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1 de fevereiro de 2013

Ursula K. Le Guin: "So much of fantasy and science fiction is just the art of suggestion"

Aos 83 anos, Ursula K. Le Guin é uma das grandes autoras contemporâneas do fantástico, tendo deixado ao longo das últimas décadas uma marca persistente tanto na ficção científica, com o seu Hainish Cycle, como na fantasia, com as histórias de Earthsea. O portal The Millions realizou uma interessante entrevista com a autora, que agora foi publicada online. Alguns excertos:

(...)

TM: You read a story by Tolkien and you turn around and say I’m going to do my own version of this with the same archetypes.
UKLG: Being in science fiction was great because there was an open and free borrowing of vocabulary and ideas and so on. [It] was not plagiarism in the slightest. It was simply artists using the same material. I always compare it to the Baroque music period, where they’re all borrowing from each other like crazy and they’re all building the same house.

TM: When you’re writing about these made-up worlds, the Hainish worlds, Orsinia, or Earthsea, you are imagining all these small details, what the chairs or the doorknobs look like. But there are limitations to what you can imagine.There’s only so much you can know.
UKLG: It becomes an obsessive game.

TM: Are you ever aware of that when you’re writing?
UKLG: No, because after all in writing if you don’t have to mention the doorknob you don’t. I think one reason why most science-fiction movies are so lousy is that in them you do have to imagine the doorknob and you have to design it. And every single visual object has to be designed to tie in together. And then you get into a literalism which is a little bit soul-killing. But in writing you get away with murder. You just suggest something. So much of fantasy and science fiction is just the art of suggestion. You don’t really tell people that much, but they think you have because they imagine it.

(...)

TM: When you write, how much of it is “doing not-doing,” the Taoist ideal? 
UKLG: Maybe, as I’ve gone on, what I’ve learned as a writer is that you do as little as possible. And part of it is leaving a lot of it up to the reader. And a lot of it is realizing you don’t have to do that much if you do the right thing. [Makes clicking sound] That’s enough. So my writing has tended to be shorter and more allusive than it used to be. I was re-reading The Lathe of Heaven — which I’m still fond of, which I still think is funny — but, boy would I cut it if I could. They talk too much. They explain things too much.

(...)


Fonte: SF Signal

6 de janeiro de 2013

Citação fantástica (48)

The trouble is that we have a bad habit, encouraged by pedants and sophisticates, of considering happiness as something rather stupid. Only pain is intellectual, only evil interesting. This is the treason of the artist: a refusal do admit the banality of evil and the terrible boredom of pain. If you can't lick'em, join'em. If it hurts, repeat it. But to praise despair is to condemn delight, to embrace violence is to lose hold of everything else. We have almost lost hold; we can no longer describe a happy man, nor make any celebration of joy.

Ursula K. Le Guin, The Ones Who Walk Away from Omelas (1973)

4 de janeiro de 2013

Contos: The Ones Who Walk Away From Omelas de Ursula K. Le Guin e The Sea and Little Fishes de Terry Pratchett

The Ones Who Walk Away from Omelas é sem dúvida um dos contos mais conhecidos de Ursula K. Le Guin - se não for mesmo o mais popular. Publicado originalmente em 1973, na antologia New Dimensions-3 de Robert Silverberg, foi o vencedor do Prémio Hugo para Melhor conto no ano seguinte e desde então foi editado em várias antologias da autora (como na antologia de 1975 The Wind's Twelve Quarters e na recente The Unreal and the Real: Selected Stories of Ursula K. Le Guin). Para retirar o óbvio do caminho:  The Ones Who Walk Away from Omelas é um conto a todos os níveis extraordinário, de uma simplicidade desarmante que atira o leitor ao tapete nos parágrafos finais quando revela a premissa da história e coloca uma questão deveras incómoda. Numa narrativa sem diálogos ou personagens, o narrador convida o leitor a descobrir Omelas, uma extraordinária cidade de utopia onde a vida é perfeita e toda a gente é feliz. Ou melhor: onde quase toda a gente é feliz. A felicidade da população de Omelas tem um preço que todos os seus cidadãos conhecem muito bem, pois todos o pagaram. Muito curto, o conto ganha força pelas descrições rápidas de Le Guin, pintando um quadro hiper-colorido e fascinante de uma utopia - para colocar no centro desse quadro uma pequena mancha negra, em forma de ponto de interrogação, que se assume como motivo principal da obra. Se a cidade é perfeita, quem são, então, aqueles que a abandonam? E por que motivo o fazem? No final, The Ones Who Walk Away from Omelas assume-se desconfortável, mas é desse desconforto que depende a premissa prinicipal do conto. Com uma escrita magistral, este será sem dúvida um dos grandes contos de Ursula K. Le Guin, e uma excelente prova do vasto mérito literário de uma das maiores autoras que o género já conheceu. 

The Sea and Little Fishes foi o primeiro texto que li de Terry Pratchett (e que me decidiu a começar a ler Discworld). Publicado em 1999 na antologia Legends, de Robert Silverberg, é possível encontrá-lo agora, numa versão ligeiramente aumentada, na antologia A Blink of the Screen: Collected Short Fiction de Pratchett. A personagem central de The Sea and Litthe Fishes é Granny Weatherwax, uma das principais personagens de Discworld e protagonista de livros como Equal Rites, Wyrd Sisters ou Witches Abroad, entre muitos outros. A história é simples: as bruxas de Lancre vão realizar o seu torneio anual de bruxaria (com várias modalidades), mas Lettice Earwig, a organizadora, não quer que Granny participe - pois sempre que participou, venceu o torneio de forma incontestável. A tarefa de convencer a anciã a não participar cabe, naturalmente, a Nanny Ogg, e tudo se complica quando, para supresa de todas, Granny concorda em não concorrer. É claro que a história não acaba aqui - e é claro que, tratando-se de Granny Weatherwax, nada do que se seguirá será exactamente previsível. Fiel ao estilo que o tornou num dos mais aclamados autores contemporâneos de fantasia, Terry Pratchett tem em The Sea and Little Fishes um conto longo e muito bem conseguido, no qual utiliza personagens e um contexto já familiares para desenvolver uma história simples e muito, muito divertida. Em termos cronológicos, antecederá A Hat Full of Sky, o trigésimo-segundo livro de Discworld, servindo-lhe de prequela; pode, no entanto, servir como uma excelente introdução à série e ao seu singular sentido de humor. Só por si, vale o preço da antologia (que tem mais contos muito bons). 

30 de dezembro de 2012

2012 em leituras

Tal como nos videojogos, também nas leituras dediquei em 2012 muito pouco tempo às novidades editoriais do ano, optando por continuar a ler muitos dos clássicos da fantasia e da ficção científica que tenho em falta. É certo que a lista de leituras futuras continua a ser muito longa, mas algumas lacunas mais sérias já foram preenchidas - e, diga-se de passagem, com imenso prazer. Seria difícil (para não dizer inútil) falar num único artigo de todos os livros que li em 2012, isto partindo do princípio de que ainda seria capaz de enumerar a lista completa. Assim, e tendo a sensação de que me esqueço de algo, aqui ficam os meus destaques de leitura deste ano que está mesmo quase a terminar. 

The Stars My Destination (Alfred Bester, 1953)
Descrito frequentemente como O Conde de Montecristo da ficção científica, The Stars My Destination conta a fabulosa e sangrenta odisseia de vingança de Gully Foyle, um homem em nada excepcional que foi abandonado à sua sorte nos destroços de uma nave espacial à deriva no Sistema Solar. Isto num futuro em que a Humanidade se espalhou pelos vários planetas e satélites mais próximos, e em que toda a gente possui a capacidade de se teletransportar. As alterações sociais provocadas pelo teletransporte compõem o quadro de forma brilhante, mas é Gully Foyle, um autêntico Zé-Ninguém, quem carrega a narrativa às costas a passo de corrida, num ritmo tão vertiginoso como violento, cruzando-se com personagens fascinantes (como Dagenham ou Olivia Presteign) à medida que junta as várias peças do puzzle que é a sua vingança. Muito do que se seguiu na ficção científica literária tem neste livro as suas raízes, o que, julgo, diz alguma coisa sobre quão importante foi na sua época.

The Forever War (Joe Haldeman, 1973)
Numa das mais relevantes obras da ficção científica militar, Joe Haldeman transporta a Guerra do Vietname - na qual combateu - para um futuro no qual as grandes batalhas são travadas no espaço. Da recruta ao combate real, Haldeman usa o pretexto da guerra contra os "Taurans" para reflectir sobre o absurdo da guerra, sobre a forma como nunca conhecemos verdadeiramente o nosso inimigo, e sobre a forma como a guerra muda de forma inevitável e irreversível quem nela participa. Quando o familiar se torna estranho e quando as causas se tornam difusas, qual é o sentido do combate? Com uma narrativa muito bem articulada, Haldeman recorre a um realismo científico invulgar para colocar estas (e outras) questões, utilizando a relatividade do tempo no espaço para acentuar a estranheza dos combatentes à medida que os anos se sucedem a ritmos diferentes na guerra e no mundo que o soldado Mandella e os seus companheiros juraram proteger. A todos os níveis, The Forever War é uma obra fundamental na ficção científica. 

A Canticle for Leibowitz (Walter M. Miller, Jr., 1960)
É possível que A Canticle for Leibowitz seja a obra mãe da ficção pós-apocalíptica que tão bons livros e filmes nos deu ao longo das últimas décadas. Muitos anos após o cataclismo nuclear que arrasou a civilização no então longínquo século XX, os frades da Ordem de Leibowitz - que julgam um mártir - dedicam-se à preservação de todo o conhecimento científico que esteja ao seu alcance, ainda que nem sempre tenham um entendimento muito preciso daquilo que têm em mãos. Isto, claro, enquanto tentam obter a beatificação do seu santo padroeiro, e enquanto lutam pela sobrevivência num mundo devastado. Publicada originalmente na The Magazine of Fantasy and Science Fiction em três partes, A Canticle for Leibowitz é uma história muito bem conseguida e particularmente bem humorada sobre a natureza humana, e sobre o carácter cíclico - e quase sempre irónico - que a História acaba sempre por assumir.

Hyperion / The Fall of Hyperion (Dan Simmons, 1989/1990)
Ainda a leitura ia a meio e já Hyperion, de Dan Simmons, se tinha tornado num dos meus livros de ficção científica preferidos - pela escrita elegante, pelas referências literárias, e sobretudo pela densidade da narrativa. Um acaso que é tudo menos casual juntou sete desconhecidos numa peregrinação à lendária criatura conhecida como Shrike, no remoto planeta Hyperion - e, durante a longa viagem, decidem partilhar as suas histórias e o que os levou a alinhar naquela aventura suicida. Mais do que uma história, Hyperion é composto pelas formidáveis histórias individuais de cada um dos peregrinos, que contém as várias peças do vasto puzzle da guerra de proporções galácticas que se avizinha. Afinal, qual é a relevância de Hyperion no conflito entre os mundos da Web e os Ousters? E qual é o papel da AI Technocore? As respostas são dadas no surpreendente The Fall of Hyperion, fechando de forma formidável esta parte dos Hyperion Cantos

Stand on Zanzibar (John Brunner, 1968)
Para todos os efeitos, John Brunner falhou na previsão: apesar de a população terrestre em 2010 ser de (mais ou menos) sete mil milhões de indivíduos, as consequências da sobrepopulação estão longe daquelas que imaginou em Stand on Zanzibar. O que, para todos os efeitos, é irrelevante: a sobria distopia que descreveu de forma prodigiosa neste livro premiado continua a ser relevante e, acima de tudo, assustadoramente plausível. Num estilo narrativo que, sendo reminescente de John Dos Passos, nunca deixa de ser original e inovador, Stand on Zanzibar marcou os anos da "New Wave" com as histórias paralelas de Norman House e Donald Hogan num mundo caótico onde o espaço e a privacidade se tornaram luxos. As muitas histórias paralelas dão cor ao mundo imaginado por Brunner ao focar os vários aspectos desta distopia, e há qualquer coisa de vagamente premonitório (e genial) nos infodumps com que o autor apresenta personagens, introduz factos e coloca mais questões do que respostas. 

Lord of Light (Roger Zelazny, 1967)
Pode um livro excepcional ter origem num trocadilho? Pode, e Roger Zelazny demonstrou-o em 1967 com Lord of Light, misturando fantasia épica e ficção científica de forma elegante e irónica. O trocadilho fica à descoberta dos leitores, tal como a história de Mahasamatman, que deixou cair o -Maha e o  -atman para ser conhecido apenas por Sam. Sam abandonou o panteão dos deuses para viver entre os homens e, no seu caminho, decidiu devolver à Humanidade todo o conhecimento e todo o progresso que aqueles lhe negavam. Como é que uma história sobre a revolta contra o divino pode incluir ficção científica? Esse é justamente uma das maravilhas de Lord of Light e da sua recriação sui generis das divindades Hindus. Com uma interessante estrutura narrativa circular, Zelazny desenvolve uma fascinante história de queda e ascensão onde Yama, Brahma, Shiva, Ratri, Mara e Ganesha merecem destaque, mas na qual é Sam, o Buddha, quem de facto brilha. 


The Colour of Magic (Terry Pratchett, 1983)
No final do ano passado, defini como única resolução para 2012 começar a ler a série Discworld, de Terry Pratchett, após me ter maravilhado com o conto The Sea and Little Fishes que encontrei na antologia Legends, de Robert Silverberg. Logo em Janeiro li The Colour of Magic, primeiro volume nesta série que já conta com 39 livros publicados, vários contos e inúmeros livros paralelos, e apesar de esperar uma leitura divertida, acabei por me surpreender com a (aparentemente infinita) capacidade de Pratchett descrever as mais absurdas e hilariantes situações no mundo fantástico de Discworld (que, como se sabe, assenta sobre quatro elefantes enormes que estão de pé sobre a carapaça da Great A'tuin, a tartaruga cósmica). The Colour of Magic apresenta o inábil feiticeiro Rincewind, a formidável Luggage, a Morte e a grande cidade de Ankh-Morpork - e ainda que possa não ser o livro mais divertido da série, é nele que tudo tem início.


The Farthest Shore (Ursula K. Le Guin, 1972)
Earthsea, o universo de fantasia de Ursula K. Le Guin, ocupa um lugar de destaque na fantasia moderna. Com cinco romances e vários contos, Earthsea esconde vários temas adultos numa narrativa de tom mais próximo da literatura young adult e em personagens e localizações fascinantes. A Wizard of Earthsea é o primeiro desses livros, publicado em 1968, mas foi The Farthest Shore, o terceiro livro da série, que mais me tocou. Com a magia a desaparecer do mundo, o feiticeiro Ged junta-se ao jovem príncipe Arren numa viagem pelas ilhas mais remotas do vasto arquipélago de Earthsea. Nessa expedição encontram tribos muito diferentes, dragões e um terrível inimigo que os obrigará a ir para lá dos limites do mundo desconhecido e a enfrentar os seus maiores receios. Tal como nos outros livros da série, em The Farthest Shore Le Guin desenvolve uma história muito contida com um ritmo excepcional, explorando novas facetas do universo de Earthsea numa aventura que se revela mais madura do que aquelas que a antecedem.

The Last Wish (Andrzej Sapkowski, 1993)
The Witcher e The Witcher 2: Assassins of Kings são dois dos mais aclamados videojogos dos últimos cinco anos, e têm a sua origem na obra do escritor polaco Andrzej Sapkowski. Nos vários contos que compõem a antologia The Last Wish, Sapkowksi apresenta Geralt of Rivia, o cínico caçador de monstros que assume o papel principal tanto nos livros e contos como nos populares videojogos. À primeira vista, o universo descrito nos vários contos que compõem The Last Wish parece semelhante a outros universos de fantasia medieval de inspiração tolkieniana, com elfos e anões a conviverem com os seres humanos, e com muita sword & sorcery. A diferença reside no tom, e é aqui que Sapkowski revela toda a sua mestria, criando fábulas que, num tom tão cínico como sarcástico, desconstroem as convenções e os clichés da fantasia épica e dos contos de fadas para criar histórias onde o Bem e o Mal raramente são aquilo que parecem ser

9 de dezembro de 2012

Citação fantástica (44)

When I was young, I had to choose between the life of being and the life of doing. And I leapt at the latter like a trout to a fly. But each deed you do, each act, binds you to itself and to its consequences, and makes you act again and yet again. Then very seldom do you come upon a space, a time like this, between act and act, when you may stop and simply be. Or wonder who, after all, you are.

Ursula K. Le Guin, The Farthest Shore (1972)

8 de novembro de 2012

Nova antologia de contos de Ursula K. Le Guin

No final de Novembro (27, segundo a Amazon), será lançada a nova antologia de contos de Ursula K. Le Guin. Intitulada The Unreal and the Real: Selected Stories of Ursula K. Le Guin, esta antologia reúne 40 contos publicados pela autora norte-americana ao longo dos seus mais de 50 anos de carreira literária - no fantástico, e não só. O primeiro volume, intitulado Where on Earth, é composto por 19 contos cuja acção se desenrola em universos ficcionais de carácter mais "realista", como Orsinia, o país do centro europeu criado pela autora que serve de palco a várias histórias. O segundo volume, Outer Space, Inner Lands, consiste em 21 contos de fantasia e ficção científica que revisitam o universo de Earthsea, os mundos de Hain, e outras histórias. Cada um dos volumes inclui uma introdução da autora.

Quase todos (ou mesmo todos) os contos apresentados nesta antologia já foram publicados anteriormente, nas muitas compilações de ficção curta de Ursula K. Le Guin que foram publicadas ao longo dos anos, e mesmo noutras antologias nas quais participou. Ainda assim, não deixa de ser uma excelente colecção de ficção curta de uma das mais relevantes autoras de fantasia e ficção científica da segunda metade do século XX. 



29 de outubro de 2012

Nova antologia de Fantasia republica contos de Ursula K. Le Guin e George R. R. Martin

Epic - Legends of Fantasy é o nome da nova antologia de fantasia editada pelo autor norte-americano John Joseph Adams, que reúne contos de alguns dos autores consagrados deste género do Fantástico. Entre os contos reeditados destacam-se The Word of Unbinding, de Ursula K. Le Guin, conto fundador do universo Earthsea (original de 1964), e The Mistery Knight, de George R. R. Martin, terceiro conto de Dunk & Egg no universo de A Song of Ice and Fire. Orson Scott Card, Robin Hobb, Tad Williams e Michael Moorcock estão entre os autores presentes nesta antologia, publicada pela Tachyon Publications e disponível a partir de Novembro.





Fonte: Not a Blog

21 de outubro de 2012

Citação fantástica (37)

It is a terrible thing, this kindess that human beings do not lose. Terrible, because when we are finally naked in the dark and cold, it is all we have. We who are so rich, so full of strength, we end up with that small change. We have nothing else to give.

Ursula K. Le Guin, The Left Hand of Darkness (1969)

Ursula K. Le Guin (1929 - )

Filha do antropólogo Alfred. L. Koeber e da escritora Theodora Koeber, desde cedo Ursula K. Le Guin se notabilizou na literatura fantástica, que procurou utilizar para abordar de forma menos restrita temas relevantes como as questões de género, o feminismo ou a identidade racial - o que é visível sobretudo (mas não só) em algumas das obras que compõem o célebre "Hainish Cycle". A sua obra valeu-lhe vários prémios - como o Hugo, o Nébula e o Locus na ficção científica, o World Fantasy Award na fantasia, e vários outros - e um reconhecimento literário que por várias vezes transcendeu as fronteiras do género. 

Na ficção científica, Ursula K. Le Guin tornou-se conhecida com The Left Hand of Darkness (1969) e The Dispossessed (1974), obras vencedoras dos prémios Hugo e Nébula e parte integrante do "Hainish Cycle". Desta série dispersa de ficção científica fazem parte vários outros livros, como Rocannon's World (1966), Planet of Exile (1966), City of Illusions (1977), The Word for World is Forest (1976), Four Ways to Forgiveness (1995) e The Telling (2000). Do "Hainish Cycle" fazem também parte vários contos publicados em inúmeras antologias de ficção curta que Le Guin publicou ao longo dos anos, como The Wind's Twelve Quarters (1975), The Birthday of the World: And Other Stories (2002), entre muitas outras. Ainda na ficção científica, publicou The Lathe of Heaven (1972) e Lavinia (2008). 

Já na fantasia, Ursula K. Le Guin notabilizou-se sobretudo pelo extraordinário mundo de Earthsea, uma série única sobre um mundo de ilhas num vasto oceano, com fortes influências das filosofias orientais. De Earthsea fazem parte os livros A Wizard of Earthsea (1968), The Tombs of Atuan (1971), The Farthest Shore (1972), Tehanu: The Last Book of Earthsea (1990) e The Other Wind (2001), assim como a antologia Tales From Earthsea (2001) e vários contos dispersos por outras colectâneas. 

Ursula K. Le Guin nasceu em Berkeley, na Califórnia (Estados Unidos) em 1929, e celebra hoje 83 anos.

24 de agosto de 2012

A utopia ambígua de The Dispossessed

A obra-prima de Ursula K. Le Guin na ficção científica é um exemplo perfeito da utilização da ficção científica do género para reflectir, num futuro que nos é estranho, sobre um contexto real e muito pertinente. Publicada em 1974, The Dispossessed: An Ambiguous Utopia venceu vários prémios de ficção científica com a sua visão particularmente lúcida sobre a Guerra Fria e as imperfeições inerentes a qualquer utopia (as "ambiguidades" a que se refere o subtítulo). 

Urras e Anarres são dois planetas distantes que constituem um sistema binário - como se um fosse a lua do outro. Ambos os planetas estão habitados por humanos, mas entre as sociedades que neles residem há um abismo tão grande como o vazio do espaço que os separa. Urras é muito semelhante à Terra, tanto do ponto de vista geográfico como do ponto de vista social. Numa analogia evidente à Guerra Fria que marcou os anos 70, Le Guin coloca em oposição, em Urras, a sociedade capitalista de A-Io e o estado socialista de Thu - uma oposição que chega a manifestar-se através de uma guerra de proximidade na região de Benbili, quando se dá uma revolução. Já o árido Anarres, por seu lado, está "colonizado" por uma sociedade anarquista e colectivista, formada por dissidentes de Urras que se exilaram naquele mundo. Em Anarres não existe governo ou outras instituições de poder; o idioma artificial falado por todos praticamente elimina o possessivo, e a educação incide sobretudo na valorização do colectivo e na demonização do indivíduo e do pessoal (donde resulta o título). 

O protagonista é Shevek, um físico brilhante de Anarres, que aceita o convite de uma reputada universidade de A-Io em Urras para expor e continuar a desenvolver as suas teorias. É a partir do ponto de vista de Shevek que o leitor acompanha a narrativa bipartida: os capítulos de número ímpar centram-se no presente da história, com a chegada de Shevek a Urras e toda a sua experiência naquele mundo; nos capítulos de número par, o leitor segue o passado de Shevek em Anarres, desde a infância até à idade adulta. Mais do que uma reflexão importante sobre a política e a sociedade da época em que foi escrito, The Dispossessed: An Ambiguous Utopia é uma reflexão importante e lúcida sobre a impossibilidade de uma sociedade perfeita. É de facto uma utopia ambígua, no sentido de que nenhuma das alternativas apresentadas é viável para a felicidade humana quando levadas até às últimas consequências.

Apesar de o protagonista ter nascido e vivido sempre numa destas sociedades, Le Guin dá-lhe um olhar especialmente crítico sobre o mundo colectivista de Anarres, e também sobre a instabilidade social que encontra nas sociedades aparentemente livres de Urras. Um autor menor cairia provavelmente no erro de colorir o ponto de vista mas próximo da sua ideologia; Le Guin, porém, consegue abstrair-se das realidades opostas que ela mesma desenvolveu, observando-as criticamente mas jamais tomando partido. A alternativa melhor - ou menos má - fica ao critério do leitor.

5 de agosto de 2012

Citação fantástica (25)

The end justifies the means. But what if there never is an end? All we have is means.

Ursula K. Le Guin, The Lathe of Heaven (1971)

2 de julho de 2012

Julgar o livro pela capa (7)

Nos livros, gosto de capas com boas ilustrações, evocativas e elaboradas. Por vezes, contudo, uma capa excelente pode ser feita de forma extremamente simples. Há algumas semanas, dei aqui o exemplo da edição brasileira de Neuromancer; hoje, apresento aqui uma outra, um pouco diferente mas julgo que na mesma linha, que me encantou desde o momento em que a vi. Falo da capa original da antologia de contos The Wind's Twelve Quarters, de Ursula K. Le Guin. Nada de muito complexo - um fundo branco e limpo com o motivo central interessante que alude simultaneamente à ideia subjacente ao título e ao conteúdo da própria antologia. Não é preciso mais.




Nota: aceitam-se sugestões e contribuições para esta série.

24 de junho de 2012

Citação fantástica (19)

It is our suffering that brings us together. It is not love. Love does not obey the mind, and turns to hate when forced. The bond that binds us is beyond choice. We are brothers. We are brothers in what we share. In pain, which each of us must suffer alone, in hunger, in poverty, in hope, we know our brotherhood. We know it, because we have had to learn it. We know that there is no help for us but from one another, that no hand will save us if we do not reach out our hand. And the hand that you reach out is empty, as mine is. You have nothing. You possess nothing. You own nothing. You are free. All you have is what you are, and what you give.

Ursula K. Le Guin, The Dispossessed: An Ambiguous Utopia (1974)

9 de maio de 2012

Clube de Leitura Bertrand do Fantástico: The Wizard of Earthsea, com Maria do Rosário Monteiro (1)

O Clube de Leitura Bertrand do Fantástico reuniu uma vez mais em Lisboa na passada Sexta-feira, 04 de Maio, para falar sobre The Wizard of Earthsea, de Ursula K. Le Guin - e, claro, sobre os restantes livros que compõem o Earthsea Quartet. A convidada foi a professora Maria do Rosário Monteiro, que na sua carreira académica estudou o Fantástico, tendo trabalhado, em tese, sobre as obras de Tolkien e Le Guin. A "moderar" a tertúlia esteve, como sempre, o Rogério Ribeiro, que desta vez apostou num formato ligeiramente diferente e mais "interactivo", convidando (desafiando?) a assistência a intervir com maior regularidade - o que, diga-se de passagem, resultou muito bem, tornando a tertúlia quase numa conversa entre o Rogério, a Maria do Rosário Monteiro e todos os presentes. 

Maria do Rosário Monteiro começou por referir que se nota muito a evolução da própria autora da primeira à quarta história. The Wizard of Earthsea é, na sua essência, uma história de aventura, orientada sobretudo para um público mais jovem (mas não só), "aplicando a ideia tradicional do herói com uns pozinhos de Jung e de taoísmo". Esta primeira aventura é, na sua essência, a jornada pessoal de Ged na descoberta de si mesmo, até à aceitação e harmonização dos seus aspectos positivos e negativos. "É uma narrativa de auto-aprendizagem", considera Maria do Rosário Monteiro, "assente na noção de que não mudamos o mundo." Relembrando o carácter inato da magia em Earthsea, a professora sublinha o carácter "científico" que o controlo desta assume, seguindo um processo racionalizado. No centro da magia neste universo reside a palavra, enquanto essência do ser - demonstrada por Ged no final da narrativa. 

No segundo livro, The Tombs of Atuan - obra que, de acordo com a própria autora, surgiu a partir de um reparo da própria mãe sobre o facto de Le Guin ser declaradamente feminista e no entanto escrever sobre personagens masculinos -, o protagonismo é dado a uma mulher, Tenar. Para Maria do Rosário Monteiro, Tenar manteve a ambivalência tradicional das deusas femininas - o que lhe dá particular força - e ganhou com isso densidade, sem em momento algum cair "nos radicalismos femininos". No entanto, a construção desta personagem foi um desafio por "não haver na altura tradição literária para heroínas" - e também pela dificuldade de desenvolver uma heroína "que não tem actos heróicos".

Já The Farthest Shore, o terceiro livro da série, é para Maria do Rosário Monteiro uma história "muito bonita e altamente filosófica", na qual Ged regressa como protagonista. O seu novo papel de "tutor" (de Arren) ilustra o problema da escolha e da responsabilidade - ideia cara a Le Guin, a de que todos os actos têm uma consequência, que o protagonista resolve através da sua própria definição da "filosofia da não-acção", noção central no taoísmo (conforme relembra Maria do Rosário Monteiro, este "é um problema sem solução dentro do próprio taoísmo"). The Farthest Shore, com o seu final aberto e incerto, deixou porém a Ursula K. Le Guin um problema por resolver: "como dar continuidade ao Ged e desenvolver uma filosofia feminina com Tenar" Na opinião da convidada, Tehanu, escrito vários anos após o terceiro livro, é um excelente regresso da autora ao mundo de Earthsea , sobretudo porque o livro anterior "acaba numa situação de desequilíbrio entre a vida e a morte", que a continuação resolve [felizmente, falou-se pouco deste livro, que ainda não li].

A sessão, desta vez, contou com uma audiência mais participativa (e não houve a habitual "música ambiente" no exterior da livraria), que na sua maioria tinha lido Earthsea nas edições "Quartet" em inglês. Os vários livros que compõem a série têm várias traduções em Português - a mais recente é da Editorial Presença, numa edição claramente orientada para um público infantil-juvenil (mais infantil, até). Luís Filipe Silva relembrou que o fenómeno do "infantil-juvenil" expandiu-se com outro fenómeno literário muito forte - Harry Potter -, sem que a colecção da Presença tenha tido o sucesso antecipado. "Salvaram-se" alguns autores, entre os quais Ursula K. Le Guin - e ficaram as capas horríveis e infantis numa obra "com uma linguagem mais adulta e um estilo mais adulto". 

Esta sessão do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico não se esgotou contudo em Earthsea e Ursula K. Le Guin. Dos géneros do Fantástico a Tolkien, passando pela edição e pela literatura actual, vários foram os temas abordados por Maria do Rosário Monteiro ao longo daquela hora e meia que acabou por saber a pouco. Sobre esses temas, falarei noutro artigo. 

4 de maio de 2012

Earthsea e The Farthest Shore

Será Earthsea, de Ursula K. Le Guin, uma das grandes séries da literatura de fantasia? Após a leitura dos três primeiros livros, diria que sim: no mundo de Earthsea, composto pelas centenas - milhares? - de ilhas dispersas pelo Arquipélago central e pelas ilhas dos quatro "Reaches", Le Guin desenvolveu um universo fantástico incrivelmente rico, digno de figurar entre os outros grandes universos da fantasia literária. Composta por cinco volumes (The Wizard of EarthseaThe Tombs of AtuanThe Farthest Shore, Tehanu e The Other Wind) e por vários contos (compilados na antologia Tales from Earthsea), a série Earthsea segue, nos três primeiros livros - aqueles que li até agora -, a vida do feiticeiro Ged desde a sua infância na ilha-montanha de Gont até ao seu tempo como Arquifeiticeiro dos feiticeiros de Roke.

No entanto, cada um dos três primeiros livros conta uma aventura (chamemos-lhe assim) específica de Ged, e entre eles passam-se, na cronologia de Earthsea, vários anos. Em momento algum Ursula K. Le Guin sente a necessidade de contar tudo o que se passou - ao longo das histórias que decide contar, deixa alguns fragmentos de aventuras vividas nos interregnos da narrativa, mostrando que aqueles períodos não estão vazios e que têm importância - mas não são a história que ela pretende contar. O que, do ponto de vista narrativo, é excelente: ao resistir à tentação (se é que sentiu tal tentação) de contar tudo, Le Guin conseguiu centrar-se no essencial, e assim criar um universo bastante coeso, com três aventuras muito contidas, narradas a um ritmo excelente. É justamente nestes pontos que Ursula K. Le Guin revela toda a sua capacidade criativa, que já a destacara na ficção científica: consegue imaginar um mundo visualmente rico e seleccionar exactamente o que quer contar e como o quer contar,

Normalmente, quando quero escrever sobre um livro que faça parte de uma série, costumo escrever apenas sobre o primeiro volume da série, de forma a evitar eventuais spoilers. Vou no entanto abrir uma excepção hoje e, ao abordar Earthsea, de Ursula K. Le Guin, vou falar não do primeiro livro da série, The Wizard of Earthsea, mas do terceiro, intitulado The Farthest Shore. O motivo é simples: dos três livros que compõem a trilogia original, The Farthest Shore foi aquele que mais me prendeu. Sim, a perseguição do primeiro livro é excelente, sobretudo no desenlace. Sim, o labirinto de The Tombs of Atuan é extraordinário, e Tenar é uma personagem com um ponto de vista muito interessante. Mas o mistério de The Farthest Shore, com a magia e o conhecimento a desaparecerem do mundo enquanto um vazio indefinido se parece instalar, é a todos os níveis formidável; e ainda que durante a narrativa sejam dadas várias pistas sobre a natureza do vilão, sobre o papel de Arren e sobre a importância da constelação da estrela Gobardon (sempre referida num tom particularmente ominoso), a verdadeira natureza do enigma perdura, cada vez mais empolgante, até ao final. Na sua fascinante odisseia viagem pelos mais remotos arquipélagos de Earthsea, Ged e Arren encontram povoações mergulhadas na apatia, escapismo pelo consumo de drogas, traficantes de escravos, civilizações estranhas, dragões e as sombras para lá dos limites do mar sem fim. 

Não sei se (ou como) a história de Ged continua no quarto livro, Tehanu (tenho evitado spoilers, o que é particularmente difícil quando se tem o livro aqui mesmo ao lado). The Farthest Shore, contudo, funciona muito bem como uma conclusão para esta personagem. É, sem dúvida, uma viagem extraordinária, daquelas que a grande fantasia consegue oferecer-nos de forma única.

Este artigo surge, naturalmente, no contexto da sessão de hoje do Clube de Leitura Bertrand do Fantástico que se realizará hoje, às 19:00, no Espaço do Autor da Livraria Bertrand do Chiado (Lisboa). O livro que dá o mote à tertúlia é, justamente, o primeiro livro da série Earthsea, de Ursula K. Le Guin: The Wizard of Earthsea. A convidada será a professora Maria do Rosário Monteiro, autora de A Simbólica do Espaço em O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien. A moderação, como é habitual, estará a cargo de Rogério Ribeiro. 

29 de abril de 2012

Citação fantástica (11)

Do nothing because it is righteous or praiseworthy or noble to do so; do nothing because it seems good to do so; do only that which you must do and which you cannot do in any other way.

Ursula K. Le Guin, The Farthest Shore (1972)

27 de abril de 2012

The Lathe of Heaven

Quando se fala em Ursula K. Le Guin, as obras mais referenciadas são, na ficção científica, The Left Hand of Darkness e The Dispossessed, e a série Earthsea na fantasia. Justamente, diga-se de passagem. No entanto, há um outro livro da autora que, ainda que seja menos referenciado, nem por isso o considero inferior - sendo mesmo absolutamente brilhante em alguns momentos. Falo de The Lathe of Heaven.

The Lathe of Heaven começa com uma premissa interessante: o protagonista, George Orr, vive em profunda depressão por causa dos seus sonhos. Ou melhor, por aquilo que acaba por ser designado por "sonhos effectivos" - sonhos profundos que têm o poder de alterar toda a realidade. Como se substituíssem a realidade conhecida e vivida por todos por a nova realidade, sem que ninguém perceba a diferença - excepto Orr, claro, que mantém a memória da realidade anterior. Orr tenta por todos os meios impedir-se de ter "sonhos efectivos", recorrendo ao consumo abusivo de drogas, o que acaba por o conduzir a um psiquiatra. Esse psiquiatra, William Haber, revela-se céptico quanto à capacidade de Orr conseguir alterar a realidade através dos seus "sonhos efectivos". No entanto, após induzir o seu paciente num sonho efectivo, sugerindo-o através de hipnose e de uma máquina por si desenvolvida (o Augmentor), verifica de facto o poder de Orr - e não hesita em utilizá-lo, a pretexto de terapia, para tentar criar um mundo melhor - e, naturalmente, para aumentar o seu poder e prestígio. Naturalmente, as coisas começam a complicar-se devido à sua ambição - e também devido à capacidade de o inconsciente de Orr mostrar como um mundo perfeito é apenas uma fachada para um intrincado novelo de imperfeições.

É justamente neste ponto que reside a força da narrativa de The Lathe of Heaven: Le Guin consegue, com inegável mestria, demonstrar como cada utopia encerra em si uma distopia, e como o ambicionado "mundo perfeito" não pode jamais existir. As tentativas de Haber mudar o mundo para melhor esbarram sempre no inconsciente de Orr - que, no fundo, é o refúgio da sua humanidade, e da sua incapacidade ignorar as "imperfeições" que definem os seres humanos - e assim gerando distopias cada vez maiores, em proporção às utopias ambicionadas por Haber. 

Diz-se que The Lathe of Heaven é o tributo de Ursula K. Le Guin a Philip K. Dick. As influências estão lá todas, de facto, com o tema das múltiplas realidades - tão caro a Philip K Dick - a ser abordado de forma particularmente interessante e, a meu ver, original.

The Lathe of Heaven conheceu duas adaptações para filme. A primeira adaptação, de 1980, foi para um filme televisivo, e Le Guin participou activamente na produção, considerando o resultado satisfatório. Já a segunda, de 2002, foi, nas palavras da própria Le Guin, "misguided and uninteresting".



18 de março de 2012

Citação fantástica (5)

The individual cannot bargain with the State. The State recognizes no coinage but power: and it issues the coins itself.

Ursula K. Le Guin, The Dispossessed: An Ambiguous Utopia (1974)