computer -, gravaram um disco em grande medida presciente do tom e do zeitgeist do novo milénio. Kid A marcou a viragem, dando o rock expressivo dos seus antecessores lugar a uma mistura electrónica tão minimalista como intensa, com pormenores a aproximar-se do jazz (mais marcados em Amnesiac, de 2001, o sucessor espiritual de Kid A). Em termos temáticos, a repressão hiper-vigilante deu lugar ao terror declarado, tão futurista e ao mesmo tempo tão presente no mundo pós-11 de Setembro. Everyone is so near / Everyone has got the fear / It's holding on, canta Thom Yorke na furiosa The National Anthem. Mas é na extraordinária Idioteque (indiscutivelmente uma das cinco melhores músicas da banda) que os terror surge tenso e explosivo, ao ritmo do sintetizador e das ondas Martenot. Who's in a bunker? / Who's in a bunker?, começa por perguntar Yorke; uma questão que cedo dá lugar a uma falsa segurança: We are not scaremongering / This is really happening, happening. Para concluir num resumo perfeito do clima social da segunda década deste novo milénio: Mobiles working / Mobiles chirping / Take the money and run / Take the money and run / Take the money.

Idioteque tem lugar cativo no alinhamento ao vivo dos Radiohead. Aqui fica a versão de 2003, ao vivo em Glastonbury.

15 de fevereiro de 2014

O som e a fúria (13)

Poucas bandas gozaram de tanta popularidade na viragem do milénio como os norte-americanos Linkin Park. Surgidos no movimento relativamente efémero (mas não tão efémero quanto seria desejável) do nü-metal, do qual emergiram muitas outras bandas nos últimos anos da década de 90, os Linkin Park cedo se distinguiram não pela originalidade da fusão entre hip-hop e metal - que, de resto, foi o pão-nosso-de-cada-dia do género -, mas por a terem feito com mais talento e mais brio do que a maioria. O que, olhando agora para trás, talvez ajude a explicar por que motivo são uma das poucas bandas da época ainda em actividade e ainda a encher concertos (a nostalgia não pode explicar tudo). 

Enfim, adiante - o artigo é sobre música e ficção científica, e não sobre tragédias musicais da minha adolescência. Para além dos discos principais, os Linkin Park ainda fizeram algumas experiências bastante interessantes - das quais merece destaque o álgum [Reanimation], de 2002, no qual pegaram nos temas do seu álbum de estreia, Hybrid Theory, e os remisturaram em hip-hop e electrónica através de colaborações com vários músicos underground, e com resultados no mínimo surpreendentes. Como single de apresentação deste álbum emergiu Pts.of.Athrty, versão alternativa de um dos temas menores de Hybrid Theory - com um videoclip memorável, em jeito de science-fantasy algo reminescente de Final Fantasy: The Spirits Within. A animação parecerá agora datada, claro - na era de Avatar qualquer coisa daqueles anos será, no mínimo, estranha; mas para a época, foi um trabalho excepcional.