Marte estará em destaque naquela que será a primeira sessão de 2013 do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico de Lisboa. O clássico The Martian Chronicles, de Ray Bradbury, e A Princess of Mars (na recente edição portuguesa, John Carter), de Edgar Rice Burroughs são os livros em destaque numa sessão que terá como convidado José Saraiva, investigador do Instituto Superior Técnico, com vários trabalhos sobre o "Planeta Vermelho". Esta sessão terá lugar na próxima Sexta-feira, 11 de Janeiro (amanhã), às 19:00, na Livraria Bertrand do Chiado. A moderar a sessão estará, como é habitual, o Rogério Ribeiro.
"First you use machines, then you wear machines, and then...? Then you serve machines." - John Brunner, Stand on Zanzibar
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10 de janeiro de 2013
3 de janeiro de 2013
Trëma: Oficina de Escrita Criativa Fantástica com inscrições abertas
Os interessados em participar na Oficina de Escrita Criativa Fantástica - anunciada no blogue da Trëma e no Fórum Fantástico - poderão fazê-lo até ao próximo dia 9 de Janeiro (Quarta-feira). Com coordenação de Luís Filipe Silva e Rogério Ribeiro, a Oficina de Escrita Criativa Fantástica terá lugar uma vez por mês, num Sábado ainda a definir, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa.
As inscrições devem ser feitas por correio electrónico (trema.mag@gmaill.com) com o assunto "Inscrição na Oficina de Escrita Criativa Fantástica" e indicando no corpo da mensagem os seguintes dados: Nome, Idade, Contactos (telefone/endereço de correio electrónico), um breve resumo biográfico e uma carta de intenções. Deve também ser enviado em anexo (formato *.pdf ou *.rtf) um texto de ficção literária dentro dos géneros do Fantástico de autoria própria, escrito de preferência durante o último ano (não tem de ser uma narrativa terminada).
Mais informações no blogue da Trëma.
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29 de dezembro de 2012
2012 em videojogos
Ao contrário do que aqui escrevi sobre filmes e séries televisivas, o meu balanço de 2012 em videojogos não se resume aos títulos lançados durante este ano, mas sim nos jogos que joguei ao longo de 2012. Em termos de crítica especializada, diria que 2012 foi o ano de algumas desilusões, com o desfecho da série Mass Effect e o terceiro capítulo da popular série Diablo, da Blizzard Entertainment (que acabei por não jogar), a destacarem-se como dois títulos que ficaram muito longe das elevadas expectativas dos respectivos fãs. Mas 2012 foi também o ano de algumas surpresas – com The Walking Dead, uma aventura gráfica desenvolvida pela Telltale Games com base nos comics de Robert Kirkman, a arrecadar vários prémios de jogo do ano, destacando-se entre lançamentos de franchises aclamadas como Halo ou Far Cry.
Mass Effect 3 [6.0/10]
Se havia título que no início de 2012 aguardava com muita expectativa, esse título seria sem sombra de dúvida Mass Effect 3. Em 2011 descobri esta série de ficção científica, e após dois jogos muito bons, as expectativas não podiam ser mais elevadas para o terceiro capítulo. No entanto, Mass Effect 3 revelou-se uma desilusão – menos personagens do que Mass Effect 2 (e mais desinteressantes, como James Vega), menos opções de exploração da galáxia, uma interface de quests ainda mais confusa, um DLC importantíssimo no dia de lançamento e, qual cereja no topo do bolo, três finais terríveis do ponto de vista narrativo que não só são incoerentes com vários elementos já estabelecidos deste universo, como tornam as escolhas feitas pelos jogadores ao longo de três jogos e de inúmeros DLC completamente irrelevantes. A polémica foi longa e virulenta, e o Extended Cut DLC de resposta não resolveu problema algum. É certo que Mass Effect 3 tem momentos extraordinários, mas a série merecia mais. Muito mais.
Portal [10/10]
Portal foi uma das mais fascinantes experiências que tive com videojogos desde que disparei os meus primeiros tiros virtuais em Doom 2. Lançado em 2007 no pacote The Orange Box da Valve, que incluía o segundo episódio de Half-Life 2 e Team Fortress 2, Portal apanhou de surpresa o mundo dos videojogos com a sua simplicidade, a sua jogabilidade única e desafiante, e uma narrativa tão simples como surpreendente. GlaDOS tornou-se quase instantaneamente numa das melhores vilãs da história dos videojogos, e o voice acting de Ellen McLain será porventura o melhor que a indústria já conheceu. Numa época em que os videojogos estão cada vez mais complexos sem serem necessariamente mais desafiantes ou estimulantes, a combinação de simplicidade, jogabilidade e narrativa de Portal são um autêntico triunfo, dando forma a um jogo a todos os níveis perfeito.
Portal 2 [9.7/10]
O problema de fazer um jogo perfeito é dar-lhe uma continuação que esteja à altura da fasquia estabelecida. Em 2010, este foi o desafio de Portal 2 – e apesar de este segundo título já não beneficiar do factor surpresa que contribuiu para a aclamação de Portal três anos antes, a Valve soube recriar os elementos que fizeram de Portal um sucesso e introduzir novidades suficientes para dar um efectivo passo em frente na série. GlaDOS continua memorável, e ao voice acting irrepreensível de Ellen McLain juntaram-se Stephen Merchant e J. K. Simmons com desempenhos brilhantes. Mas apesar da qualidade superlativa da campanha individual, o destaque de Portal 2 vai para o extraordinário modo de cooperação online, na qual dois jogadores assumem o papel dos hilariantes robots Atlas e P-Body para superar os desafios de GlaDOS em salas de teste comunitárias. O recente DLC Perpetual Testing Initiative veio tornar Portal 2 num jogo ainda melhor, e praticamente ilimitado.
The Witcher: Enhanced Edition [9.2/10]
Outro título de 2007 que apenas experimentei durante 2012, The Witcher é um jogo role-play de acção baseado no sombrio universo de fantasia épica do autor polaco Andrzej Sapkowski. Desenvolvido pelos estúdios polacos da CD Projekt Red, The Witcher é uma aventura assombrosa – em ambos os sentidos. O protagonista, Geralt of Rivia, é um witcher que se vê envolvido numa vasta conspiração na qual a neutralidade se revela de todo impossível. Tal como a ficção na qual se baseia, The Witcher adquire um tom adulto que roça com frequência o sarcasmo, quando não o cinismo, desconstruindo algumas convenções do género, tanto na literatura como nos videojogos (a quest da dríade e dos lobos é disso um soberbo exemplo). Podem ser apontadas algumas falhas à tradução do original polaco para o inglês, sobretudo no que diz respeito a alguns momentos do voice acting, mas tanto em termos narrativos como em jogabilidade The Witcher é um jogo formidável.
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17 de dezembro de 2012
CD Projekt Red e o desenvolvimento de narrativas em videojogos
No blogue da CD Projekt Red, o estúdio polaco que desenvolveu os dois jogos da série The Witcher e que se encontra a produzir o jogo de role-play de ficção científica Cyberpunk 2077, o senior quest designer Mateusz Tomaszkiewicz explica como os escritores e os quest designers trabalham em conjunto para desenvolver uma narrativa densa e complexa como a que podemos encontrar em videojogos como The Witcher. É um artigo muito interessante, e cuja leitura recomendo a quem se interessar pela forma como as narrativas são (cada vez mais bem) trabalhadas neste meio:
To fully understand our work, I believe it is important to explain the difference between story design and quest design at CDPR. The story design department operates mostly from a macro perspective of game storyline – what should be the main focus in game, what characters would be most interesting to introduce in game, what regions should the action take place in, who should be our main antagonist, etc.
Fonte: Polygon / CD Projekt Red
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12 de dezembro de 2012
Clube de Leitura Bertrand do Fantástico de Dezembro: À conversa com João Leal
Na passada Sexta-feira o Clube de Leitura Bertrand do Fantástico voltou a reunir-se em Lisboa. Lord of Light, de Roger Zelazny, serviu de mote à tertúlia que teve como convidado o escritor João Leal, que falou sobre o seu primeiro livro, Alçapão.
Sobre Lord of Light, falou-se dos elementos religiosos e da invulgar mistura de fantasia e de ficção científica que Roger Zelazny soube desenvolver com mestria. Mas o destaque da sessão foi mesmo para Alçapão. Publicado em 2001 pela Quetzal, Alçapão foi o livro de estreia de João Leal, e é uma história dividida em duas, uma no presente e outra "num passado entre o Dilúvio e a Torre de Babel". Segundo o autor, não foi o primeiro livro que escreveu, mas sim o primeiro que publicou - e apesar de nunca antes ter escrito um livro que entrasse no Fantástico, não achou que o desafio fosse muito difícil.
A primeira parte do livro, centrada no cenário do orfanato, foi a última a ser escrita. Começou por escrever a segunda parte do livro, a história da ilha, algo que lhe deu especial prazer. "Há com a ilha uma relação quase animista", comenta, referindo todos os problemas básicos que teve de criar para tornar aquele cenário verosímil - o que comer, as distâncias, os espaços, os ofícios, entre muitos outros aspectos. Já pensou em escrever um conjunto de contos passados sobre a ilha, mas lamenta que "em Portugal ninguém queira publicar contos". Deverá, contudo, voltar a este universo. Aliás, admite desde logo que Alçapão é, de certa forma, uma "narrativa inicial" de um universo mais vasto que pretende continuar a explorar ao longo dos anos, explorando os seus estudos de teologia e angelologia.
Para já, porém, João Leal está a dedicar o seu tempo a um novo livro, que talvez seja publicado em 2013 (se estiver pronto a tempo), e que já rescreveu três vezes, com muitas alterações. "É fácil escrever um livro linear", considera, admitindo que a dificuldade reside no equilíbrio das muitas ideias que vão surgindo. Muitas foram já introduzidas, tanto em termos de conceitos como em questões meramente formais. No entanto, conclui afirmando que "o que me interessa na escrita é contar boas histórias", e que "o leitor deve divertir-se" na leitura.
Finda a sessão, decorreu mais uma Tertúlia Noite Fantástica, decerto muito animada (desta vez não me foi possível estar presente). E a indicação de que em Janeiro, o Clube de Leitura irá até Marte...
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7 de dezembro de 2012
Clube de Leitura Bertrand do Fantástico: Lord of Light e Alçapão em Lisboa
O Clube de Leitura Bertrand do Fantástico volta a reunir-se em Lisboa hoje ao final do dia. Na Livraria Bertrand do Chiado vai estar em discussão a partir das 19:00 Lord of Light, livro de 1967 que valeu a Roger Zelazny o Prémio Hugo e que fundiu fantasia e ficção científica de forma excepcional. O convidado desta sessão será João Leal, que irá falar sobre o seu romance de estreia, Alçapão. A moderação, para não variar, estará a cargo do Rogério Ribeiro.
Como é habitual, logo de seguida terá lugar o sempre animado jantar da Tertúlia Noite Fantástica.
2 de dezembro de 2012
Dan Wells em entrevista ao SciFiWorld Portugal
O portal SciFiWorld Portugal fez a cobertura completa do Fórum Fantástico 2012, e o Nuno Reis também não quis deixar passar a oportunidade de conversar um pouco com Dan Wells. A entrevista do autor norte-americano ao SciFiWorld pode (e deve) ser lida aqui.
Fonte: SciFiWorld Portugal
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1 de dezembro de 2012
Mensageiros das Estrelas, Episódio II: Algumas notas
Decorreu durante a semana que passou - entre Terça-feira, 27, e Sexta-feira, 30 de Novembro - a segunda edição, ou o segundo episódio, do colóquio internacional "Mensageiros das Estrelas", organizado pelo Centro de Estudos Anglísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dedicado inteiramente à Fantasia e à Ficção Científica. De início, planeei assistir todos os dias a vários colóquios e a várias sessões plenárias, mas acabei por mudar de ideias - em parte por cansaço físico (os dias do Fórum Fantástico, no fim-de-semana anterior, foram excelentes mas desgastantes) e em parte por não ter paciência para os colóquios académicos portugueses (já explico). Ainda assim, assisti a várias sessões, e estou mais ou menos à vontade para deixar aqui algumas notas e considerações sobre o colóquio:
1. A iniciativa: Antes de mais, importa saudar a iniciativa - regra geral, os géneros do Fantástico não são recebidos com entusiasmo em Portugal, tanto no mercado editorial (salvo os best-sellers internacionais) como no meio académico, pelo que a organização de um colóquio académico todo ele dedicado ao Fantástico merece desde logo os parabéns. Ainda por cima quando se trata da segunda edição (e espero, com sinceridade, que chegue à terceira).
2. Os temas: Em termos gerais, o programa pareceu-me um pouco fraco - até em comparação com o anterior. Muito cinema, muita televisão, muito Fantástico da "moda" (leia-se: "muitos vampiros"), pouca literatura de ficção científica. Há que destacar, porém, algumas coisas muito boas e muito raras: uma sessão plenária com o britânico Adam Roberts, escritor e intelectual de ficção científica de primeira água; uma sessão plenária dedicada ao Fantástico nos videojogos (!), e uma sessão que juntou, na mesma mesa, o cineasta e escritor António de Macedo, o escritor Luís Filipe Silva, e (para minha surpresa), o professor Jorge Martins Trindade, que não só me aturou durante dois anos de faculdade, como me deu aquelas que terão porventura sido as mais relevantes lições de escrita que já tive: 1) sim, pode haver excesso de adjectivos, e 2) sim, pode haver excesso de advérbios de modo. Já falarei com mais detalhe sobre estas três sessões.
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30 de novembro de 2012
Número 3 da Dagon já disponível para download gratuito
Para todos os efeitos, o universo das fanzines e das e-zines portuguesas ligadas ao Fantástico continua muito vivo neste final de Novembro. Depois da Trëma, da Lusitânia e da International Speculative Fiction (e sem esquecer o Almanaque Steampunk e a Nanozine dedicada ao Steampunk, já há alguns meses), surge agora o terceiro número da e-zine Dagon, editada por Roberto Mendes, também disponível para download gratuito. É possível que o Artur tenha razão, e que toda esta súbita vitalidade demonstrada pelos fãs surja como reacção à falta de iniciativas dentro do Fantástico no universo literário português. Seja como for, a publicação de mais um número da Dagon é uma excelente notícia para o Fantástico português. Espero que a vitalidade desta e de todas as outra publicações se mantenha ao longo de 2013.
Fonte: Correio do Fantástico
29 de novembro de 2012
Dan Wells: Entrevista no Fórum Fantástico 2012
Dan Wells, autor da trilogia de John Cleaver (I Am Not a Serial Killer (2009), Mr. Monster (2010) e I Don't Want to Kill You (2011)), Hollow City (2012) e Partials (2012), foi o convidado especial da edição deste ano do Fórum Fantástico. Não podendo deixar passar a ocasião, fiz-lhe uma curta entrevista no Sábado, a qual aqui reproduzo na íntegra:
Viagem a Andrómeda: Foi ainda durante a infância que descobriu que queria vir a ser escritor? Como se deu essa descoberta?
Dan Wells: Sim. Na verdade, quando eu estava no segundo ano – teria talvez oito anos – disse aos meus pais que queria ser escritor. Isso deveu-se, em grande parte, ao facto de os meus pais serem leitores ávidos – estavam sempre a ler, e eu cresci a ler. Se tivesse de indicar um livro que me inspirou mais do que qualquer outra coisa, a escolha seria os Poemas de Christopher Robin, de A. A. Milne, o autor de Winnie the Pooh. Nunca me interessei muito pelo Winnie the Pooh, mas adorava os poemas de Milne, e ainda os leio hoje em dia. O que me fascinou foi ver que ele não se limitava a escrever palavras, ele brincava com palavras, e via-se que ele se divertia imenso a fazê-lo. Foi isso que despertou o meu interesse, e me fez descobrir que era exactamente aquilo que queria fazer. Para além disso, o meu pai era um grande fã de The Lord of the Rings e de The Hobbit, livros que leu a mim e ao meu irmão quando éramos miúdos. Por isso comecei logo cedo a entrar na fantasia, e mais tarde na ficção científica. Costumava ir à biblioteca local quase todos os dias e lia tudo o que lá havia. Cresci a ler ficção fantástica, e desde esses tempos da minha infância que o meu sonho foi escrevê-la.
VA: Quais eram os seus autores preferidos, e quais as referências literárias mais importantes desse tempo?
DW: A. A. Milne, como já disse, mas a partir do momento em que entrei na literatura fantástica o meu autor preferido passou a ser o Fred Saberhagen, que escreveu fantasia e ficção científica – e também horror. A sua principal série de fantasia começou com The Empire of the East, e continuou com The First Book of Swords, e por aí em diante. Era sobre espadas mágicas e o que elas faziam – e eu adorava essas histórias. A sua série de ficção científica intitulava-se The Berserkers, e esta série foi das primeiras séries relevantes a abordar a ideia de robots assassinos. Ele foi um dos primeiros a abordar o conceito da Máquina de Von Neumann: robots que se podem auto-reproduzir, e que nos querem matar a todos. Hoje em dia esse tema está mais do que batido, foi trabalhado em The Matrix e em muitas outras obras, mas Saberhagen fê-lo antes de muita gente. Há dezenas de livros e de contos sobre os Berserkers. Eu costumava ler um num dia, para ir logo à biblioteca buscar outro. O facto de que ele os escreveu, e de que ele escreveu em ambos os géneros entusiasmou-me – foi assim que fiquei a saber que, se me tornasse num escritor, não teria de escolher um dos géneros. Não teria de dizer “vou apenas escrever mistérios”, ou “vou apenas escrever ficção científica” – poderia escrever tudo, pois isso era o que Saberhagen fazia. Felizmente, há mais ou menos dez anos, quando comecei a ir às convenções para tentar conhecer os editores e para começar a escrever a sério, tive a sorte de o conhecer, de o cumprimentar e de lhe dizer que ele era um dos principais motivos pelos quais eu me tinha tornado num escritor. Essa foi uma das melhores experiências por que passei.
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28 de novembro de 2012
International Speculative Fiction: Edição número um já disponível para download
Com alguns dias de atraso, deixo aqui a nota: já está disponível para download (gratuito) o primeiro número da International Speculative Fiction - elevando assim para três o número de fanzines amadoras dedicadas ao Fantástico publicadas no nosso país nos últimos dias (as primeiras edições da Lusitânia e da Trëma tiveram lugar no Fórum Fantástico no passado Sábado). Ainda não tive tempo para lhe dar a devida atenção, mas entre os conteúdos destaco o artigo "Philip K. Dick: A Visionary Among the Charlatans", de Stanislaw Lem, traduzido do polaco por Robert Abernathy.
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26 de novembro de 2012
As sugestões do Fórum Fantástico
A pedido de várias famílias, seguem abaixo as sugestões que eu, o João Barreiros e o Artur Coelho deixámos na tarde de Sábado. As várias sugestões incluem referências online. A vermelho estão assinalados os livros que não recomendámos - ou melhor, que recomendámos evitar:
Artur Coelho:
Livros e BD:
- Alone Together (2011), de Sherry Turkle
- Channel Sk1n (2012), de Jeff Noon
- Emperor Mollusk Versus the Sinister Brain (2012), de A. Lee Martinez
- La Belle Mort (2011), de Mathieu Bablet
- The Massive (2012), de Brian Wood, Kristian Donaldson e Dave Stewart
- The Manhattan Projects (2012), de Jonathan Hickman, Nick Pitarra e Cris Meter
- Reamde (2011), de Neal Stephenson
Neste artigo, o Artur explica o que motivou estas escolhas, e deixa mais algumas que acabaram por ficar de fora da sessão.
João Barreiros:
Livros:
- The Sacrifice Game (2012), de Brian D'Amato. Segundo volume da trilogia iniciada em 2009 com In the Courts of the Sun.
- Great North Road (2012), de Peter F. Hamilton
- The Twelve (2012), de Justin Cronin. Segundo volume da trilogia The Passage, iniciada em 2010 com The Passage.
- The Hydrogen Sonata (2012), de Iain M. Banks
- Blue Remembered Earth (2012), de Alastair Reynolds. Primeiro livro da trilogia Poseidon's Children.
- The Last Policeman (2012), de Ben H. Winters
- Empty Space (2012), de M. John Harrison. Terceiro volume da trilogia Light, que inclui Light (2004) e Nova Swing (2007)
- Omale 1 & 2 (2012), de Laurent Genefort
- The Coldest War (2012), de Ian Tregillis. Segundo volume da trilogia Milkweed Triptych, iniciada por Bitter Seeds (2010)
- 2312 (2012), de Kim Stanley Robinson
João Campos:
Livros:
- A Canticle for Leibowitz (1960), de Walter M. Miller, Jr..
- Stand on Zanzibar (1968), de John Brunner
- Hyperion (1989), e The Fall of Hyperion (1990), de Dan Simmons
- The Last Wish (1993), de Andrzej Sapkowski
- Stranger in a Strange Land (1961), de Robert A. Heinlein
Jogos:
- The Witcher: Enhanced Edition (2007), desenvolvido pela CD Projekt Red
- Mass Effect (2007), Mass Effect 2 (2010) e Mass Effect 3 (2012), série desenvolvida pela Bioware
- Turned! (2012), jogo de tabuleiro distribuído pela Runadrake
- Zombies!!! (2001), jogo de tabuleiro criado pela Twilight Creations
Com um agradecimento especial ao Artur Coelho e ao João Barreiros pelo envio das suas listas de sugestões - e, claro, pela companhia naquela divertida sessão do Fórum Fantástico.
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Fórum Fantástico 2012: Dia 3
Chegou ontem ao fim mais uma edição do Fórum Fantástico - e despediu-se com um dia a todos os níveis fantástico, que começou logo pela manhã com a segunda parte do Workshop de Escrita Criativa Fantástica Trëma, que hoje contou com Luís Filipe Silva, Mário de Freitas e Dan Wells. No seguimento da sessão de Sábado, Luís Filipe Silva abriu o workshop com alguns dos principais obstáculos que os aspirantes a escritores enfrentam - como julgar que se escreve até se escrever de facto, ou a apatia ("o grande inimigo do escritor"), a importância da opinião e da personalidade própria da escrita, e as expectativas que os autores devem quebrar - as dos leitores e as suas próprias, e não as de género. Mário de Freitas, da Kingpin, falou sobre as expectativas dos candidatos a autores, sobre as mudanças introduzidas pela impressão digital no mercado, na importância da qualidade e no papel de eventos e prémios para a divulgação. Já Dan Wells centrou a sua apresentação na investigação necessária à escrita de ficção, sublinhando quão fundamental é a pesquisa para o trabalho de escrita. Esta pesquisa pode ser feita através de dois tipos de fontes: directas, quando o autor experiência ele mesmo algo, ou quando chega à fala com alguém que o fez; e indirectas, quando o autor não tem acesso directo à fonte e tem de recorrer a métodos indirectos de pesquisa, como imagens, artigos ou livros. Contudo, reafirma que por vezes o estilo é mais importante que o rigor, e que a qualidade de uma obra não se avalia apenas pelo rigor ou pela qualidade da escrita - mas também, e porventura sobretudo, pela capacidade de despertar emoções nos leitores e de prendê-los à narrativa. Concluiu reafirmando que o mais importante é contar uma boa história.
A parte da tarde começou com uma curiosa apresentação de Luís Filipe Silva sobre a história da ficção científica portuguesa, a partir de uma investigação que está actualmente a desenvolver. Traçando a origem da ficção científica nacional em textos especulativos de finais do século XIX (O Que Há-de Ser o Mundo no Ano 3000, de Suppico de Moraes, em 1895) e inícios do século XX (Lisboa no Ano 2000, de Melo de Matos, em 1906), avaliou a capacidade premonitória dos autores da ficção científica das primeiras décadas do século XX, que anteciparam acontecimentos relevantes e invenções que marcariam os anos que se seguiriam. Encontra-se também em alguns dos textos apresentados uma forte componente panfletária e doutrinária, mas desconhece-se o seu verdadeiro impacto na sociedade, ou a forma como recebidos na imprensa e nos círculos intelectuais (se foram de facto recebidos, claro).
Na apresentação que se seguiu, o professor Jorge Martins Rosa apresentou o livro Cibercultura e Ficção, resultado de uma investigação que procura compreender o discurso da cibercultura nas suas várias formas. Esta investigação já esteve anteriormente no Fórum Fantástico, na edição de 2010, e foi agora apresentada na sua forma completa por Jorge Martins Rosa, Artur Alves e Daniel Cardoso, que contribuíram para este trabalho com ensaios próprios em várias temáticas. No painel seguinte, sobre "Ficções Além-Género", João Morales conversou com os escritores Afonso Cruz e Pedro Guilherme-Moreira sobre as aproximações ao universo do Fantástico nas suas obras literárias.
Como tem sido habitual nos últimos anos, a banda desenhada assumiu o protagonismo na recta final do Fórum Fantástico, com João Lameiras a moderar um interessante painel com Jorge Oliveira, Nuno Duarte e Joana Afonso. Autor de Thermidor 1929, um projecto pessoal que tem desenvolvido desde 2008, Jorge Oliveira explicou a concepção daquele universo fantástico fortemente ancorado em factos, personagens e localizações reais para explorar o tema das viagens no tempo. Já Nuno Duarte e Joana Afonso falaram sobre O Baile, um original álbum de banda desenhada que coloca zombies numa aldeia costeira em pleno Estado Novo. Nuno Duarte é já conhecido no meio da banda desenhada nacional com A Fórmula da Felicidade, e para esta aventura juntou-se a Joana Afonso, vencedora do concurso do Amadora BD de 2011, que deu uma abordagem muito peculiar aos zombies" marítimos" e àquela macabra narrativa.
O tema dos super-heróis nacional foi o pretexto para juntar, num animado debate, José de Matos-Cruz, Daniel Maia, Nuno Amado e Luís Filipe Silva. Nuno Amado falou sobre o regresso de Zakarella, heroína clássica da BD portuguesa, num projecto que começou há alguns anos por nostalgia e que acabou na recuperação da personagem. José Matos Cruz apresentou o projecto O Infante de Portugal, que começou como uma pequena história para dar origem a um projecto mais vasto, com o objectivo de criar uma segunda realidade portuguesa num retrato algo irónico da realidade portuguesa que conhecemos. Daniel Maia é um dos ilustradores deste projecto, com o seu contributo pessoal a notar-se sobretudo nas narrativas em flashback. Luís Filipe Silva, por seu lado, foi buscar a antologia que organizou sobre Pulp Fiction para ilustrar uma história popular simulada, que se assume como verídica apesar de não o ser.
Fiel à tradição de terminar com a exibição de uma curta, o Fórum Fantástico encerrou com a primeira parte do episódio piloto de Capitão Falcão, uma série televisiva de João Leitão (que por motivos familiares não pode estar presente no Fórum) que acompanha um peculiar e hilariante super-herói e o seu sidekick - Capitão Falcão e o Puto Perdiz - na sua defesa dedicada, intransigente e completamente tresloucada do Estado Novo e de Salazar. Para o ano, espera-se, haverá nova edição.
Ao longo dos próximos dias, publicarei no blogue mais algum material relativo ao Fórum Fantástico 2012: a lista completa de recomendações deixadas por mim, pelo João Barreiros e pelo Artur Coelho na nossa sessão de Sábado, e uma entrevista com Dan Wells.
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25 de novembro de 2012
Fórum Fantástico 2012: Dia 2
E ao segundo dia, a chuva salpicou o Fórum Fantástico 2012. Nada que tenha surpreendido quem esteve presente nas últimas edições da convenção (onde até houve direito a trovoada), ou que tenha feito com que várias dezenas de aficcionados do Fantástico se juntassem na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras.
O dia começou logo pela manhã, com a primeira sessão do Workshop de Escrita Criativa Fantástica do projecto Trëma, em modo mais informal e com três convidados de luxo: Bruno Martins Soares, autor da trilogia de Alex 9; Madalena Santos, autora da saga das Terras de Corza; e João Barreiros, que, enfim, dispensa quaisquer apresentações para quem costuma frequentar o Fórum Fantástico e acompanhar o género em Portugal (e cuja bibliografia na área do Fantástico em Portugal daria para muitos artigos durante muitos dias). Na sua apresentação, Bruno Martins Soares falou sobre os obstáculos à escrita, sobre as "fórmulas" da escrita, os tipos de enredo e a relevância das técnicas de escrita de guionismo. Já Madalena Santos explicou como controlar a narrativa numa saga, partindo do exemplo da sua própria série literária para ilustrar a necessidade de o autor de uma saga pensar no grande plano narrativo sem perder de vista os detalhes e a planificação das várias intrigas. E, claro, sublinhou duas coisas fundamentais para elaborar uma saga: manter a prática noutros projectos, dada uma saga exigir muito tempo e ser, por natureza, um projecto demorado, e fazer uma revisão constante. Para concluir, João Barreiros referiu a importância de escrever devagar, não deixando a velocidade da escrita sobrepor-se ao fluxo de imagens da história, e considerou ser mais relevante a opinião das personagens nas descrições do que a do narrador. Relembrou que na ficção científica, mais visual e emotiva por natureza, o enquadramento (background) é normalmente mais relevante do que as personagens em si. Essa é mesmo uma das características mais marcantes do género e um dos pontos que o distingue da restante literatura. Inevitavelmente, deixou ainda algumas sugestões nas entrelinhas (The Centauri Device, de Michael John Harrison, e Helliconia, de Brian Aldiss).
A tarde começou com a apresentação de alguns dos mais recentes projectos do Fantástico em Portugal. Na primeira sessão, Rogério Ribeiro (o editor) apresentou a primeira edição da revista Trëma, que reuniu um conjunto de textos muito variados, do conto ao ensaio, da crítica à crónica, e até mesmo uma entrevista muito interessante com o autor Ivor Hartmann, sobre a ficção científica africana. Nos contos, a Trëma apresentou trabalhos originais de Luís Filipe Silva, Carina Portugal, Maria Amaral Ribeiro e Rui Ângelo Araújo; uma crónica do Rogério Ribeiro, uma crítica de Andreia Torres e dois ensaios - um do Artur Coelho e outro da minha autoria (que, aproveito para dizer, é uma versão revista e adaptada do ensaio O Sofisma da Ficção de Género, que publiquei aqui no Andrómeda a 1 de Novembro).
O segundo projecto apresentado foi a revista Lusitânia, uma publicação dedicada à ficção especulativa centrada em Portugal. O projecto Lusitância conta com uma equipa composta por Carlos Silva, André Pereira, Alexandra Rolo, Anton Stark e Luís Carreto, e nesta primeira edição contou com as colaborações de Raquel Leite, Marcelina Gama Leandro, José Pedro Lopes, Catarina Lima, Pedro Miguel Ribeiro Cipriano, Andreia Silva, Inês Valente, Nuno Almeida e Bruno R..
Por fim, a equipa responsável pela organização pela EuroSteamCon no Porto, em Setembro último - Sofia Romualdo, Joana Lima, André Nóbrega e Rogério Ribeiro - fez uma retrospectiva do evento. Esta convenção teve lugar no Edifício Parnaso, nos dias 29 e 30 de Setembro, e contou com vários convidados, cosplay, concursos e com a edição do surpreendente Almanaque Steampunk. Ficou a promessa de nova edição para o ano.
O painel que se seguiu debateu o tema dos "Mitos e Fantasmas na Ficção Nacional", e contou com a presença da jornalista Vanessa Fidalgo, do Correio da Manhã, que a partir de uma investigação jornalística acabou por escrever o livro Histórias de um Portugal Assombrado, com uma recolha de histórias e mitos do sobrenatural de todo o país. No painel participaram ainda David Rebordão, cineasta e autor da célebre curta de terror A Curva, e Cláudio Jordão e Nélson Martins, criadores da não menos célebre curta Conto do Vento, que após ter corrido mundo e vencido vários prémios foi exibida no Fórum Fantástico.
A segunda parte do programa da tarde começou com as já clássicas sugestões de livros - este ano alargadas também para a banda desenhada e para os jogos, contando com a inevitável (e sempre excelente) presença de João Barreiros, de Artur Coelho e deste vosso escriba (que não falava em público desde que deixou de estudar há já alguns anos). Assim que me for possível, e a pedido de várias famílias, dedicarei um artigo às várias sugestões que deixámos naquele painel - tanto aos livros, às bandas desenhadas e aos jogos recomendados, como também às sugestões a" evitar".
No entanto, o que de facto fez encher o auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro foram as duas apresentações literárias que encerraram a tarde. O norte-americano Dan Wells, autor de I'm Not a Serial Killer, Hollow City e Partials, foi um dos convidados especiais desta sétima edição do Fórum Fantástico para apresentar o segundo livro da trilogia de John Cleaver, Mr. Monster (editado em Portugal pela Contraponto), e não desiludiu quem lá esteve para o ver - sempre descontraído e bem disposto, falou sobre a personagem de John Cleaver, a sua trilogia e as suas influências literárias. Houve ainda tempo para destacar os seus outros trabalhos - Hollow City e a sua incursão pela ficção científica com Partials, projecto iniciado este ano.* A apresentação de Dan Wells esteve a cargo de Luís Filipe Silva e de Rogério Ribeiro.
Seguiu-se a apresentação oficial da mais recente antologia da Saída de Emergência: Lisboa no Ano 2000 - Uma Antologia Assombrosa Sobre uma Cidade que Nunca Existiu. Organizada por João Barreiros, que a apresentou com muito humor, esta antologia teve como objectivo juntar num todo coerente histórias alternativas de escritores de ficção científica do início do século XX, mas contadas por autores do presente. Dos vários autores que contribuíram para esta antologia com contos originais estiveram presentes na apresentação Ana C. Nunes, João Ventura, Telmo Marçal e Jorge Palinhos, com outros autores a marcarem presença na sessão de autógrafos. Na apresentação, o editor Luís Corte-Real traçou uma breve história das antologias da Saída de Emergência, e anunciou a próxima - uma sequela à popular antologia dedicada à Pulp Fiction, uma vez mais organizada por Luís Filipe Silva.
Este segundo dia do Fórum fantástico 2012 terminou assim com as duas sessões de autógrafos - e com muita chuva. O programa continuará hoje, no último dia da convenção.
* A apresentação do Dan Wells foi mesmo muito boa. Não me alonguei mais pois nos próximos dias será publicada a entrevista que fiz ao autor, que incluirá mais detalhes sobre a sua obra e carreira literária.
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24 de novembro de 2012
Fórum Fantástico 2012: Dia 1
Arrancou ontem o Fórum Fantástico 2012, a sétima edição da convenção anual do Fantástico nas artes em Portugal. E arrancou muito bem, com a apresentação da Worldcon 2014, que se irá realizar em Londres, e os planos que começam a ser preparados para que se possa organizar um grupo de interessados em aproveitar o facto de a convenção se realizar tão perto e viajar até Inglaterra. Na segunda sessão da tarde decorreu a apresentação oficial dos Workshops de Escrita Criativa Fantástica do projecto Trëma, com os organizadores - Rogério Ribeiro e Luís Filipe Silva - e Dan Wells, que de forma descontraída e divertida falou sobre o podcast Writing Excuses e sobre a actividade de escritor, numa pequena amostra daquilo que certamente será a sua participação no workshop de Domingo próximo.
Após um longo e excelente intervalo de confraternização, tiveram lugar os dois grandes painéis da tarde. O primeiro, dedicado à Ilustração Fantástica, contou com a presença de dois grandes talentos da ilustração portuguesa: Luís Melo e Ana Gomes. Luís Melo já quase dispensa apresentações: esteve dois anos em Shangai a trabalhar na extraordinária arte do videojogo Alice: Madness Returns, e já trabalhou em diversos projectos de ilustração, tanto a título individual como em projectos colectivos. Define-se como autodidacta, tal como Ana Gomes, que foi aos poucos e por iniciativa própria dominando a arte da ilustração digital. Com fortes influências na arte de H. R. Giger (celebrizado pela série Alien), gosta especialmente de fundir na sua arte elementos orgânicos e naturais às criaturas que concebe, bebendo também inspiração nas poses e nos trabalhos de autores clássicos (como Caravaggio).
O segundo painel teve como tema "Criar SciFi" e contou com três excelentes convidados: António de Macedo, João Alves e Filipe Homem Fonseca (por motivos pessoais, João Leitão não pode estar presente, conforme previsto). Rogério Ribeiro lançou o tema a propósito da participação de dois dos convidados na Antologia de Ficção Científica do Fantasporto, o que os levou a falar daquilo que os cativou e inspirou no Fantástico. António de Macedo, no seu estilo pessoal e sempre cativante, sublinhou o seu fascínio por um Fantástico mais abrangente, e sobretudo a uma certa ideia de um Fantástico ibérico. O primeiro conto que escreveu, relembra, foi aos 12 anos, influenciado pelo seu extraordinário professor de Físico-Química no liceu, Rómulo de Carvalho - que, veio a saber mais tarde, era também o poeta António Gedeão. Inspirado por aquilo que aprendera, começou a explorar a ficção científica literária - e se Júlio Verne o desiludiu, a descoberta de H. G. Wells significou "a descoberta da verdadeira ficção científica". Filipe Homem Fonseca referiu-se à ficção científica como "um bom suporte para dissecar o que é ser humano", ao permitir criar situações limite e explorar as personagens através delas. Não considera fundamental a precisão científica no género, sobretudo numa época em que o domínio da fé se manifesta igualmente na ciência e na religião e quando aquilo que num passado não muito distante pertencia ao domínio da ficção científica é hoje real e está provado. Sobre a sua descoberta do género, referiu o seu desejo de aprender a ler, em criança, para conseguir ler as histórias que as imagens dos comics contavam, e considera-se afortunado por crescer numa época em que eram feitas bandas desenhadas de qualidade superlativa (referiu o Daredevil de Frank Miller e a narrativa final de Captain Marvel) e editadas grandes obras da ficção científica - às quais tinha acesso.
Já João Alves falou sobre o seu mais recente projecto, Inhuman - um projecto de ficção científica espacial que tem vindo a crescer, e cuja forma final ainda não está completamente definida - será uma obra de animação em 3D, um terreno que só há pouco tempo começou a explorar, mas que pretende dominar para desenvolver este trabalho - seja em formato de curta, seja num projecto de longa duração.
Para concluir o dia, foi exibida a curta Bats in the Belfry (Morcegos no Campanário), com a qual João Alves venceu a edição de 2010 do MOTELx na categoria de "Melhor Curta".
Hoje, o dia começará cedo, com a primeira edição do Workshop de Escrita Criativa Fantástica do projecto Trëma, e com um dia repleto de apresentações, estreias e painéis. Da minha parte, poderão contar comigo às 17:00 (mais coisa menos coisa), juntamente com Artur Coelho e João Barreiros, a deixar algumas sugestões de livros, bandas desenhadas e jogos.
Nota#1: É com muita pena minha que não tenho fotografias, mas assim que apareçam algumas na Internet serão feitas as obrigatórias hiperligações.
Nota#2: Uma das coisas mais interessantes das convenções é o contacto com várias pessoas que partilham um interesse comum - no caso, o Fantástico. Nesse sentido, foi um prazer estar à conversa com o Nuno Reis, do SciFiWorld Portugal, apesar do pouco nexo nas minhas palavras (falta de descanso e de café).
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23 de novembro de 2012
21 de novembro de 2012
Fórum Fantástico: Lançamento do Workshop de Escrita Criativa Trëma
Tal como já tinha sido anunciado, o Fórum Fantástico 2012 vai ser o palco de lançamento do Workshop de Escrita Criativa do projecto Trëma. Com coordenação de Rogério Ribeiro e Luís Filipe Silva, este workshop terá uma periodicidade mensal e decorrerá na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro. As sessões mensais, que contarão com a presença de vários profissionais da área da escrita fantástica e da produção editorial, terão como base a leitura, a análise a discussão dos contos escritos pelos participantes, com intervenção dos coordenadores. O Workshop será apresentado no Fórum Fantástico, e terá como primeiros convidados Dan Wells, João Barreiros, Mário de Freitas, Luís Filipe Silva, Madalena Santos e Bruno Martins Soares.
Os temas serão os seguintes:
- Introdução ao Fantástico como exercício especulativo e seus subgéneros;
- A Ideia!;
- Caracterização: O Humano e o Outro;
- World Building e Pesquisa;
- Enredo e Conflito;
- Arco Narrativo;
- Função do Narrador;
- Voz, Linguagem e Estilo;
- Exposição;
- Diálogo;
- Gerir a Escrita;
- Revisões e Críticas;
- Publicação e Divulgação.
Mais informações no blogue oficial do Fórum Fantástico.
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20 de novembro de 2012
Fórum Fantástico: Painel de Banda Desenhada com Nuno Duarte e Joana Afonso
Quem esteve presente na edição de 2011 do Fórum Fantástico decerto se recordará do excelente painel de Banda Desenhada da convenção. Não querendo ficar atrás, a edição de este ano contará com a presença de dois jovens e promissores talentos da banda desenhada nacional: Nuno Duarte e Joana Afonso, que juntos apresentarão uma obra a todos os níveis interessante: O Baile (editado pela Kingpin).
Nuno Duarte, que já no ano passado esteve no Fórum Fantástico a apresentar A Fórmula da Felicidade (nomeado para seis prémios no Amadora BD), regressa para falar sobre O Baile, álbum de banda desenhada que leva zombies para o tempo do Estado Novo, em vésperas de uma visita papal. Joana Afonso, vencedora da edição de 2011 do concurso Amadora BD, ilustrou este trabalho com o seu traço inconfundível.
Mais informações no blogue oficial do Fórum Fantástico.
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15 de novembro de 2012
Fórum Fantástico 2012: Programa completo
Eis o programa completo do Fórum Fantástico 2012, com todas as sessões e actividades que irão decorrer entre 23 e 25 de Novembro na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Telheiras (Lisboa). Recorde-se que a entrada no Fórum Fantástico é gratuita, e que todos os dias: Durante o evento estará disponível uma Feira do Livro Fantástico, gerida pela livraria Dr. Kartoon, assim como uma banca da editora Saída de Emergência e uma banca de jogos da Runadrake.
Sexta-feira, 23 de Novembro
15:00 – Abertura do FF2012.
15:30 – WorldCon 2014, Londres
- Antevisão e projectos, apresentado por Rogério Ribeiro
16:00 – Workshop de Escrita Criativa Fantástica Trëma (I)
- Lançamento da iniciativa por Luís Filipe Silva e Rogério Ribeiro (coordenadores)
17:00 – Intervalo.
17:30 – Ilustração Fantástica
- Painel e apresentações com Ana Gomes e Luís Melo
18:00 – Criar SciFi
- Painel e apresentações com António de Macedo, João Leitão, Filipe Homem Fonseca e João Alves
*
Sábado, 24 de Novembro
11:00 – Workshop de Escrita Criativa Fantástica Trëma (II)
- Com João Barreiros, Madalena Santos e Bruno Martins Soares
12:30 – Intervalo.
14:20 – Lançamento "Trëma"
- Estreia exclusiva da nova publicação Trëma (org. Rogério Ribeiro)
14:40 – Lançamento "Lusitânia"
- Estreia exclusiva da nova publicação Lusitânia (org. Carlos Silva)
15:00 – Movimento Vaporpunk
- Visão da primeira EuroSteamCon Porto (Set. 2012), e apresentação do Almanaque Steampunk, com Joana Lima, Sofia Romualdo, Rogério Ribeiro, Joana Maltez e André Nóbrega
15:30 – Mitos e Fantasmas na ficção nacional
- Painel com David Rebordão, Cláudio Jordão, Nélson Martins e Vanessa Fidalgo
16:15 – O Conto do Vento
- Exibição da curta-metragem premiada, de Cláudio Jordão e Nélson Martins
16:30 – Intervalo
- Com sessão de autógrafos
17:00 – Sugestões de Livros e Jogos
- Apresentação com João Barreiros, Artur Coelho e João Campos
17:30 – À conversa com o Sr. Monstro
- Lançamento exclusivo de Sr. Monstro (Ed. Contraponto), de Dan Wells, com a presença do autor
18:00 – Lisboa no ano 2000, o retrofuturo electropunk
- Lançamento exclusivo da antologia Lisboa no ano 2000 (Ed. Saída de Emergência), organização de João Barreiros
18:30 – Sessão de autógrafos
*
Domingo, 25 de Novembro
11:00 – Workshop de Escrita Criativa Fantástica Trëma (III)
- Com Dan Wells, Mário de Freitas e Luís Filipe Silva
12:30 – Intervalo.
14:30 – Futuros Imperfeitos – Obras esquecidas da Ficção Científica Portuguesa do Séc. XX
- Apresentação por Luís Filipe Silva
15:00 – Cibercultura e Ficção.
- Lançamento exclusivo da antologia de textos Cibercultura e Ficção (Ed. Documenta), organizada por Jorge Martins Rosa no âmbito do projecto A Ficção e as Raízes da Cibercultura
15:30 – Ficções além-género
- Painel com Afonso Cruz, Pedro Guilherme Moreira e João Morales (moderador)
16:30 – Intervalo
- Com sessão de autógrafos.
17:00 – Banda-desenhada
- Painel com Nuno Duarte, Joana Afonso, Jorge Oliveira e João Lameiras (moderador)
17:45 – Super-Heróis à Portuguesa
- Painel com José de Matos-Cruz, Daniel Maia, João Leitão, Nuno Amado e Luís Filipe Silva
18:30 – Capitão Falcão S01E1/2
- A encerrar o FF2012, exibição do episódio-piloto de “Capitão Falcão”, de João Leitão
Organização: Épica/Rogério Ribeiro/Safaa Dib/João Campos.
Aviso: O programa agora divulgado está sujeito a correcções e adições até ao evento, portanto aconselhamos a consulta frequente do blog oficial. Apelamos a todos que divulguem o evento e o presente programa, mas juntando sempre o nosso endereço para possíveis actualizações.
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Trëma #1: A capa
Sim, eu estou metido ao barulho - e muito bem acompanhado, diga-se de passagem. Esta será a primeira edição da Trëma, com edição de Rogério Ribeiro, design de Ana Maria Baptista e uma magnífica ilustração de Luís Melo. Mais detalhes em breve.
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